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Controlo e supervisão no contexto da pandemia COVID-19

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Junho 2021

Por outro lado, cerca de 13% das empresas portuguesas com 10 ou mais trabalhadores ao serviço utilizavam dispositivos ou sistemas interconectados que podem ser monitorizados ou controlados remotamente através da Internet. Portugal encontrava-se 5 p.p. abaixo da média da UE27, neste indicador.

3.5. Divulgação da aplicação do Regulamento TSM

No âmbito da divulgação da aplicação do Regulamento TSM, importa referir a publicação do Decreto-Lei n.º 49/2020 de 04.08.202017, que, entre outros aspectos, veio estabelecer o regime sancionatório aplicável à violação das regras relativas ao acesso à Internet aberta. O referido Decreto-Lei foi também publicado pela ANACOM no seu sítio na Internet18.

Neste domínio, importa também mencionar que a ANACOM aprovou, por decisão de 26.06.2020, o relatório anual relativo à aplicação dos artigos 3.º e 4.º do Regulamento TSM, que integra as ações de monitorização e supervisão desenvolvidas por esta Autoridade entre 01.05.2019 e 30.04.2020.

3.6. Controlo e supervisão no contexto da pandemia COVID-19

No contexto da pandemia COVID-19, foi decretado, no dia 18.03.2020, o Estado de Emergência em Portugal, o qual teve diversas renovações. Nesta sequência, foram tomadas várias medidas excecionais e temporárias em resposta à situação pandémica. O Decreto-Lei n.º 10-D/2020, de 23.03.202019, constitui um exemplo das medidas tomadas para o sector das comunicações eletrónicas, com o objetivo de garantir o bom funcionamento das redes e a prestação ininterrupta de serviços críticos, tendo vigorado até agosto de 202020.

Todavia, face ao aumento do número de novos casos de contágio da doença COVID-19 no início de 2021, o Governo voltou a estabelecer um conjunto de medidas de resposta à pandemia, recuperando soluções já adotadas aquando da primeira vaga em 2020. As medidas relativas ao sector das comunicações eletrónicas encontram-se previstas no

17 Decreto-Lei disponível em https://data.dre.pt/eli/dec-lei/49/2020/08/04/p/dre.

18 Detalhe disponível em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1555261.

19 Decreto disponível em https://dre.pt/pesquisa/-/search/130602979/details/maximized.

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Decreto-Lei n.º 14-A/2021 de 12.02.202121, que reflete, de um modo geral, as medidas anteriormente introduzidas em março de 2020. Decorre do referido Decreto-Lei que podem ser aplicadas medidas excecionais de gestão de tráfego, desde que sejam estritamente necessárias e apenas para garantir os objetivos do referido Decreto-Lei, devendo ser comunicadas ao Governo e à ANACOM, em momento prévio à sua implementação.

Neste contexto, a ANACOM tem vindo a acompanhar as diversas medidas adotadas pelo Governo para o sector, dando contributos sempre que solicitado.

A ANACOM tem acompanhado também as medidas adotadas pelos PSAI em resposta à conjuntura, não só monitorizando os seus sítios na Internet, mas também através do envio de pedidos de informação periódicos. No que respeita aos pedidos de informação, a sua periodicidade foi diminuindo à medida que a situação de pandemia foi melhorando, tendo terminado em finais de maio de 2020, à exceção do envio de dados relativos à evolução do tráfego que os prestadores tiveram de continuar a remeter.

A informação reunida revela um aumento significativo do tráfego de dados face ao período pré-COVID-19, em particular do tráfego de dados fixos, representando cerca de 95% do total de tráfego de dados.

Figura 8 - Evolução do tráfego de dados entre fevereiro de 2020 e abril de 2021

Fonte: ANACOM. Unidade: TB.

21Decreto-Lei disponível em https://data.dre.pt/eli/dec-lei/14-A/2021/02/12/p/dre.

0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 0 50 000 100 000 150 000 200 000 250 000 300 000 350 000 9/f e v 2 3 /fe v 8 /m a r 2 2 /m a r 5 /a b r 1 9 /a b r 3 /m a i 1 7 /m a i 3 1 /m a i 1 4 /j u n 2 8 /j u n 1 2 /j u l 2 6 /j u l 9 /a g o 2 3 /a g o 6/ s et 2 0 /s e t 4 /o u t 1 8 /o u t 1 /n o v 1 5 /n o v 2 9 /n o v 1 3 /d e z 2 7 /d e z 1 0 /j a n 2 4 /j a n 7/f e v 2 1 /fe v 7 /m a r 2 1 /m a r 4 /a b r 1 8 /a b r 2 /m a i

Dados fixos (estimado) Dados móveis (estimado)

Período sazonal - verão dados fixos (eixo esquerda) dados móveis (eixo direita)

09/novembro | Estado de Emergência 22/janeiro

Fecho das escolas Dever de recolhimento

15/março

Levantamento gradual das medidas

2 /m a io | Cal a m id a d e

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Conforme se pode observar na (Figura 8 - Evolução do tráfego de dados entre fevereiro de 2020 e abril de 2021), na semana em que foi decretado o primeiro Estado de Emergência (19.03.2020), o tráfego de dados fixos semanal registou um máximo, atingindo 29 Petabytes por dia, mais 67% que no período pré-COVID19. Após este período, iniciou-se uma trajetória descendente que terminou na semana de 12.07.2020, altura em que o tráfego de dados foi, ainda assim, 27% superior ao verificado no período pré-pandemia, tendo iniciado depois nova trajetória ascendente.

Com a entrada em vigor do Estado de Contingência, em 15.09.2020, e posteriormente do Estado de Calamidade, em 15.10.2020, verificou-se uma nova aceleração do tráfego de dados, com um crescimento adicional superior (mais 1,6% por semana). Na sequência da segunda vaga da pandemia e com a entrada em vigor do segundo Estado de Emergência, em 09.11.2020, atingiram-se dois picos no tráfego de dados fixos nas semanas em que ocorreram feriados e tolerâncias de ponto (semanas terminadas em 06.12.2020 e 13.12.2020). Com o restabelecimento do dever geral de recolhimento domiciliário ocorreu um máximo histórico na semana de 07.02.2021. Após o início do desconfinamento, em 15.03.2021, o tráfego de dados fixos voltou a diminuir, encontrando-se, no final de abril, cerca de 16% abaixo do verificado na semana 07.03.2021.

O aumento de tráfego está relacionado com a alteração dos comportamentos de utilização dos SAI resultante da pandemia COVID-19. Em 2020, o tráfego médio de dados fixos por acesso aumentou 55,0% em 2020, por comparação com o ano de 201922, tendo atingido 226 GB no 4.º trimestre de 2020. No 1.º trimestre de 2021, o tráfego médio mensal por acesso cresceu 61,8% face ao trimestre homólogo, atingindo 260 GB, um novo máximo histórico.

Estima-se que a situação de pandemia tenha provocado um aumento de 43,4% do tráfego médio de dados fixos por acesso no 2T2020, de 25,8% no 3T2020 e de 40,2% no 4T2020, face à tendência que se vinha verificando. Em média, o efeito específico da pandemia neste tipo de tráfego foi de 36,3% em 2020. Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento do tráfego médio de dados fixos por acesso teria sido de 19,3%23 em

22 Nos cinco anos anteriores tinha crescido, em média, 23% ao ano.

23 De notar que o efeito COVID-19 não pode ser obtido por diferença entre a variação realmente ocorrida em 2020, por um lado, e a estimativa do valor da variação ocorrida caso não tivesse ocorrido a pandemia, por outro lado. De facto, estes valores são calculados como variações em relação a 2019, enquanto a estimativa do efeito COVID-19 é uma variação face ao que teria ocorrido em 2020 caso não tivesse havido pandemia.

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comparação com 2019. No 1T2021, o impacto da pandemia COVID-19 foi de 54% face à tendência anterior. Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o tráfego médio de dados fixos por acesso tivesse crescido 22%, face ao período homólogo.

O tráfego de dados móveis, que representa cerca de 5% do total de tráfego de dados, também apresentou uma tendência crescente, embora bastante mais moderada. O valor máximo foi registado durante o período de verão, tal como acontece historicamente, coincidindo com a generalidade do período de Estado de Alerta.

Apesar do aumento registado no tráfego de dados, os PSAI não reportaram problemas significativos de congestionamento de rede. Ainda assim, vários prestadores adotaram medidas de reforço da capacidade de rede em alguns pontos do país. Não obstante o exposto, os prestadores indicaram não terem implementado medidas excecionais de gestão de tráfego.

Importa também referir que, apesar da conjuntura, o ano de 2020 foi marcado por uma redução significativa do número total de incidentes de segurança notificados à ANACOM pelas empresas de redes e serviços de comunicações eletrónicas: 64 incidentes de segurança, que corresponde a menos 20% do que no ano anterior e ao valor mais baixo registado desde 2015. Da totalidade dos incidentes notificados em 2020, concluiu-se que 59% foram devidos a falha no fornecimento de bens ou serviços por terceiros24. De destacar ainda as ocorrências devido a acidente ou fenómeno natural (22%), a manutenção ou falha de

hardware ou de software (16%) e os ataques maliciosos (3%). A telefonia fixa foi o serviço mais afetado, com 88% do total de incidentes de segurança recebidos; seguindo-se a telefonia móvel, com 70%; e a Internet móvel, com 33% do total dos incidentes de segurança25.

No âmbito da monitorização da situação decorrente da pandemia COVID-19, a ANACOM continuou a analisar os resultados dos testes à velocidade do SAI, em acessos fixos residenciais e acessos móveis, efetuados pelos utilizadores no NET.mede (através de

browser). De um modo geral, verificou-se um aumento acentuado do número médio diário de

testes, em resultado da pandemia, notando-se um decréscimo do número de testes aos fins

24Designadamente falhas no fornecimento de energia elétrica ou de avaria em circuitos alugados.

25 Detalhe disponível no «Relatório sobre violações de segurança ou perdas de integridade (2020)», publicado pela ANACOM em 20.04.2021. O referido relatório encontra-se disponível em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1617502.

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de semana e feriados. Os respetivos resultados foram regularmente publicados no sítio na Internet da ANACOM, até ao início de julho de 202026.

Apesar do aumento significativo do volume de reclamações no sector de comunicações eletrónicas, tal como explicitado na secção 3.2, a velocidade do acesso à Internet não foi um dos assuntos mais reclamados, embora tenha registado um aumento de 2 p.p. em 2020 face a 2019, refletindo a maior utilização de serviços de comunicações eletrónicas provocada, nomeadamente, pelos efeitos da pandemia COVID-19.

Neste contexto, a ANACOM adotou diversas medidas, tendo em vista a proteção dos consumidores e a população em geral, com destaque para:

• Lançamento, em 11.05.2020 de uma área dedicada exclusivamente ao impacto da pandemia COVID-19 no sector das comunicações27, objeto de atualização regular e que contém informação útil para os consumidores, designadamente sobre as medidas excecionais aprovadas pelo Governo, pelo Parlamento e pelos prestadores de serviços.

• Atualização regular do guia prático «O que precisa de saber sobre as comunicações

durante a pandemia COVID-19»28, publicado em maio de 2020, e que visa de forma clara responder às principais dúvidas dos consumidores de comunicações, na atual situação excecional resultante da pandemia COVID-19.

• Publicação, em 22.12.2020 de um balanço da aplicação das medidas de proteção dos clientes de comunicações eletrónicas, no âmbito da pandemia COVID-1929.

• Atribuição, em 03.02.2021 do direito de utilização do número curto 2424 à SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde para ser utilizado exclusivamente para o envio de mensagens curtas (SMS) à população no âmbito da execução do plano

26 O último relatório encontra-se disponível em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1547181. 27Disponível em https://www.anacom-consumidor.pt/covid-19.

28 Disponível em https://online.fliphtml5.com/rchw/qfqf/#p=1.

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nacional de vacinação contra a doença COVID-19, incluindo o envio de receitas sem papel e agendamento de consultas durante esse período30.

• Reedição, em 05.02.2021, da informação publicada em março de 2020, sobre boas práticas de utilização de redes e serviços de comunicações eletrónicas31.

• Publicação de alerta no sítio da Internet da ANACOM, em 12.02.2021, sobre o aumento das fraudes e ciberataques relacionados com a pandemia COVID-1932.

• Publicação, em 11.03.2021, de relatório sobre o impacto da pandemia COVID-19 na utilização dos serviços de comunicações33.

Tal como reportado no relatório anual anterior, esta nova realidade propiciou uma troca de informação regular com outras ARN, sob a coordenação do BEREC, bem como com outras autoridades reguladoras portuguesas.

30 Detalhe disponível em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1602139.

31 Detalhe disponível em https://www.anacom-consumidor.pt/-/covid-19-boas-praticas-para-uma-utilizacao-eficiente-da-internet.

32 Detalhe disponível em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1602689. 33Relatório disponível em https://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=1603793.

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