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3 REVISÃO DA LITERATURA

3.1 CONTROLE INTERNO E RISCOS

3.1 CONTROLE INTERNO E RISCOS

Segundo Imoniana e Nohara (2005, p. 38), controle é definido como “um

importante elemento das funções administrativas de uma organização, pois permite

a constante avaliação do alcance dos objetivos estratégicos e operacionais”. Os

mesmos pesquisadores destacam ainda que a implantação do controle viabiliza a

diminuição dos obstáculos que dificultam a entidade de concluir seus objetivos.

Franco e Marra (1991, p. 207) convergem no entendimento de que controle são as

ferramentas da organização designadas para vigiar, fiscalizar e verificar que

possibilitam a prevenção e observação das ações realizadas na entidade.

Segundo Ferrari (2009), o controle interno na administração pública se define

como uma ferramenta auxiliar do gestor pelo fato de possibilitar a supervisão das

ações implementadas e corrigir eventuais atos praticados em desconformidade com

a legislação em vigor.

Para o Comittee of Sponsoring Organizations of the Treadway Comission -

COSO (2004), são três os objetivos da adoção de uma sistemática de controle

interno: obter uma eficiência e uma efetividade dos processos, atingir um grau de

confiança nos documentos financeiros, e uma concordância plena com os

instrumentos legais e normativas existentes.

Estruturas organizadas de controle interno têm sido desenvolvidas de forma

extensiva em organizações, especificamente no que tange ao gerenciamento dos

riscos nas corporações (SPIRA; PAGE, 2003; MOELLER, 2007; POWER, 2009;

SGǍRDEA, 2009).

A sistemática processual do controle é organizada por meio de aspectos

estruturais tendo como resultado uma dissociação de poder decisório, levando em

consideração a complexidade das organizações (ANTHONY; GOVINDARAJAN,

2008). No entanto, sabendo-se que existem limitações inerentes a cada ação, as

arestas encontradas pelas atividades de controle podem ser adequadas conforme

for caminhando o andamento do processo (VALENTIM; SILVA; PASSOS, 2016).

Desta forma, indica-se que o controle interno se desenvolva de forma diversa

a um modelo de complexidades burocráticas e rotineiras, cabendo ao administrador

identificar as facilidades de implementação e execução, levando em consideração os

aspectos característicos e a capacidade de aceitação da organização (BORDIN;

SARAIVA, 2005). Soma-se a isto a importância de se considerar os riscos que

envolvem cada atividade, apontados como ameaças ao processo de controle e

governança nas instituições, figurados pelo agenciamento (HARRIS; TOWNSEND,

1981).

Para Amudo e Inanga (2009), o setor público, que busca desenvolver suas

ações de resolução de conflitos com iniciativa e prevenção, exige uma apreciação

detalhada da organização de seu controle interno efetivo, similar ao setor privado.

Desta forma, é viabilizado às corporações a identificação da capacidade de

assegurar que suas atividades sejam desenvolvidas em alinhamento com a política,

processos e objetivos.

No que tange à caracterização do controle interno no setor público, Sarens,

Vissher e Van Gils (2010), apontam pela existência de características específicas e,

por isso, deve ser entendido em um cenário de operação desses organismos. Os

autores apontam alguns quesitos que proporcionam uma análise do controle interno

no setor: ponto central direcionado para atingir os objetivos sociais ou políticos;

aplicação de verbas públicas; relevância das etapas orçamentárias; desempenho

complexo e amplitude da responsabilização pelos atos. José Filho (2008, p. 98),

“evidenciou a necessidade da presença efetiva do Controle Interno na Administração

Pública, que juntamente com a Auditoria Interna, constituem-se em ferramentas

indispensáveis no combate ao desvio de conduta e ao erro”. Desta forma fica

evidenciada a importância do controle interno para o setor público.

Através do controle interno, viabiliza-se a implementação de uma cultura de

controle pelo agente público, na qual são disponibilizados dados sobre o emprego

dos recursos financeiros públicos, permitindo assim um acompanhamento dos

serviços executados, bem como dos resultados obtidos pelos investimentos

realizados (BEUREN; ZONATTO, 2014).

O passar dos anos proporcionou diversas mudanças de paradigmas na

sistemática do controle interno, cabendo destaque à inclusão da gestão de riscos

como fator de consideração do processo de controle, sendo um importante elo entre

os organismos e o ambiente que se desenvolvem (SOIN; COLLIER, 2013).

Neste contexto, a Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras

Superiores INTOSAI (2004) esclarece que o controle interno desenvolve-se por meio

de um processo complexo e dinâmico, o qual se modifica constantemente de acordo

com as variações ocorridas nas organizações. Desta forma, define-se o controle

interno como um sistema integral desenvolvido pela gestão e pelos recursos

humanos de uma corporação para tratar de riscos.

Segundo INTOSAI (2004), outra finalidade do controle interno é viabilizar o

andamento das operações de maneira eficiente, econômica, eficaz e ética, bem

como dentro das normas legais vigentes, protegendo assim os recursos empregados

e evitando danos.

As perspectivas da sistemática do controle interno foram induzidas

inicialmente em organizações que possuíam uma prioridade por riscos em sua

gestão, influenciando por meio da metodologia adotada em entidades privadas e

públicas (ARAÚJO, 2015).

Ademais, os controles internos almejam estimular e cooperar com as etapas

organizacionais que coordenam e diminuem a probabilidade de riscos que possam

dificultar o alcance dos objetivos da corporação. Neste sentido, as mudanças

implementadas com o decorrer do tempo vão reajustando o ambiente interno e

estabelecendo novas ações de governança (ROSSETI; ANDRADE, 2011).

Acerca da finalidade do controle interno para a administração pública, Di

Pietro (2007, p. 670) indica que é “assegurar que a Administração atue em

consonância com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, tais

como: legalidade, moralidade, finalidade pública, publicidade, motivação e

impessoalidade”.

Ademais, concernente a normatização dos controles internos no setor público,

destaca-se: a Constituição Federal do Brasil; a Lei Complementar n° 101, de 04 de

maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal); e a Instrução Normativa n° 01 de 06

de abril de 2001, da Secretaria Federal de Controle Interno do Ministério da

Fazenda.

Silva (2002) concluiu que para o triunfo do controle interno no setor público é

fundamental ultrapassar as barreiras encontradas e realizar os ajustes estruturais

necessários, favorecendo assim a compreensão e o engajamento dos agentes de

controle em suas áreas de responsabilidade, consolidando a ligação concreta do

órgão executante com o organismo de controle. Referindo-se às funções da Ciência

da Administração, Megginson, Mosley e Pietri (1986) apontam que, caso o controle

não seja desempenhado de forma efetiva, as outras funções (dirigir, organizar e

planejar) consequentemente ficam limitadas dentro da organização, gerando, na

visão otimista, desempenho irrisório, e na visão pessimista, fortes transtornos.

Farias, Luca e Machado (2009) apontam que não se pode separar o risco das

atividades de controle interno. Os autores complementam indicando que tanto um

quanto o outro seguem um caminho associado buscando auxiliar a organização na

conquista de seus objetivos, desde que coordenados e desenvolvidos de maneira

oportuna.

De acordo com a Federação das Associações Européias de Gerenciamento

de Risco (FERMA, 2003), o “risco pode ser definido como a combinação da

probabilidade de um acontecimento e das suas consequências” (p. 2). Uma outra

definição contempla que “risco é a ameaça de que um evento ou uma ação afete

adversamente a habilidade da organização em maximizar valor para os stakeholders

e atingir seus objetivos e estratégias de negócio” (DARLINGTON; GROUT;

WHITWORTH, 2001, p. 3).

Específicamente no que tange ao controle interno, Peter e Machado (2003) e

Pessoa, Bernardo Neto e Araújo (1997) destacam quatro princípios básicos

norteadores, sendo eles o cumprimento das diretrizes e normas legais, segregação

de funções específicas, acompanhamento das transações, delegação de poderes e

designação de responsabilidades.

Para Farias, Luca e Machado (2009), é notável a responsabilidade da alta

gestão administrativa em coordenar as atividades relacionadas aos princípios do

controle interno com efetividade e ativamente. Entretanto, a gestão do controle

interno executada de maneira adequada contribui para a organização reconhecer a

preservação de valor ou possibilidades de inovação. Assim sendo, a alta

administração consegue balizar as oportunidades aos processos que contribuem

para a conquista dos objetivos estratégicos (FARIAS; LUCA; MACHADO, 2009).

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