5 CONTROLE DAS PARCERIAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O
5.2 Controle da Administração Pública
5.2.1 Controle externo da atividade administrativa
O controle externo das atividades administrativas consiste na fiscalização exercida pelos órgãos externos à estrutura administrativa do Estado. Sobre o tema, Marçal Justen Filho esclarece:
A maio ria das atividades admin istrativas estatais se concentra no âmbito do Poder Executivo. Por isso, a Constituição institucionalizou um sistema de controle externo relativamente aos atos admin istrativos do Executivo. Há competências reservadas
168 DI PIETRO, 2005, loc. cit.
169 “Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União;
II - co mp rovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem co mo da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem co mo dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou s indicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.”
especialmente ao Legislativo e ao Judiciário, sem considerar aquelas especificamente atribuídas ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público. 171
A interferência exercida por um sobre os outros Poderes não importa no
malferimento ao princípio da separação destes, previsto no art. 2º 172, da Constituição Federal.
O que se pretende é a fiscalização do exercício da competência reservada a cada um dos poderes, com base no sistema de equilíbrio entre eles. Acerca do controle-fiscalização, Marçal Justen Filho assevera:
O controle-fiscalização envolve, portanto, a verificação do exercício regular da competência atribuída pela lei. O órgão controlador não é investido na titularidade da competência cujo exercício está sujeita à sua fiscalização. Por isso, não é possível o órgão fiscalizador substituir-se ao titular da competência para realizar avaliações e estimativas no tocante à oportunidade, à consciência ou à finalidade de providencias na natureza discricionária173.
Como visto, tanto o Poder Judiciário como o Poder Legislativo exercem o poder- dever de controlar as atividades realizadas pela Administração Pública. Ressalta-se, entretanto, que a qualidade desse controle é diferente para cada um.
O controle jurisdicional da Administração Pública, efetuado pelo Poder Judiciário, abrange os atos, processos e contratos administrativos, atividades ou operações materiais, bem
como a omissão ou a inércia da Administração.174 A Constituição Federal, em ser art. 5º,
XXXV175, institui o princípio da inafastabilidade do controle do Poder Judiciário, ou seja,
desde que provocado, tal poder tem a competência para examinar a legalidade e a validade de um ato administrativo.
Verifica-se que o Judiciário desempenha uma atividade de fiscalização propriamente jurídica. A exemplo, são meios jurisdicionais de controle das atividades da Administração o Mandado de Segurança, individual e coletivo, o Habeas Data, a Ação Popular e a Ação Civil Pública, todos previstos na Constituição Federal, em seus artigos 5º,
incisos LXIX 176, LXXII177 e LXXIII178, e 129, inciso III179, respectivamente.
171 JUSTEN FILHO, 2006, op. cit., p. 760.
172 “Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”
173 JUSTEN FILHO, 2006, op. cit., p. 759. 174 MEDAUA R, 2006, op. cit., p. 391.
175 “XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”
176 “ LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;”
Cabe ao Poder Legislativo fiscalizar as atividades da Administração Pública sob os critérios político e financeiro. A característica do controle político tem por base a possibilidade de fiscalização e decisão sobre atos ligados à função ad ministrativa e de
organização do Poder Executivo e do Judiciário. 180
A Constituição Federal prevê vários aspectos do controle exercido pelo Poder Legislativo, propriamente dito (ou seja, sem considerar os mecanismos de fiscalização exercidos pelos Tribunais de Contas), quais sejam: o poder de sustar os atos normativos do Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou do limite de delegação legislativa (art. 49,
V181); o julgamento anual das contas e exame de relatórios (art. 49, IX182); a fiscalização
direta dos atos do Poder Executivo (art. 49, X183); a fiscalização de determinados atos
administrativos (art. 49, XII184) a convocação de autoridade para prestarem informações (art.
50, caput185); a instauração de comissões parlamentares de inquérito (art. 58, §3º186).
Por sua vez, conforme leciona José dos Santos Carvalho Filho, “o controle financeiro é aquele exercido pelo Poder Legislativo sobre o Executivo, o Judiciário e sobre sua própria administração no que se refere à receita, à despesa e à gestão dos recursos
públicos”. 187 Este tipo de controle é exercido pelo Congresso Nacional com o auxílio dos
Tribunais de Contas, conforme estabelece o art. 71, caput,188 da Constituição Federal.
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;” 178 “LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à mo ralidade ad min istrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;”
179 “Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: (...)III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimôn io público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;”
180 CA RVA LHO FILHO, 2007, op. cit., p. 856.
181 “Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...)
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;”
182 “IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;”
183 “X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;”
184 “XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;”
185 “Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, impo rtando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada.”
186 “Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e co m as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.”
187 “CARVALHO FILHO, 2007, op. cit., p. 858.
188 “Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:”