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CAPÍTULO IV. SUCESSO E INSUCESSO ESCOLAR

4.2 Contributo do Ambiente Familiar para o Sucesso Escolar

A escola e a família não podem ser encaradas como contextos de educação independentes, ambas são agentes de socialização primária que se completam mutuamente na formatura humana e social do indivíduo (Alarcão, 2006).

Importa referir, que nas múltiplas investigações que compreendem este domínio, são várias as relações positivas que se observam entre o envolvimento parental dos pais e o desempenho escolar dos filhos, bem como o contacto com os pares dos filhos e o sucesso académico destes (Soares & Almeida, 2011; Kordi, 2010; Sapienza et al., 2009; Torres et al., 2008; Chechia & Andrade, 2005; Ferreira & Maturano, 2002).

Segundo Alarcão (2006), os pais devem procurar a colaboração da escola e até, idealmente, interessar-se ativamente na vida da escola, pois ambos têm a obrigação de educar a criança e ajudá-la a desenvolver-se na sua tripla dimensão bio – psico – social. Um relacionamento mais próximo com a escola dá uma maior noção do ambiente em que decorrem as aprendizagens e proporciona uma troca de experiências enriquecedoras para ambos, sobretudo benefícios para os alunos a nível cognitivo, afetivo, social e da personalidade (Polonia & Dessen, 2005). González (1992) refere que quando existem boas relações família – escola, facilitam o processo de aprendizagem dos filhos, aumentando o rendimento escolar.

Os pais, que tão bem conhecem os seus filhos, são as pessoas com melhores condições para juntamente com os profissionais de educação ajudarem as crianças a resolverem os seus problemas, ambos devem complementar-se e devem estar interessados em se informarem reciprocamente e constantemente (Dessen & Polonia, 2007; Polonia & Dessen, 2005).

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Muitas vezes os pais veem os filhos como seres únicos, estando permanentemente atentos às suas particularidades e às suas necessidades afetivas, contudo, os professores, pelo contrário, enquanto profissionais, “olham” para cada aluno e veem um membro de um grupo, no seio do qual é necessário instaurar uma dinâmica coletiva que passa por uma certa uniformização nas formas de tratamento (Piva, 2010). No entanto, sendo a afetividade um fator primordial, sobretudo aos olhos dos progenitores a um nível do desenvolvimento do sujeito, há aspectos que devem ser tomados de igual modo em conta. É importante que os pais dos alunos percebam o trabalho dos professores e as estratégias adotadas pelos mesmos, em que abracem uma postura de empatia e sejam prestáveis e cooperativos sobretudo para comunicar, o que não se verifica muitas das vezes e de tal forma contribuem para o aparecimento de determinados conflitos e limitações em relação ao contexto escolar (Piva, 2010; Dessen & Polonia, 2007), estando por vezes, estes conflitos, associados à imagem negativa que os pais têm de si próprios e da sua própria experiência escolar, posteriormente projetada na vida escolar dos seus filhos (Polonia & Dessen, 2005).

A interação entre professor, progenitor e aluno é algo essencial e de extrema importância, em que deve ser tido em conta pelas famílias, de forma a proporcionar um ambiente que conduza a comunicação de um modo eficaz e propicie oportunidades adequadas, pois os professores mostram-se muito mais interessados e participativos na educação dos alunos, quando entram em contacto com pais interessados na educação dos seus filhos e com vontade de comunicar (Cavalcante, 1998), estando de acordo com os resultados divulgados no inquérito internacional de TALIS desenvolvido em 2008 pela OCDE.

Porém, em outras circunstâncias, também é verificável o surgimento de limitações por parte das instituições educativas, em que por vezes, conceitos como os valores, crenças, vivências, conceções e informações adquiridas pelo aluno são postos de parte (Polonia & Dessen, 2005).

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É importante referir, que há profissionais de educação que não valorizam a estreita e essencial ligação que a escola e a família devem ter, não vêm qualquer influência na otimização de processos como a aprendizagem, a socialização e desenvolvimento do indivíduo, o que está incorreto e limita o progredir de cada aluno/sujeito a um nível de maior mestria, tornando-se por vezes uma limitação ou até mesmo um conflito passível de vários contextos (Costa, 2003).

Parece essencial acentuar que as relações funcionais e necessárias acrescidas de ambos os contextos (família - escola) não se resumem apenas numa afirmação/aceitação da sua própria relevância, há necessidade tanto por parte dos professores como dos progenitores em tirar prazer dessa relação, em sentir envolvência em determinados objetivos e paralelamente adquirir um resultado de uma autoestima acrescida, sentindo-se úteis e desenvolvendo uma interligação em que potencialize o crescimento e desenvolvimento da criança ao seu melhor nível, suscitando repercussões tais como o aumento da sua autoestima, melhora do rendimento escolar, melhoria das relações pais - filhos e atitudes mais positivas dos pais para com a escola (Alarcão, 2002). Contudo, a mesma autora refere ainda, que o sucesso desta interligação, entre ambos os contextos, depende também da forma como a comunicação se desenvolve, não só por parte dos pais e dos diretores de turma como também por parte do próprio aluno, do seu grupo de pares, dos restantes professores, entre outros, ou seja, todas as pessoas que estejam em um processo relacional.

Polonia e Dessen (2005) referem cinco aspetos fundamentais associados a promoção de uma integração fundamental e positiva entre a escola e a família, nomeadamente, uma boa interação verbal, um relacionamento afetivo positivo entre pais e as crianças, o tipo de crenças e influências dos pais sobre os filhos, as estratégias disciplinares e de controlo adotadas pelos pais e as expectativas dos mesmos em relação aos seus próprios filhos.

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Em síntese e de acordo com toda a pesquisa desenvolvida em torno dos estilos parentais e do (in)sucesso escolar podemos retirar algumas inferências. Os estilos parentais são definidos por vários aspetos que envolvem o sujeito, aspetos esses de ordem individual, social, educacional e contextual, e interferem com vários sistemas em que o individuo se encontra em ligação. No que respeita ao (in)sucesso escolar também este é influenciado por vários fatores, inclusive pelo padrão comportamental educativo dos pais, exercendo influência ao nível do desenvolvimento e aprendizagem dos mais novos. Acresce ainda o nível socioeconómico e o nível de literacia familiar que se constituem também como fatores promotores e facilitadores do rendimento académico, revelando-se auxiliares importantes no alcance do sucesso escolar.

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PARTE II

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