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3.2 CONFORTO AMBIENTAL

3.2.4.1 Controle do Ambiente em Arquitetura CAPES/1983

O curso de Aperfeiçoamento por Tutoria a distância “Controle do Ambiente em Arquitetura”, realizado pela CAPES (Coordenação do Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior), foi um trabalho executado por meio do Convênio PI 226, da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível superior CAPES / MEC com a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA, e a UNB, em Brasília, em janeiro de 1983.

Os professores Tutores responsáveis pelo desenvolvimento do material didático foram: o prof. Márcio Villas Boas (DF), prof. Luiz Carlos Chicherchio (SP), prof. Paulo Cardoso da Silva (CE) e profª. Lúcia Elvira Raffo de Mascaró (RS).

As disciplinas desenvolvidas foram divididas em módulos de ensino, conforme programação apresentada na Tabela 2:

1 Este projeto e os links de acesso ao material produzido encontram-se disponíveis no seguinte endereço: http: //www.lmc.ep.usp.br/pesquisas/tecedu/.

Tabela 2 - Programação do Curso de Controle do Ambiente em Arquitetura – Capes/1983

Disciplina: ESTRUTURAS AMBIENTAIS URBANAS – 45 horas

ME - 1 Responsável: Márcio Villas Boas

Introdução ao curso. Definição do objeto do curso e conceituação dos seus temas. Sistemas de relação do homem com seus ambientes físico e social. Integração dos sistemas na percepção do meio ambiente em geral.

ME - 2 Responsável: Márcio Villas Boas

Ecossistema urbano. Inter-relação e interdependência dos fenômenos ambientais. Clima urbano. Poluição das águas, do solo e do ar. Efeitos sobre a saúde, bem-estar e conforto do homem, em particular, e sobre o meio em geral. Critérios e padrões de qualidade do ambiente. Legislação e normas.

ME - 3 Responsável: Márcio Villas Boas

Introdução à economia da poluição urbana. Mecanismos de controle da qualidade do ambiente. Qualidade do ambiente e planejamento do uso do solo.

Disciplina: CONDICIONANTES AMBIENTAIS E FISIOLÓGICOS DA RELAÇÃO HOMEM – AMBIENTE – 60 horas

ME – 4 Responsável: Márcio Villas Boas e Luiz Carlos Chichierchio

Fisiologia humana. Mecanismos termo-regular, auditivo e visual do homem. Exigências humanas (térmicas, auditivas e outras).

ME – 5 Responsável: Márcio Villas Boas

Variáveis do meio ambiente. Temperatura, umidade, ventos, radiação e chuvas. Estudo do clima.

ME – 6 Responsável: Lúcia Elvira Raffo de Mascaró e Márcio Villas Boas

Análise histórico-evolutiva do abrigo do homem. Arquitetura primitiva e vernacular. Exemplos históricos e contemporâneos.

ME – 7 Responsáveis: Professores-Tutores

Critérios e padrões de conforto térmico, acústico e luminosos. Modelos de conforto. Normas e padrões de conforto.

Disciplina: CONTROLE TÉRMICO DE AMBIENTES – 90 horas

ME – 8 Responsável: Luiz Carlos Chichierchio

Radiação solar direta e difusa. Trocas de calor entre as edificações e o meio- ambiente. Ganhos e perdas de calor. Princípios da transmissão de calor.

ME – 9 Responsável: Luiz Carlos Chichierchio e Paulo Cardoso da Silva

Geometria da Insolação de edifícios. Determinação das máscaras de sombra e desenho de quebra-sóis. Avaliação da proteção térmica.

ME – 10 e 11 Responsável: Márcio Villas Boas

Funções e exigências da ventilação de edifícios. Ventilação natural. Efeito chaminé.

ME – 12 Responsável: Paulo Cardoso da Silva

Controle natural das variáveis do meio. Materiais e técnicas construtivas. ME – 13 Responsável: Paulo Cardoso da Silva e Lúcia Elvira Raffo de Mascaro

Controle de ambientes por meio de equipamentos mecânicos. Otimização no uso de energia.

ME – 14 Responsável: Lúcia Elvira Raffo de Mascaro

Caracterização das fontes de luz natural. Requisitos da iluminação natural e artificial ao nível de edifício e ao nível urbano.

ME – 15 Responsável: Lúcia Elvira Raffo de Mascaro Sistemas de iluminação natural.

ME – 16 Responsável: Lúcia Elvira Raffo de Mascaro

Controle da iluminação natural. Métodos e técnicas. Integração dos Sistemas de Iluminação natural e artificial.

ME – 19 Responsável: Paulo Cardoso da Silva

Iluminação artificial. Otimização no uso da energia.

Disciplina: CONTROLE ACÚSTICO DE AMBIENTES – 60 horas

ME – 20 Responsável: Luiz Carlos Chichierchio Caracterização das fontes de ruído. ME – 21 Responsável: Luiz Carlos Chichierchio

Controle do ruído urbano.

ME – 22 Responsável: Luiz Carlos Chichierchio Controle do ruído em edifícios.

ME – 23 Responsável: Luiz Carlos Chichierchio Tratamento acústico de ambientes.

Disciplina: SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO – 15 horas

ME – 24 Responsáveis: Professores-Tutores

Confronto entre técnicas de controle. Análise de custo-benefício.

Fonte: Apostila do Curso de Controle do Ambiente em Arquitetura

Além da programação das disciplinas, um cronograma foi seguido, sendo estipuladas datas para entrega de exercícios. Ocorreram cinco pós-avaliações, dois seminários de integração, uma avaliação final e uma revisão da avaliação final.

As apostilas possuíam textos e ilustrações, roteiros específicos a serem seguidos em cada módulo, objetivos, definições de pré-requisitos, atividades de aprendizagem, de auto- avaliação, recomendações de bibliografia básica e complementar. Além das apostilas, os alunos recebiam um conjunto de slides como complemento ao estudo do tópico.

Uma entrevista pessoal foi realizada com um dos participantes desta iniciativa, prof. Luiz Carlos Chichierchio, e este relatou o histórico desse período e desse projeto, conforme descrição a seguir:

“Na década de 60, o currículo mínimo dos cursos de Arquitetura e Urbanismo exigia disciplinas como: Higiene da Habitação e Física Aplicada a Arquitetura, não ainda existindo a disciplina de Conforto

Ambiental. Além disso, estes temas eram muito amplos, sendo desenvolvidos de forma livre e diferenciada,, de acordo com a vontade e critérios de cada instituição.

A FAU-USP decidiu utilizar a carga horária destas duas disciplinas e desenvolver o conteúdo de iluminação e acústica, com pouca ênfase em térmica. A carga horária era de aproximadamente 6 horas por semana durante um ano.

Entre 1966 e 1967, o prof. Luiz Paulo Pompéia (FAU-USP) elaborou um questionário e entrevistou arquitetos sobre o ensino de Conforto, para identificar a necessidade da disciplina e dos tópicos que deviam fazer parte do conteúdo da matéria.

A FAU-USP desenvolveu cursos na área de Conforto, recebendo professores estrangeiros, por meios de um convênio estabelecido com o CSTB (Centre Scientifique et Technique du Bâtiment, a mais importante instituição francesa de pesquisa e desenvolvimento em edificações). A notíciae espalhou-se pelo país através de outras faculdades. Em 1974 ,aconteceu o 1° Encontro Nacional de Professores de Conforto, realizado no Rio de Janeiro.

Durante os anos de 1975 e 1980, alguns professores, como a profª Lúcia Mascaró, o prof. Ualfrido Del Carlo, o prof. Luiz Carlos Chichierchio e o prof. Márcio Villas Boas, vinculados ao PIMEG (Programa de Integração para o Melhoramento do Ensino de Graduação), percorreram diversas cidades do país (BA, PE, CE, PA, GO, BH, etc) para dar cursos aos professores, com carga horária de 8 horas/dia, durante uma semana, no total de 40 horas. Muitas vezes, alunos da graduação, que não teriam nem mesmo direito ao certificado do curso, participavam mesmo assim do curso e depois vieram a ser assistentes destes professores.

Estes alunos cobravam a existência de um material didático, organizado e padronizado, como elemento de consulta. Daí nasceu a idéia de desenvolver o Curso de Aperfeiçoamento por Tutoria a distância, com carga horária suficiente, inclusive, para valer como especialização. Portanto, este curso surgiu a partir de uma exigência dos estudantes.

Entre 1980 e 1981, foi montada uma equipe, o material teórico e as táticas didáticas a serem desenvolvidas. Como o objetivo era formar professores, o conteúdo elaborado teve a pretensão de ser 30% superior ao material desenvolvido na graduação. Os alunos recebiam o material apostilado e um conjunto de slides. As atividades propostas e realizadas por cada aluno eram enviadas para correção ao prof. Márcio Villas Boas, em Brasília. Os seminários de integração aconteciam também em Brasília, custeados pela CAPES. Certa de 40 alunos concluíram o curso, sendo as desistências na margem de 2 ou 3 pessoas.”

Por meio deste relato, foi possível compreender que:

• o curso aconteceu devido a uma série de acontecimentos e iniciativas pontuais; • a demanda e o público-alvo já eram, de certa forma, conhecidos;

• os objetivos foram atingidos, e;

• não ocorreu novamente por ter sido entendido que as novas gerações já possuiriam uma formação mais preparada nesta área.

Observa-se que durante a década seguinte parece não ter havido nenhuma experiência relevante neste sentido.