Entre as cenas mostradas em Olympia, uma merece atenção não apenas pela beleza plástica das imagens, mas principalmente por colocar o espectador em contato com características tidas como “típicas” do povo germânico: a tenacidade, a força de vontade. Na seqüência da disputa da maratona, a câmera de Riefenstahl tenta aproximar o espectador o máximo possível da experiência física dos competidores, tanto no sentido do sofrimento provocado pelo esforço empreendido quanto no da superação dos limites físicos e naturais para tentar chegar à vitória.
Na maratona, entra-se em contato com a exaustão que passa a tomar conta dos corpos dos corredores diante das agruras do caminho, do sol escaldante, do suor acumulado nas têmporas, do tempo que parece transcorrer de maneira mais lenta, de pernas que mal conseguem desprender-se do asfalto ao serem colocadas numa atividade limítrofe. Toda essa luta é (ou deveria ser) recompensada no alcançar da linha de chegada. Mas o que se vê são corpos de feições cadavéricas, esquecidos de si mesmos ao colocar todas as energias no cumprimento do percurso e que precisam ser prontamente amparados pelo serviço médico logo após cruzarem o limite final, da competição e da performance física — alguns chegando a desmaiar nos braços de membros da equipe médica. Superatividade que pode levar à morte e à destruição, mas que é preferível em relação a desistir e a ficar pelo caminho. Nas organizações nazistas, como veremos mais adiante, aprende-se desde a mais tenra idade que a superação é uma virtude, mas nada se fala dos limites entre esta e a auto- preservação. Temos, assim, “(...) a humilhação provocada pelo supertreinamento e a exigência de vitória, sacrifícios humanos destinados a engrandecer as nações e a economia.” (SERRES, 2004, p. 37)
Figura 3.1 Figura 3.2 Figura 3.3 Figura 3.4 Figura 3.5 Figura 3.6
Georges Vigarello (2006) classifica como trágica a ambivalência que o espírito empreendedor da vontade teve entre os alemães no período compreendido entre o final do século XIX e o início do século XX. Diversos movimentos formais e alternativos colocaram o corpo e a beleza física no centro das atenções sociais compartilhadas pelos germânicos, a ponto de estabelecer novas práticas que passaram a regular as relações humanas das mais gerais às mais íntimas. Disciplina, culto ao corpo, exercícios e regime balanceado tornam-se as palavras de ordem desse período, muitas vezes desafiando preceitos religiosos e repressivos tradicionais. Nessa época, o estabelecimento de medidas ideais e parâmetros numéricos estimulam o autoconhecimento e a modelação do corpo às exigências de força, longevidade e equilíbrio. Uma extensa literatura psicológica exalta o voluntarismo, a tenacidade como vocação popular, permitindo à classe média em ascensão impor-se pela atitude física, brecha democrática que não dependia de diplomas nem de origens aristocráticas para se obter. “O embelezamento diz respeito, pela primeira vez, a um corpo mental e conscientemente representado, submetido, até na sua sensibilidade, às injunções da vontade.” (VIGARELLO, 2006, p. 165)
Mas a tomada do poder por Hitler, além de reprimir todos os movimentos de culto ao corpo anteriores, contraditoriamente retoma muitas dessas idéias e promove, através delas, “desvios totalitários”. A estética física igualmente é orientada para a formação de corpos belos, saudáveis, idealizados. Mas ao invés de promover a consciência corporal do indivíduo e o sonho da democratização da beleza, os cuidados estéticos e físicos são aplicados para arregimentar os corpos como massa ordenada e obediente, voltada para o desaparecimento de qualquer característica individual em nome da encarnação do ideário hitleriano. “Deutschland ist Hitler. Hitler ist
Deutschland”, declara Rudolf Hess, deputado do Partido, ao abrir o
Congresso do NSDAP em 1935. Povo e líder formam um amálgama complexo, em que um deveria ser a imagem do outro ao mesmo tempo que um era subjugado pelo outro. Motor para a máquina biológica e racial, a vontade torna-se o meio para que os desígnios da ideologia nacional- socialista possam triunfar sobre os desviantes, os estrangeiros, os inaptos a
compartilhar dessa comunidade idílica e eterna que logo após se voltaria para a expansão territorial através da guerra e para o genocídio.
Antes de começar a relacionar esses modelos e concepções à construção de um ideal de corpo e beleza no documentário Olympia, será necessário evocar um aspecto importante no trabalho de Riefenstahl, que guarda uma forte ligação com os modelos-atletas filmados pela cineasta: a imagem das multidões. Personagens e presenças marcantes tanto neste documentário como em Triunfo da Vontade, as expressões, as vozes e as atitudes da multidão de torcedores – tanto as destacadas pela imagem quanto as que perdem qualquer noção de individualidade nos grandes planos – são mostrados praticamente em pé de igualdade com as imagens das competições e do desempenho dos atletas. Isso porque, como já foi demonstrado por Triunfo da Vontade, ao jogar constantemente com o real e o ideal, o cotidiano e a vida mítica, cria-se uma relação de pertença, de identidade entre a imagem e o espectador. No documentário sobre o Congresso do NSDAP, há varias seqüências de planos isolados e muito próximos do rosto de Hitler e do rosto de pessoas destacadas do meio dos espectadores das paradas e dos discursos, montados de tal maneira a criar um diálogo silencioso e pleno de sentimentalidades entre o Führer e seus seguidores. As distâncias espaciais e hierárquicas são abolidas nesses momentos, reforçando a idéia de Leni Riefenstahl de que só poderia filmar Hitler e o povo, porque nada mais havia ali.
Michel Serres (2004) nos lembra que a inversão do corpo da posição quadrúpede para a postura ereta sobre dois membros promoveu uma intensa relação de reconhecimento quando os rostos e os olhos puderam se encontrar. “Passar da posição de costas para um inesperado face a face facilita olhares sorridentes, a troca de deliciosas amabilidades e de novas palavras; a desordem termina em conquista amorosa” (SERRES, 2004, p. 25). Pelas imagens de Riefenstahl, Hitler passa a exercer uma função próxima a das estrelas de cinema. O carisma e a sedução do Führer são construídos a partir dessa ilusão de proximidade, de acessibilidade tanto para as multidões que figuravam em Triunfo da Vontade quanto para a massa de espectadores que se dirigia às salas de cinema para compartilhar da emoção daquele evento; e também pela distância, captando os discursos de Hitler
iluminado e isolado como um Deus-Pai em cima de altos palanques, enquanto a massa era vista de forma compacta em grandes planos a contemplá-lo. O cinema intensificou esse potencial sedutor tanto do encontro de faces e olhares quanto da elevação do Führer a um ser acima da realidade carnal, ainda que esta proximidade e este distanciamento só fossem possíveis, tanto no Congresso de Nuremberg quanto no Estádio Olímpico de Berlim, na realidade produzida pela câmera de filmar.
No documentário sobre as Olimpíadas de Berlim, não se chega a ter essa relação tão amorosa e próxima, mas é possível perceber que a esfera da massa de espectadores acaba inserida indiretamente na dos atletas em competição, e vice-versa. Mesmo hoje, talvez poucos filmes esportivos tenham dado tanta atenção às reações, aos sentimentos e às frustrações dos espectadores de estádio quanto Olympia. Da mesma forma que os estádios e demais espaços esportivos são construídos, a partir do século XX, para o olhar das multidões apinhadas aos milhares nas arquibancadas – ao mesmo tempo que cria divisões e distâncias regulamentares entre torcedores e atletas –, o documentário de Leni Riefenstahl parece querer criar uma visão total de todas as nuances do espetáculo esportivo; combinando, construindo e submetendo ao olhar do espectador da sala de cinema o suscitar de excitações e identificações do público do estádio diante dos atletas. Mais que compatriotas, o público do estádio divisa modelos sobre os quais repousam as mais profundas expectativas.
A primeira coisa que se pode notar é que essa interação entre atleta e espectador só é feita em cenas de provas individuais, em especial na primeira parte do documentário – até porque, de maneira geral, Riefenstahl dá pouco tempo e atenção aos esportes coletivos. São seqüências que guardam diferenças marcantes com relação ao documentário Triunfo da Vontade, já que neste a apreensão dos corpos, de maneira geral, ocorre num sentido que vai de grupos de soldados, multidões até a massificação indistinta dos seres — bem mais afeita à valorização atribuída pelos nazistas ao coletivo. Pode-se depreender dessa escolha que Olympia, com seus belos atletas individualizados, busque a construção de um corpo modelar e o estabelecimento de uma ligação idealizada entre espectadores e atletas, estímulo para que tal ideal fosse replicado por aqueles que assistissem a ele.
Entre as imagens de dois atletas realizando seu feito esportivo, aparecem as imagens dos respectivos representantes da torcida de cada nação. Os gritos de guerra, a exaltação perante a vitória, a decepção e o lamento dos torcedores são determinados pelo desempenho do seu atleta, no qual projetam a si próprios e depositam claramente afetos e expectativas.
Por outro lado, nas seqüências em que se vê a concentração dos atletas antes de executar a prova, o som do documentário traz os ecos dessa multidão por vezes de forma tão próxima que parecem estar ali no campo, apenas fora do enquadramento da câmera. Os coros e as palavras de ordem da torcida parecem funcionar como um incentivo final, uma força a mais a ser arregimentada no momento da realização da prova, reações que beiram a uma mistura de insanidade e mística religiosa. Nem assim presenciamos em nenhum momento conflitos entre essas torcidas nacionais. Algo que surpreende ainda mais se for atentado que tanto o evento ocorre três anos antes quanto a estréia de Olympia (1938) é praticamente às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial, em que um clima de belicosidade e de rivalidades nacionais já se encontra em curso.
Símbolo maior do nazismo, a imagem da suástica é relacionada por Wilhelm Reich (1988) a de dois corpos enlaçados, em conjunção carnal. Essa análise demonstra a eficiência de um desenho aparentemente simples como objeto de excitação para o imaginário coletivo dos alemães e, por sê-lo, em parte, responsável pelo êxito da propaganda de massas. Da mesma forma, a relação entre torcedores e atletas, espectadores e modelos corporais no documentário de Riefenstahl conjugam uma troca intensa de emoções corporais, assim como exprime a mitificação dos últimos pelos primeiros. “A ‘promoção’ do campeão seria, então, transparente, capaz de revelar suas singulares qualidades pessoais, sem ascendência nem herança. O vencedor é próximo e, ao mesmo tempo, inacessível, igual e não igual” (VIGARELLO, 2008, p. 454). Tais sentimentos por vezes fazem com que não se perceba a absolutização de um tipo ideal de homem e mulher, no qual se deposita todo tipo de expectativa e esperança de alterações no futuro. No entanto, a construção desse ideal através da cultura muscular servia não para iniciar mudanças estruturais, mas para transformar-se em suporte massivo de um regime em que os seguidores apoiavam a sua própria opressão.
Voltando para as relações entre o corpo idealizado pelos nazistas e o corpo filmado por Riefenstahl em Olympia, o estranhamento inicial sobre como foi possível para a cineasta berlinense iniciar as duas partes de seu
documentário50 com cenas que mostram homens e mulheres nus —
considerando a estrita moral e a repressão intensa que perpassavam os costumes e o cotidiano na Alemanha hitlerista — não pode ser explicado apenas pela evocação da beleza clássica nesses corpos. No livro The Cult of
Health and Beauty in Germany, o historiador alemão Michael Hau faz um
estudo detalhado sobre os diversos, e por vezes opostos, movimentos que buscavam a excelência física e o culto ao corpo entre 1890 e 1930 – no final do II Reich e durante toda a República de Weimar.
Nesse período, muitos alemães se organizavam em associações e clubes de caráter voluntário e reformista em busca de terapias naturais e
reformas no estilo de vida, como o Lenbensreformbewegung.51 Eles
acreditavam que as mudanças no estilo de vida trazidas pela era industrial e pela alta concentração de pessoas em áreas urbanas levavam a uma progressiva degeneração física e moral da sociedade, pois tal organização da vida social e econômica iria de encontro às condições de vida “naturais” do ser humano. A Medicina, mesmo com todos os avanços então alcançados na prevenção e tratamento de moléstias, era considerada ineficaz por esses movimentos, tanto por sua conduta esquemática – concentração nos sintomas em detrimento de sua individualidade física como um todo – quanto pelo uso de terapias recentes como a vacinação contra doenças como a temível Varíola – a inoculação de agentes patogênicos no organismo saudável para prevenir doenças era vista por esses indivíduos como uma forma de envenenamento do corpo. Alguns desses grupos leigos cultivavam uma alimentação frugal, hábitos de vida saudáveis – longe do fumo, da bebida e do consumo de carne vermelha – e, o que causou maior número de contestações e polêmicas, o hábito dos banhos de sol e dos exercícios ao ar livre sem roupas.
Mais do que uma prescrição para a saúde e para a beleza física, o nudismo era considerado uma forma de combater a hipocrisia social vigente.
50 Festa do Povo (Fest der Völker) e Festa da Beleza (Fest der Schönheit). 51 Movimento de reforma da vida
Eles argumentavam que a degeneração moral da sociedade era causada pela repressão intensa ao conhecimento e à visão do corpo. Aquilo que não conhecemos, argumentavam, torna-se objeto de fetichismo, de excitação insidiosa, que levava ao onanismo e à homossexualidade, que desperdiçavam energia vital que deveria ser empregada para o objetivo verdadeiro da cópula, a reprodução. Mas se as pessoas são habituadas, desde a mais tenra idade, a ver os corpos como eles são e a conhecer a fisiologia do corpo, os praticantes da cultura nudista passam a se relacionar de acordo com os preceitos naturais. Não por conta do medo inspirado por regras repressoras e sem sentido, que só conseguem levar à perversão, mas por um estilo de vida que convida a essa vivência utópica do corpo e da sexualidade naturalmente regrada. Eles também eram contra o uso de corpetes e qualquer outra indumentária que prendesse ou deformasse a forma física natural para atender os modismos da modernidade.
Assim, a visão cotidiana do corpo despido acabaria por afastar as perversões incutidas pela tradição e pela concepção do corpo como fonte de corrupção e pecado. É nesse período que cresce tanto o número de campos e clubes para a prática nudista e esportiva – voltadas para todas as idades e sexos – quanto de publicações e filmes que exaltavam a vida ao ar livre, a captação dos raios solares pelo corpo despido em benefício da saúde e do fortalecimento do corpo, além das formas físicas que eram trabalhadas nesses lugares. Nesse sentido, a imagem – tanto fotográfica quanto a película em movimento – terá um papel fundamental na construção desses novos ideais.
Aesthetic representations of the human body — such as photographs, drawing, anatomical models, and textual descriptions — made it possible for life reformers and regular physicians to visualize concepts such as health, disease and degeneration. Like other contemporary popularizes of scientific knowledge, they used aesthetic concepts, tropes and images in order to make their ideas visible, or
anschaulich52, for a lay public53 (HAU, 2003, p. 2)
52 Descritíveis
53 “Representações estéticas do corpo humano – tais como fotografias, desenho, modelos anatômicos, e
descrições textuais – tornaram possível para os reformistas da vida e os médicos regulares visualizar conceitos tais como a saúde, a doença e a degeneração. Como outra popularização contemporânea do conhecimento científico, eles usaram conceitos estéticos, alegorias e imagens a fim fazer suas idéias visíveis, ou anschaulich, para um público leigo.” [tradução livre]
Outra preocupação desses movimentos de reforma da vida naquele momento é com a formação de uma cultura de higiene. Além dos benefícios físicos e morais dessa consciência corporal e do lugar que esta passa a ocupar na vida dos alemães, as novas práticas preconizadas pelos reformadores – em sua maioria, oriundos das classes média e operária – buscavam um cultivo harmonioso do corpo, da mente e do espírito, que pudesse se distinguir do cultivo do corpo valorizado pelas elites. As práticas sociais estabelecidas a partir da disciplina e do esforço físico contribuíam para a formação de novas identidades e antagonismos de classe, expressas não apenas por meio de gostos e preferências estéticas, mas também por práticas e atitudes envolvendo o corpo.
Os reformadores argumentavam que os caracteres, a proporção dos membros e as expressões que carregamos no corpo físico expressam a saúde, o funcionamento orgânico interno e até mesmo a essência espiritual de um indivíduo. Levando em conta esse princípio, as pessoas que pertenciam à elite ou mesmo as que tentavam “subir na vida” pela via acadêmica eram vistas como seres física e espiritualmente degenerados, pois buscavam a distinção social através do poder, do dinheiro, do trabalho sedentário nos escritórios e dos diplomas obtidos através do desempenho excessivamente intelectual nas escolas superiores. Inspirado pelos modelos da Antiguidade clássica, o cultivo disciplinado de um corpo equilibrado e sadio pelos reformadores levava à distinção através de um valor que se fazia para eles democrático e universal, pois dependia apenas do trabalho e da tenacidade dos seres para moldar os corpos. Trocavam-se as distinções não naturais produzidas pela sociedade por um princípio que não só estaria nos próprios indivíduos desde todo o sempre, mas também poderia ser moldado com fins de excelência e perfeição, independente de heranças, capitais ou diplomas acadêmicos. Criava-se uma comunidade que se queria livre de qualquer divisão social, fosse pela ausência de roupas ou pela prática esportiva voltada para o aperfeiçoamento do corpo.
A beleza não era entendida como um conceito abstrato e relativo, à mercê de gostos individuais, sociais e culturais produzidos no tempo e no
espaço geográfico. A forma externa do corpo e suas características eram vistas como a expressão total e única do físico saudável e da constituição mental do indivíduo. Tal idéia de devassar o interior pelo exterior não é um privilégio da Alemanha ou do período em questão — no final do século XVIII, eram feitos estudos da saúde e do caráter moral dos indivíduos a partir da
fisionomia dos rostos54 —, mas, no caso alemão, essas práticas ganharam o
valor de um capital cultural, que vinham se opor à distinção baseada no viciado e pernicioso cultivo intelectual e na produção laboral voltada exclusivamente para o lucro — que no corpo se expressava na forma de gordura, flacidez, moléstias mentais e desequilíbrio da constituição física como um todo.
Anti-academic resentment among these sectors of the middle class fit well with the notion, pervasive within the life reform movement, that laypeople were more competent therapeutically than university-trained physicians. Those who lacked wealth, formal degrees, and Bildung55
could resort to physical markers to undermine the authority of the educated or refer to the physical markers of their own body to reassure themselves of their superior inner worth or essence. (…) Those who were active in the physical culture movement, who were mostly from nonacademic middle-class background, could thus look with satisfaction on their disciplined bodies, remodeled after the ancient Greek ideals, and experience a sense of moral superiority in relation to beer philistines from the Gymnasium or the university.56
(Ibidem, p. 54)
Ao levar em conta tal perspectiva da cultura física e beleza estética, é possível ter uma melhor compreensão das cenas mostradas na introdução de Festa da Beleza, segunda parte do documentário (figuras 3.7 a 3.12). A seqüência nos mostra inicialmente o lento amanhecer na floresta próxima à
54 Para um estudo mais detalhado sobre a questão, ver COURTINE, Jean-Jacques; HAROCHE,
Claudine. História do Rosto: exprimir e calar as suas emoções (do século XVI ao início do século XIX). Lisboa, Teorema, 1988.
55 Educação
56 “O
ressentimento do anti-acadêmico entre estes setores da classe média encaixava bem com a noção, patente dentro do movimento de reforma da vida, que os leigos eram mais terapeuticamente