• Nenhum resultado encontrado

Estudos demonstram por meio de resultados correlacionais a existência de correlações entre pelo menos duas das variáveis investigadas no presente estudo (ALMEIDA; SAMPAIO, 2007; MORET et al., 2007; FERNANDES et al., 2012; SPINAZOLA et al., 2013). Portanto, esta parte da discussão tratará de correlações entre os seguintes aspectos: (a) nível de estresse e nível de estimulação que a criança recebia no ambiente familiar; (b) nível de necessidades das famílias e estimulação que a criança recebia no ambiente familiar; (c) nível de necessidades das famílias e nível de recursos e estresse; (d) nível de recursos e estresse e nível de empoderamento das famílias; (e) nível de empoderamento das famílias e estimulação que a criança recebia no ambiente familiar; (f) nível de necessidades das famílias e nível de empoderamento familiar; (g) nível de necessidades das famílias e idade das crianças; (h) nível de empoderamento familiar e nível socioeconômico das famílias e; (i) nível de estresse e nível socioeconômico das famílias.

De modo geral, os resultados demonstraram que quanto maior era o nível de estresse e de necessidade das famílias, menor era a estimulação oferecida à criança no ambiente familiar, em relação a materiais de aprendizagem, linguagem, atividades acadêmicas, modelagem, aceitação e total. Como afirmam Silva e Dessen (2006), o estresse advindo da sobrecarga de sentimentos em ter um filho com deficiência, pode alterar as relações entre os membros familiares, até mesmo entre pais e filhos. Sendo assim, altos níveis de estresse dos pais podem ser mecanismos de risco para o desenvolvimento dos filhos. Segundo Lewis e Dessen (1999), o estresse prejudica a energia/vontade e disposição dos pais para realizarem atividades com seus filhos e leva ao aumento das necessidades familiares. Os mesmos autores ressaltam que o nível de estresse dos pais pode influenciar na proximidade com seus filhos, ou seja, os pais podem não permanecerem tão próximos de seus filhos quanto gostariam.

De acordo com Costa (2004), pais de crianças com deficiência passam por desafios e situações difíceis e, se sentem, muitas vezes, despreparados para oferecerem estimulações adequadas aos filhos. Tal situação gera nos pais, necessidades de informação e outras

necessidades, para conseguirem resolver situações relacionadas ao funcionamento da vida familiar e social (necessidade de explicar aos outros), que podem ser considerados fatores impeditivos que interagem negativamente no desenvolvimento infantil (POLETTO, 2005), contribuindo para aumentar o nível de estresse parental.

Além disso, famílias de crianças com deficiência podem se deparar com situações promotoras de mudanças no funcionamento da interação de seus membros e modificações nas atividades de vida cotidiana, devido a sobrecarga de tarefas e exigências especiais que a situação dos filhos demandam (FÁVARO; SANTOS, 2012), como maior estimulação e interação nas áreas acadêmicas, sociais, de linguagem, motoras, psicológicas, de aceitação e geral. Portanto, o convívio com uma criança com deficiência e as constantes demandas de cuidado que as mesmas exigem, podem ser considerados fatores potenciais de estresse e, consequentemente ocasionam maiores necessidades familiares (NEVES; CABRAL, 2008).

Esses familiares, portanto, necessitam de meios de acesso às informações e recursos que desenvolvam habilidades para lidar com novas situações conflitantes que surgirem (SINGH et al., 1995; TURNBULL; TURNBULL, 2001, ANURADHA, 2004). Com as necessidades familiares reduzidas, os pais, consequentemente, podem se sentir menos estressados e mais seguros e preparados para estimularem suas crianças.

Os níveis de estresse também estavam correlacionados negativamente com o empoderamento no que se refere ao conhecimento, autoeficácia e empoderamento total das famílias, ou seja, quanto maior era o nível de estresse das famílias, maiores eram suas necessidades, portanto menos empoderadas eram estas. Almeida e Sampaio (2007) concluíram, em sua pesquisa, que o estresse existente tanto na família como nos restantes prestadores de cuidados à pessoa com deficiência, encontra-se relacionado com os níveis de empoderamento percepcionado pelos mesmos. Os mesmos autores ressaltaram que as características da criança com deficiência pode causar diferentes níveis de estresse nos membros familiares e, consequentemente, prejudicar a qualidade de vida dos mesmos.

De fato, os pais de crianças com deficiência necessitam receber orientações sobre como lidar e estimular suas crianças, além de informações sobre o desenvolvimento das mesmas. Além disso, a disponibilidade de recursos financeiros, o apoio tanto de profissionais quanto social ou comunitário são variáveis moderadoras que podem auxiliar no processo de adaptação ou ajustamento familiar ao eventual estresse associado a ter uma criança com deficiência (MATSUKURA et. al, 2007).

Os pais, portanto, podem se sentir inseguros diante de ações e escolhas dos melhores serviços para seus filhos, em como exigir os direitos de sua família, nas dificuldades em

interagir com programas e profissionais que atendem suas crianças, etc. Isso pode gerar estresse nesses pais, devido à dificuldade em lidar com certas situações que envolvam seus filhos, pelo baixo empoderamento (PANAGUIA; PALACIOS, 2007), que restringe os genitores do desenvolvimento de habilidades que os auxiliem a desenvolver a autonomia para solucionar seus problemas. Tal fato ocasiona uma barreira no desenvolvimento do empoderamento desses pais, no que diz respeito a seus comportamentos, principalmente em sua confiança e segurança nas tomada de decisões e exigência dos direitos de suas crianças.

Portanto, as famílias ao receberem informações e subsídios que proporcionem seu empoderamento, se sentem mais preparadas e confiantes para tomarem decisões e exigirem seus direitos, garantindo, assim, um cuidado de qualidade para suas crianças (NEVES; CABRAL, 2008; WILLIANS; AIELLO, 2009). Tais estudos corroboram com o resultado encontrado nesta pesquisa, sobre a relação entre o nível de empoderamento e a estimulação oferecida à criança no ambiente familiar.

Os resultados também apontaram que quanto mais empoderados os pais eram, maior era o oferecimento de estímulos acadêmicos, da linguagem, modelagem e total às crianças no ambiente domiciliar. Ao serem empoderadas, as mães obtém conhecimentos e competências apreendidas ou reforçadas (DUNST, 2000), que as auxiliam no enfrentamento de suas necessidades, desenvolvendo maior conhecimento sobre a importância que o ambiente familiar tem para o desenvolvimento dos seus filhos. Os pais ao serem empoderados, se sentem mais seguros nas tomadas de decisões que influenciam direta ou diretamente na estimulação e no desenvolvimento de seus filhos.

Pais que buscam e conhecem seus direitos e os direitos dos seus filhos, que procuram por informações e participam de atividades acadêmicas dos seus filhos, sabem da importância dos estímulos variados para o desenvolvimento acadêmico, da linguagem, da modelagem e global (social, motor, emocional, etc.) da criança. Quanto mais estimulação a criança receber no ambiente familiar, melhor será o seu desenvolvimento (GURALNICK, 1998) e mais positiva será a interação com os familiares.

Em contrapartida, os resultados demonstraram uma correlação negativa entre as necessidades e o empoderamento. Ou seja, quanto maiores eram as necessidades das famílias em relação à informação, a explicar aos outros e sobre o funcionamento familiar, menor era o nível de empoderamento das mesmas. A convivência com um membro familiar com deficiência pode gerar modificações no funcionamento, comportamento e relações entre os integrantes da família, principalmente quando este membro ainda é pequeno e necessita de maior atenção em seus cuidados e estimulação.

A criança com deficiência pode contribuir para a experiência familiar, desde que para tal lhe seja concedida a oportunidade (SILVA; DESSEN, 2004). De fato, famílias de crianças com deficiência necessitam receber informação acerca da problemática, dos serviços, das leis e das políticas, bem como precisam de apoio (PINHEIRO, 2010).

Com relação à necessidade de explicar aos outros, Costa (2004) aponta que os pais sentem dificuldade em interagir socialmente e, explicar a dificuldade dos filhos aos outros, devido às reações negativas das pessoas perante a deficiência associado ao preconceito, rótulos e estigmas. Deste modo, informações trazem benefícios não só para o bem-estar no seio familiar, mas também na interação social. As mães ao receberem informações, se tornam aptas e empoderadas para executar atividades e auxiliar seus filhos na promoção de sua independência (ARAÚJO, 2004), além de conseguirem lidar com situações sociais e terem suas necessidades minimizadas.

Ao relacionar as variáveis sociodemográficas e as familiares, tem-se que quanto maior era a idade da criança, maior eram as necessidades das famílias com relação ao apoio e aos serviços da comunidade. Desde o nascimento, os filhos com deficiência necessitam de dedicação, com relação aos cuidados físicos, tempo de interação, oferecimento de estímulos e auxílios educacionais. Conforme essas crianças forem ficando mais velhas e forem se desenvolvendo, esses cuidados podem se tornar mais complexos e mais intensos (KREPPNER, 1992; PANIAGUA, 2007). Isso pode explicar o aumento da necessidade dos pais em relação ao apoio e aos serviços da comunidade, no decorrer do desenvolvimento do filho.

A participação dos pais e da criança em serviços comunitários auxilia no processo de desenvolvimento global da criança com deficiência, além de auxiliar os pais em algumas necessidades sobre como interagir e estimular seus filhos, por meio da interação com profissionais da saúde e da educação (GLAT; PLETSCH, 2004). Para além dos serviços comunitários, o apoio social também se mostra fundamental para auxiliar na superação das adversidades famíliares.

Gill e Harris (1991) verificaram que mães de crianças autistas que têm maior acesso ou percebem o apoio social como mais disponível, apresentam resultados significativos de menor estresse, comprometimentos somáticos e sintomas depressivos, quando comparadas com aquelas com menor acesso ou percepção deste apoio.

O apoio social, tem sido apontado na literatura como fonte de diminuição do estresse parental e de bem-estar dos pais de crianças com deficiência, pois os mesmos se sentem menos sobrecarregados (DYSSON, 1997; FALKENBACH; DREXSLER; WERLE, 2008).

Portanto, pode-se dizer que o apoio social auxilia na promoção de ambientes de proteção à criança. Os indivíduos que têm acesso ao suporte social sentem-se mais resistentes e fortalecidos para buscarem soluções, ou seja, se sentem empoderados (GILL; HARRIS, 1991).

Quanto ao nível de empoderamento familiar e o nível socioeconômico das famílias, os resultados apontaram uma correlação positiva, ou seja, quanto maior era o poder aquisitivo das famílias, maior o nível de empoderamento das mesmas com relação a autoeficácia. De fato, pais com nível socioeconômico mais elevado podem ter acesso facilitado à informação, comunicação, serviços de saúde, educação, além de se tornar mais fácil a aquisição de serviços reabilitacionais e equipamentos ortopédicos, caso seja necessário.

Ainda com relação ao poder aquisitivo, nota-se uma correlação negativa dessa variável com o estresse familiar, ou seja, quanto maior era o poder aquisitivo das famílias, menor era o nível de estresse apresentado pelas mesmas com relação aos problemas dos pais e das famílias, ao pessimismo e total. O problema socioeconômico é um estado estressor, que está frequentemente associado a consequências sérias e globais para o desenvolvimento da criança (GURALNICK, 1998), ou seja, famílias com maiores recursos financeiros podem ter maior oportunidade de buscar/pagar por serviços e obter recursos materiais, quando comparadas com famílias com menores recursos financeiros. .

3- Dados do pré-teste e pós-teste com relação às necessidades familiares, estimulação