Objetivos de Ensino
4. Controle da Válvula
4.1. Ganho
O ganho estático de qualquer instrumento é a relação entre a entrada sobre a saída. O ganho dinâmico é a relação entre a variação da entrada sobre a variação da saída. Na válvula de controle, a entrada é o deslocamento (x) da haste e a saída é a vazão correspondente (q). O ganho dinâmico da válvula é a relação entre a variação de vazão sobre a variação da sua haste. Matematicamente, x Q Gv ∂ ∂ = ou na forma normalizada:
x
Q
Q
1
G
n Nv∂
∂
=
onde Q é a vazão instantâneaQn é a vazão normal de operação x é o deslocamento da haste da válvula Xo é o deslocamento correspondente à
Gv é o ganho da válvula
GNv é o ganho normalizado, expresso como percentagem, com a vazão variando em percentagem (Q/Qn) e a haste variando em percentagem (x/Xo).
Por exemplo, se uma válvula é capaz de manipular 500 LPM, quando totalmente aberta, o seu ganho é de 5 LPM/%.
O ganho do processo, sob o ponto de vista da válvula de controle, é a variação da variável de processo controlada sobre a variação de vazão manipulada
correspondente. Por exemplo, quando se controle o nível h através da manipulação da vazão q, o ganho do processo vale:
dQ
dh
G
p=
assumindo todas as outras condições constantes.
Como já visto, a vazão de um líquido através da válvula depende do Cv, da característica da válvula, da queda de pressão através da válvula e da densidade relativa do líquido em relação a água. Para que a vazão que varie com a posição da válvula, com uma queda de pressão e gravidade especificas constantes, o coeficiente Cv deve variar também com a posição da válvula. Assim, o Cv é função da posição da válvula.
Do mesmo modo que a rangeabilidade da válvula, o seu Cv teórico ou inerente (Cvt) é diferente do Cv real ou instalado (Cvr).
Tem-se
Cvr = Cvt . x (válvula linear) Cvr = Cvt . ax-1 (válvula igual percentagem
onde a é um parâmetro de rangeabilidade da válvula.
Das relações entre o coeficiente de vazão Cvt e a posição da válvula (x), considerando a queda de pressão e a densidade constantes, pode-se calcular os ganhos das válvulas linear e de igual percentagem:
Válvula linear Vazão Q = Cvt . x Ganho dQ/dx = K Cvt
Válvula de igual percentagem Vazão Q = Cvt . ax-1
Ganho dQ/dx = KCvt ax-1
Pela analise das relações matemáticas tem-se:
1. o ganho inerente da válvula linear é constante e independe da posição da válvula.
2. o ganho inerente (com queda de pressão através da válvula constante) da válvula de igual percentagem varia diretamente com a posição da válvula. Isto pode ser fácil e diretamente
observado nas curvas das características inerentes da válvula. A inclinação da curva (ganho) da válvula linear é constante: a inclinação da curva da válvula de igual percentagem é pequena em vazões baixas e grande, nas vazões elevadas.
O ganho instalado é diferente do ganho inerente. Realmente como mostrado pelas curvas, o ganho instalado da válvula de igual percentagem é mais constante que o ganho instalado da válvula linear. O ganho instalado da válvula linear é grande em pequenas vazões e pequeno em grandes vazões. Ou seja, o ganho instalado da válvula de igual percentagem é
aproximadamente igual ao ganho inerente da válvula linear. O ganho instalado da válvula linear é aproximadamente igual ao ganho inerente da válvula de abertura rápida.
4.2. Dinâmica
A válvula com atuador pneumático é o elemento final de controle mais usado. Ela faz parte da maioria das malhas de controle automático e continuo dos processos industriais.
A posição da haste (ou a posição do plug no fim das haste) determina o tamanho
da abertura para a passagem da vazão. A posição da haste é determinada pelo balanço de todas forças que agem nela. Tem-se
pA - força exercida pelo sinal pneumático no topo do diafragma, onde
p é a pressão que abre e fecha a válvula (20 a 100 kPa), proveniente da saída do controlador,
A é a área do diafragma.
Nesta válvula, a força age para baixo. Kx - força exercida pela mola acoplada à
haste e ao diafragma, onde K é a constante de Hook da mola, x é o deslocamento da haste, M massa da haste da válvula.
Nesta válvula, esta força age para cima. C dx/dt - força de atrito exercida para
cima e resultante do contato direto entre a haste e o engaxetamento da válvula, onde
C é o coeficiente de atrito entre a haste e o engaxetamento.
Fig. 2..7. Forças no atuador da válvula
Pela segunda lei de Newton (força = massa x aceleração), 2 2 dt x d g M dt dx C Kx pA − − = ou p K A x dt dx K C dt x d g M 2 2 = + +
Esta é uma equação diferencial do segundo grau; a válvula exibe uma dinâmica de segunda ordem inerente.
Sua função de transferência vale:
1 s K C s gK M K A ) s ( p ) s ( x 2 + + =
Na prática, como M é muito menor que K g (a massa da haste é muito menor que o produto da constante da mola pela
aceleração da gravidade), tem-se a função de transferência de um sistema de primeira ordem: 1 ) ( ) ( + = s K C K A s p s x
Interpretando fisicamente o significado das equações diferenciais, o modelo matemático da válvula que descreve seu comportamento dinâmico é de segunda ordem. Porém, a resposta às variações das válvulas pequenas e medias (pequeno M) é tão rápida, que sua dinâmica pode ser considerada de primeira ordem.
Adicionalmente, quando o coeficiente de atrito é desprezível e a constante da mola é grande (C/K = 0) a dinâmica da válvula pode ser desprezada. Neste caso, fica apenas um ganho constante, que relaciona a saída do controlador com a vazão do fluido através da válvula.
4.3. Controlabilidade da Válvula
A constante de tempo do processo depende do tamanho da válvula e como conseqüência, a banda proporcional ajustada no controlador é função do tamanho da válvula.Uma válvula superdimensionada, com o Cv instalado maior do que o necessário, opera apenas na parte inferior de sua excursão, próxima de seu fechamento e
numa largura de faixa menor que 100%. Dito de outro modo, o ganho da válvula superdimensionada é grande e a banda proporcional ajustada no controlador correspondente deve ser larga, para compensar.