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4.2.2 | CONVENTO DE SANTA MARIA DE LA TOURETTE

No documento Arquitetura: Sonoridade e Gesto (páginas 134-136)

4.2 | Casos de estudo

4.2.2 | CONVENTO DE SANTA MARIA DE LA TOURETTE

O convento de Santa Maria de La Tourette data de 1953, ano em que começa a ser construído, sendo que apenas foi concluído no ano de 1960, tornando-se a última construção de renome de Le Corbusier na França.

O edifício localiza-se perto de Lyon, mais precisamente em Eveux. De características modernas, o Convento de La Tourette chega a ser considerado o segundo mais importante edifício em Francês do movimento.

A história do edifício remonta aos tempos em que os frades dominicanos da província de Lyon instruíam os jovens dominicanos na região de Chambery. Decidem mais tarde mudar-se para mais perto do centro de Lyon, e é então que se apoderam do terreno onde agora se localiza o edifício, em Eveux-sur-l'Arbresle. Sob o pedido do padre Couturier 551, Le Corbusier projeta um

convento que visa albergar uma centena de religiosos. O pedido, segundo as palavras de D. Belaud, fora feito da seguinte forma: “For the beauty of the convent to be built, of course. But especially for the significance of this beauty. It was necessary to show that prayer and religious life are not related to conventional forms and that an agreement can be established between them and a more modern architecture.” 552

A complexidade, a riqueza e a força do edifício revelam muitas das intenções de Couturier aquando do pedido para realização da obra: “Le Couvent Sainte-Marie de La Tourette est une synthèse unique d’acquis du Mouvement Moderne, où se combinent formes puristes, textures brutalistes et solutions révolutionnaires en matière d’habitat.” 553

O edifício apresenta quatro corpos que acompanham o declive natural do terreno, permanecendo inalterado. A estrutura, deixada à vista, é em betão armado, e é revelado não só nas fachadas, como pelo interior, ao longo dos seus dois piso, em salas de estudo ou de trabalho, na biblioteca, e até mesmo no piso inferior, destinado ao claustro, refeitório e igreja. A fachada apresenta, além do aspeto bruto em betão armado, os famosos “painéis de vidro ondulantes”, mas a fachada foi, na verdade, desta forma elaborada para resolver uma questão económica e não por mero quesito estético. O reduzido orçamento não permitia a colocação

551 Marie-Alain Couturier (1897-1954), além de padre dominicano fora um crítico de arte. 552 Pedido do padre Couturier a LeCorbusier, segundo as palavras do irmão D. Belaud.

Tradução livre: Para a beleza do Convento a ser construído, claro. Mas essencialmente para o significado dessa beleza. É necessário mostrar que a vida religiosa e de reza não tem a ver com formas

convencionais e que pode ser estabelecido um acordo entre elas e a arquitetura moderna.

553 Fondation Le Corbusier (s.d) Couvent Sainte-Marie de la Tourette, Eveux-sur-l'Arbresle, France, 1953. Recuperado em 22 setembro, 2016 de

http://www.fondationlecorbusier.fr/corbuweb/morpheus.aspx?sysId=13&IrisObjectId=4731&sysLanguag e=fr-fr&itemPos=5&itemSort=fr-fr_sort_string1&itemCount=20&sysParentName=Home&sysParentId=11 Tradução livre: O Convento de Sant-Marie de La Tourette é um apanhado geral das realizações do movimento moderno, que combinou formas puras, texturas brutas e soluções revolucionárias em questões habitacionais.

de vidro em toda a extensão da fachada Oeste, que era, para Le Corbusier uma espécie de segunda pele do edifício em forma de janela. Assim, Le Corbusier pede ao seu pupilo que brinque com as distâncias entre os invólucros de betão. Após uma tentativa falhada, Xenakis decide substituir o conceito de ritmo pelo de densidade, acabando por chegar a uma tabela de progressões de retângulos a partir do “Modulor” (Fig 40).

Fig 40 – Tabela de progressões de retângulos a partir do “Modulor”, por Xenakis (1955)

O convento de La Tourette molda-se ao terreno que o envolve, mas molda-se sobretudo ao tempo que acompanha. Desta forma, o edifício apresenta caraterísticas que o tornam atual invariavelmente da época em que se o analise, segundo Peter Eisenman: “Siempre he hablado de la idea de presentidade. Presentidad para mí es la cualidad de un espácio que se mantiene transgressor da la tipología y del marco de la arquitectura por un largo período de tiempo. La

Tourette de Le Corbusier tiene para mí más presentidad que Rochamp; porque Rochamp ha

sido sublimada y adaptada a la producción escenográfica de la arquitectura; en cambio en La Tourette los cambios topológicos, las transgresiones de organización no han sido absorbidas. Cuanto más tiempo algo permanece inabsorbible dentro de una norma, género o tipologia, más grande resulta la arquitectura.” 554

Em Setembro de 2006 o convento entra em processo de restauro, e o que devia ter demorado cerca de cinco anos dura até Abril de 2013. O acesso ao interior deste espaço é agora possibilitado através de visitas guiadas, uma vez que deixou de ser convento e passou a ser centro de encontro multidisciplinar relacionado com ciências humanas e filosofia.

554 Peter Eisenman como referido em Neumann, John Von (s.d) El Croquis – Peter Eisenman – 1990/1997.

p.14

Tradução livre: Sempre se falou da ideia de presença. Presença para mim é a qualidade de um espaço que se mantém transgressor da tipologia e da marca da arquitetura por um largo período de tempo. La Tourette de LeCorbusier tem para mim mais atualidade que Rochamp; porque Rochamp foi sublimada e adaptada à produção cenográfica da arquitetura; pelo contrário em La Tourette as mudanças

topológicas, as transgressões de organização não foram absorvidas. Quanto mais tempo algo permanece inabsorvível dentro de uma norma, género ou tipologia, maior a arquitetura resulta.

No documento Arquitetura: Sonoridade e Gesto (páginas 134-136)