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Convergˆencia Absoluta e Condicional

2.4 S ´ ERIES ALTERNADAS

2.4.2 Convergˆencia Absoluta e Condicional

Definic¸˜ao 2.7 Dizemos que uma s´erie

n=1

an´eabsolutamente convergente se a s´erie de valores

absolutos correspondente,

n=1

|an|, ´e convergente.

Exemplo 2.15 (Convergˆencia Absoluta) A s´erie

n=1

(−1)n−1

n2+ 2n + 1 ´e absolutamente convergente.

Soluc¸˜ao: Utilizando o Teste de Comparac¸˜ao, temos que a s´erie de valores absolutos

n=1

1 n2+ 2n + 1

´e menor que

n=1

1

n2 (que ´e convergente).

Logo,

n=1

1

n2+ 2n + 1 converge, o que implica na convergˆencia absoluta da s´erie alternada

dada no exemplo.

Definic¸˜ao 2.8 Uma s´erie que ´e convergente, mas n˜ao absolutamente convergente, ´e denomi- nadacondicionalmente convergente.

Exemplo 2.16 (Convergˆencia Condicional) A s´erie

n=1 (−1)n+11 + n n2 converge condicional- mente.

Soluc¸˜ao: Pelo Teste da S´erie Alternada, vemos que a s´erie dada ´e convergente, pois

lim n→∞  1 n2+ 1 n  = 0

Por´em, usando a s´erie de valores absolutos e o Teste de Comparac¸˜ao de s´eries,

n=1  1 n2+ 1 n  > 1 n Como ∞

n=1 1

n ´e divergente, ent˜ao

n=1  1 n2+ 1 n 

tamb´em ´e. Logo, a s´erie converge, mas n˜ao absolutamente.

3 S ´ERIES DE POT ˆENCIAS

A principal raz˜ao para o desenvolvimento da teoria da sec¸˜ao anterior ´e a representac¸˜ao de func¸˜oes como s´eries de potˆencias, isto ´e, s´eries cujos termos contˆem potˆencias de uma vari´avel.

Definic¸˜ao 3.1 Uma s´erie de potˆencias ´e uma s´erie de termos vari´aveis da forma

n=0

anxn= a0+ a1x+ a2x2+ · · · + anxn+ · · · (1)

na qual x ´e vari´avel e os termos ans˜ao constantes chamadascoeficientes da s´erie.

Para cada x fixado, a s´erie (1) ´e uma s´erie de constantes que podemos testar para a con- vergˆencia ou divergˆencia. Uma s´erie de potˆencias pode convergir para alguns valores de x e divergir para outros.

Por exemplo, considerando an= 1 para todo n, a s´erie de potˆencias se torna a s´erie geom´etrica: ∞

n=0

xn= 1 + x + x2+ · · · + xn+ · · ·

que converge quando −1 < x < 1 e diverge quando |x| ≥ 1 (conforme o Exemplo 2.2).

A express˜ao

n=0

anxn ´e comparada a um polinˆomio, pois trata-se de uma soma de coefici- entes multiplicados por potˆencias de x, mas polinˆomios tˆem graus finitos e n˜ao divergem para nenhum valor de x. De acordo com Thomas (2003, p. 53), assim como uma s´erie de constantes n˜ao ´e uma mera soma, tamb´em uma s´erie de potˆencias de x n˜ao ´e um mero polinˆomio.

Definic¸˜ao 3.2 De maneira geral, uma express˜ao da forma

n=0

an(x − a)n= a0+ a1(x − a) + a2(x − a)2+ · · · + an(x − a)n+ · · · (2)

´e umas´erie de potˆencias centrada em x = a. O termo an(x − a)n ´e on-´esimo termo e o n´umero

Quando estabelecemos que x = 0 na express˜ao

n=0

anxn= a0+ a1x+ a2x2+ · · · + anxn+ · · ·

obtemos a0 `a direita mas a0· 00 `a esquerda. Como 00 representa uma indeterminac¸˜ao, ocorre

uma falha na notac¸˜ao, a qual ser´a desconsiderada.

O mesmo ocorre em

n=0

an(x − a)n quando estabelecemos que x = a. Em ambos os casos todos os termos s˜ao 0 para n ≥ 1, assim a s´erie de potˆencias sempre converge para a0 quando

x= a. Mas precisamos determinar, de maneira geral, as condic¸˜oes de convergˆencia para esse tipo de s´erie. Para isso, os teoremas a seguir s˜ao indispens´aveis.

Teorema 3.1 Se uma s´erie de potˆencias

anxn for convergente para x= x1 (com x16= 0),

ent˜ao ela ser´a absolutamente convergente para todos os valores de x para os quais |x| < |x1|.

Demonstrac¸˜ao: Se

anxn1 for convergente, ent˜ao limn→∞anxn1 = 0. De acordo com a

Definic¸˜ao 2.2, tomando ε = 1, existe um inteiro positivo N tal que

se n > N ent˜ao |anxn1| < 1

Assim, para n > N e se |x| < |x1|,temos

|anxn| = anxn1 xn xn1 = |anxn1| x x1 n < x x1 n (3) A s´erie ∞

n=N x x1 n

´e uma s´erie geom´etrica convergente, com r = |x/x1| < 1. Logo, por (3)

e pelo Teste de Comparac¸˜ao, a s´erie ∑∞

n=N|anxn| tamb´em converge. Assim, a s´erie

anxn ´e

absolutamente convergente para todos os valores de x tais que |x| < |x1|.

Teorema 3.2 Se uma s´erie de potˆencias

anxn for divergente para x= x2 (x26= 0), ela ser´a

divergente para todos os valores de x para os quais|x| > |x2|.

Demonstrac¸˜ao: Suponhamos que a s´erie de potˆencias seja convergente para algum n´umero x para o qual |x| > |x2|. Ent˜ao, pelo Teorema 3.1, a s´erie deve convergir para x = x2, o que

contradiz a hip´otese. Logo, a s´erie de potˆencias dada ´e divergente para todos os valores de x tais que |x| > |x2|.

Teorema 3.3 (Estudo da Convergˆencia para S´eries de Potˆencias) Existem apenas trˆes pos- sibilidades para uma s´erie de potˆencias

n=0

anxn, com relac¸˜ao `a convergˆencia.

1. A s´erie converge apenas quando x =0.

2. A s´erie converge para todo x.

3. Existe um n´umero positivo R tal que a s´erie converge se |x| < R e diverge se |x| > R.

Demonstrac¸˜ao: Se fizermos x = 0 na s´erie de potˆencias dada, teremos a0+ 0 + 0 + · · · ,

que claramente ´e convergente. Assim, como visto anteriormente, toda s´erie da forma

n=0

anxn

converge quando x = 0. Se esse for o ´unico valor de x para o qual a s´erie converge, ent˜ao a afirmac¸˜ao 1 ´e v´alida.

Suponhamos que a s´erie dada seja convergente para x = x1(x16= 0). Segue do Teorema 3.1

que a s´erie ´e absolutamente convergente para todos os valores de x para os quais |x| < |x1|. Se

n˜ao existir nenhum valor de x para o qual a s´erie dada seja divergente, ent˜ao a afirmac¸˜ao 2 ´e v´alida.

Mas se a s´erie dada for convergente para x = x1, com x16= 0 e, divergente para x = x2, tal

que |x2| > |x1|, do Teorema 3.2 segue que a s´erie ´e divergente para todos os valores de x tais que

|x| > |x2|. Logo, |x2| ´e um limitante superior para o conjunto dos valores de |x| para os quais a

s´erie ´e absolutamente convergente. Ent˜ao, pelo Axioma do Completamento (2.1) esse conjunto de n´umeros tem um limitante superior m´ınimo, que ´e o n´umero R da afirmac¸˜ao 3. Isso completa a demonstrac¸˜ao de que apenas uma das afirmac¸˜oes ´e v´alida.

Assim, de forma geral, podemos determinar as condic¸˜oes de convergˆencia para a s´erie de potˆencias centrada em x = a.

Teorema 3.4 (Estudo da Convergˆencia para S´eries de Potˆencias centradas em x = a) Para uma s´erie de potˆencias

n=0

an(x − a)n, existem apenas trˆes possibilidades com relac¸˜ao `a convergˆencia.

1. A s´erie converge apenas quando x = a.

3. Existe um n´umero positivo R tal que a s´erie converge se |x −a| < R e diverge se |x −a| > R.

Demonstrac¸˜ao: Fazendo a mudanc¸a de vari´avel u = x − a, a s´erie de potˆencias se torna

n=0

anun, e nesse caso, podemos aplicar o teorema anterior.

No caso 1, quando u = 0, temos x = a. No caso 2, todos os valores de u implicam em todos os valores de x, j´a que u e a s˜ao reais. Por fim, no caso 3, a convergˆencia para |u| < R acarreta a convergˆencia para |x − a| < R enquanto a divergˆencia para |u| > R implica a divergˆencia para |x − a| > R.

O n´umero R ´e o raio de convergˆencia e o conjunto de todos os valores de x para os quais a s´erie converge ´e chamado de intervalo de convergˆencia da s´erie de potˆencias.

Considerando o Teorema 3.4, no caso 1, R = 0 e portanto o intervalo de convergˆencia consiste apenas no ponto a. No caso 2, R = ∞, o que nos fornece o intervalo (−∞, +∞) para a convergˆencia da s´erie. Se 0 < R < ∞, a desigualdade |x − a| < R, no caso 3, pode ser reescrita como a − R < x < a + R. Em cada extremo do intervalo de convergˆencia, isto ´e, quando x = a± R, a s´erie pode ou n˜ao convergir. Por isso, a convergˆencia deve ser testada separadamente em cada um desse pontos.

Em geral, o Teste da Raz˜ao (e algumas vezes o Teste da Raiz) ´e usado para determinar o raio de convergˆencia. Para testar a convergˆencia nos extremos do intervalo os testes da Raz˜ao e da Raiz n˜ao permitem tirar nenhuma conclus˜ao, nesse caso, deve-se usar outros tipos de testes como o de Comparac¸˜ao, o da Integral ou da S´erie Alternada, por exemplo.

Exemplo 3.1 (Raio e Intervalo de convergˆencia) Vamos determinar todos os valores de x para os quais a s´erie ∞

n=1 xn √ n ´e convergente.

Soluc¸˜ao: Utilizando o Teste da Raz˜ao para convergˆencia absoluta, temos

lim n→∞ an+1 an = lim n→∞ xn+1 √ n+ 1· √ n xn = |x| lim n→∞ r n n+ 1 = |x|

Para que a s´erie convirja, ´e necess´ario que |x| < 1. Assim, temos uma s´erie de potˆencias centrada em x = 0 com raio de convergˆencia R = 1.

Para os valores extremos do intervalo (x = ±1), a convergˆencia deve ser testada separada- mente, e com outro tipo de teste, j´a que o Teste da raz˜ao ´e inconcludente neste caso.

Se x = −1, a s´erie se torna ∞

n=1 (−1)n √ n = −1 + 1 √ 2− 1 √ 3 que converge, pelo Teste da S´erie Alternada.

Se x = 1, obtemos a s´erie ∞

n=1 1 √ n = ∞

n=1 1 n1/2

que ´e uma p-s´erie com p = 1/2 < 1 e, portanto, ´e divergente (Exemplo 2.9).

Logo,o intervalo de convergˆencia da s´erie dada ´e [−1, 1).

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