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8 ANÁLISE DE RISCO E PLANO DE CONTROLE DOS POTENCIAIS RISCOS

10.3. CONTROLE PREVENTIVO MUNICIPAL PARA A GESTÃO e

A ideia da instituição do controle preventivo municipal visa garantir a gestão e o gerenciamento adequado dos RCCV por meio da intensificação dos processos de estruturação legal, licenciamento das atividades, fiscalização preventiva e de educação ambiental em todos os órgãos e níveis relacionados ao tema.

A estruturação legal é essencial para que o assunto seja efetivamente colocado em pauta pelos atores da cadeia, principalmente, para aqueles municípios que não apresentam, atualmente, instrumentos legais específicos sobre o tema em questão. Além da criação de novos instrumentos legais é importante que os municípios da RMBH tenham um consenso único sobre alguns temas como é o caso, por exemplo, do MTR (ou CTR- Controle de Transporte de resíduos) de forma que a informação possa fluir de um município a outro, tal como já ocorre com o RCCV que, muitas vezes, é gerado em um território e disposto ou reciclado em outro.

O licenciamento ambiental ou, ainda, a regularização da atividade de construção, sejam estas de pequeno ou de grande porte, vinculando o alvará de construção ao PGRCCV é uma importante ferramenta preventiva que estimula o gerenciamento adequado dos resíduos ainda na fase de projeto e planejamento da obra.

O acompanhamento e controle das ações dos agentes transportadores também devem ser considerados como prioritário, uma vez que representa o elo de ligação entre os geradores (pequenos e grandes) e a destinação e permite a identificação de locais inadequados ou não aptos ao recebimento. Naturalmente, a implementação do sistema online facilitará as ações de rastreabilidade e monitoramentos destas etapas.

10.3.1 Ações de orientação e de educação ambiental para os agentes envolvidos

Elaboração e realização de um plano de ações que tenha como objetivo principal a orientação técnica aos agentes envolvidos. Cada ação, neste sentido, pode e deve ser registrada e monitorada para que seja instituído um processo de avaliação periódica da sua eficácia possibilitando o aperfeiçoamento e adequação do conteúdo sempre que necessário.

O Plano de Comunicação e Educação Ambiental deve contemplar ações de educação ambiental direcionada aos trabalhadores da construção civil que lidam diretamente com os resíduos gerados. No início dos trabalhos é interessante que o assunto seja abordado de forma simples, clara e objetiva salientando as metas de minimização, reutilização e segregação dos resíduos em sua origem e apontando a grande contribuição da equipe em obra para o alcance destas. Da mesma forma, deve ser comentado o correto acondicionamento, armazenamento e transporte até a disposição final do RCCV, de preferência com demonstrações de registros fotográficos.

As ações de orientação e educação direcionadas aos pequenos geradores devem estar apoiadas nas diretrizes e definições em âmbito municipal já que é dever dos

caracteriza um pequeno gerador. Neste sentido, os municípios poderão contar com o suporte para elaboração de conteúdo técnico informativo produzido pela Agência Metropolitana, por exemplo. As medidas para este perfil de gerador de RCCV, adotadas em nível municipal, não precisam, necessariamente, envolver a implantação de novas e robustas infraestruturas, mas podem surgir, por exemplo, de pequenos “combinados” entre a gestão pública e seus moradores, sendo que estas práticas apresentam um resultado muito positivo em municípios de pequeno porte.

10.3.2 Fiscalização e controle dos agentes envolvidos

O programa de fiscalização deve ser implementado paralelamente às ações de aplicação da gestão e do gerenciamento dos RCCV por parte da administração pública. O objetivo principal é garantir o funcionamento adequado das ações propostas, sendo um importante instrumento para o monitoramento e controle das demais ações – educação, capacitação e orientação – proporcionando, ainda, instrumentos para a melhoria continua dos processos e atingimento das metas e objetivos propostos.

O ideal é que as ações de fiscalização sejam delineadas com base na realidade local, mas, em termos gerais, devem abordar:

• Análise dos procedimentos a serem adotados durante a obra para quantificação diária dos resíduos sólidos gerados por classe/tipo de resíduo.

• Adequação dos agentes e empresas que realizam as etapas de coleta às regras e normas do novo sistema de gestão.

• Análise e verificação do cadastro nos órgãos municipais competentes de todas as empresas de coleta e transporte de resíduos.

• Análise dos serviços prestados pelos geradores quanto ao correto uso dos equipamentos de coleta e encaminhamento dos resíduos, considerando os princípios de responsabilidade solidária pelo gerenciamento adequado dos resíduos coletados.

• Verificar a existência e cumprimento dos Planos de Gerenciamento de Resíduos, previstos na Resolução 307/02 do CONAMA, quando aplicável. • Registro e controle, de maneira a tornar possível a avaliação periódica de sua

eficácia e aperfeiçoamento.

• Analise periódica dos relatórios oriundos do sistema de rastreabilidade, quando em funcionamento, verificando as rotas e os locais de descarte e identificando possíveis desvios e inadequações.

A implantação gradativa e monitorada dos pontos de coleta e de descarte possibilita a análise e consideração de alternativas locacionais para estas infraestruturas de forma que os pontos sejam instalados de forma a facilitar e disciplinar o descarte adequado dos RCCV gerados pelos pequenos e grandes geradores.

Uma alternativa é a implantação gradativa da fiscalização dos pontos de coleta para conhecimento do fluxo de descarte e destinação dos resíduos. Tais informações auxiliam a análise das possibilidades da distribuição das unidades de recebimento de RCCV com o objetivo de otimizar o fluxo e reduzir os custos a todos os envolvidos. O Plano de Fiscalização deve ser delineado em função do número de fiscais capacitados disponíveis. Sugere-se que o município seja dividido em áreas distribuídas para cada fiscal, ou grupo de fiscais, para o exercício das tarefas descritas

O programa de fiscalização precisa ser rigoroso para garantir de as condições para a correta gestão dos resíduos sejam cumpridas de forma adequada. Com uma fiscalização bem estruturada é possível adequar o sistema atual para as novas normas e garantir o pleno funcionamento de todo o conjunto de ações, adequadas à realidade de cada município.

A fiscalização inibe atuações irregulares por empresas clandestinas e a revisão frequente do sistema de fiscalização é necessária para a definição de novas competências e regras para os fiscais e geradores, coletores, receptores e dos gestores municipais. O programa deve manter-se estruturado e há de ser periodicamente atualizado, para que uma próxima administração tenha condições de dar continuidade sem dificuldades.

10.4 ADEQUAÇÃO/FECHAMENTO DE ATIVIDADES IRREGULARES DE