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Capítulo III Implementação 75

3.6 
 O Sistema Visual 109

3.7.1 
 Controlo do Sintetizador Sonoro 128

O controlo do sintetizador sonoro é um aspecto fundamental de todo o sistema por nós proposto, uma vez que este, para além de gerar o som, funciona também como a principal forma de controlo do sintetizador visual. Estando o sistema idealizado destinado a ser controlado principalmente pelos músicos, torna-se assim ainda mais importante que o método de controlo do sintetizador seja versátil, permitindo uma grande manipulação musical e tímbrica, resultando também numa grande variedade de resultados visuais.

Num trabalho com um carácter mais exploratório, poderíamos “aventurarmo-nos” na procura do interface ideal para o controlo do sistema proposto mas, sendo esta tese norteada pela sua possibilidade de aplicação a casos concretos e comuns na indústria, decidimos ser mais “conservadores”, tendo elegido dois métodos de controlo possíveis: um teclado MIDI1 com a particularidade de possuir vários métodos de controlo adicionais como faders e botões rotativos, e o próprio interface gráfico da aplicação utilizada para construir o sintetizador sonoro, o Reaktor.

É possível ainda acrescentar um sequenciador MIDI ao sistema, de forma a potenciá-lo para outras tarefas menos adequadas à performance em tempo-real (Figura 57). Esta abordagem, graças às funcionalidades de gravação, edição e processamento de informação MIDI, permite construir a performance ideal em termos audiovisuais. Estando o sequenciador e o sintetizador sonoro a correr em máquinas diferentes, poderão ser interligados através de MIDI. De forma a não ser necessária a utilização dos tradicionais cabos e respectivos

interfaces MIDI, poder-se-á recorrer à comunicação da informação MIDI através de uma rede local baseada

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na arquitectura protocolar TCP/IP. Estando o sequenciador e o sintetizador sonoro residentes na mesma máquina, é também possível partilhar informação MIDI entre estas aplicações. 1

Figura 57 –Possibilidades de controlo do sintetizador sonoro

Controlador MIDI Edirol PCR-M50

O controlador MIDI utilizado na elaboração desta tese foi o PCR-M50 da Edirol (Figura 58). Este teclado possui 49 teclas, um pitchbend/modulator e 27 controladores completamente programáveis: 8 botões rotativos, 8 faders, 9 botões (on/off) e a possibilidade de ligação de 2 pedais externos. Além de possuir o tradicional protocolo MIDI para ligação a outros equipamentos e/ou computadores, possui ainda o protocolo USB, permitindo a ligação ao computador de forma directa, evitando a utilização adicional de um interface MIDI.

Figura 58 – Controlador MIDI utilizado

As características de um controlador MIDI como este são extremamente interessantes na medida em que permitem um controlo da performance musical muito mais completo, possibilitando para além do tradicional teclado, o controlo de parâmetros sonoros adicionais como a frequência de corte de um filtro, a sua ressonância, o nível de determinado efeito ou a definição do contorno de um envelope.

Uma limitação de qualquer controlador MIDI assenta no facto da resolução dos seus controladores ser algo reduzida quando aplicados a determinadas parâmetros. Como foi abordado anteriormente, quase todos os parâmetros MIDI possuem uma resolução de 7 bit, ou seja, 128 possibilidades de quantificação distintas. Se,

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Para mais informações sobre estas possibilidades, consultar o capítulo 3.2.1, “Transmissão de MIDI e Áudio entre aplicações locais e em rede”, pág. 80

aplicado à musica de uma forma geral, essa limitação não será na maior parte dos casos significativa (128 notas possíveis, 128 intensidades, etc.), no caso do controlo dos vários parâmetros do sintetizador sonoro e visual, poderá ser um pouco mais notória. Dependendo do tipo de parâmetro a controlar e do seu grau de variação, pode ser necessária a restrição dos valores “possíveis” a um subconjunto de valores considerados mais “úteis”, tendo em vista o mapeamento MIDI do parâmetro em causa.

É de salientar que o controlador MIDI utilizado possui a facilidade de armazenamento de memórias com a configuração de todos os parâmetros do teclado, como a atribuição de mensagens MIDI a cada um dos controladores. Assim, torna-se possível, por exemplo, construir vários memórias destinadas a controlar diferentes instrumentos musicais ou até mesmo o sistema visual de forma directa.

Interface gráfico do Reaktor

O Reaktor possui dois ambientes de funcionamento, denominados por Structure e Panel. O primeiro será o indicado para a programação dos equipamentos, enquanto que o último será o eleito para a operacionalidade dos mesmos. A este nível, o Reaktor distancia-se de outros ambientes como o Max/MSP, ou o Pd, pois estes, apesar de possibilitarem a construção de interfaces gráficos, não o fazem com a mesma facilidade. Podemos ver na Figura 59 o aspecto visual do Sintetizador por nós construído na aplicação Reaktor.

Um dos problemas inerentes à operacionalidade de um sintetizador será o nível de acesso aos parâmetros que é proporcionado pelo interface e a sua facilidade de utilização. Estes dois aspectos serão, à partida algo opostos: a acessibilidade a demasiados parâmetros torna o sistema mais complexo, resultando numa menor facilidade de utilização. Por isso, um compromisso entre estes é essencial para a concepção do painel de programação de um sintetizador. No nosso caso, optámos por não incluir alguns controlos possíveis mas considerados irrelevantes para a maior parte das situações de utilização, delimitámos e legendámos cada módulo para uma mais rápida compreensão e tentámos agrupar visualmente módulos com funções idênticas, como é o caso do LFO1 e LFO2 ou do Amplitude-Env e Filter-Env.

Em termos de funcionalidade permitida pelo interface, é importante referir a possibilidade de registo de todas as configurações dos instrumentos através dos chamados presets ou snaphots. Existe ainda uma funcionalidade que no contexto em que esta tese se insere pode ser muito interessante: podemos configurar dois modos de visualização distintos, A e B (canto superior esquerdo de cada instrument). Um deles pode ser utilizado para a visualização de todos os controlos do sintetizador sonoro e o outro poderá ser aproveitado para restringir a visualização apenas aos controlos que se encontrem relacionados com o sintetizador visual. Assim, pela análise do painel, o utilizador poderá ter um visão mais clara dos elementos de controlo que afectam de alguma forma o sistema visual.

Na Figura 60 podemos observar a mesa de mistura, por nós adaptada e os processadores de efeitos Dual Sync

Delay e Space Master 2, instruments provenientes da biblioteca que vem fornecida com o Reaktor. Este

último mostra que é possível desenvolver interfaces mais sofisticados e apelativos com esta aplicação, através da importação de imagens.

Figura 59 – Painel do Sintetizador criado no Reaktor