3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1. ANIMAIS E DESENHO EXPERIMENTAL.
3.3.7. CREATINA QUINASE
A creatina quinase (CK) é um dímero formado por duas subunidades: B e M. Essa proteína ocorre em três diferentes isoenzimas: BB (CK1), MB (CK2) e MM (CK3). Nos músculos esquelético e cardíaco, cérebro e intestino são observadas elevadas concentrações de creatina quinase.
Estudos de distribuição tissular mostram que no músculo esquelético predomina a isoenzima MM. O cérebro, assim como o trato gastrintestinal, contém isoenzima BB em maior concentração. Já no músculo cardíaco, cerca de 80% é composto da isoenzima MM e os outros 20% são compostos pela MB. Gunst et al. (1998) afirmam que a atividade da creatina quinase é um indicador comumente utilizado no diagnóstico de desordens do músculo estriado esquelético.
32 3.3.8. HEMOGLOBINA
A hemoglobina é a principal componente das hemácias, que atua no transporte de oxigênio. A determinação das concentrações de hemoglobina é importante no diagnóstico e na monitoração da evolução de anemias e policitemias. Segundo Brugnara et al. (2006), a mensuração direta da concentração de hemoglobina em células vermelhas sangüínea (reticulócitos) em estágios iniciais, pode auxiliar na identificação da deficiência de ferro em um tempo que outros parâmetros bioquímicos tradicionais não permitem. Também é utilizada na predição de distúrbios relacionados ao ferro descritos em correlação com o exercício extenuante (Moore et al. 1993).
3.3.9. URÉIA
A dieta hiperprotéica e a idade, particularmente a partir dos 40 anos, elevam fisiologicamente a concentração de uréia. Em situações em que o catabolismo se encontra elevado (febre, por exemplo), hemorragias internas, principalmente no trato gastrintestinal, além de falha no processo de excreção, também se verifica uma elevação nas concentrações de uréia. De acordo com Comtois et al. (1988), indivíduos desidratados usualmente apresentam uma elevada concentração sérica de uréia, em parte, esse aumento se deve ao aumento na reabsorção de uréia mediada pelo hormônio antidiurético (ADH). Em relação ao exercício, Hartmann e Mester (2000) afirmam que a uréia também serve como marcador biológico da intensidade de treinamento, inclusive como preditor do estado de sobretreinamento.
33 3.3.10. CREATININA
A creatinina é considerada como um excelente marcador da função renal, dada a sua constância de formação e excreção e, em razão de sua relativa independência de fatores, como dieta, grau de hidratação e metabolismo protéico, é utilizada, principalmente, como indicativo da filtração glomerular, servindo de indicador da função renal na prática clínica. A determinação da concentração de creatinina é um teste de função renal mais preciso que a uréia, dado que em virtude de doenças renais a concentração de creatinina se eleva mais vagarosamente que a de uréia, além de se reduzir mais vagarosamente na hemodiálise (Perrone et al. 1992).
3.3.11. GLICOSE
A glicose é o carboidrato mais importante para a manutenção das funções do organismo. Sua concentração está intimamente relacionada à ação da insulina.
Após uma refeição rica em carboidratos, a glicemia se eleva rapidamente, estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas endócrino que, por sua vez, estimula a captação e utilização de glicose para fins energéticos, em especial no músculo esquelético e fígado (que podem armazenar glicose na forma de glicogênio) e no tecido adiposo (na forma de gordura).
Valores elevados de glicose são observados no diabetes (do tipo I ou II), na intolerância à glicose e, em outras doenças tais como: hipertireoidismo, hiperpituitarismo e hiperadrenocorticalismo. Valores reduzidos são observados em estados hipoglicêmicos de origem multifatorial (McArdle et al. 1998).
34 3.3.12. SULFIDRILAS TOTAIS
De acordo com Ferreira e Matsubara (1997), de maneira simples, o termo radical livre refere-se a um átomo ou molécula altamente reativo, que contêm número ímpar de elétrons em sua última camada eletrônica. É este não-emparelhamento de elétrons da última camada que confere alta reatividade a esses átomos ou moléculas.
Na verdade, radical livre não é o termo ideal para designar os agentes reativos patogênicos, pois alguns deles não apresentam elétrons desemparelhados em sua última camada. Como em sua maioria, são derivados do metabolismo do O2. O termo “espécies
reativas do metabolismo do oxigênio” (ERMO) é o mais indicado para referirmo-nos a eles. As ERMO são encontradas em todos os sistemas biológicos.
Normalmente, a redução completa do O2 ocorre na mitocôndria, e a reatividade
das ERMO é neutralizada com a entrada dos quatro elétrons.
O excesso de íons metálicos, peróxido de hidrogênio, e radicais livres derivados de oxigênio nas células, encontra-se associado com uma variedade de efeitos deletérios que incluem a depleção de glutationa reduzida (GSH), oxidação de lipídios de membrana, modificação oxidativa de proteínas e danos à estrutura do DNA. As sulfidrilas têm um importante papel na biologia da célula, haja vista que o estado reduzido de grupos sulfidrilas da cisteína dita a estrutura nativa e/ou atividade de muitas enzimas, receptores, fatores de transcrição de proteínas, além do transporte de proteínas requeridas para manutenção da homeostase da célula. As células possuem eficientes sistemas removedores de radicais livres como, por exemplo, a superóxido desmutase e a glutationa peroxidase para proteger contra prováveis danos oxidativos.
De acordo com Mahan e Scott-Stump (2005), o óxido nítrico (NO) causa uma profunda e duradoura hiporesponsividade a vasoconstritores, como a que se observa no choque séptico. Como o NO reage com avidez com grupamentos sulfidrila (-SH). Como o óxido nítrico é um vasodilatador-chave, produzido por células endoteliais, além de inibidor da agregação plaquetária, da proliferação de células musculares lisas e da aderência de monócitos, sua combinação com os grupamentos sulfidrila pode atuar prejudicialmente, impedindo a ação do NO.
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A dosagem de sulfidrilas pode ser mais um indicativo do nível de estresse oxidativo ao qual o organismo é submetido, e assim predizer sobre a capacidade de resposta a um determinado estímulo. Proteínas como, por exemplo, a albumina que possui grupos –SH em sua estrutura, atuam como antioxidantes, logo, a dosagem de sulfidrilas pode ser usada para aferir o estresse oxidativo, pela dosagem dos grupos –SH totais.
No presente estudo foram determinadas as concentrações de sulfidrilas totais e livres e, subtraindo-se o segundo do primeiro, onde se estimou a concentração de sulfidrilas ligadas.
3.3.13. PARAOXONASE (PON)
Por estar associada à lipoproteína de alta densidade (HDL), acredita-se que a paraoxonase exerça uma função protetora contra a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) e, portanto, diminua o risco de doença arterial coronariana (DAC). Stafforini et al. (1993) e Watson et al. (1995), citados por Sanghera et al. (1998), relatam que estudos recentes indicaram que o HDL associado com duas enzimas – a paraoxonase e a acetil hidrolase - possui propriedades antioxidantes e antiinflamatórias.
Existem três genes que codificam a paraoxonase (PON 1, PON 2 e PON 3), os quais estão todos agrupados na mesma região no cromossomo 7. A gravidade da doença arterial coronariana, em termos de número de vasos doentes, é afetada por variações genéticas comuns no cluster do gene que codifica a PON.
De acordo com Mackness et al. (2000), a atividade sérica da enzima PON 1 está diminuída em indivíduos que tiveram infarto no miocárdio e em indivíduos acometidos por diabetes dos tipos I ou II. Mesmo no diabetes induzido por estreptozotocina, houve decréscimo na atividade sérica da PON. Esses dados dão suporte a hipótese de que o decréscimo na atividade da PON 1 poderia contribuir para o aumento da mortalidade por doença coronariana e está associada com o aumento da peroxidação de lipídios encontrada no diabetes. A dosagem de PON, então pode ser um valioso instrumento de
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determinação da predisposição a complicações causadas por estresse oxidativo, como na aterosclerose e no diabetes.
3.4. DOSAGENS