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1. REGISTRO DO TRAJETO: A HISTÓRIA DO COLECTIVO ÂMBAR

1.6 COORDENADAS ESPECÍFICAS PARA CONTINUAR A VIAGEM:

Após a realização do encontro com Abya Yala e da primeira edição do FITLÂ, foi notório o cansaço que o grupo inicial de gestão e produção de projetos estava vivenciando. Isso por conta da carga excessiva de trabalho proveniente das primeiras experiências com o

Colectivo Âmbar, somada à vida estudantil de cada um na época. Paralelo a esse processo, a

realização do Proyecto Fronteiras se aproximava trazendo uma série de responsabilidades de produção, que fariam possível a residência de criação do projeto no Equador.

Por tais razões, Daniela Chávez, Camila Guilera e Milena Flick resolveram propor a criação do Núcleo Coordenador e a divisão dos países da rede em delegações. Isto com o

intuito de resolver as demandas de trabalho próprias do coletivo entre os membros mais ativos do Âmbar.

Cada delegação seria constituída por membros de cada país, com a possibilidade de agregar novos integrantes, segundo a participação ativa dentro das ações do país e do coletivo em geral. Levando-se em conta que cada país vive uma realidade diferente, tais membros eram autônomos na tomada de decisões, porém, estavam em comunicação constante com o Núcleo para continuar fortalecendo a visibilidade e presença do Âmbar na América Latina.

O Núcleo Coordenador contaria com a presença de um membro de cada delegação, eleito pelos membros, sendo relevante o tempo e experiência no coletivo. Estes delegados seriam uma ponte, uma espécie de porta-voz, responsáveis pela troca de informações e pela articulação dos projetos futuros. Essa equipe teria de se organizar durante dois anos, até uma nova turma estar pronta para assumir a tarefa, e realizar encontros contínuos, via internet, com a finalidade de sistematizar o funcionamento da rede.

Os primeiros a assumirem a conformação do Núcleo foram: Gonzalo Alfonsín (Argentina), Jane Santa Cruz (Brasil), Natalia Durán (Costa Rica), Rubén Darío Romero (Equador), Ixchel Castro (México), Sandro La Torre e Sebastián Eddowes (Peru).

Após longas discussões, os Departamentos foram formados e as Diretrizes elaboradas. Os Departamentos compreendiam seis equipes formadas por participantes de cada país e cujo objetivo era organizar as diversas funções identificadas como essenciais para um melhor funcionamento: Redação (documentos e projetos), Secretaria e Logística (interna e estrutural), Comunicação (externa, redes sociais e plataformas digitais), Memória e Documentação (audiovisual do percurso e realização dos projetos), Pesquisa (acadêmica e não acadêmica), Recursos (financiamento, editais).

No tocante às Diretrizes29, estas constituíam as bases de trabalho do coletivo na

tentativa de ter uma metodologia geral e adaptável às necessidades micro e macro já levantadas nas Assembleias. Qualquer pessoa que quisesse fazer parte do coletivo teria que ler e concordar com elas, entrar em contato com a delegação correspondente para realizar seu registro e começar a colaborar com as atividades no próprio país e à distância. Por outro lado, os integrantes teriam de estar comprometidos com o cumprimento dos alinhamentos para

29 Arquivos disponíveis em português e espanhol em:

fazer parte das experiências de idealização e realização dos projetos anuais, segundo a organização de cada país e os acordos feitos durante as reuniões do Núcleo.

A formação dos Departamentos e do Núcleo Coordenador foram estratégias que tiveram o segundo semestre de 2013 como tempo de transição até serem colocadas em prática no ano de 2014, tendo um ótimo desempenho durante alguns anos. O Núcleo Coordenador, especialmente, funcionou de 2014 a 2016 e conquistou projetos no México, no Brasil e na Colômbia, instaurando as Diretrizes e gerando outras opções de articulação e contato com novos criadores - a partir das bases já assentadas pela primeira equipe de produção do coletivo.

A distância geográfica, entretanto, ao lado das múltiplas atividades da vida criativa e cotidiana, a realidade econômica e política dos nossos países foram sobrecarregando, assim, as demandas do coletivo – o que tornou o projeto inviável e impôs uma revisão de papéis e funções para continuar o trabalho.

As alternativas de comunicação digital via internet (Skype, Facebook, WhatsApp) foram de grande ajuda nesses anos de organização, mas não conseguiram se igualar ao diálogo que traz a presença física. Em qualquer caso, a problemática não seria uma questão de presença física ou de prioridades dos membros do Núcleo, e sim de entender como gerir e fazer funcionar o trabalho de um coletivo na distância.

Adicionalmente, ao convidarmos outros membros para formar o Núcleo 2016-2018, muitos deles ainda recentes nas atividades do Âmbar, nos surpreendemos ao constatar que eles não dispusessem de tempo ou não se sentissem preparados para assumir esse lugar. Tal situação desequilibrou o funcionamento do Núcleo, levando-o a um desaparecimento provisório até encontrarmos uma nova forma de articulação e organização geral do coletivo.

Tentou-se, então, fortalecer as Delegações através de atividades locais e nacionais, de forma que, em cada país, o Âmbar tivesse maior visibilidade para ampliar o currículo, facilitar a criação de novos projetos e a viabilização dos recursos financeiros para os encontros anuais, como pequenas células trabalhando a favor de um grande corpo. No nível macro não deu certo. No nível micro, existem projetos que continuamente geram essa visibilidade sem atingirem, diretamente, o objetivo de trabalho de base internacional.

As Delegações continuam funcionando como forma de articulação diante da captação de recursos para viabilizar as viagens. Esse é o caso do Brasil e Costa Rica. Peru e México dispõem de delegações que, ao longo destes anos, se reconfiguraram para conseguirem chegar

aos encontros - ora se articulando como grupo, ora de forma individual. Também existem delegações, como as da Argentina, Equador e Colômbia, que apesar de possuírem um pequeno número de integrantes, participam ativamente, razão pela qual a organização nesse âmbito é mais individual. Durante alguns anos artistas da Bolívia e Espanha têm participado, sem formar, ainda, uma delegação específica.

No entanto, é muito importante reconhecer que a suposta existência das delegações não resolve a crise de organização geral que estamos vivenciando atualmente. Esta realidade impulsionou a criação de uma margem na qual muitas pessoas se assumem como parte do coletivo, cobram seu direito de participação nos projetos internacionais, mas não contribuem com a sustentabilidade da rede durante os onze meses restantes ao encontro anual; não estão disponíveis para dar força de trabalho na organização à distância, para articular projetos nacionais, nem apoiar com a divulgação dos projetos da rede ou dos grupos/artistas envolvidos nela. Nesse sentido, tem se tornado muito complicado saber de fato quem faz parte do Âmbar e qual é o interesse real em formar parte dele.

Atualmente, um dos maiores desafios do Colectivo Âmbar consiste em encontrar uma nova forma de organização nacional e continental que permita a sustentabilidade e renovação dos projetos anuais, que abra a possibilidade de gerar novas linhas de pesquisa criativa. Isso a

partir da participação ativa e real dos membros para além do grupo30 mais antigo - que

continua viabilizando a realização dos encontros justamente pela necessidade de compartilhar processos de vida voltados para a criação cênica, pois, inegavelmente, o Âmbar é também

uma rede de afetos31, com as conquistas e os conflitos que isso implica.