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APÊNDICE I – SCRIPT 9 322 APÊNDICE J – SCRIPT 10

6. Correlatos acústicos do acento secundário

Qual é o papel das propriedades acústicas? Essas propriedades se comportam do mesmo modo em diferentes graus de acento? Existe uma hierarquia entre elas? Podem ser usadas com diferentes intenções comunicativas?

1.4 RESPOSTA AO PROBLEMA

Com o objetivo de investigar o acento secundário do espanhol, resolvemos considerar os tópicos mais importantes da pesquisa e pensar em uma solução para os problemas apresentados na seção anterior. A seguir, fazemos a exposição do que traçamos inicialmente para este estudo.

É imprescindível para uma pesquisa experimental um corpus apropriado para a coleta de dados, isto é, realizações em que se manifestem o acento secundário. Para isso, precisamos de produções de fala advindas dos “profissionais da fala”. Acreditamos que, a princípio, experimentos com participantes e tarefas de produção, para a coleta de dados, são menos adequados devido à falta de um contexto de interação entre falantes ou de uma audiência, que propiciaria o aparecimento do acento secundário.

Por outro lado, a fala espontânea também representa um desafio, já que há um número maior de variáveis externas que podem afetar os resultados da pesquisa, ao mesmo tempo que seria a única opção viável para analisar a relação entre as propriedades acústicas do acento retórico e seus efeitos discursivos. Por isso, uma metodologia adequada, na nossa opinião, tem a ver com um esforço em minimizar as interferências que essas variáveis podem causar.

Para a realização deste estudo, tomamos como base os princípios da teoria métrica, bem como as análises fonológicas e os resultados de estudos experimentais sobre padrões possíveis de acento secundário. Além disso, alguns procedimentos metodológicos foram fundamentais durante a pesquisa: a programação de scripts (para a segmentação de dados, extração dos valores acústicos, etc.), a correção de eventuais falhas, a codificação dos dados, a descrição amostral, um método de normalização dos dados, a exclusão ou manutenção de outliers, os procedimentos de análise acústica e estatística, etc.

Além da parte metodológica, outro ponto que causa dificuldade são os impasses na literatura sobre o acento secundário do espanhol, que ainda precisam ser revistos, a saber: a nomenclatura imprecisa, os padrões de acento, o papel dos correlatos acústicos, os efeitos discursivos atrelados ao acento secundário, etc.

1.5 OBJETIVOS

Este trabalho tem como objetivo principal investigar as propriedades acústicas do acento secundário no espanhol. Como objetivos específicos da pesquisa, planejamos:

1) Descrever aspectos do acento secundário com base em um corpus de transmissões radiofônicas;

2) Observar e analisar o comportamento dos correlatos acústicos (F0, intensidade e duração) do acento secundário na palavra prosódica, tomando as sílabas e as vogais como unidade de análise;

3) Investigar o papel da duração em diferentes níveis de proeminência; 4) Relacionar o acento secundário do espanhol a efeitos discursivos;

5) Analisar os padrões de acento secundário do espanhol a partir de seus efeitos discursivos;

6) Criar um espaço de reflexão sobre o estudo do acento secundário como um todo: desafios, métodos, propostas, intuições, o que pode ser realizado ainda, etc.

1.6 JUSTIFICATIVA

Como dissemos anteriormente, a justificativa principal para a realização deste estudo foi a falta de trabalhos sobre o acento secundário do espanhol e, em especial, de trabalhos em fonética acústica. Além disso, os poucos estudos sobre o tema trabalharam com um número pequeno de participantes, dificultando a generalização dos resultados. Outro motivo que nos impele a investigar o fenômeno é que, apesar de constatações relevantes na literatura, os pesquisadores têm desconsiderado certas particularidades.

Esta pesquisa pode contribuir, nesse sentido, com três aspectos básicos, em que consideramos:

1º) Tipo de corpus – o contexto adequado para a coleta de palavras que apresentam o acento secundário do espanhol; o tipo de produção (espontânea e semiespontânea); a interação entre falantes; a importância da audiência (público); os locutores (profissão), etc.

2º) Tipo de análise – os métodos usados em diferentes etapas do trabalho; as unidades mínimas de análise (sílabas e vogais); os efeitos de sentido relacionados ao acento secundário do espanhol, etc.

3º) Variedade do espanhol – uma variedade pouco estudada, em detrimento da variedade peninsular que tem mais descrições nos estudos da linguagem.

Assim sendo, esta pesquisa constitui-se como inédita no sentido em que busca descrever e analisar um fenômeno ainda pouco entendido na área de fonética-fonologia: o acento secundário na variedade mexicana do espanhol, nunca antes estudada a partir de um corpus de fala espontânea (ou semiespontânea), formado por transmissões radiofônicas.

Desconhecemos estudos que tenham descrito ou investigado a relação entre os padrões de acento secundário do espanhol e seus efeitos discursivos por meio de um corpus de fala espontânea. Além disso, decidimos investigar o fenômeno no espanhol – e, em especial, na variedade mexicana. Essa escolha justifica-se pela: a) importância cultural do México nos estudos hispânicos, já que é uma das variedades do espanhol com maior número de nativos – pelo menos 100 milhões de falantes (LÓPEZ-MORALES, 2011); b) contribuição que outras variedades, além da peninsular, podem propiciar à compreensão de fenômenos prosódicos; c) continuação de estudos anteriores, que trabalharam com a mesma variedade (PRIETO E VAN SANTEN, 1996; SOLÉ, 2014, 2019), a fim de ampliá-los.

Além disso, a coleta de dados a partir de conversas e entrevistas pode representar uma maior consistência nos resultados sobre o acento secundário, visto que permite a identificação sistemática de padrões em diferentes estruturas discursivas. Esse tipo de dados, porém, representa um desafio maior para a unidade de análise do acento. Tradicionalmente, os foneticistas vêm analisando o acento secundário do espanhol a partir das vogais. Com isso, outro ponto importante é a nossa tentativa de analisar o acento secundário na sílaba – além de analisar nas vogais do espanhol – apesar do nosso corpus não favorecer tal empresa. Isso pode incentivar outros pesquisadores a trabalharem mais com essa unidade no que se refere aos estudos do acento no espanhol.

Em síntese, este estudo pode ampliar o entendimento sobre o acento secundário do espanhol nas áreas da fonética/fonologia e fornecer uma descrição e análise prosódica de uma variedade do espanhol, o que indiretamente favorece o ensino do espanhol como língua estrangeira. Além disso, em menor medida, os nossos resultados podem contribuir, em estudos futuros, para outras áreas do conhecimento, como uma possível interface prosódia-pragmática ou como o desenvolvimento tecnológico voltado para a linguagem humana.