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A Contabilidade enquanto Ciência Social Aplicada influencia e sofre influências da sociedade, da cultura e valoração dos indivíduos, governos e empresa locais e internacionais, de forma que o desenvolvimento do seu arcabouço conceitual esta diretamente ligada ao desenvolvimento econômico e social de uma determinada região ou país, pois do contrário, haveria uma enorme assimetria entre a mensuração dos patrimônios individuais e o consenso dos agentes nesses ambientes, embora na visão de alguns autores, esse fato decorra apenas em função do desenvolvimento econômico, como Niyama assevera ao analisar o caso

brasileiro: “O desenvolvimento da contabilidade no Brasil, também, está atrelado ao desenvolvimento econômico do país” (NIYAMA, 2007, p. 1).

Tendo em vista a globalização das relações comerciais e a necessidade de padrões comparativos mais seguros, surgiu a necessidade de convergência das normas de contabilidade brasileira às internacionais, para evitar a assimetria contábil, como menciona Franco (1999, p. 183), “Temos uma economia crescentemente global e as pressões estão conduzindo à exigência de um conjunto de normas transparentes e de relatórios contábeis comparáveis para uso em todo o mundo”.

A busca dessa convergência no setor público, incentivou o CFC firmar termos de compromisso com o International Federation of Accountants (IFAC), organização responsável por promover globalmente a normatização da contabilidade do Setor Público, com o objetivo de traduzir as normas internacionais, realizar ampla divulgação das mesmas e promover o processo de convergência, também aplicado á área pública.

Esse fato ocorreu em 2007, quando o IFAC, divulgou no seu plano estratégico e operacional a adesão do Brasil às NICPS até o ano de 2012, informação ratificada e formalizada pelas Portarias CFC nº. 34/2004 e nº. 1.103/07, que criaram o grupo de estudos voltado para a normatização contábil brasileira e sua adaptação aos padrões internacionais.

No final do ano de 2008 foram editadas, pelas Resoluções do CFC de nos. 1.128/08 a 1.137/08, as dez primeiras Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBC T 16.1 a 16.10), também conhecidas pela denominação genérica de NBCASP, como relatado anteriormente neste trabalho. Até então, não havia experiência no Brasil de normas de contabilidade para o setor público editadas pelo CFC, sendo prática a edição de leis pelo Governo Federal para normatizar as práticas e procedimentos contábeis, como a Lei nº 4.320/64 e a Lei Complementar nº 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal.

Para que o processo de normatização (nesse primeiro momento “alinhado” às normas internacionais) fosse aceito pelo Setor Público no Brasil, sobretudo, pela Secretaria do Tesouro Nacional e Tribunais de Contas (até então os “editores” de procedimentos contábeis no setor), o CFC (2008-O, p. 3), conforme palavras da sua Presidente, desenhou e pôs em prática uma estratégia de “parceria” visando à construção conjunta do processo de

normatização contábil no Brasil, firmando acordo de cooperação técnica com o Ministério da Fazenda, através da Secretaria Executiva, com vistas ao envolvimento da STN no Projeto, bem como convênio com a Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (ATRICON), visando o envolvimento dos Tribunais de Contas dos Estados e Municípios.

Os impactos de transformação gerados no âmbito do Setor Público Brasileiro pela discussão e edição das NBCASP são claros. No Governo Federal, forram propostas alterações na STN, para mudar profundamente a Contabilidade aplicada ao Setor Público, enfatizando a Contabilidade Patrimonial, com a edição de novos manuais; plano de contas nacional; registros contábeis; sistemas de custos no setor público (Portaria do MF nº. 184/08; Decreto nº. 6.976/09) e a reformulação de todas as Demonstrações Contábeis do Setor Público.

Além disso, a adoção e internalização institucional dos Princípios de Contabilidade, com destaque para o Princípio da Competência (Accrual Basis of Accounting), nos termos das International Public Sector Accounting Standard (IPSAS), representou uma das vigas fundamentais da reforma no modelo de Contabilidade Pública no Brasil.

Como forma de agilizar o processo de convergência, foi criado em 2007 o Comitê Gestor da Convergência no Brasil, que tem entre outras atribuições a de apoiar todas as ações sobre o referido processo.

Em 2008 foi constituído o Grupo de Trabalho da Contabilidade Pública (GTCP), com o objetivo de coordenar os trabalhos de tradução das IPSAS visando a sua disponibilização aos Contabilistas atuantes no Setor Público, para após amplo processo de divulgação e apropriação pelos contabilistas, iniciar os trabalhos de convergência, com vistas a apresentação das minutas das NBC T SP, para submissão a audiência pública e, posterior, aprovação e publicação pelo CFC;

A IFAC, mediante convênio, autorizou a tradução das IPSAS para a língua portuguesa, conferindo ao CFC e IBRACON a prerrogativa de serem os tradutores oficiais no Brasil das suas normas internacionais.

Após esta autorização, o CFC contratou uma empresa, por meio de licitação, em meados de 2008, para traduzir as 26 IPSAS disponíveis à época (corte na data-base de 2007).

O GTCP do Comitê Gestor da Convergência não aprovou a tradução apresentada, tendo em vista a identificação de muitas falhas, termos inadequados e distanciamento da terminologia contábil usual. No intuito de revisar e corrigir a tradução técnica das normas, o CFC firmou convênio com a STN, que contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a referida tarefa.

A Figura 1 demonstra a metodologia de revisão técnica das traduções das IPSAS, definida pelo CFC, STN e FGV, para que sejam, posteriormente, divulgadas e encaminhadas para o Comitê Gestor da Convergência no Brasil:

Figura 1– Diagrama da Metodologia adotada para a tradução das IPSAS Fonte: CFC (MAIOR, 2010).

O processo de convergência iniciou-se com a tradução das IPSAS pelo CFC, em parceria com a STN, conforme Figura 1, e envolve as seguintes etapas (MAIOR, 2010):

1. Recebimento das IPSAS pelo CFC, após tradução de empresa especializada e contratada para os serviços (V2);

2. Análise e distribuição das IPSAS para os Especialistas, pela FGV, para revisão da tradução realizada pela empresa (V3);

3. Recebimento das IPSAS revisadas e, redistribuição, pela FGV, (com definição de prioridade), para validação pelos Especialistas (V3a);

4. Encaminhamento para a STN para validação prévia (V3b); 5. Ajustes para validação final (V4); e

6. Encaminhamento para validação final de versão para a STN/CFC, visando o seu encaminhamento ao Comitê Gestor da Convergência no Brasil (VF).

Após o recebimento da versão final (VF) das IPSAS traduzidas, o GTCP definiu, inicialmente, o seguinte cronograma de trabalho (MAIOR, 2010):

a) Recebimento da VF (Versão Final) das IPSAS traduzidas e dos documentos: Termo de Referência; Glossário e Sumário – até Abril/Maio 2010;

b) Elaboração e discussão nos grupos técnicos, das minutas (M1) das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público convergidas (NBC T SP) – até agosto 2010;

c) Discussão com o Grupo Ampliado para a produção das minutas da versão (M2) das NBC T SP - até Setembro 2010;

d) Audiência Pública (eletrônica) das minutas da versão (M2) das NBC T SP – até Outubro 2010;

e) Realização de Seminário Nacional para audiência pública presencial das NBCT SP – até Novembro 2010;

f) Reunião do Grupo Ampliado para discussão das contribuições recebidas nas audiências públicas (eletrônica e presencial) - Dezembro 2010;

g) Aprovação pelo CFC das NBC TSP - em Fevereiro de 2011;

h) Realização de Seminários Regionais para divulgação e treinamento das NBCT SP – de Março a Dezembro de 2011; e

i) Início da vigência das NBC TSP - 1º de janeiro de 2012;

Com as etapas do processo de convergência já estabelecidas até o final de fevereiro de 2011, para vigência a partir de 2012, o processo de Convergência da área pública, conforme o CFC e STN, representarão um marco e um avanço no desenvolvimento conceitual

da Contabilidade Aplicada ao Setor Público, consolidando todas as mudanças iniciadas a partir de 2007, com a interpretação dos Princípios Contábeis sob a perspectiva do setor público.