3.5 Controle por Servovisão
3.5.1 Controle por Servovisão Baseado em Imagem
Os esquemas de controle por servovisão baseado em imagem, utilizam as coordenadas de um conjunto de pontos no plano da imagem. As informações de m são usualmente coordenadas de píxeis de um conjunto de pontos no plano da imagem (mas, não é a única opção), e os parâmetros de a na definição de s= s(m, a) na equação (3.28), não é nada mais do que os parâmetros intrínsecos da câmera.
Nesta tese, s e s∗ são os vetores que contêm as características extraídas2 dos planos de imagem atual e desejado, respectivamente. Os alvos de referência são estáticos, s∗ é constante e a mudança sobre s somente depende do movimento da câmera.
36 CAPÍTULO 3. PRELIMINARES TEÓRICAS
Aproximação da Matriz de Interação
Devido à dificuldade de calcular com exatidão a pseudo-inversa da matriz de interação
Le, existem algumas escolhas disponíveis para estimar cL+e e ser utilizado na lei de con- trole. Assim, levando em consideração uma condição suficiente que garante a estabilidade assintótica global do sistema,
c
L+e L+e(s(m(t), a), Z(t)) > 0 (3.33) Esta condição permite introduzir as possíveis opções na hora de estimar cL+e. De fato, consideram-se os seguintes casos.
1. Quando cL+e = L+e(t), neste caso, a matriz de interação estima-se numericamente durante o movimento da câmera, sem levar em consideração a forma analítica. Esta aproximação é muito interessante quando não se dispõe de nenhum modelo da câmera nem do robô. No entanto, é impossível neste caso demonstrar, quando a condição (3.33) se satisfaz. Ainda mais, a estimação inicial da matriz de intera- ção pode levar a resultados instáveis, especialmente no começo do controle onde algumas características visuais podem sair fora do campo de visão da câmera. 2. Quando cL+e = L+e(s(m(t), a), ˆZ(t)), neste caso, a matriz de interação atualiza-se a
cada iteração da lei de controle, utilizando a medida atual das características visuais e uma estimação da profundidade de cada ponto considerado. ˆZ pode obter-se do
conhecimento do modelo 3D do objeto ou do cálculo do movimento relativo da câmera. Este caso é ótimo, pois, idealmente tem-se cL+e L+e(s(m(t), a), Z(t)) = I que garante a condição (3.33) e implica um sistema estável e desacoplado. No entanto, o controle no espaço da imagem pode implicar em um movimento da câmera ina- dequado, conduzindo a um mínimo local e/ou próximo da singularidade na tarefa. 3. Quando cL+e = L+e(s∗(m(t), a), ˆZ∗(t)), neste caso, cL+e é constante e determina-se du-
rante um passo off-line utilizando o valor desejado das características e uma aproxi- mação de profundidade dos pontos na localização desejada da câmera. A condição (3.33) garante-se apenas na proximidade da posição desejada e consegue-se um comportamento desacoplado, somente na proximidade desta posição. A determi- nação analítica dos limites desta proximidade está fora do alcance, devido à com- plexidade dos cálculos simbólicos envolvidos. A trajetória realizada na imagem é bastante previsível e algumas características podem ficar fora do campo de visão da câmera durante o controle, especialmente se a posição inicial da câmera está longe da desejada.
4. Quando cL+e = 12(Le+ Le∗)+, neste caso, desde que Leestá envolvido, a profundi- dade atual de cada ponto deve estar também disponível.
O controle visual baseado em características da imagem têm um comportamento geralmente satisfatório, inclusive na presença de erros de calibração da câmera. No en- tanto, apresenta problemas de estabilidade e convergência, tais como:
3.5. CONTROLE POR SERVOVISÃO 37
• A singularidade de cL+e ou inclusive Le, durante a tarefa de controle visual, a qual pôde levar a um comportamento instável do sistema.
• A aparição de mínimos locais, devido à existência de movimentos não realizáveis o plano da imagem.
Capítulo 4
Sistema Proposto
Neste capítulo apresenta-se uma descrição do protótipo desenvolvido e as arquiteturas de hardware e software adotadas, as estratégias de controle de orientação e de posição do helicóptero quadrirrotor, bem como a estratégia de navegação proposta.
4.1
Protótipo de um Helicóptero Quadrirrotor
Visando aplicações de monitoramento aéreo, foi desenvolvido um protótipo de um he- licóptero quadrirrotor capaz de comportar uma carga útil suficiente para permitir que todo o processamento seja feito embarcado. O protótipo foi construído utilizando itens disponíveis no mercado, mais conhecidos como COTS (Commercially available Off-The-
Shelf ). A alimentação dos motores se dá através de um conjunto de baterias de polímero
de lítio e a estrutura física do VANT foi construída em alumínio, como mostrada na figura 4.1. Quatro motores elétricos do tipo Brushless são usados para o sistema de propul- são. Esse tipo de motor introduz uma confiabilidade mais elevada, ruído reduzido além de uma vida útil mais longa [Murray et al. 1997]. O seu acionamento é feito por meio de um controlador eletrônico de velocidade, ESC - Eletronic Speed Control, o qual é um hardware que recebe um sinal PWMδcomo sinal de referência 0≤δi(t) ≤ 1 ∈ R+, onde
1ms≤ t ≤ 2ms e i = 1,··· ,4. A partir destas referências, O ESC gera as ondas trifásicas necessárias para acionar esse tipo de motor. As hélices são acopladas aos motores sem sis- temas de redução, desta forma, hélices de 12 polegadas, atingiram um empuxo máximo de até 20N1. Este veículo é considerado como um quadrirrotor de grande porte, porque este pode levantar uma carga extra de até 2.0kg, o qual pode incluir um módulo de aquisicão de imagens, sensores (um AHRS e um sonar SRF08) e um computador embarcado. A autonomia de vôo do veículo é de aproximadamente 14 minutos.
A tabela 4.1 apresenta os diversos componentes do robô, suas respectivas massas e a massa total do protótipo do quadrirrotor.
120N é a máxima força de empuxo que cada motor com sua respectiva hélice produz, este valor foi
40 CAPÍTULO 4. SISTEMA PROPOSTO
Figura 4.1: Protótipo do helicóptero quadrirrotor desenvolvido no laboratório de robotica do DCA-UFRN.