O Metaparadigma em enfermagem é considerado o nível mais abstrato do conhecimento, que determina os níveis do conceito e estudo da disciplina num conjunto de quatro conceitos principais, que fundamentam a prática de enfermagem. A Enfermagem emerge da “forma particular como os enfermeiros abordam a relação entre os cuidados, a pessoa, a saúde e o ambiente” (Kérouac et al., 1994, p.2). A OE (2001) assumiu estes conceitos metaparadigmáticos como enunciados descritivos de qualidade do exercício profissional dos enfermeiros. O Modelo de Sistemas de Neuman (1995) baseia-se na teoria dos sistemas, em que o sistema está em constante mudança e em interação recíproca com o ambiente. Os três eixos que compõem o sistema no seu todo são: o ser humano, os stressores e a resposta da pessoa aos mesmos. Enquanto modelo holístico com uma visão multidimensional e de totalidade da pessoa, vê esta como um cliente/sistema em permanente equilíbrio dinâmico com o ambiente no sentido da estabilidade (Neuman, 1995). Baseou-se ainda em outras teorias: a Teoria de Gestalt - salienta a homeostase como o processo através do qual se mantém o equilíbrio, a saúde; as Teorias Filosóficas de Chardin - centra-se na espiritualidade e Bernard Marx - as partes dependem do todo, no contexto dos sistemas, a Teoria Geral dos Sistemas de Bertalanffy - tem na sua base os pressupostos da termodinâmica (avalia o fluxo de energia entre sistemas), a Teoria do Stress de Seyle - aborda o stress e a forma como a pessoa se adapta a ele e a Teoria de Crise de Caplan que defende que a crise é um momento de oportunidade e de crescimento, recorrendo aos níveis de prevenção (Pearson & Vaughan, 1992). O modelo apresenta uma estrutura básica de energia, a linha flexível de defesa, a linha normal de defesa, a linha de resistência, que funcionam como uma barreira aos fatores de stress (intra, inter ou extrapessoais) e a prevenção como intervenção de enfermagem. No sentido deste fortalecimento é necessário que a enfermagem capacite as pessoas, reforçando o seu potencial de saúde em direção ao bem-estar,
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tendo em conta as respostas do cliente ao stress. Pode ainda desenvolver atributos inerentes ao empowerment, num processo contínuo e numa relação de confiança (Hermansson & Martensson, 2010; McCarthy & Freeman, 2008; Virtanen, Leino- Kilpi, & Salantera, 2007; Williamson, 2007) para que a pessoa possa manter ou atingir o seu bem-estar, dando-lhe a oportunidade de refletir sobre os seus próprios sentimentos e experiências e lidar melhor com a vida quotidiana, após o encontro com o enfermeiro no processo de cuidados (Virtanen et al., 2007).
Este modelo inclui a PrS ao nível da prevenção da HND de Leavell & Clark (1978), o que é criticado por vários autores como Lefevre & Lefevre (2007) e Czeresnia & Freitas (2003), maspretende potenciar a linha flexível de defesa, preocupando-se com todas as variáveis que interagem com as pessoas no seu ambiente, direcionando-se para o bem-estar, o que se coaduna com o paradigma da PrS, embora não mobilize todos os seus princípios chave: conceção holística, intersetorialidade, empowerment, participação social, equidade, ações multi- estratégias e sustentabilidade (WHO, 1998). Contudo, vendo a pessoa como o núcleo do sistema e como um ser multidimensional e total com variáveis interrelacionadas e tendo uma conceção positiva de saúde, é possível enquadrá-los com recurso aos modelos socio ecológicos e mobilizá-los na prática.
O modelo de Pender (1996) e de Pender et al. (2006) é um modelo de PrS que se apoia em várias teorias e modelos de mudança comportamental e no modelo da motivação humana de Feather (1988), sendo a motivação a chave para a intencionalidade, que é decisiva na análise dos comportamentos voluntários dirigidos às metas planeadas. Baseia-se também na teoria de aprendizagem social de Bandura (1977), que postula a importância dos processos cognitivos e percetivos na modificação da conduta, (atenção, retenção, reprodução e motivação), sendo esta uma função das atitudes pessoais e das normas sociais e assenta na conceção de PrS, definida como atividades voltadas para o desenvolvimento de recursos que mantenham ou intensifiquem o bem-estar da pessoa (Victor, Lopes & Ximenes, 2005). No entanto, Whitehead (2005;2009) diz que o uso do termo de PrS utilizado pela autora, hoje em dia, é tanto incorreto como redundante, por se focar em conceitos de prevenção, doença, comportamento, estilo de vida e por ter uma orientação para o paradigma de EpS em vez de abordar conceitos mais amplos do
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paradigma da PrS. A aquisição, a manutenção ou a mudança das condutas de saúde estão condicionadas por fatores cognitivo-perceptivos inerentes à pessoa. O conceito de autoeficácia percebida é dos mais importantes no modelo, porque representa o compromisso da pessoa para organizar e executar um comportamento, sendo necessário estabelecer um plano de ação. O modelo centra- se em dez categorias de determinantes de comportamentos, agrupadas em três grandes grupos: as características e experiências individuais, as cognições e afetos (sentimentos, emoções e crenças) que levam a pessoa a participar para o resultado comportamental. Pender et al. (2006) preconizam que as pessoas atinjam o potencial de saúde e tenham uma vida saudável, através da educação, em que os benefícios podem potencializar e trazer mudanças positivas nas dimensões biopsicossocial, espiritual, ambiental e cultural, pelo que capacitar permite várias opções para melhorar a saúde.
Embora estas autoras vejam a saúde como a melhoria do bem-estar, no desenvolvimento de capacidades e não como ausência de doenças, as intervenções de enfermagem vão no sentido da mudança de comportamentos, numa conceção mais negativa da saúde e orientadas por um paradigma mais comportamental e tradicional de EpS.
A mobilização dos dois modelos vai-nos permitir compreender, tendo em conta os conceitos metaparadigmáticos, em qual dos referenciais teóricos se situam os conhecimentos dos professores e os sentidos atribuídos pelos estudantes à aprendizagem da PrS, que orientam a prática de enfermagem neste âmbito.
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3-CURRÍCULO DE ENFERMAGEM PARA O DESENVOLVIMENTO DE