• Nenhum resultado encontrado

4.1 Tribunal de Contas da União e Acessibilidade

4.1.2 Controle Externo e Controle Interno na UFC

Na qualidade de Autarquia Federal de Regime Especial, a Universidade Federal do Ceará foi criada e é mantida por verbas de caráter público. Sendo assim, a autarquia segue mantendo seus atos e procedimentos vigiados, de muito perto, pelas instituições que realizam atividades de controle. Como o presente tópico dedica algumas linhas à apresentação do controle interno e do controle externo no âmbito da autarquia, cabe destacar, desde logo, uma faceta do "controle interno" ainda não trabalhada neste estudo.

A Controladoria Geral da União (CGU) é órgão do Governo Federal com atribuições relacionadas à defesa do patrimônio público, através da realização de auditorias em órgãos e entidades federais. Por compor a estrutura governamental administrativa, as demandas mobilizadas pela CGU, em verdade, materializam atividade de controle interno.

Importa esclarecer, ainda, que os trabalhos de controle interno e externo se complementam, conforme pode-se depreender do dispositivo constitucional abaixo transcrito:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:[...]

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. (BRASIL, 1988)

Dessa forma, os controles interno e externo, pelo menos segundo o discurso constitucional, estarão sempre articulados em prol da regularidade e da legalidade das condutas administrativas.

A discussão sobre o controle na administração e a reflexão acerca de uma gestão pública mais eficiente enseja a apresentação, ainda que de forma sucinta, da perspectiva Weberiana de "burocracia". Embora este termo tenha adquirido uma carga semântica pejorativa com o passar dos anos, Weber (1999) defendeu que a burocracia é a forma mais racional de dominação, trabalhando em favor da rapidez e da eficácia da administração pública. Nas palavras do autor:

A estrutura burocrática é por toda parte um produto tardio do desenvolvimento. Quanto mais retrocedemos no processo de desenvolvimento, tanto mais típico é para as formas de dominação a ausência da burocracia e do funcionalismo, em geral. A burocracia é de caráter "racional": regra, finalidade, meios, impessoalidade "objetiva" dominam suas atitudes. Por isso, seu surgimento e sua divulgação tiveram por toda parte efeito "revolucionário" naquele mesmo sentido especial, ainda a ser exposto, que caracteriza o avanço do racionalismo, em geral, em todas as áreas. Neste processo, a estrutura burocrática aniquilou formas estruturais da dominação que não tinham caráter racional, neste sentido especial. (WEBER , 2004, p. 237).

O controle exercido em meio a dinâmicas essencialmente burocráticas materializa, nessa perspectiva de análise, uma forma de organização precisa e eficaz da máquina pública. Nessa conjuntura, tal controle auxiliaria a edificação de uma administração pública que trabalharia contínua e precisamente.

Lançando um outro olhar sobre a questão, OLIVIERI (2011, p. 151) afirma que controle interno é “um instrumento que os políticos têm para saber se a burocracia está agindo no sentido definido por eles, que são os agentes legítimos de tomada de decisão governamental”.

O autor, portanto, vislumbra, nesta atividade, mais uma forma de controle político sobre os atos administrativos. Em que pese sua importância e sua pertinência, essa análise não está abrangida pelo objeto de estudo desta pesquisa. Além disso, uma investigação sobre a possível utilização das auditorias na máquina pública em favor da promoção de diretrizes partidárias, a despeito do difundido ideal de proteção do patrimônio público, é diligência bastante complexa, irrealizável nas poucas linhas dedicadas a este tópico.

Retornando à análise da autarquia estudada, é cabível indicar que, na UFC, as demandas de Controle Interno e Externo são intermediadas pelo atual setor de auditoria geral da universidade. A existência de uma unidade interna de auditoria nas entidades da Administração Pública Federal é prevista no Decreto n° 3.591, de 06 de setembro de 2000:

Art. 15. As unidades de auditoria interna das entidades da Administração Pública Federal indireta vinculadas aos Ministérios e aos órgãos da Presidência da República ficam sujeitas à orientação normativa e supervisão técnica do Órgão Central e dos órgãos setoriais do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal, em suas respectivas áreas de jurisdição.(Redação dada pelo Decreto nº 4.440, de 25.10.2002) [...]

§ 2o A unidade de auditoria interna apresentará ao órgão ou à unidade de controle interno a que estiver jurisdicionada, para efeito de integração das ações de controle, seu plano de trabalho do exercício seguinte. (Redação dada pelo Decreto nº 4.304, de 2002) (BRASIL, 2000) [...]

Segundo consta do Regimento Interno da CGU, os planos de trabalho das unidades de auditoria interna das entidades da administração pública federal indireta serão avaliados e supervisionados pela Secretaria Federal de Controle Interno – SFC. Tal Secretaria é um dos órgãos específicos singulares da CGU, conforme organograma parcialmente colacionado:

Figura 2- Organograma da CGU

Fonte: Portal CGU

Pode-se afirmar também que a Auditoria Geral da Universidade materializa o controle interno na autarquia, na medida em que a unidade realiza demandas próprias que visam ao aperfeiçoamento das práticas administrativas e à otimização dos recursos públicos, e intermedeia o atendimento às demandas advindas da CGU (também controle interno) e do TCU (controle externo).

É preciso atentar para o fato de que as auditorias, em essência, não se prestam tão somente a fiscalizar a legalidade das condutas praticadas na administração e apontar os equívocos da gestão. As atividades de controle devem auxiliar na melhoria da gestão de políticas públicas estruturadas. A este respeito, LOUREIRO et al. (2009, p.56) aduz:

[...] a CGU precisa diferenciar o duplo papel que ela tem buscado executar: o de auxiliar do gestor no processo de melhoria da gestão das políticas públicas por meio de auditorias e o de fiscal de sua legalidade, legitimidade e economicidade, apontando erros, falhas e, quando necessário, ilegalidade em sua implementação. Trata-se de equilíbrio delicado, mas imprescindível (LOUREIRO ET. AL., 2009, p. 56).

Nessa esteira, as atividades de controle desenvolvidas no âmbito da universidade devem direta ou indiretamente impactar na qualidade do serviço por ela ofertado.

Realizadas as breves considerações sobre o controle interno e externo no âmbito da UFC, o estudo passará para o tópico subsequente, destinado ao mapeamento da análise da pesquisa.