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1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO

2.4 COOPERATIVISMO

O surgimento do cooperativismo se deu na Europa, durante a Revolução Industrial na Inglaterra, mais precisamente no século XVIII quando a mão de obra perdeu seu grande poder de troca. Os baixos salários e a longa jornada de trabalho provocaram imensas dificuldades socioeconômicas para toda a população. Diante deste cenário crítico surgiram, entre os operários, lideranças que buscaram soluções através da criação de associações assistenciais. Esta experiência, não bem sucedida, inspirou novos líderes a buscaram novas alternativas e concluíram que, com a organização formal baseada na cooperação solidária era possível superar as dificuldades, mediante o respeito aos valores do ser humano, prática de princípios, regras e normas próprias. (TURRA, 2013).

‘’A sociedade cooperativa é uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente para satisfazer suas necessidades econômicas, sociais e culturais em comum, por meio de uma empresa de propriedade conjunta e de gestão democrática’’. (DAMKE, 2012, p. 2).

Os valores humanos são a essência, pois uma Cooperativa é a organização de pessoas que se baseia em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e

solidariedade. Seus objetivos econômicos e sociais são comuns a todos os cooperados. Os aspectos legais e doutrinários são distintivos das demais sociedades. Seus associados acreditam nos valores éticos da honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação pelo seu semelhante. (OCB, 2014)

De acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB (2014) ‘’os sete princípios do cooperativismo são as linhas orientadoras por meio das quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Foram aprovados e utilizados na época em que foi fundada a primeira cooperativa do mundo, na Inglaterra, em 1844’’. São eles:

1º - Adesão voluntária e livre - as cooperativas são organizações voluntárias, abertas

a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, sociais, raciais, políticas e religiosas.

2º - Gestão democrática - as cooperativas são organizações democráticas, controladas

pelos seus membros, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Os homens e as mulheres, eleitos como representantes dos demais membros, são responsáveis perante estes. Nas cooperativas de primeiro grau os membros têm igual direito de voto (um membro, um voto); as cooperativas de grau superior são também organizadas de maneira democrática.

3º - Participação econômica dos membros - os membros contribuem

equitativamente para o capital das suas cooperativas e controlam-no democraticamente. Parte desse capital é, normalmente, propriedade comum da cooperativa. Os membros recebem, habitualmente, se houver, uma remuneração limitada ao capital integralizado, como condição de sua adesão. Os membros destinam os excedentes a uma ou mais das seguintes finalidades:

- Desenvolvimento das suas cooperativas, eventualmente através da criação de reservas, parte das quais, pelo menos será, indivisível;

- Benefícios aos membros na proporção das suas transações com a cooperativa; e - Apoio a outras atividades aprovadas pelos membros.

4º - Autonomia e independência - as cooperativas são organizações autônomas, de

ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas, ou recorrerem a capital externo, devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático pelos seus membros e mantenham a autonomia da cooperativa.

5º - Educação, formação e informação - as cooperativas promovem a educação e a

estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação.

6º - Inter cooperação - as cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus

membros e dão mais - força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.

7º - Interesse pela comunidade - as cooperativas trabalham para o desenvolvimento

sustentado das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros.

Os princípios do cooperativismo devem ser preservados para que, no futuro, a realidade socioeconômica de nossos herdeiros tenha como base uma sociedade mais solidária e democrática com valores que busquem uma existência sustentável, o bem-estar social, a independência e autonomia. (MENEZES, 2012).

Assim, ‘’Cooperativismo é um movimento, filosofia de vida e modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social. Seus referenciais fundamentais são: participação democrática, solidariedade, independência e autonomia’’. (OCB, 2014).

É um sistema fundamentado na reunião de várias pessoas e não no capital. Visa às necessidades do grupo e não do lucro. Busca prosperidade conjunta e não individual. Estas diferenças fazem com que o Cooperativismo seja a alternativa socioeconômica que leva ao sucesso do equilíbrio com a justiça entre os participantes. Associado aos valores universais, o Cooperativismo se desenvolve independentemente de território, língua, credo ou nacionalidade. (OCB, 2014).

No campo regulatório, a lei nº 5.764/71 define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, e dá outras providencias. Alguns delineamentos da lei.

Art. 1° Compreende-se como Política Nacional de Cooperativismo a atividade decorrente das iniciativas ligadas ao sistema cooperativo, originárias de setor público ou privado, isoladas ou coordenadas entre si, desde que reconhecido seu interesse público.

Art. 8º. As cooperativas centrais e federações de cooperativas objetivam organizar, em comum e em maior escala, os serviços econômicos e assistenciais de interesse das filiadas integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.

Parágrafo único. Para a prestação de serviços de interesse comum, é permitida a constituição de cooperativas centrais, às quais se associem outras cooperativas e objetivo e finalidades diversas.

Art. 9º. As confederações de cooperativas têm por objetivo orientar e coordenar as atividades das filiadas, nos casos em que o vulto dos empreendimentos transcender o âmbito de capacidade ou conveniência de atuação das centrais e federações.

Segundo, Lima; Silva; Lima (2012) ‘’assim também é a cooperativa de crédito, uma instituição financeira cooperativa, de caráter civil, não sujeita a falência, e é especializada em proporcionar crédito e prestar serviços financeiros aos seus associados. Após ingressarem no sistema, seus associados tornam-se donos do negócio.

As cooperativas de crédito foram criadas para oferecer soluções financeiras, constituindo-se em instrumento para que seus associados tenham acesso a produtos e serviços adaptados às suas necessidades e condições. (SICREDI, 2014).

Cooperar é um movimento mundial e neste contexto as cooperativas de crédito em todo o mundo oferecem aos seus cooperados muito mais do que serviços financeiros. Elas fornecem a oportunidade de possuir sua própria instituição financeira também em ajudá-los a criar mais oportunidades de desenvolvimento de novos empreendimentos. (TURRA, 2013).

Para Pagnussatt (2004), cooperativas de crédito são sociedades de pessoas, constituídas com o principal objetivo de prestar serviços financeiros aos seus associados, na forma de ajuda mútua, baseada em valores como a igualdade, equidade, solidariedade, democracia e responsabilidade social. Além da prestação de serviços comuns, também visa diminuir as desigualdades sociais, facilitando o acesso aos serviços financeiros, difundir o espírito da cooperação e estimular a união de todos em prol do bem estar comum.

Segundo Menezes (2012) ‘’ as cooperativas de crédito são sociedades de pessoas que buscam, por meio da união e Inter cooperação, prestar serviços financeiros exclusivos em benefício de todos seus associados, que também são donos do negócio’’.

Atualmente, o cooperativismo de crédito possui um modelo de gestão, que pode ser chamado de alternativo às instituições financeiras, pois mantém uma proximidade, identidade e relacionamento direto com o quadro social e compreende suas necessidades, uma vez que oferece os mesmos serviços financeiros e possui como diferencial a ajudo mútua e o ato cooperativo. (DAMKE, 2012).

Para Damke (2012) ‘’no sistema cooperativista, o principal fato é o de que o “negócio” é iniciado e desempenhado pelos próprios cooperados, que representam ao mesmo tempo o papel de donos e gestores como também de usuários’’.

Schardong (2003) define que, uma Cooperativa de Crédito enquanto espécie “cooperativa”, objetiva promover a captação dos recursos financeiros para que assim possa financiar as atividades econômicas dos cooperados, a administração das suas poupanças e a também a prestação dos serviços de natureza bancária por eles demandada.

Sempre alicerçado em valores éticos, o cooperativismo de crédito não visa lucros e privilegia o valor pessoal de cada cooperado integrante da sociedade. Além disso, os recursos provenientes das cooperativas são aplicados nas comunidades na qual estão inseridas, o que proporciona o desenvolvimento da região de uma forma equilibrada e sustentável. (MENEZES, 2012).

Na América Latina, o cooperativismo de crédito teve início em 1902, na localidade de Linha Imperial, município de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, pelas mãos do padre suíço Theodor Amstad. (SICREDI, 2014).

A partir desta data ocorreram muitas mudanças e evoluções históricas para o cooperativismo de crédito, onde podemos destacar o ano de 1995, onde o Conselho Monetário Nacional (CMN) editou a Resolução 2.193 permitindo a constituição dos bancos cooperativos, de propriedade exclusiva das cooperativas de crédito. Outro fato relevante ocorreu em 25 de junho de 2003, quando o CMN publicou a Resolução 3.106, aprovando o regulamento que disciplina a constituição e o funcionamento de Cooperativas de Crédito no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. (DAMKE, 2012).

No campo regulatório, a lei nº 5.764/71 define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, e dá outras providencias.

Art. 1° Compreende-se como Política Nacional de Cooperativismo a atividade decorrente das iniciativas ligadas ao sistema cooperativo, originárias de setor público ou privado, isoladas ou coordenadas entre si, desde que reconhecido seu interesse público.

O ‘’Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito’’ é celebrado sempre na terceira quinta feira do mês de outubro, desde 1948 em todo o mundo e relembra a história, a atuação e as conquistas obtidas pelas instituições financeiras cooperativas. (OCB, 2014).

‘’O cooperativismo brasileiro entrou no século 21 enfrentando o desafio da comunicação. Atuante, estruturado e fundamental para a economia do País tem por objetivo ser cada vez mais conhecido e compreendido como um sistema integrado e forte’’. (OCB, 2014).

Menezes (2012) lembra que ‘’o caráter inclusivo do cooperativismo de crédito e de valorização da individualidade do associado são aspectos importantes na construção de um país onde as oportunidades de crescimento sejam oferecidas a todos as pessoas, independente de classe social, gênero, cor ou raça’’.

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