Quero desde logo declarar a satisfação, o prazer e até o orgulho de estar aqui num templo em que se procura a verdade. Para cada livro que a direita ou o centro consegue publicar sobre os fatos básicos do tema que vamos tratar, a esquerda consegue lançar 10, 11 trabalhos. E o interessante é que a história mundial nos revela que a história deve ser elaborada pelos vencedores e, no caso brasileiro, está sendo feita, escrita e falada pelos vencidos. Pelos derrotados, numa guerra sem limites, sem quartel; numa guerra que, na ocasião, se chamou de “guerra suja”. Então, o que eu estou fazendo é participando de um trabalho que foi um projeto muito bem planejado, muito bem pensado e capaz de dirimir dúvidas ou, pelo menos, estabelecer o ponto médio.
A verdade completa talvez não exista, parece que a verdade completa está na mão de Deus, mas parte da verdade, quer dizer, a verdade sob um determinado ponto de vista é de nossa responsabilidade. Estamos assistindo, até agora, somen-te a versão dos opositores, muitas das vezes, bastansomen-te obscura e somen-tendenciosa.
Depois desse objetivo preâmbulo, vamos perguntar ao Coronel D’Aguiar que fatos gostaria de abordar sobre a sua participação pessoal nos pródromos do Movimento, na sua eclosão e nas suas conseqüências?
A minha participação pessoal nos pródromos da Revolução se prendeu, funda-mentalmente, às minhas aulas de guerra revolucionária na ECEME, abordando os prin-cipais casos históricos ocorridos no bojo do movimento comunista internacional, e os que estavam em curso em diversos países de diferentes continentes, mostrando, em especial, as semelhanças do nosso caso com a guerra revolucionária desencadeada na Tchecoeslováquia – suas circunstâncias, suas pressões de base e de cúpula etc. Participei de um dos diversos grupos de conspiração contra a lamentável con-juntura que nos atingia. Esse grupo já se reunia sob a chefia do Coronel Luiz Mendes desde a crise de 1954 e era praticamente constituído por elementos da ECEME.
Além de participar desse grupo, recebia informações de um outro grupo, o do General Ademar de Queiroz, com ligações através do Coronel Nilton Orique e do Te-nente-Coronel Teotônio Vasconcellos.
Continuei minhas pregações anticomunistas na cátedra da ECEME, tendo sido fichado na 2ª Seção do Estado-Maior do Exército, Estado-Maior governista, como milhões de brasileiros que sentiam a enorme necessidade de ver contida a ameaça comunista.
Durante a eclosão do Movimento, juntamente com o Major Malan de Paiva Chaves, fui guarda-costas, entre aspas, do Comandante da Escola de Estado-Maior, General BizarriaMamede, acompanhando-o sempre.
Nos primeiros dias de abril após o Movimento armado, tive também a opor-tunidade de realizar, levando como imediato o então Capitão Agenor Homem de Carvalho, várias diligências em residências, escritórios ou gabinetes de elementos considerados subversivos.
Finalmente, recebi a incumbência dada pelo subcomandante, o então Coro-nel João Bina Machado, de redigir o relatório oficial da Escola para a 5a Seção do Estado-Maior do Exército, já no Governo Castello Branco. Para isso, analisei cen-tenas de partes dadas obrigatoriamente, por elementos da direção, instrutores, alunos e pessoal da administração cumprindo ordem do comandante.
Talvez, em conseqüência das minhas atividades naquela época, tenha sido agraciado com a Ordem do Mérito.
Gostaria, agora, de abrir um parênteses para contar uma autêntica anedota que se passou e, agora, com um pouco de receio, sabendo que será gravada. Quando estava na ECEME, nos dias que se seguiram à Revolução, cheguei a ser telefonista de dia revezando com o Malan. Num desses telefonemas, dado por pessoa desconheci-da, recebi o seguinte informe: os senhores estão querendo prender o Almirante Aragão – o Almirante Fuzileiro Aragão era elemento altamente subversivo. E, eu disse: “gostaríamos sim”. E me informaram: “Se quiserem prendê-lo, ele agora está na casa de uma das senhoras de quem ele é amante”. Ele era chegado a essa ativida-de que aliás era uma atividaativida-de interessante – ser mulherengo. E mais ainda: “complementando, informo que, no endereço que lhe dei, ele está apenas com um guarda-costas, com um segurança. Portanto, será fácil prendê-lo”. Transmiti essa informação ao então Coronel João Figueiredo, o segundo mais antigo da Escola. O comandante era o General Mamede, o subcomandante era o Coronel João Bina Ma-chado e o terceiro na hierarquia era justamente o então Coronel Figueiredo.
Deu-me ele ordem de estabelecer ligação com um daqueles grupos que já tínhamos organizado de dez elementos. Nós também fazíamos o nosso ““grupo dos onze””, para realizar missões de captura, de prisão etc., utilizávamos as pró-prias viaturas, e eu, por exemplo, utilizava a minha Kombi. Então, disse-me: “Você pega dez elementos de um grupo desses e vá prender o Almirante Aragão”. E eu disse: “Meu coronel, não sou nenhum valente e não há valentia nenhuma no fato de 11 pessoas prenderem dois. Mas eu conheço o caráter, o tipo de pessoa que é o Almirante Aragão, com todos os defeitos, covarde ele não é. Se eu um simples major chegar para prendê-lo, ele não vai aceitar calmamente essa prisão. Peço, portanto, ao senhor que me forneça um almirante, nem que seja da reserva, para chegar lá e dar ordem de prisão, se ele não cumprir, então, eu e os outros dez seguramos e levamos”. Para ganharmos tempo, o Coronel Figueiredo mandou
or-ganizar a equipe e ver o transporte para irmos. Já estava preparando a Kombi e arregimentando os meus dez companheiros, inclusive o Agenor, quando o General Mamede soube e mandou suspender a operação para meu alívio.
Porque, imagine o senhor, se um major tenta trazer na violência um almi-rante, eu depois ficaria execrado na Marinha. Embora ele fosse um almirante sus-peito, então esta é a guisa de anedota para aliviar a nossa conversa.
Então, a decisão do General Mamede foi realmente providencial.
Com a decisão do General, foi pedido ao Almirante Heitor, já falecido tam-bém, que fosse prendê-lo com alguns fuzileiros contrários ao Almirante Aragão. E, assim, foi feito, e, desta forma, ele acabou preso. Isso era uma coisa interessan-te que faz parinteressan-te da minha quase participação no aprisionamento do Aragão. E, com isso, dou por respondida a primeira pergunta.
Onde estão as raízes do Movimento de 31 de Março?
Dizer com precisão as raízes do Movimento de 1964 me parece difícil. Elas resultaram de um processo que, vindo de longe, provavelmente desde a crise de 1954 com o seu “mar de lama”, passando pela crise de Jânio Quadros, em 1961, quando, daí para frente, passou-se a enfrentar a ameaça da guerra revolucionária que nos atingiu, com toda violência, a partir de 1963.
Essa guerra revolucionária já havia obtido êxito em vários países europeus, asiáticos e africanos e acabou por eleger o Brasil para novo ponto de aplicação, pela situação geopolítica privilegiada de nosso País, que, uma vez caído, levaria consigo toda a América do Sul.
Julga o senhor que a guerra fria, pós-Segunda Guerra Mundial, teve alguma influên-cia na Revolução de 31 de Março?
Creio que sim, porque, ao se evitar um conflito bélico direto entre os blocos ideológicos, representados no embate Organização do Tratado do Atlânti-co Norte (OTAN) versus Pacto de Varsóvia, o caminho que restou ao comunismo foi aproveitar as características da guerra revolucionária para aplicá-la em todo o mundo e, dentro da América do Sul, especialmente no Brasil, por significar a forma mais econômica utilizada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) para conduzir a humanidade ao comunismo. Em menos de meio século, dois quintos do planeta já haviam sido subjugados.
Gostaria de dizer algo mais acerca do panorama político brasileiro anterior a 31 de março?
Como já disse anteriormente, era lamentável a situação política, caracteriza-da pela infiltração progressiva na cúpula administrativa nacional, pelas greves
ile-gítimas e ilegais quase que diárias, pela desmoralização das Forças Armadas através da tentativa de desmoralização de seus chefes, pelo descrédito dos dirigentes, nos níveis federal, estadual e municipal, que questionavam as posições adotadas pelo governo central, pela deterioração dos valores mais representativos da vida nacio-nal, sobretudo os diretamente ligados à liberdade e à democracia, substituindo-os pelas ações suspeitas e nefastas dos pelegos, dos aproveitadores, dos marxistas-le-ninistas, dos anarquistas – alguns importados do exterior – calcadas no desrespeito à lei e à ordem. Enfim, era o prenúncio do caos. O livro “A Revolução por Dentro”, de minha autoria, nas páginas 82 e 83, amplia largamente esse quadro soturno.
Havia, de fato, um clima de insatisfação contra o Governo João Goulart?
Sim, principalmente nas classes média e nas mais elevadas. Era indisfarçável a falta de competência e o despreparo do senhor João Goulart para o alto cargo que exercia. Aparentava estar completamente dominado por pelegos, aproveitadores e agentes militantes da subversão.
A demagogia campeava desbragadamente. As classes menos privilegiadas eram as suas vítimas e alvos, seduzidas por essa demagogia envolvente e pelas promessas utópicas, sem qualquer possibilidade de realização, anestesiadas por quimeras e falsidades. Como algumas das reformas anunciadas pareciam justas, boa parte dos elementos dessas classes acreditava nelas.
Qual a posição da Igreja com relação ao Governo deposto?
A Igreja já vinha se mostrando infiltrada, agitada e dividida entre “os pro-gressistas” e “os conservadores”. Eram numerosos esses “padres modernos”, os cha-mados “padres de passeatas”, e contava ainda, em suas hostes, com dois cardeais-arcebispos muito atuantes, o de São Paulo, Paulo Evaristo Arns, e o do Rio de Janeiro, Hélder Câmara. O primeiro, embora tenha até abençoado as tropas de Minas Gerais na eclosão da Revolução, mudou completamente, chegando a defender, ulti-mamente, a liberdade dos seqüestradores de Abílio Diniz, alegando que agiram politicamente. Uma atuação, no mínimo, irresponsável e, ao mesmo tempo, cínica. Meu livro “Ato-5, a Verdade Tem Duas Faces” dedica um longo capítulo de mais de vinte páginas sobre o assunto, com o título “Atritos entre a Igreja e a Revolução” nas páginas 145 a 166, detalhando, inclusive, as ações subversivas dos elementos mais radicais, dando nome aos religiosos mais engajados.
Sobre as “Ligas Camponesas” e o “grupo dos onze” o que o senhor gostaria de falar?
Muito superficialmente, as “Ligas Camponesas” foram herdeiras naturais das primeiras tentativas feitas no campo para mostrar força e poder, pressionando os
órgãos do Governo que tratavam do setor de terras. Lembro-me de que começaram no Estado do Rio de Janeiro. A Fábrica Nacional de Motores (FNM) foi invadida sob o comando do falso Padre Aníbal. No campo agrário propriamente considerado, foram freqüentes os distúrbios e invasões chefiados pelo Deputado Francisco Julião. Realizaram marchas sobre engenhos e fazendas, especialmente no Nordeste. O pri-meiro nome das Ligas foi Bloco Operário Camponês. Invasões semelhantes foram levadas a cabo, também, no Rio Grande do Sul; depois, realizou-se, em Goiânia, o Congresso dos Camponeses Sem Terra para estabelecer os objetivos do Movimento.
Quanto ao “grupo dos onze”, sob a orientação de Leonel Brizola, jamais chegou a tornar público os estatutos dessa organização. Todas as sextas-feiras, utilizando o rádio, apresentava idéias sobre os grupos que chamava de Comandos Nacionalistas ou “grupo dos onze”. Deixava transparecer que a eles caberiam ti-pos específicos de missão: uma ofensiva, em qualquer caso de golpe, fosse qual fosse sua origem. Se eles fossem dar um golpe, poderiam contar com a participa-ção desses grupos, como também nas medidas preliminares de defesa.
Em 30 de novembro de 1963, afirmou Brizola: “Estes grupos não estão sendo organizados para fazer crochê, jogar cartas ou tomar chá. Estão sendo organizados para a ação”. Mas era voz corrente que o mais importante dessas ações seria a neutralização ou mesmo a destruição dos chefes militares. O grosso desses grupos era constituído por comunistas militantes ou por simpatizantes das três Forças Armadas, principalmente, graduados e soldados.
O que se passava no meio militar? Buscaram criar cisões dentro da Força?
O meio militar, como é natural, mostrava-se conturbado, cheio de incerte-zas, apreensões, preocupações e inconformismos. O ambiente não era bom. Com relação à tentativa de provocar cisões nos quadros das Forças Armadas, convive-mos com esse problema. Aconteceu em várias Organizações Militares e, por vezes, com sucesso. Vou exemplificar com o Exército Brasileiro que conheci bem. Os subversivos procuravam sempre ampliar o número de simpatizantes e isso vinha acontecendo desde um pouco antes de 1935, gerando a Intentona, mas foi, a partir de 1963 e nos primeiros meses de 1964, o período crítico.
Servi em várias situações na ECEME no período 1955-1964, como aluno e como instrutor. Maiores informações sobre aquele período poderão ser obtidas no livro “A Revolução por Dentro” de minha autoria nas páginas 54 e 55.
Quais os principais acontecimentos que determinaram o desencadeamento da Revolução?
Creio terem sido, como antecedentes, a lembrança ainda viva da Intentona de 1935, bem como o movimento subversivo, eclodido em Brasília, em 12 de
setem-bro de 1963, provocado por graduados da Marinha e da Aeronáutica, sob pretexto de anular a decisão do Superior Tribunal Federal que tornava os sargentos inelegíveis para o Congresso Nacional. O principal líder era o tal Sargento – Deputado Garcia Filho – que, de sargento, não tinha nada. Era um agitador profissional. Foi ele, se não me engano, o incentivador do movimento de Brasília, liderado pelo sargento da Força Aérea Antônio Prestes de Paula, que, no entanto, fracassou em poucas horas, apesar da ameaça do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), não levada a efeito, de realizar uma greve geral de solidariedade aos revoltosos e com ela paralisar o País. Todavia, os principais acontecimentos determinantes do desencadeamento da Revolução aconteceram no primeiro trimestre de 1964, em especial em março. Primeiro, o comício do dia 13, programado para o Rio de Janeiro e realizado na ampla Praça Cristiano Otoni, defronte da Central do Brasil e ladeando esse Minis-tério que, então, se chamava MinisMinis-tério da Guerra.
Segundo, a rebelião dos marinheiros e fuzileiros navais no dia 20, concen-trados no Sindicato dos Metalúrgicos, em Triagem, no Rio de Janeiro, os quais exigiam: a suspensão da punição dos revoltosos, o reconhecimento definitivo da associação que haviam organizado, a libertação de todos os elementos que já se encontravam presos, a humanização da Marinha, caracterizando bem a demago-gia, e a melhoria da alimentação a bordo dos navios e nos quartéis.
O terceiro acontecimento – a reunião de subtenentes e sargentos no Auto-móvel Clube do Brasil, na Cinelândia, no dia 30. Apesar da expectativa de uma presença de 20 mil elementos, o número dos presentes não passava de dois mil. A iniciativa visava garantir a solidariedade dos graduados ao Presidente João Goulart. O pretexto, muito fraco porém, fora comemorar o aniversário da Associação de Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar que já havia passado. Maiores detalhes desses fatos poderão ser encontrados no livro “A Revolução por Dentro” de minha autoria, nas páginas 113 e 127. Todo o começo da Revolução trato nesse meu livro.
Coronel D’Aguiar, essa reunião tornou-se a gota d’água para a eclosão da Revolução, justamente por causa do discurso de João Goulart, contrário à hierarquia e à discipli-na das Forças Armadas?
Sem dúvida, embora, quase todos os discursos visassem à subversão. O dis-curso de Goulart foi realmente terrível, provocativo, e foi justamente a gota d’água em termos de pregação da anarquia e da subversão de cúpula.
Qual o significado da Marcha da Família com Deus pela Liberdade?
Houve diversas marchas desde antes da Revolução e que eram intituladas da Família com Deus pela Liberdade. Foram apelos maravilhosos e que mobilizaram as
pessoas de bem. Todas qualificadas de reacionárias pelos subversivos, porque esse é o título que eles costumam dar a todos que não comungam de suas idéias malsãs. Antes da Revolução, a maior marcha foi a da Cidade de São Paulo, espetacular, com cerca de um milhão de pessoas, que contribuiu bastante para eclosão do Movimen-to. A principal marcha, porém, foi a realizada na Cidade do Rio de Janeiro que reuniu, também, cerca de um milhão de pessoas. Teve ela o aspecto de uma apoteose e foi dedicada a rápida e quase milagrosa vitória dos ideais democráticos contra a ameaça comunista. Dela, participaram pessoas de todas as classes sociais e faixas etárias, com predomínio, como é lógico, das classes média e alta, mas congregando também milhares de indivíduos dos setores mais carentes e inúmeros estudantes, principalmente universitários que se opunham aos comunistas e anarquistas que dominavam a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Aliás, a notícia da vitória provocou outras manifestações festivas em muitas áreas da cidade que se sentiam mais aliviadas e mais seguras. Eram foguetórios, eram solenidades e desfiles de Escolas, de escoteiros, eram empolgantes comemorações que aconteciam, também, em numerosos municípios dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, além da inesquecível marcha que aludimos, ocorrida no Estado da Guanabara.
Acha o senhor que as Forças Armadas, particularmente o Exército, foram intérpre-tes da vontade nacional quando deflagrada a Revolução de Março de 1964?
Perfeitamente, meu general. Como já se sugeriu na resposta anterior, as For-ças Armadas interpretaram a vontade de uma grande parte da Nação, muito prova-velmente de sua absoluta maioria. Com o tempo, haveria mudança nessa porcenta-gem. Isso ficou mais patente nos setores da indústria, do comércio e até bancário.
Havia a seu ver uma revolução em andamento de cunho comunista para a mudança da ordem institucional no Brasil?
Não há qualquer dúvida razoável a esse respeito. O mundo inteiro sofria a ameaça de comunizar-se apenas os Estados Unidos da América do Norte que pareci-am imunes a esse perigo. Em verdade, constituípareci-am-se eles no autêntico bastião contra o Movimento que, como já disse, contaminara 2/5 do mundo mas, até quan-do poderiam eles resistir? O Brasil teria, nesse sentiquan-do, capacidade de ajudá-los?
Em verdade, a queda do nosso País – pelos grandes números que já apre-sentava e, sobretudo, por sua posição geopolítica privilegiada – seria a chave do destino de todo o restante do continente sul-americano.
Sua queda, por uma espécie de “efeito dominó”, acarretaria a queda de todos os países da América do Sul, da América Central e do Caribe que não teriam
condições de se manter livres por muito tempo. A América do Norte sofreria pressões muito fortes sem dúvida nenhuma. No Brasil, mobilizavam-se em favor do comunismo organizações como União Nacional dos Estudantes (UNE), União Metropolitana dos Estudantes Secundários (UMES), Comando Geral dos Trabalha-dores (CGT), Confederações Nacionais da Indústria, Comércio e Transporte Terres-tre (CNTI, CNTC e CNTT), todas elas mais do que suspeitas.
Gostaria de complementar com uma informação, para sentirmos o clima daqueles tempos. Em março de 1963, o Deputado Elói Dutra disse taxativamente: “Esse vulcão vai explodir e eu, com muito prazer, vou ajudar a botar fogo”. E o Deputado Sérgio Magalhães afirmou que os movimentos populares de trabalhado-res socialistas e comunistas estavam unidos e Cuba não estava sozinha na América Latina, em sua condição de paladina da revolução mundial.
Luís Carlos Prestes garantia: “nós comunistas somos aliados hoje do Presidente da República João Goulart” e exclamou enfaticamente “já estamos no Governo, fal-tando-nos apenas o Poder”. Maiores informações são prestadas no livro “A Revolução por Dentro” no capítulo “A Guerra Revolucionária Chega ao Brasil”, páginas 73 e 84.
Coronel, qual a atitude do Congresso Nacional quando da eclosão da Revolução de 31 de Março de 1964?
Como de costume: fraca, indecisa, omissa, conformada e oportunista. A exceção ocorreria no segundo Governo da Revolução, provocando a crise do AI-5, no final de 1968, através de uma verdadeira revolta parlamentar iniciada pelo Deputado Márcio Moreira Alves, na ocasião um marxista imaturo.
Nesse episódio de nossa história recente, dois fatos importantes chamaram atenção: primeiro, a autêntica traição do Senador Daniel Krieger, líder do Governo. É com pesar que faço uma afirmação dessas a respeito de uma pessoa já falecida. Mas sendo ele, como era, líder da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido do