• Nenhum resultado encontrado

Crescimento e Desenvolvimento de Ramos Produtivos

No documento Download/Open (páginas 45-50)

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.2. Crescimento e Desenvolvimento de Ramos Produtivos

Nas Figuras 10, 11 e 12, a primeira observação sobre a atividade vegetativa das videiras destaca a diferença de crescimento dos ramos entre as duas épocas de poda, quanto ao comprimento, diâmetro e crescimento foliar acumulado.

Figura 10. Valores médios de comprimento dos ramos da videira ‘Niagara Rosada’, em duas épocas de poda: ( ) 01-08-11 e ( ) 07-09-11. Cardoso Moreira-RJ.

Figura 12. Valores médios de área foliar acumulada (ramo) da videira ‘Niagara Rosada’, em duas épocas de poda: ( ) 01-08-11 e ( ) 07-09-11. Cardoso Moreira-RJ.

Figura 11. Valores médios de diâmetro dos ramos da videira ‘Niagara Rosada’, em duas épocas de poda: ( ) 01-08-11 e ( ) 07-09-11. Cardoso Moreira-RJ.

Verifica-se que o desenvolvimento dos ramos das videiras que receberam a poda no dia 01-08-11 (módulo A) foi inferior ao das videiras que receberam a poda no dia 07- 09-11 (módulo B). A variação dos valores médios de área foliar (AF) e de diâmetro do ramo ao longo do tempo é representada pela função exponencial polinomial do 2º grau, ou seja, durante o período de estudo houve aumento dos valores até atingir o seu máximo, diminuindo em seguida. Já no caso do comprimento de ramo, não foi possível ajustar um modelo matemático pelo método funcional devido ao pequeno número de avaliações, limitado pela prática de desponte apical.

Enquanto que os ramos das plantas do módulo A alcançaram durante o ciclo em média 54,2 cm de comprimento, 6,5 mm de diâmetro e 1837 cm² de área foliar, os ramos das plantas do módulo B tiveram um crescimento médio de 63,5 cm, 8,7 mm e 3447 cm², respectivamente. Busato (2010) encontrou valores de comprimento dos ramos variando entre 54,3 e 71,6 cm, em experimento com videira ‘Niagara Rosada’, aos 28 dias após a brotação (DAB) e esta variação aumentou para valores entre 169,2 e 210,4 cm, aos 56 DAB, em função da dose de nitrogênio aplicada.

Diante dos resultados da análise química foliar realizada no momento do florescimento (Anexo V), em que indicou o excesso de nitrogênio (N) no módulo A e ligeiro excesso no módulo B, pode-se deduzir que o elemento não foi um fator limitante do crescimento. No entanto, o menor comprimento médio dos ramos pode ser explicado pela prática de poda do meristema apical (retirada de cerca de 1 cm no ápice do broto), efetuada na véspera do florescimento, para favorecer o pegamento dos frutos, em detrimento do menor vigor dos ramos no momento do florescimento. Na Figura 10, verifica-se que o comprimento médio de ramos apresentou incrementos até os 22 DAB para o ciclo A e até os 32 DAB para o ciclo B. Pelo exposto, nota-se que os ramos no ciclo A tiveram a paralisação do crescimento após a brotação em menor período, quando comparado com o ciclo B, que prolongou em exatamente 10 dias. Fato este que pode ser explicado pela menor temperatura média do ar observada justamente no momento da redução do crescimento (Anexo VI), ou seja, antes do florescimento e durante para os ciclos de produção A e B, respectivamente.

Quanto ao diâmetro médio de ramos (Figura 11), representado pelas seguintes equações exponenciais polinomial de 2º grau: y = exp (-0,0004311x2 + 0,0344733x + 1,1958244) para o ciclo de produção A e y = exp (-0,0001617x2 + 0,0218492x + 1,4778861) para o ciclo de produção B, onde “x” corresponde ao número de dias após a brotação, observa-se que houve um período de rápido crescimento, atingindo o ponto

máximo aos 39 DAB (6,58 mm) para a poda realizada no dia 01-08-11 e aos 67 DAB (9,17 mm) para a poda do dia 07-09-11, com posterior queda no diâmetro médio acumulado.

Na Figura 12, a variação no tempo da área foliar média dos ramos é adequadamente descrita pelas curvas y = exp (-0,0023295x2 + 0,1976191x + 3,3403093) e y = exp (-0,0010056x2 + 0,1282851x + 4,2183072) para os ciclos de produção A e B, respectivamente, sendo “x” o número de dias após a brotação. Inicialmente, a AF média dos ramos apresentou um rápido crescimento (fase exponencial), ultrapassando 80% do total acumulado aos 30 DAB para ambos os ciclos de produção por ocasião do florescimento pleno e frutificação até alcançar o ponto máximo, com valores estimados de 1865,11 e 4060,4 cm², aos 42 e 63 DAB, respectivamente, para a poda realizada nos dias 01-08-11 e 07-09-11, e posteriormente houve a redução do crescimento com a senescência foliar. Observa-se que no ciclo A as plantas tiveram um período menor de crescimento em área foliar quando comparado com o ciclo B, isto é, 21 dias a menos. Aos 20 DAB as curvas começaram a se diferenciar, definindo a partir dos 50 DAB, o ciclo B como de maior produção de área foliar. Embora a temperatura média não tenha apresentado diferença, durante este período (07/09 a 07/10 no ciclo A e 12/10 a 11/11 no ciclo B) verifica-se a ocorrência de baixo volume de precipitação no ciclo A, cerca de 16 mm, enquanto que no ciclo B foram registrados 173 mm (Anexo VI), logo assim, a umidade do ar mais elevada, reduzindo o “déficit” de pressão de vapor do ar, bem como a menor densidade do fluxo de fótons fotossintéticos em função da presença de nuvens, pode ter favorecido o crescimento foliar dos ramos no ciclo B, com a maior expansão das folhas.

A ocorrência de uma deficiência hídrica moderada pode resultar em redução do crescimento e da produção. Alguns estudos demonstraram que o estresse hídrico diminui o crescimento da parte aérea, sendo que, o crescimento do caule é mais afetado em relação ao lançamento de folhas. Entretanto, a diminuição do crescimento dos ramos pode causar ainda uma redução da área foliar, e consequentemente da capacidade fotossintética das plantas (ASSIS et al., 2006).

Nas Figuras 13 e 14 é demonstrada a taxa de crescimento absoluto dos ramos, relacionada ao diâmetro (mm dia-¹) e área foliar (cm² dia-¹), para a poda realizada no dia 01-08-11 (ciclo A) e 07-09-11 (ciclo B). Nota-se que a taxa de crescimento absoluto em ambas as podas apresentou comportamento diferente em relação ao diâmetro (TCAD) e área foliar do ramo (TCAF).

A TCAD foi inicialmente maior, com 0,11 mm dia-¹ e 0,99 mm dia-¹ no ciclo A e B, respectivamente, e em seguida observa-se uma queda acentuada até pouco depois do florescimento (fase de “chumbinho”, bagas com 4-5 mm), no ciclo A, prolongando-se um pouco mais no ciclo B, até 67 DAB, na fase de compactação dos cachos, e posteriormente seguiu apresentando redução com valores negativos até a última coleta, em ambos os ciclos de produção (Figura 13). Quanto a TCAF, inicialmente foi pequena, e aumentou rapidamente até atingir o ponto máximo de 77,23 e 110,46 cm² d-1, respectivamente, no ciclo A e B, com posterior queda até o início do crescimento das bagas (fase de “chumbinho”) no ciclo A, aos 43 DAB e até a fase de compactação dos

Figura 13. Taxa de crescimento absoluto em diâmetro (TCAD) dos ramos da videira ‘Niagara Rosada’ nos ciclos de produção A ( ) e B ( ). Cardoso Moreira-RJ.

Figura 14. Taxa de crescimento absoluto foliar (TCAF) dos ramos da videira ‘Niagara Rosada’ nos ciclos de produção A ( ) e B ( ). Cardoso Moreira-RJ.

cachos (bagas com 14-16 mm) no ciclo B, aos 67 DAB, passando a ser negativa até a última coleta, assim como a TCAD (Figura 14). De acordo com Kliewer (1990), no início do desenvolvimento ocorre a utilização de carboidratos dos ramos, braços e esporões, que vai da brotação até pouco antes do florescimento, quando a taxa de alongamento dos ramos geralmente começa a diminuir consideravelmente. Próximo a essa época há um curto período em que a quantidade de carboidratos utilizada é aproximadamente igual à armazenada da fotossíntese corrente, chamado “período de autossuficiência”. Logo após esse período, há um armazenamento líquido e acúmulo de carboidratos nos tecidos lenhosos (ramos, esporões, braços, tronco e raízes). Também, logo após a diminuição do ritmo de alongamento dos ramos, os carboidratos começam a se acumular nos frutos, de forma lenta no início, e acelerando-se à medida que os mesmos se aproximam da maturação. Sendo assim, constatou-se que os decréscimos na TCAD e TCAF foram mais intensos no ciclo de produção A, indicando uma maior translocação de fotossintatos em relação aos frutos.

No documento Download/Open (páginas 45-50)

Documentos relacionados