A Apex-Brasil é Unidade Jurisdicionada ao TCU e desse modo o Tribunal emite diversos acórdãos em que a Agência é objeto, tais como:
ACÓRDÃO Nº 814/2017 – TCU – Plenário, de 26/4/2017, oriundo do Processo nº TC 018.312/2015-2 de Monitoramento em que VISTOS, relatados e discutidos estes autos de monitoramento das deliberações referentes às possíveis transferências de recursos públicos federais para o Comitê Rio-2016, contidas nos Acórdãos 2.596/2013, 3.427/2014 e 1.857/2015, todos do plenário desta Corte, ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, ante as razões expostas pelo Relator, em:
(...)
9.5. determinar à Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) que:
9.5.1.encaminhe a este Tribunal, no prazo de 30 dias, todos os documentos referentes ao contrato de patrocínio assinado entre a Apex-Brasil e o Comitê Rio-2016, tais como:
9.5.1.1. os referentes à negociação entre as duas entidades previamente à assinatura do contrato;
9.5.1.2. os que demonstram os benefícios para a Apex-Brasil em assinar tal contrato;
9.5.1.3. o termo contratual;
9.5.1.4. os comprovantes de que tal contrato de patrocínio foi efetivamente cumprido e benéfico para a Apex-Brasil.
9.5.2 encaminhe a este Tribunal, no prazo de 30 dias, a lista dos responsáveis, tanto na Apex-Brasil como no Comitê Rio-2016, com seus respectivos CPFs, por todas as fases do contrato de patrocínio entre as duas entidades (negociação prévia, assinatura do contrato, fiscalização da execução, prestação de contas, entre outras).
(...)
Por meio desse acordão o TCU visa identificar como foi a participação da Apex-Brasil nos Jogos Olímpicos realizados na Cidade do Rio de Janeiro/RJ, o objetivo é identificar se houve a transferência de recursos financeiros da Apex-Brasil para o Comitê Organizador dos Jogos e se houve, se isso ocorreu de maneira aderente a legislação pertinente.
ACÓRDÃO Nº 2010/2016 - TCU - 2ª Câmara
Os Ministros do Tribunal de Contas da União ACORDAM, por unanimidade, com fundamento nos arts. 10, § 1º, e 11 da Lei n. 8.443/1992, c/c o art. 47, § 2º, da Resolução/TCU n. 259/2014, em sobrestar o exame das contas do Sr. Rogério Bellini dos Santos (163.097.746-20) até a apreciação definitiva do TC-031.684/2015-7 (Tomada de Contas Especial), e com fundamento nos arts. 1º, inciso I, 16, inciso I, 17 e 23, inciso I, da Lei n. 8.443/1992, c/c os arts. 143, inciso I, alínea a, 207 e 214, inciso I, do Regimento Interno/TCU, em julgar as contas dos responsáveis a seguir indicados regulares e dar-lhes quitação plena, sem prejuízo de dar ciência à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos de que não foi dada, à época, publicidade aos Comunicados Sintéticos da Comissão de Acompanhamento e Avaliação (CAA), relativos ao exercício de 2012, em desacordo com o art. 15 da Portaria Conjunta MDIC/Apex-Brasil n. 01/2007, e de fazer as seguintes recomendações e determinação, de acordo com os pareceres emitidos nos autos:
1. Processo TC-029.743/2013-3 (PRESTAÇÃO DE CONTAS - Exercício: 2012)
1.2. Órgão/Entidade: Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos – Apex-Brasil. (...)
Nesse acordão o TCU efetuou diversas recomendações a Apex-Brasil com o intuito de fortalecer o seu ambiente de Controle Interno e tornar a Governança Corporativa mais robusta,
assim, nesse oportunidade, foram registradas contribuições de melhoria quanto processos e procedimentos relacionados ao Regulamento de Convênios e Manual de Procedimentos de Convênios; bem como a Concessão de Patrocínios; o estabelecimento de limite a contratação de comissionados pela Agência; Regulamento de Licitação e Contratos; Apuração e avaliação dos resultados referentes as ações de promoção praticadas pela Apex-Brasil e o estabelecimento de uma política de Gestão de Riscos Corporativos.
4.4 Controle Judicial
Este controle é praticado pelo Poder Judiciário nas ações em que a Apex-Brasil figura em qualquer um dos polos possíveis; as demonstrações financeiras da Agência citam provisões contábeis para ações na esfera trabalhista e tributária sem, contudo, esmiuçar a sua composição analítica.
Assim, o autor, optou em efetuar uma pesquisa no site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios – TJDFT – com o objetivo de identificar processos em que a Apex-Brasil se encontra em um dos polos do processo, segue o resultado:
Em primeira instância:
2 processo (s) localizado (s) com argumento Apex brasil
Este serviço não dispensa o uso dos instrumentos oficiais de comunicação para produção de efeitos legais. As informações são disponibilizadas no momento e na forma em que são inseridas na base de dados pelos serventuários dos órgãos judiciários. Na consulta pelo nome das partes, pode ocorrer a existência de homônimos
Circunscrições: BRASILIA (2) BRASILIA [Topo]
DÉCIMA TERCEIRA VARA CÍVEL DE BRASÍLIA 20060111090942
APEX BRASIL AGENCIA PROMOCAO EXPORTACAO BRASIL
ABIA ASSOCIACAO BRASILEIRA DAS INDUSTRIA DA
ALIMENTACAO Feito : COBRANCA
Assunto : Obrigações
DÉCIMA SÉTIMA VARA CÍVEL DE BRASÍLIA 20070110412100
APEX BRASIL AGENCIA DE PROMOCAO DE EXPORTACOES DO BRASIL
SIMAGRAN SINDICATO INDUS MARMORES GRANITOS ESTADO PARANA
Classe : Cumprimento de sentença
Assunto : Liquidação / Cumprimento / Execução
Brasília/DF, 30 Aug 2017 10:59AM - Acesso via INTERNET (IP:189.6.18.156)
Em segunda instância:
5 processos encontrados.
Serviço de Agravo aos Tribunais Superiores - SERATS 2007 01 1 128881-4 RES
0045404-61.2007.807.0001 (Res.65 - CNJ)
APEX BRASIL AGENCIA PROMOCAO EXPORTACOES BRASIL ASSOCIACAO CIVIL DE PROMOCAO A EXPORTACAO DE JOIAS 2011 01 1 076500-6 RES
0076500-55.2011.807.0001 (Res.65 - CNJ) WERNER ABICH RECH
APEX BRASIL - AGÊNCIA DE PROMOÇÃO DE EXPORTAÇÕES DO BRASIL
Brasília/DF, 30 Aug 2017 11:17AM - Acesso via INTERNET (IP:189.6.18.156)
É importante remeter aos exemplos do controle judicial praticado no capítulo anterior, pois estes representam casos concretos de sua aplicação a outros Serviços Sociais Autônomos – SSA.
Nota-se que em seus 14 (catorze) anos de existência a Apex-Brasil se estabeleceu como o Serviço Social Autônomo responsável por executar a promoção comercial dos produtos brasileiros no exterior de maneira sinérgica com as políticas públicas vigentes sobre o tema,
exercendo a sua missão institucional de maneira adequada e em aderência a expectativa de seus parceiros comerciais – Administração Pública (Poder Executivo) e a Iniciativa Privada.
CONCLUSÃO
Foi possível concluir que embora os Serviços Sociais Autônomos – SSA sejam entidades de direito privado e um reflexo dessa condição é que não integram a Administração Pública Direta e nem a Indireta, é que o controle da Administração Pública incide nessas Entidades, durante a execução desse trabalho foi possível identificar evidências de ações praticadas pelo controle administrativo, controle legislativo, controle externo a cargo do Tribunal de Contas e o controle judiciário.
Depreende-se do primeiro capítulo que o Direito é uma inversão do homem e o acompanha desde então disciplinando as relações entre as pessoas, entre as pessoas e o seu patrimônio. O Direito foi dividido em dois segmentos distintos para disciplinar as suas áreas de atuação, quais sejam: o privado e o público.
O Direito Administrativo faz parte do direito público e tem por objeto principal a regulação dos interesses do Poder Público em relação à sociedade como um todo; e das relações das entidades e órgãos estatais entre si.
Entende-se por Administração Pública em sentido global, como o conjunto de órgãos integrados na estrutura administrativa do Estado, encarregados de exercer as funções determinadas pela Constituição e pelas Leis, no interesse da coletividade.
O Controle da Administração Pública pode ser foi dividido para fins didáticos em: controle administrativo, controle legislativo, controle externo a cargo do Tribunal de Contas e o controle judiciário.
O Controle Administrativo pode ser praticado pelo Poder Executivo, bem como por órgãos do Legislativo e do Judiciário e deve observar os aspectos de mérito e legalidade, o Controle Administrativo pode ser praticado por iniciativa própria do Órgão ou se este for motivado, isso decorre do poder de autotutela da administração, que permite a esta rever seus próprios atos quando ilegais, inoportunos ou inconvenientes.
Para o Controle Legislativo, é necessário observar as hipóteses previstas na Constituição Federal para que o Controle Legislativo seja praticado, pois é adequado observar ao princípio da separação dos poderes.
O controle externo é bastante relevante, pois possui imparcialidade em referência à atividade que será objeto desse controle e também não tem nenhum vínculo quanto a estrutura administrativa a ser controlada. O TCU é órgão integrante do Congresso Nacional que tem a função de auxiliá-lo no controle financeiro externo da Administração Pública, pois prestarão contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.
Por meio do Controle Judicial é possível ao Judiciário praticar o poder de fiscalização, o qual tem como objeto a atividade administrativa do Estado. Não se limita aos atos administrativos do Executivo, pois alcança os atos do Legislativo e do próprio Judiciário quando estes realizam atividades administrativas.
No segundo capítulo, tem-se a notícia que na década de 40, foram criadas as primeiras entidades do Serviço Social Autônomo, as quais dependem de autorização legal para sua constituição. Os Serviços Sociais Autônomos – SSA – como entidades privadas sem vínculo com a Administração Pública efetuam as atividades de interesse público com maior eficiência, pois, possuem uma flexibilização típicas devido a essa autonomia.
Em mais de 70 anos de existência as Entidades do Sistema S evoluíram bastante e seu escopo de atuação foi ampliado, essas entidades executam ações com o intuito de atender a sua missão institucional sempre ao lado da Administração Público e com o objetivo comum de fortalecer a economia nacional.
Os Serviços Sociais Autônomos – SSA - são pessoas jurídicas de direito privado, e não visam ao lucro em suas atividades, seu objetivo é a prestação de serviços assistenciais a certos grupos profissionais ou de natureza médica, de ensino ou, em geral, de assistência social. Não integram a estrutura da Administração Pública, seus recursos financeiros sejam decorrentes de contribuições patronais, arrecadadas por meio da contribuição previdenciária.
As Entidades que formam o grupo dos Serviços Sociais Autônomos – SSA – objeto desse trabalho são: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI; Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – APEX-BRASIL; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa – SEBRAE; Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial –SENAI; Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR; Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT; Serviço Social do Comércio – SESC; Serviço
Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP; Serviço Social da Indústria – SESI; Serviço Social do Transporte – SEST.
Os Serviços Sociais Autônomos são Unidades Jurisdicionadas ao Tribunal de Contas da União – TCU e nesse contexto devem elaborar anualmente o seu Relatório de Gestão, esse documento deve ser efetuado em aderência aos normativos que o TCU divulga, por exemplo, as Entidades do Sistema S que fazem parte desse trabalho seguiram os elaboraram de acordo com as disposições da Instrução Normativa TCU nº 63/2010 alterada pela IN TCU nº 72/2013, da Decisão Normativa TCU nº 146/2015, da Portaria TCU nº 321/2015 e da Portaria CGU nº 522/2015.
É possível observar no terceiro capítulo o amadurecimento da jurisprudência no sentido de reconhecer que os Serviços Sociais Autônomos – SSA não fazem parte da Administração Pública e nesse sentido prevalece o entendimento que são empresas formadas sob a luz do direito privado, contudo as Entidades do Sistema S devem atentar aos princípios constitucionais referentes a contratação de pessoal, aquisição de mercadorias e contratação de fornecedores.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é harmônica no sentido de reconhecer que os Serviços Sociais Autônomos – SSA não fazem parte da Administração Pública Direta e nem da Indireta e desse modo devem se afastar de qualquer procedimento que seja exclusivo da Administração Pública, o que é bastante coerente com a sua constituição jurídica e propicia a necessária autonomia administrativa para a execução de sua missão institucional.
A contribuição acadêmica desse trabalho tem origem ao evidenciar a aplicação do controle da Administração Pública nos Serviços Sociais Autônomos – SSA, os quais são entidades de direito privado e que não integram a Administração Pública Direta e nem a Indireta. Assim, é adequado depreender que este trabalho é uma contribuição ao Direito Administrativo Brasileiro, pois percorreu os conceitos consagrados por diversos doutrinadores da matéria; compartilhou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – STF, Superior Tribunal de Justiça – STJ e Tribunal de Contas da União –TCU e por fim identificou exemplos reais da incidência do controle da Administração Pública na Apex-Brasil.
Depreende-se ao concluir o trabalho que é adequado que o controle da Administração Pública seja aplicado as entidades que formam o Sistema S, pois estas desempenham relevantes atividades para a efetivação de políticas públicas.
Sugere-se, por fim, que outros pesquisadores mergulhem no tema Serviços Sociais Autônomos – SSA e estudem outros assuntos em que a característica das entidades do Sistema S possa ser comparada com a Administração Pública.
REFERÊNCIAS
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