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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.4 Corynebacterium spp. como causador da mastite bovina

Corynebacterium bovis é a espécie mais isolada de IIM de bovinos. Porém, seu papel

como agente causador de mastite é controverso. Corynebacterium bovis foi encontrado associado apenas à camada de queratina do canal do teto sem evidência microscópica de danos ao epitélio do canal. Os resultados sugerem que C. bovis não infecta epitélios acima da roseta de Furstenberg (BLACK; MARSHALL; BOURLAND, 1972). C. bovis foram avaliados quanto à habilidade de aderência das células epiteliais do canal do teto. A adesão às células epiteliais não ocorreu em todas as amostras avaliadas, e nas que ocorreram, não foram tão intensas quanto à adesão pelos outros micro-organismos S. agalactiae e S. aureus (FROST, 1975).

O crescimento de C. bovis nas secreções mamárias foi avaliado durante período fisiológico de transição da glândula mamária bovina. Em geral, a glândula mamária inibe o crescimento de C. bovis durante o período seco, com exceção as cepas de C. bovis resistentes à estreptomicina que apresentaram crescimento nas secreções mamárias durante o processo de involução da glândula. Por outro lado, foi relatado persistência de C. bovis em infecções intramamárias durante processo de lactação (OLIVER; JUNEJA, 1989).

Meio de cultura contido de metabólitos de C. bovis foi avaliado para o crescimento de

Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae. A curva de crescimento de S. agalactiae

foi similar a de culturas mista de C. bovis e S agalactiae. Entretanto, o crescimento de S.

aureus foi inibido durante as fases logarítmicas e estacionárias no leite que continham

culturas mistas de C. bovis e S. aureus (HOGAN; PANKEY; DUTHE; 1986).

Corynebacterium bovis causam IIM de baixa intensidade por estarem mais

frequentemente associados à camada de queratina do teto, e devido a esta localização de adesão exercer proteção contra invasões de patógenos causadores de mastite (BROOKS; BARNUN, 1984). Existem evidências de que quartos infectados com C. bovis apresentam barreira biológica contra patógenos primários da mastite (S. aureus e Streptococcus spp.) por meio de colonização do canal e cisterna do teto (RAINARD; POUTREL,1982; SORDILLO et al. 1989; HUXLEY; GREEN; BRADLEY, 2003). Pankey et al. (1985) avaliaram quartos

mamários quanto à infecção por C. bovis na susceptibilidade de patógenos principais da mastite bovina. Quartos com infecções por Corynebacterium bovis foram mais resistentes à infecção por Staphylococcus aureus em relação a quartos bacteriologicamente negativos. Quartos mamários infectados com C. bovis foram significativamente menos infectados com outros micro-organismos patogênicos do que quartos sem isolamento bacteriano (BROOKS; BARNUN, 1984; LAM et al, 1997).

Estudos posteriores contrariaram o efeito protetor em quartos com IIM por C. bovis (HOGAN et al, 1988). Quartos mamários foram avaliados quanto à infecção causada por C.

bovis na susceptibilidade de patógenos principais da mastite bovina. Quartos infectados com Corynebacterium bovis foram aproximadamente 8,5 vezes mais suscetíveis à infecção por Streptococcus agalactiae que quartos bacteriologicamente negativos (PANKEY et al., 1985).

A infecciosidade a glândula mamária de camundongos foram avaliadas quanto ao efeito de mastite causada por C. bovis, subsequentemente a mesma glândula foi submetida à infecção por Staphylococcus aureus. Não houve prevenção de Staphylococcus aureus pela infecção prévia por C. bovis, e nem qualquer influência significativa sobre a contagem bacteriana (HONKANEM-BUZALSKI; ANDERSON; BRAMLEY, 1985). Resultados sugerem que quartos com IIM causada por C. bovis são mais predispostos à infecção causada por estreptococos ambientais, S. aureus e S. agalactiae. Entretanto, existe uma tendência de considerá-los micro-organismos de menor relevância por provocar resposta inflamatória de baixa intensidade (BRAMLEY, 1975; BROOKS; BARNUN, 1984; LEVAN; BERHART; ESLER, 1985; SORDILLO et al., 1989; POCIECHA, 1989; BRADLEY, GREEN; 2005).

A presença de Corynebacterium spp. em regiões mais profundas do tecido mamário foi relatada por Benites, Melville e Costa (2003), o que indica potencial invasivo destes micro-organismos ao tecido mamário bovino. Alteração nos epitélios cisterna do teto, roseta de Furstenberg, e no parênquima mamário devido à infecção por C. bovis foram observadas em 16 dos 19 quartos em que foram realizados exames histopatológicos (NGATIA; JENSEN, 1991). Entretanto, recente pesquisa avaliou por meio de cânula intramamária o grau de colonização do C. bovis ao tecido mamário. Os resultados indicaram o potencial deste micro-organismo em colonizar o canal do teto sem causar infecção intramamária verdadeira ( BROOKS; BARNUM, 1984; BEXIGA et al., 2011).

2.4.1 Sinais clínicos da mastite por Corynebacterium spp.

Corynebacterium spp. é considerado um patógeno secundário que infecta

principalmente vacas durante a lactação, sem causar sinais clínicos e com aumentos moderados na CCS (BRADLEY; GREEN; 2005). Em geral, a doença é caracterizada por sintomas leves e de pouca alteração na constituição físico-química do leite (HUXLEY; GREEN; BRADLEY, 2003).

Corynebacterium spp. já foi isolado em casos de mastite clínica e como responsável

por alterações significativas em nível celular (COSTA et al. 1985; SCHUKKEN et al. 1989b; BOYER, 1998; HOGEVEEN, 1998). A ocorrência sob a forma de surto e a capacidade de provocar mastite clínica persistente demonstra sua patogenicidade e o colocam como agente causador da mastite com caráter contagioso (COSTA et al. 1985). Por outro lado, alta proporção de amostras de leite de animais clinicamente normais é positiva para C. bovis, e, portanto, similar proporção de amostras oriundas de mastite clínica também podem apresentar-se positivas ao C. bovis. Isolados acidentais de C. bovis podem ter sido julgados como causa de mastite clínica (HUXLEY; GREEN; BRADLEY, 2003).

2.4.2 Controle e tratamento da mastite por Corynebacterium spp.

C. bovis prontamente coloniza o canal do teto de vacas leiteiras e tem sido usado como

um indicador de higiene no momento da ordenha (WATTS et al., 2000). Em fazendas onde a desinfecção dos tetos pós-ordenha não é prática de rotina, C. bovis foi isolado em mais que 60% dos quartos amostrados (WOODWARD et al., 1987). Brito, et al, (1999a) em estudo sobre o padrão de IIM sugeriram que as medidas de controle para as mastites contagiosas não foram corretamente aplicadas nos rebanhos estudados onde se observou alta prevalência de

Corynebacterium spp. Os produtos cujo ingrediente ativo é o LDBSA (ácido sulfônico linear

duodecilbezeno) não apresentaram resultados satisfatórios na desinfecção dos tetos contra

Corynebacterium spp. (NMC, 1999). Por outro lado, produtos a base de iodo e clorexidina são

eficazes para desinfecção dos tetos pós-ordenha (TIMM et al. 2000). Em termos de controle para eliminação de infecções subclínicas causadas por C. bovis, além da desinfecção dos tetos

após a ordenha, a terapia da vaca seca tem a mesma importância. Durante a lactação não se recomenda o tratamento dos casos subclínicos causados por Corynebacterium spp.