• Nenhum resultado encontrado

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.6 EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

4.6.3 Credibilidade da internet nos projetos locais

Afirmação*(Q.23) apresentada aos atores sociais participantes da pesquisa:

“A internet pode produzir e consumir tudo. As mídias sociais estão cada vez mais voltadas aos negócios, e inundadas de spam. Com isso, pode-se dizer que a internet não tem uma credibilidade suficiente, capaz de influenciar positiva ou negativamente projetos locais”.

A credibilidade é um dos conceitos fundadores do jornalismo, ao lado da objetividade e da verdade. A atividade, apesar de estar longe de ser respeitada como deveria, por ser praticada inclusive por quem nunca frequentou uma faculdade de comunicação, devido à falta de exigência do diploma, tenta se erigir apoiada nesses conceitos.

Apesar disso, Christofoletti e Laux (2008) enfatizam que “não há uma instância entre os fatos e o público que garanta a validade da informação, e cabe ao receptor decidir por,seus próprios meios, o que merece sua credibilidade e confiança”. Os autores mencionam que “essa triagem alcança contornos mais difusos nos dias atuais, quando há muitas formas de acesso à informação, o que é catalisado pela Internet (CHRISTOFOLETTI e LAUX, 2008, p.34)

De acordo com o ponto de vista de Brambilla (2005),

“em um cenário onde os veículos midiáticos transformam notícias em produtos, o público se torna cada vez mais cético. Esse comportamento está relacionado a mudanças viabilizadas pelo crescimento da internet com fonte de conteúdos alternativos, capazes de fornecer informações mais confiáveis que as veiculadas pelos meios tradicionais. “Isso não apenas quebra o ciclo da notícia como amplia seu espectro a uma escala cada vez mais privada” (BRAMBILLA, 2005).

Por outro lado, “sondagens internacionais já sinalizam o crescimento da confiabilidade de meios online em consequência da perda de credibilidade dos meios mais tradicionais” (Christofoletti e Laux, 2008, p.42).

Os representantes midiáticos de Santo Augusto e Santa Rosa também manifestaram suas versões a respeito da credibilidade da internet. Ambos consideram que as informações veiculadas em sites, blogs e, principalmente, nas redes sociais, têm que ser checadas pelo público também em outros veículos, porque há muita notícia falsa na web. E o representante da mídia de Santa Rosa complementa seu ponto de vista com o seguinte comentário:

“A internet pode tudo, pode publicar qualquer coisa, verdadeira ou não. Publica lá uma lei, as pessoas nem conferem o número daquela lei, se é real ou não é, e já vão compartilhando... mas eu percebo que aos pouquinhos, elas estão tomando consciência de checar se aquilo é verdadeiro ou não. Pra nós, as redes sociais são importantes, mas elas podem ter prejuízo de relevância ou de audiência também, porque as pessoas olham o que tem nas redes sociais, mas vão assistir ao jornal para ver se o que viram é verdadeiro. No nosso ponto de vista, o conteúdo e a credibilidade são os quesitos que mais contarão pontos para os veículos no futuro. As redes sociais também precisam encontrar formas de filtrar o conteúdo. Vejo muitas coisas positivas nos sites, como os grupos de negócios, por exemplo, mas acreditar em tudo o que está ali é sempre um risco” (Agente midiático de Santa Rosa, 2017).

Com base nestas informações e nos conceitos apresentados, realizou-se a pesquisa em Santo Augusto e Santa Rosa, confrontando os atores sociais com a *afirmação que dá início a este tópico. Apenas um entrevistado discordou totalmente da *afirmativa; 18 discordaram; sete concordaram com ressalvas; 23 concordaram; e um concordou totalmente.

O entrevistado que discordou totalmente da *afirmação respondeu que “cabe ao

internauta filtrar as informações. Na verdade, falta uma educação da população, ao acessar a internet, para que as pessoas possam fazer esse filtro. Cada dia mais as informações vão estar disponíveis, e os meios cada vez mais abertos para as pessoas exporem suas opiniões. Então, a população tem que estar educada suficientemente neste sentido, para ter este discernimento."

Entre os que discordaram, as explicações foram estas: “a internet tem credibilidade sim,

ela está muito voltada aos negócios, e o spam faz parte. Por isso, eu acho que ela certamente é capaz de influenciar os projetos locais”; "existem sites sérios, com credibilidade. Então, depende do canal em que a veiculação é feita, e não da internet em si"; “desde que se acesse sites confiáveis, que se saiba quem está produzindo o material, ela é um instrumento importante, e pode influenciar positivamente o desenvolvimento, de forma geral”; "os meios virtuais hoje têm um poder muito grande. Muitos canais podem não ter muita credibilidade,

mas filtrando, tem sim”. “Hoje o meio virtual tem uma influência muito grande, porque as pessoas têm essa comunicação na mão à hora que elas querem, basta haver discernimento pra poder separar o que tem lógica, do que não tem”. Vários deram respostas basicamente com o

mesmo teor, ao alegarem que discordam “porque a internet tem credibilidade suficiente para

influenciar tanto positiva, quanto negativamente”; “ela é capaz de influenciar vários projetos locais”; “positiva ou negativamente ela tem influência"; “ela tem esta potencialidade sim, justamente pelo fato de atingir um público maior”; “hoje todos têm acesso à internet, em todos os espaços, e determinados projetos podem interessar ao público, e isso acaba interferindo até nas ações do poder público, por exemplo, que às vezes tem que fazer diferente do que faria se não fosse a internet"; “Dependendo da forma como é utilizada, o segmento que se quer atingir, ela pode influenciar esse público, com certeza"; “talvez a internet como um todo não tenha credibilidade, mas alguns veículos podem construir sua credibilidade junto a ela. Muita gente não lê jornal, não ouve rádio, mas praticamente todo mundo participa das redes sociais, por exemplo"; "a internet tem credibilidade, tem poder, principalmente as redes sociais"; "nós temos que pensar no local inserido no global"; “hoje não tem como fugir da internet, que tem ferramentas muito ágeis para se alcançar o que se deseja. Nós mesmos temos utilizado a internet, e medido os resultados, e por isso dá pra afirmar que ela tem contribuído, para influenciar projetos, com certeza."

Dos que concordam com ressalvas, praticamente todos mencionaram o fato da internet não ter credibilidade suficiente, mas influenciar mesmo assim. "Que a internet não tem uma

credibilidade suficiente, é verdade, justamente porque ali vale tudo, mas ela influencia sim."

Referindo-se à rotina produtiva do jornalismo online, Adghirni (2004) descreve que “a quantidade de notícias está acima da sua qualidade, a velocidade vale mais que a veracidade; a maior parte do conteúdo dos sites noticiosos é “cópia de material de outros veículos”, notadamente agências, em detrimento da elaboração e apuração jornalísticas; erros e falhas nas notícias veiculadas são recorrentes. “Boa parte da credibilidade dos sites de notícia vem de seus parceiros ou controladores da mídia tradicional” (ADGHIRNI, 2004, p.3).

Os que concordam, alegaram que “na internet, é difícil de se distinguir o que é e o que

não é verdadeiro"; “inclusive tem um percentual muito grande de coisas falsas, muitos boatos, e aí já vão começar em cima daquilo que não é verdade, as pessoas foram induzidas." "Concordo, porque acredito que a internet ainda não tem a credibilidade do rádio, por exemplo..." O entrevistado que concordou totalmente com a *afirmação acredita que “não se pode dar guarida a tudo o que vem da internet, não tem credibilidade."

Gráfico 37: Resp. Q.23-A.M. Gráfico 38: Resp. Q.23-A.P. Gráfico 39: Resp. Q.23-A.E.

Fonte: dados da pesquisa. Fonte: dados da pesquisa. Fonte: dados da pesquisa.

Os gráficos 37, 38 e 39 mostram a disparidade do resultado da pesquisa sobre este tema, entre três grupos de atores consultados: o midiático, o político e o da educação. Através deles, percebe-se que 30% dos atores midiáticos discordaram da *afirmação; 40% concordaram com ressalvas; 20% concordaram, e 10% concordaram totalmente. Dos atores políticos, 50% discordaram; 10% concordaram com ressalvas; e 40% concordaram. E em relação aos atores da educação, 10% discordaram totalmente, e 90% concordaram. Ou seja: 30% dos comunicadores disseram que confiam na internet, mas os que acreditam que, devido à falta de credibilidade, ela não influencia projetos locais, dividem-se entre os que optaram por responder “concordo com ressalvas”, “concordo” ou “concordo totalmente”. Mas, como os que concordaram com ressalvas alegam que “a internet não tem credibilidade, mas influencia”, pode-se dizer que o número de comunicadores que acreditam que a internet é capaz de influenciar projetos locais é de 70%. Entre os atores políticos, a confiabidade nos meios virtuais é maior do que os que concordaram com a *afirmação, e levando-se em conta as alegações dos que concordaram com ressalvas, 60% avaliam que a internet tem essa capacidade de influência. Já os atores da educação, são bem céticos, com apenas 10% julgando que a internet tem credibilidade suficiente para influenciar positiva ou negativamente algum projeto local, e 90% concordando que ela não tem essa condição.

O resultado total da pesquisa aponta que os que concordaram com ressalvas consideram a internet um veículo sem credibilidade, mas capaz de influenciar positiva ou negativamente qualquer tipo de projeto, a porcentagem dos que confiam nos meios virtuais é de 55%. Os que concordam simbolizam uma parcela bastante expressiva de representantes da comunidade, no caso, os 45% restantes. Assim, mesmo que com uma certa paridade entre os que confiam e os que “nem tanto”, nas notícias publicadas na internet, a confiança neste meio de comunicação prevalece.