5 RESULTADOS
5.2 Testes in vivo
5.2.1 Controle de P. digitatum em frutos de laranja ‘Pera’
Os tratamentos com T. harzianum, B. subtilis e B. licheniformis + B. subtilis + T.
longibrachiatum foram avaliados quanto ao seu efeito curativo e preventivo sobre o desenvolvimento de P. digitatum em frutos de laranja ‘Pera’.
Com relação à incidência de P. digitatum, com exceção do tratamento imazalil (fungicida), todos os frutos apresentaram sintomas da doença, os quais iniciaram dois dias após a inoculação (48 horas), estes foram avaliados diariamente até que os frutos do tratamento testemunha ficassem completamente tomados pelo crescimento do bolor verde, que ocorreu no 5° dia após os primeiros sintomas (168 horas após a inoculação).
Portanto, foi possível verificar que independente do agente de biocontrole testado, a doença se desenvolveu, porém, quando avaliada a severidade (AACPD) observou-se que a presença dos agentes de biocontrole reduziram o progresso da doença em relação a testemunha, em ambas as formas de aplicação dos tratamentos (curativo e preventivo).
De acordo com os resultados obtidos, todos os tratamentos apresentaram efeito linear para as AACPD (Figuras 14, 15 e 16).
O efeito curativo com a aplicação de T. harzianum (Figura 14A) na concentração de 5 mL L-1 não foi eficiente no controle de bolor verde em laranja ‘Pera’, não diferindo da testemunha. No entanto, a partir da concentração de 10 mL L-1 houve efeito significativo na inibição do desenvolvimento de P. digitatum, apresentando reduçãolinear da severidade atingindo porcentagens de diminuição de 13,6%, 26,4%, 33,6% e 53,6%
nas concentrações de 10 mL L-1, 15 mL L-1, 20 mL L-1 e 25 mL L-1, respectivamente, quando comparadas com a testemunha. As concentrações emtre 10 e 25 mL L-1 diferiram entre si e também dos tratamentos testemunha e imazalil.
Para o efeito preventivo com a aplicação de T. harzianum (Figura 14B) pode-se observar resposta similar ao apresentado pelo efeito curativo, com redução linear em função das doses, porém neste caso, houve eficiência de controle para todas as concentrações avaliadas, apresentando diferenças significativas entre si, e também diferindo dos tratamentos testemunha e imazalil. O efeito no controle de bolor verde em laranja ‘Pera causou redução da severidade em 16,3%, 26,8%, 45,6%, 56,9% e 69,8% nas concentrações de 5, 10, 15, 20 e 25 mL L-1, respectivamente.
Figura 14. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) para severidade de bolor verde em frutos de laranja Pêra (A) inoculadas com P. digitatum e após 4 horas tratadas com diferentes concentrações de T. harzianum (Efeito curativo) e (B) tratadas com diferentes concentrações de T. harzianum e inoculadas após 4 hora com P. digitatum (Efeito preventivo). Avaliações realizadas diariamente por um período de sete dias após a inoculação (168 horas). Médias (n=40) seguidas de letras minúsculas iguais não diferem entre tratamentos para o mesmo efeito e letras maiúsculas iguais não diferem entre efeito curativo e preventivo (Tukey: *p<0,05 e **p<0,01). ¹Testemunha; ²Padrão positivo (fungicida).
UNICENTRO, Guarapuava/PR, Fonte: BONAPAZ, 2020.
Comparando o efeito curativo com o efeito preventivo das diferentes concentrações de T. harzianum (Figura 14), foi possível verificar que o efeito preventivo apresentou melhor desempenho para o controle de P. digitatum em frutos de laranja
‘Pera’. Para todas as concentrações de T. harzianum houve diferença entre efeito curativo e preventivo.
Em ambos os tratamentos (curativo e preventivo) (Figura 14) a concentração de 25 mL L-1 de T. harzianum foi a que promoveu a maior redução da severidade de P.
digitatum. Entretanto, no efeito preventivo a redução foi mais significativa (69,8%) do que no efeito curativo (53,6%), quando comparados com as suas respectivas testemunhas.
O efeito curativo com a aplicação de B. subtilis (Figura 15A) apresentou reposta semelhante ao observado para o tratamento com T. harzianum, com redução linear em função das doses. A concentração de 2 mL L-1 de B. subtilis não foi eficiente no controle de bolor verde em laranja Pêra, não diferindo da testemunha. No entanto, a partir da concentração de 4 mL L-1 houve efeito significativo na inibição do desenvolvimento de P. digitatum, apresentando redução na severidade de 13,8%; 22,4%; 31,9% e 47,8% nas concentrações de 4, 6, 8 e 10 mL L-1, respectivamente, quando comparados com a testemunha. Tais concentrações diferiram entre si e também dos tratamentos testemunha e imazalil.
Quanto ao efeito preventivo do tratamento com diferentes concentrações de B.
subtilis (Figura 15B), pode-se observar resposta similar ao apresentado pelo efeito curativo, com redução liear em função das doses, mas neste caso, houve eficiência de controle para todas as concentrações avaliadas, apresentando diferenças significativas entre si, e também diferindo dos tratamentos testemunha e imazalil. O efeito no controle de bolor verde em laranja ‘Pera promoveu redução na severidade de 18,3%; 33,8%;
44,3%; 57,0% e 71,7% nas concentrações de 2, 4, 6, 8 e 10 mL L-1, respectivamente.
Comparando o efeito curativo com o efeito preventivo das diferentes concentrações de B. subtilis (Figura 15), foi possível verificar que o efeito preventivo também apresentou o melhor desempenho para o controle de P. digitatum em frutos de laranja Pêra. Para todas as concentrações de B. subtilis houve diferença entre efeito curativo e preventivo.
Em ambos os tratamentos (curativo e preventivo) (Figura 15) a concentração de 10 mL L-1 de B. subtilis foi a que promoveu a maior redução da severidade de P.
digitatum. Entretanto, no efeito preventivo a redução foi mais significativa (71,7%) do que no efeito curativo (47,8%), quando comparados com as suas respectivas testemunhas.
Figura 15. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) para severidade de bolor verde em frutos de laranja Pêra (A) inoculadas com P. digitatum e após 4 horas tratadas com diferentes concentrações de B. subtilis (Efeito curativo) e (B) tratadas com diferentes concentrações de B.
subtilis e inoculadas após 4 hora com P. digitatum (Efeito preventivo). Avaliações realizadas diariamente por um período de sete dias após a inoculação (168 horas). Médias (n=40) seguidas de letras minúsculas iguais não diferem entre tratamentos para o mesmo efeito e letras maiúsculas iguais não diferem entre efeito curativo e preventivo (Tukey: *p<0,05 e **p<0,01). ¹Testemunha; ²Padrão positivo (fungicida). UNICENTRO, Guarapuava/PR, Fonte: BONAPAZ, 2020.
Tanto o efeito curativo quanto o efeito preventivo com a aplicação de B.
licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum (Figura 16A e 16B) apresentaram a resposta silimar ao observado para os tratamentos T. harzianum e B. subtilis.
Para o efeito curativo a concentração de 5 g L-1 também não foi eficiente no controle curativo de bolor verde em laranja ‘Pera’, não diferindo da testemunha. No entanto, a partir da concentração de 10 g L-1 houve efeito significativo na inibição do desenvolvimento de P. digitatum, apresentando redução na severidade de 13,0%; 22,2%;
31,3% e 47,4% nas concentrações de 10, 15, 20e 25 g L-1, respectivamente, quando comparados com a testemunha. Tais concentrações diferiram entre si e também dos tratamentos testemunha e imazalil.
O efeito preventivo do tratamento com B. licheniformis + B. subtilis + T.
longibrachiatum também teve eficiência de controle para todas as concentrações avaliadas, apresentando diferenças significativas entre si e também diferindo dos tratamentos testemunha e imazalil. Pode-se observar novamente que houve efeito significativo no controle de bolor verde em laranja ‘Pera’, com redução na severidade de 17,4%; 31,5%; 52,3%; 61,8% e 75,5% nas concentrações de 5, 10, 15, 20 e 25 g L-1, respectivamente.
Comparando o efeito curativo com o efeito preventivo das diferentes concentrações de B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum (Figura 16), foi possível verificar que o efeito preventivo também apresentou o melhor desempenho para o controle de P. digitatum em frutos de laranja ‘Pera’. Para todas as concentrações de B.
licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum houve diferença entre efeito curativo e preventivo.
Em ambos os tratamentos (curativo e preventivo) (Figura 16) a concentração de 25 g L-1 de B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum foi a que promoveu a maior redução da severidade de P. digitatum. Entretanto, no efeito preventivo a redução foi mais significativa (75,5%) do que no efeito curativo (47,4%), quando comparados com as suas respectivas testemunhas.
Figura 16. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) para severidade de bolor verde em frutos de laranja Pêra (A) inoculadas com P. digitatum e após 4 horas tratadas com diferentes concentrações de B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum (Efeito curativo) e (B) tratadas com diferentes concentrações de B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum e inoculadas após 4 hora com P. digitatum (Efeito preventivo). Avaliações realizadas diariamente por um período de sete dias após a inoculação (168 horas). Médias (n=40) seguidas de letras minúsculas iguais não diferem entre tratamentos para o mesmo efeito e letras maiúsculas iguais não diferem entre efeito curativo e preventivo (Tukey: *p<0,05 e **p<0,01). ¹Testemunha; ²Padrão positivo (fungicida). UNICENTRO, Guarapuava/PR, Fonte: BONAPAZ, 2020.
Avaliando o efeito curativo e preventivo das diferentes concentrações de T.
harzianum, B. subtilis e B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum sobre o desenvolvimento de P. digitatum em frutos de laranja ‘Pera’, foi possível verificar, que o efeito preventivo foi o que promoveu a maior redução da severidade de bolor verde nos frutos, em todos os ensaios realizados.
Diante disso, foi determinado que a melhor concentração de cada tratamento foi a maior, ou seja, 25 mL L-1 de T. harzianum, 10 mL L-1 de B. subtilis e 25 g L-1 de B.
licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum. Por isso, as demais avaliações realizadas foram feitas apenas com a maior concentração de cada agente de biocontrole.
No efeito preventivo foi observada a maior redução das AACPD e foi verificado que houve interação significativa (p<0,05) entre as duas fontes de variação: tratamento e efeito (Tabela 2).
Tabela 2. Comparação das médias de severidade (AACPD) de bolor verde em frutos de laranja Pêra tratadas em pós-colheita com diferentes agentes de biocontrole para avaliar o efeito curativo e preventivo. UNICENTRO, Guarapuava/PR, Fonte: BONAPAZ, 2020.
Tratamentos Efeito curativo Efeito Preventivo
T. harzianum (25 mL L-1) 102,0bA 72,0aB
B. subtilis (10 mL L-1) 121,0aA 65,0bB
B. licheniformis + B. subtilis + T.
longibrachiatum (25 g L-1) 121,0aA 59,0cB
CV (%) 9,6 8,4
Médias (n=40) seguidas de letras minúsculas iguais nas colunas não diferem entre tratamentos para o mesmo efeito, letras maiúsculas iguais nas linhas não diferem entre efeito curativo e preventivo para o mesmo tratamento pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Avaliando cada um dos efeitos isoladamente, o efeito curativo dos diferentes agentes de biocontrole foi significativo. Foi possível observar que a aplicação de T.
harzianum, diferiu dos demais agentes de biocontrole, por apresentar a menor AACPD.
Os tratamentos com B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum e de B. subtilis, não diferiram entre si e foram menos eficientes em reduzir a AACPD do que o tratamento T. harzianum. Para o efeito preventivo as menores AACPD foram observadas nos tratamentos com B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum e B. subtilis.
Ao comparar a forma de aplicação dos tratamentos, observou-se diferença significativa entre a aplicação curativa e preventiva dos tratamentos. O efeito preventivo da aplicação de T. harzianum, B. subtilis e B. licheniformis + B. subtilis + T.
longibrachiatum reduziu significativamente a severidade da doença, em comparação ao efeito curativo. A aplicação preventiva de 25 mL L-1 de T. harzianum,10 mL L-1 de B.
subtilis e 25 g L-1 de B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum, reduziram em 29%, 46% e 51% a AACPD, respectivamente, quando comparada com a aplicação curativa.
Nota-se, portanto, que os agentes de biocontrole apresentaram diferentes respostas de controle conforme a forma de aplicação, sendo as maiores AACPD observadas em frutos tratados de forma curativa. Enquanto que o melhor controle de P. digitatum foi observado para B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum, seguido dos tratamentos com T. harzianum e B. subtilis, quando aplicados preventivamente.
Diante de tais constatações, foi possível verificar que o comportamento dos agentes de biocontrole sobre P. digitatum, é dependente da forma de aplicação (curativa ou preventiva) nos frutos. Devido ao melhor controle da severidade da doença ter sido observado em frutos tratados de forma preventiva, decidiu-se avaliar o potencial destes agentes de biocontrole como indutores de respostas de defesa em frutos cítricos. Para isso, foi realizada a inoculação de P. digitatum em diferentes horários após a aplicação preventiva de 25 mL L-1 de T. harzianum, 10 mL L-1 de B. subtilis e 25 g L-1 de B.
licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum.
A avaliação da AACPD, em frutos de laranja ‘Pera’, para todos os agentes de biocontrole apresentou efeito linear negativo em função do intervalo entre tratamento e inoculação. Foi possível observar que nos maiores intervalos de tempo de inoculação a severidade da doença foi menor. Isto indica que conforme aumentou a exposição dos frutos aos tratamentos, ou seja, maior o período de tempo que o fruto permaneceu em contato com os agentes de biocontrole (que foram aplicados de forma preventiva) antes de serem inoculados com P. digitatum, menor foi a severidade da doença (Figura 17).
A inoculação de P. digitatum após 24 horas do tratamento com T. harzianum, B.
subtilis e B. licheniformis + B. subtilis + T. longibrachiatum, reduziu significativamente a severidade da doença em 85%, 81% e 86%, respectivamente, quando comparados aos frutos inoculados logo após os frutos serem tratados (0 horas). Porém não houve diferença significativa entre os horários de 20 e 24 horas (Figura 17).
o
Figura 17. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) para severidade de bolor verde em frutos de laranja Pêra tratadas com diferentes agentes de biocontrole e após 0, 4, 8, 12, 16, 20 e 24 horas inoculadas com P. digitatum. Avaliações realizadas diariamente por período de sete dias após a inoculação (168 horas). Médias (n=40) seguidas de letras minúsculas iguais não diferem entre horários para o mesmo tratamento e letras maiúsculas iguais não diferem entre os agentes de biocontrole pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. UNICENTRO, Guarapuava/PR. Fonte:
BONAPAZ 2020.