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Cooperação Internacional 1 Contexto Externo

No documento Plano Quadrienal. Fundação Oswaldo Cruz (páginas 36-39)

GESTÃO DE POLÍTICAS DE SAÚDE

6. Cooperação Internacional 1 Contexto Externo

A globalização, caracterizada por rápido crescimento do comércio internacional, pelo crescente deslocamento de indivíduos através das fronteiras e pela revolução nas comunicações, trouxe consigo uma intensa transição em todas as ordens—econômica, política, social, ambiental e científica.

O atual Governo do Brasil tem adotado uma política externa assertiva, buscando participação nas esferas multilaterais nas quais são definidas as macro-orientações e as regras políticas e econômicas. É possível perceber a continuidade de algumas prioridades:

a consolidação e o aprofundamento do Mercosul, uma das bases da nova identidade internacional do país; o desenvolvimento de projetos com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP); o fortalecimento de algumas parcerias tradicionais do Brasil, como com a Argentina ou o lançamento de novas parcerias, como a que se está construindo com a África do Sul democrática e com a Índia; e a participação plena e ativa nas discussões sobre a integração hemisférica e em novas áreas do comércio internacional.

A política externa do atual governo busca ampliar a participação nos organismos multilateriais. O Brasil está ativo na discussão sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Acima de tudo, está a idéia de que o Brasil precisa ter participação política forte nos espaços onde as principais potências estão presentes, representando seus interesses e também os daqueles países que não têm poder de vocalização no combate à pobreza e às iniqüidades.

Especificamente no setor saúde, o Brasil incorporou as Metas de Desenvolvimento do Milênio e vem trabalhando articuladamente com as Organizações Mundial e Pan-Americana da Saúde na promoção das mesmas, participando ativamente, nessa última, na elaboração de planos para sua modernização.

A natureza dos desafios na área da saúde mudou. Além dos problemas locais, os sistemas nacionais de saúde são hoje forçados a enfrentar, em forma crescente, a transferência internacional de riscos para a saúde. Essa transferência se associa, entre outros processos, com as mudanças ambientais globais, os movimentos populacionais, o comércio regular e o comércio de produtos nocivos legais (fumo, álcool) e ilegais (drogas), bem como a disseminação de novas tecnologias médicas.

Paralelamente às mudanças na natureza dos desafios da saúde, verificam-se profundas reformas dos sistemas de saúde, prevalecendo as reformas “contencionistas”. Essas reformas procuram não só atender às questões internas como também responder da melhor maneira aos desafios associados com a globalização.

Essas mudanças devem ser também acompanhadas de uma renovação das organizações internacionais de saúde, que precisam adaptar suas funções e estruturas a um novo ambiente. O avanço dos processos democráticos nas Américas deve estar refletido também nos organismos internacionais. Essa renovação deve levar em conta a multiplicação e diversificação dos atores públicos e privados que ocorreu no campo da saúde internacional no último quarto de século. Hoje em dia, nele participam os organismos multi e bilaterais e as fundações privadas, uma enorme variedade de instituições acadêmicas, a indústria médica, um grande número de ONGs e, em forma proeminente, os bancos de desenvolvimento.

6.1.1 Principais Problemas a Serem Enfrentados

- Consolidação do papel do Brasil no cenário internacional.

- Insuficiente desenvolvimento de países vizinhos (América Latina) na área de ciência e tecnologia em saúde.

- Necessidade de cooperação de outros países para desenvolvimento técnico-científico e tecnológico.

6.2 Contexto Interno

A Cooperação Internacional tem crescido e adquirido relevância cada vez maior no âmbito da Fiocruz. Foi criada a Câmara de Cooperação Técnica Internacional, visando articular todo o sistema de cooperação da Fiocruz. No entanto, esse processo ainda não foi plenamente inplementado, e deve ser dinamizado. Foram firmados inúmeros convênios de cooperação, destacando-se aqueles com NIAID-NIH, NIH-Fogarty International Center, Instituto Pasteur, INSERM, IRD, e a participação na criação da Ong dedicada à Iniciativa de Drogas para Doenças Negligenciadas (DNDI).

A expansão dessa atividade na Fiocruz, inclusive com movimentação de recursos financeiros, obriga a um maior conhecimento dessas atividades, tendo em vista os prováveis impactos na produção científica e tecnológica da Instituição. Isto se vê prejudicado, em parte, por manterem certas Unidades cooperação direta com instituições internacionais, muitas vezes de maneira informal, dificultando o monitoramento e a avaliação do impacto dessas atividades.

Vale destacar ainda que, no ano de 2005, foi incluída uma ação no PPA-Fiocruz, denominada “Consolidação da Atuação Internacional do Ministério da Saúde”, viabilizando recursos do Tesouro para a atividade.

6.2.1 Pontos Fortes

- Manutenção de convênios com instituições internacionalmente reconhecidas.

- Criação da Câmara de Cooperação Internacional.

6.2.2 Pontos Fracos

- Ausência de marcos conceituais, regulatórios institucionais que indiquem o perfil de cooperação técnica da Fiocruz.

- Desconhecimento da totalidade das atividades de cooperação internacional realizadas pela Fiocruz.

- Fragmentação da atividade de cooperação internacional.

6.3 Política da Fiocruz

6.3.1 Implementar uma política de cooperação internacional em consonância com a política externa e as prioridades que estabelecem os órgãos setoriais competentes, em especial a Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde e a Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério de Relações Exteriores.

6.3.2 Fortalecer ações de intercâmbio no contexto dos acordos de integração sub-regionais, dando preferência àqueles com quem a Instituição e o País têm maiores afinidades geográfica, cultural e política, priorizando a cooperação ofertada aos países africanos de língua oficial portuguesa e América Latina.

6.3.3 Conceder maior atenção às possibilidades de intercâmbio bilateral entre países com igual ou menor nível de desenvolvimento, assumindo maior liderança na definição de campos de trabalho.

6.3.4 Desenvolver ações de cooperação técnica horizontal entre países, no que se refere ao intercâmbio de tecnologias para produção de insumos para saúde, capacitação dos trabalhadores de saúde, logística, operacionalização e outros conhecimentos necessários ao controle adequado dos principais problemas da saúde mundial.

6.3.5 Fortalecer a cooperação com instituições de renomada experiência na área da saúde pública e C&T, com vistas ao intercâmbio de conhecimento e informações em saúde, sobretudo com relação a temas de importância global e regional e temas que possam apoiar a elaboração e implantação de políticas nacionais de saúde.

6.4 Proposições

6.4.1 Desenvolver um sistema de informação na área de cooperação internacional, que disponibilize um calendário de eventos, missões e reuniões internacionais, os convênios, os acordos e demais informações acerca das ações oficiais de cooperação internacional da Fiocruz.

Meta: Sistema de informação na área de cooperação internacional implantado.

Prazo: Até dezembro de 2006.

Responsável: ACI.

Indicador: % de unidades alimentando adequadamente o sistema.

6.4.2 Implantar um sistema de estudos e investigação em saúde internacional com vistas a subsidiar a Câmara Técnica de Cooperação Internacional no desenvolvimento de suas ações, com ênfase nos países que integram a América Latina, África e Ásia.

Meta: Núcleo de estudos implantado.

Prazo: Até dezembro de 2006.

Responsável: ACI.

Indicador: Nº de estudos / pesquisas realizados

6.4.3 Ampliar acordos negociados e assinados com instituições de grande envergadura e importância internacional, considerando as prioridades nacionais, e tendo como uma das estratégias a consolidação de demandas regionais com países fronteiriços.

Meta: 100% dos acordos identificados como prioritários firmados.

Prazo: Até dezembro de 2008.

Responsável: ACI.

Indicador: % de acordos prioritários firmados.

6.4.4 Ampliar as ações de cooperação horizontal, objetivando o aprimoramento da qualidade e efetividade das relações entre a Fiocruz e as instituições dos países em desenvolvimento que mantêm Acordos de Cooperação com o Brasil.

Meta: Ampliar em pelo menos 50% o número de países com os quais a Fiocruz possui Acordo de Cooperação.

Prazo: Até dezembro de 2008.

Responsável: ACI.

Indicador: Nº de projetos desenvolvidos.

6.4.5 Implantar um sistema de monitoramento e avaliação de impacto das atividades de Cooperação Internacional.

Meta: Um sistema implantado Prazo: Até dezembro de 2008.

Responsável: ACI.

Indicador: Nº de relatórios de avaliação.

7. Preservação do Patrimônio Científico, Cultural e Histórico

No documento Plano Quadrienal. Fundação Oswaldo Cruz (páginas 36-39)