No acompanhamento da evolução da estatura da criança pode ocorrer uma das
seguintes situações 41, 52, 53:
◗ desaceleração da curva do crescimento - a
criança tem seu percentil de estatura acima do 10 (-1,3 escore Z), mas entre as últimas consultas sua estatura caiu em termos de percentis;
◗ zona de vigilância de crescimento (ZVC)
- a criança tem sua estatura entre os percentis 10 e 3 (ou 2,3) (entre -1,3 e -2 escore Z). Estas duas situações indicam uma situação de risco para baixa estatura;
◗ baixa estatura - a criança tem sua estatura
abaixo do percentil 3 (ou 2,3) (abaixo do -2 escore Z).
No trabalho do CREN tem sido utilizado um nível de corte mais sensível para o diagnóstico da baixa estatura – percentil 5 ou -1,6 escore Z (ver quadro 4).
Após a avaliação clínica, o passo seguinte no esclarecimento do diagnóstico da BE é a solicita- ção da idade óssea e a elaboração de um perfil do crescimento. Esse perfil do crescimento pode ser calculado pela comparação da idade óssea com a idade cronológica, a idade peso (idade que a criança teria se o seu peso estivesse no percentil 50) com a idade estatura. No caso da BE por desnutrição, a idade óssea está abaixo da idade cronológica e entre a idade peso e a idade estatura, também chamadas de idade somática53.
É importante lembrar que a avaliação da baixa estatura não poderá ser feita exclusivamente pela antropometria, sendo fundamentais a avaliação da situação socioeconômica da família e a rea- lização da uma anamnese alimentar de maneira adequada, conforme serão comentadas em itens específicos a seguir.
Saúde
Parte
3
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prato, e a balança pediátrica eletrônica, portátil com boa sensibilidade e capacidade para 15 kg e variações de 5 gramas, na qual é acoplado um berço de acrílico.
Balança pediátrica manual.
!
Como a causa mais importante de BE em nosso meio é a DEP, somente depois dessa avaliação (condição socioeconômica e anamnese alimentar) pode-se pensar em BE não nutricional. Isso deve ser considerado mesmo para as crianças em que a baixa estatura está dissociada da pobreza.
No CREN, a intervenção alimentar tem permitido a recuperação da estatura mesmo em crianças que nasceram PIG ou cujo canal de crescimento inicialmente era paralelo ao percentil 3.
1.6 COMO OBTER AS MEDIDAS NE-
CESSáRIAS PARA A AVALIAÇÃO DO
ESTADO NUTRICIONAL
As variáveis coletadas para a avaliação do estado nutricional pela antropometria são o peso (quilogramas), a estatura (comprimento ou altura em centímetros), a idade (meses) e o sexo.
a) Peso:
Para a aferição do peso de crianças de 0 a 2 anos de idade são utilizadas a balança pediátrica manual com capacidade para 15 kg
e variações de 10 gramas, na qual é acoplado um
Balança pediátrica eletrônica
Balança tipo plataforma.
Balança tipo gancho. Acima de 2 anos de idade
é usada a balança
do tipo plataforma com
capacidade para pesar crianças e adultos até 150 kg e a
balança eletrô- nica portátil com
boa sensibilidade e capacidade para pesar crianças e adultos até 180 kg.
Em situações de avaliação nutricional ou de acompa-
nhamento de crianças em nível comunitário poderão ser utilizadas as balanças tipo gancho. Essas balanças têm capacidade para 25 kg e divisão da régua de 100 g. Seu comprimento é de 785 mm e seu peso é de 2.880 g.
Nunca se deve pesar crianças com fraldas, roupas pesadas, segurando objetos, com pulseiras, presilhas ou adereços no cabelo e pescoço. Também é fundamental que a superfície onde a balança esteja apoiada seja a mais reta possível, e a balança seja tarada a cada medida.
Balança eletrônica portátil.
Saúde
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4
b) Estatura (comprimento e altura):
Para obter o comprimento de crianças meno-
res de 2 anos utiliza-se um medidor
chamado infantômetro. Este medidor é colocado sobre uma superfície firme e dura e a criança é colocada deitada en- tre as placas de madeira do medidor. Há
duas plataformas de madeira acopladas à régua de madeira, graduada em cm, formando ângulos de 90º. Uma delas é fixa, com a marca zero, na qual será encostada a cabeça da criança. A outra é móvel, ajustada aos pés da criança para permitir a leitura de sua esta- tura. Uma pessoa deve segurar a cabeça da criança e outra, as pernas e os pés. Os joelhos de- vem estar esticados e os dedos dos pés apontando para cima, para que a parte móvel do medidor se encontre bem apoiada contra os calcanhares. Tomam-se as medidas até que duas delas não sejam diferentes entre si em mais de 0,1 cm.
Para crianças maiores de 2 anos mede-se a altura com o antropômetro vertical que acompa-
nha a balança antropométrica. Pode-se utilizar também antropômetro de madeira especialmente construídos para essa finalidade. Outra possibilidade é a utilização de uma fita
métrica com divisões em centímetros e
subdivisões em milímetros. Esta fita métrica é fixada em uma parede, sendo que esta não deve ter rodapé e ser plana. As costas da criança devem ser apoiadas no local onde a fita métrica está fixada e em seguida desliza-se um esquadro de madeira com ângulo de 90º sobre a fita, até que ele toque a cabeça.
O vértice do esquadro que toca a fita (ângulo de 90º) marca a altura da criança. Tomar as medidas até que duas delas não sejam diferentes entre si em mais de 0,5 cm.
Em todos os casos, a criança deve permanecer com os braços estendidos ao longo do corpo, os pés juntos e os calcanhares, os glúteos e os ombros tocando a superfície da parede. Fita métrica. Infantômetro. Antropômetro horizontal de madeira, com fita métrica de 100 cm e escala de 1 mm.
2. ANAMNESE ALIMENTAR
A anamnese alimentar tem como principal con- tribuição ao diagnóstico e ava- liação nutricional a indicação da presença do principal fator de risco, que é uma alimenta- ção deficiente.
É utilizada como ativida- de de rotina, consistindo na obtenção de informações qualitativas e quantitativas sobre o consumo e hábitos alimentares do indivíduo.
Entre os métodos de anamnese alimentar, o recordatório 24 horas é freqüentemente utilizado, consistindo na obtenção de informações quanti- tativas sobre o consumo alimentar individual ou familiar por um dia.
Outros métodos são54:
◗ registro diário do consumo alimentar
– consiste no registro quantitativo diário do consumo alimentar pelo próprio indivíduo ou pelo responsável por ele;
◗ pesos e medidas – recomendado pela FAO,
consiste em registrar minuciosamente as quantidades de alimentos a serem consu- midos através da pesagem direta do que foi oferecido e do que sobrou;
◗ método do inventário – mais simples que o
anterior, consiste em pesar os alimentos exis- tentes no primeiro e no último dia do período investigado;
◗ orçamento familiar – consiste na obtenção de
informações sobre os gastos familiares com alimentação e sobre a quantidade e qualidade dos alimentos adquiridos semanalmente, quin- zenalmente ou mensalmente;
◗ freqüência do consumo dos alimentos – utiliza
como instrumento de investigação a relação de todos os alimentos básicos que formam o pa- drão alimentar do país, região ou localidade, resultando em informações qualitativas sobre o consumo diário, semanal e mensal;
◗ técnicas combinadas de inquérito dietético
– por exemplo, o método do inventário e regis- tro diário do consumo alimentar.
Para a anamnese
alimentar, um
bom método é a
coleta da história
e freqüência
alimentares
Atendimento ambulatorial.Saúde
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50 Na experiência do CREN tem-se mostrado
mais eficiente a anamnese alimentar por meio dos instrumentos de inquérito sobre a freqüência alimentar
e a história alimentar, buscando informações
referentes ao consumo de alimentos durante a semana e no fim de semana, com o objetivo de avaliar especialmente o comportamento alimentar da criança.