3. VAMPIRO: QUE SER É ESSE?
3.8. CREPÚSCULO, DE STEPHENIE MEYER
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Stephenie Meyer30 publicou, em 2005, o primeiro livro da saga Crepús- culo, de mesmo título. Embora tenha preservado elementos-chave característicos do vampiro, ainda que com algumas adaptações, tais como: força e velocidade extremas, beleza e juventude eternas, e sede de sangue, o romance incorporou novos dados ao morto-vivo. Sua criação é mais romântica e não tanto sexual e sensual, embora sexo e sedução estejam presentes de maneira mais tênue no romance. Além disso, Os Cullen, família vampira que faz parte do eixo principal da narrativa, preferem a noite ao dia não por uma necessidade, mas porque suas peles brilham quando estão no sol. Como se isso não fosse diferente o suficiente, seus vampiros não dormem, não têm medo de elemen- tos religiosos e possuem, cada um, poderes únicos.
Figura 5 - Capa da 1ª edição brasileira (2005) / Fonte: fotografia do acervo pessoal.
30 Estadunidense, nascida em 1973, a escritora traz para os livros da saga Crepúsculo, elementos de sua
vida pessoal, como por exemplo: um clássico casamento religioso e filhos - a autora tem três crianças, frutos de seu matrimônio, enquanto sua protagonista, Isabella Swan, tem uma. Suas principais obras são os livros que compõem Twilight (Crepúsculo, Lua Nova, Ecplipse e Amanhecer, todos publicados na primeira década do século XXI). Fonte: http://www.geracaobooks.com.br/releases/?id=222. Acesso em 29 de abril de 2015.
33 Figura 6 - Edward Cullen brilhando no sol / Fonte:
https://queriaservampyra.wordpress.com/2010/09/02/would-you-miss-the-sun/.
Como se fosse um Romeu e Julieta31 do século XXI, a obra narra a his- tória de amor entre Bella Swan, humana, e Eward Cullen, vampiro. Os jovens se conhe- cem no colegial, mais precisamente no ensino médio, e se encantam um pelo outro. Edward consegue ler mentes, por isso não se interessa por nenhuma das garotas fúteis da escola, no entanto, quando conhece Bella descobre que é impossível acessar seus pensamentos, e logo desenvolve uma certa obseção pela garota, que em seguida, se tor- na amor. A adolescente, por sua vez, é uma garota normal que, como as demais, nota a beleza estonteante do misterioso, pálido e discreto colega assim que o vê pela primeira vez. Logo o casal inicia um romance proibido, entre uma mortal e um imortal, e o que parecia impossível acontece: o vampiro se apaixona pela humana; o caçador, pela sua caça; ou como diz o herói da história: "- [...] o leão se apaixona pelo cordeiro..." (ME- YER, 2005, p.123); indo na contramão do que costuma-se ver nas narrativas de Litera- tura Vampírica, uma vez que o vampiro costuma ser descrito como uma criatura extre- mamente sexual e predadora, que encherga os humanos como meras bolsas de sangue com as quais podem alimentar-se e se satisfazer sexualmente. Contudo, ainda que ro- mantize o sanguessuga, a autora também o descreve de forma animalesca e sexualizada,
31 Peça trágico-romântica do século XVI escrita por William Shakespeare, que narra a história de Romeu
e Julieta, jovens apaixonados que não podem viver seu grande amor por conta de uma antiga rivalidade entre suas famílias. Para mais informações, consultar: http://www.infopedia.pt/$romeu-e-julieta. Acesso em 20 de abril de 2015.
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afinal, em uma das passagens da obra Edward diz a Bella que o sangue da amada é co- mo se fosse uma droga para ele, na qual é viciado, conforme consta no excerto a seguir, retirado da obra (MEYER, 2005, p.120):
Um momento se passou enquanto ele assemelhava seus pensamentos. - Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores? - ele co- meçou. - Como alguns gostam de sorvete de chocolate, outros prefe- rem morango?
Eu afirmei com a cabeça.
- Me desculpe pela analogia á comida, eu não conseguia pensar em outra forma de explicar.
Eu sorri. Ele sorriu de volta sem graça.
- Entenda, cada pessoa cheira diferente, tem uma essencia diferente. Se você colocasse uma pessoa alcólotra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia resistir, se ela quisesse, se ela fosse uma alcólica em reabilitação. Agora digamos que você coloca nessa sala uma garrafa de brandy de cem anos, o conhaque mais raro, mais fino, que enche a sala com o seu aroma, como você acha que ela reagi- ria?
Nós sentamos em silêncio, olhando para os olhos um do outro, tentan- do ler os pensamentos um do outro.
Ele quebrou o silêncio primeiro.
- Talvez essa não seja a comparação certa. Talvez fosse fácil demais recusar o brandy. Talvez o nosso alcólico devesse ser um viciado em heroína.
- Então, o que você está dizendo é que eu sou a sua injeção de heroí- na? - eu brinquei, tentando melhorar o clima.
Ele sorriu brevemente, parecendo apreciar meu esforço. - Você é exa- tamente minha injeção de heroína.
Fica claro após a leitura da passagem destacada, que, embora o Cullen de cabelos aco- breados ame Isabella Swan, ele a vê como uma presa em potencial, assim como os de- mais vampiros da Literatura Gótica vêem os seres humanos, o que atribui ao livro uma característica um tanto quanto contraditória e questionável.
Repleto de romantismo e ação, o livro não só apresenta um vampiro no estilo dos príncipes encantados dos contos de fadas, que sonha em viver um amor cris- tão, consagrado pelo casamento religioso, como também faz um intertexto com Entre- vista com o vampiro, de Anne Rice, ao criar um clã inteiro formado por sanguessugas que se alimentam somente de animais, a família post mortem de Edward, os Cullen.
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Além disso, desenvolve um conflito na luta entre o bem e o mal, entre os bons vampiros e os malvados (que tomam sangue humano), ao fazer com que o príncipe encantado de caninos grandes — caninos não, todos os seus dentes são afiados, mais prolongados e mortais — saia em uma jornada de vida ou morte para salvar sua amada das garras de James, um chupa-sangue tradicional: sedento por sangue, sádico e poderoso.
Assim como outras obras literárias, Crepúsculo ganhou adaptações tanto de seu primeiro livro, como do restante das obras que compõem a saga. Nesse caso, não foi apenas para o cinema que foi adaptado, mas para os quadrinhos também. O romance ganhou o longa-metragem de mesmo título em 2008 sob a direção de Catherine Hardwicke. Já no mundo das revistas em quadrinhos, foi intitulado Crepúsculo — Gra- fic Novel32, e foi publicado pela primeira vez em 2010.
Figura 7 - Capa da Graphic Novel brasileira / Fonte:
http://dailyofbooks.blogspot.com.br/2013/04/graphic-novel-voce-gosta.html.
A saga conta, ainda, com sites e páginas da internet33, tendo alcançado também o espaço
da hipermídia. Alguns deles são oficiais, como o site produzido pela Editora Intrínseca, responsável pelas publicações brasileiras de Crepúsculo, de mesmo nome do título- símbolo da série — http://www.intrinseca.com.br/crepusculo/home/index.php — e a página produzida pelo canal de televisão TELECINE, presente na rede social Facebook,
32 Para mais informações, consultar: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/840314-crepusculo-
ganha-versao-em-quadrinhos-veja-imagens.shtml e http://issuu.com/odt2013/docs/crepusculo_i. Acesso em 20 de abril de 2015.
36 Saga Crepúsculo: https://www.facebook.com/tc.crepusculo. Outros são criações dos fãs de Twilight, tais como: o famoso Foforks (http://foforks.com.br/), e Frases de
Crepúsculo (https://www.facebook.com/pages/Frases-de-
Crep%C3%BAsculo/193440500747921), do face, assim como a primeira.