serviços dá se o nome de crescimento econômico, o qual é obtido pela variação do uso dessa capacidade de um período para outro. O crescimento econômico pode ser medido em termos nominais ou reais, sendo que neste último caso ajusta-se o índice de crescimento econômico pela inflação do período analisado. Embora existam medidas alternativas, tradicionalmente mede-se o crescimento econômico por meio da variação do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
De acordo com as teorias econômicas mais recentes (neoclássicas), “em sua forma mais simples, a capacidade de produção de bens e serviços de uma economia está diretamente relacionada à disponibilidade de capital físico (máquinas e equipamentos), mão de obra, capital humano e tecnologia” (NÓBREGA; RIBEIRO,
2016, p. 260). No entanto, a ideia de desenvolvimento sustentável8 se apresenta
como uma questão adicional a ser considerada ante o crescimento econômico. A seguir faz-se uma rápida e preliminar revisão da literatura acerca do crescimento econômico e meio ambiente.
Possivelmente o primeiro estudo a abordar essa questão foi o desenvolvido pelo economista clássico Thomas R. Malthus em 1798. A necessidade de se oferecer às populações futuras as mesmas condições e recursos naturais de que dispõe a população atual levou a preocupação com a preservação do meio ambiente. Malthus (1798) argumenta que mais cedo ou mais tarde haveria estrangulação da produção de alimentos que, segundo ele, cresce de forma linear, enquanto que a população cresce de forma exponencial. O crescimento linear se dá de forma aritmética, já o exponencial ocorre de forma geométrica. Assim, o crescimento da população seria sempre maior que o da produção de alimentos. No entanto, ele não considerou os avanços tecnológicos na área de produção de alimentos nem a redução das taxas de natalidade.
A discussão da questão apontada por Malthus, juntamente com novos elementos, foi retomada em abril de 1968, quando um grupo de pessoas formado por cientistas, economistas, humanistas, industriais e funcionários públicos, representantes de vários países, se reuniram em Roma para discutir, em termos mundiais, temas relacionados ao meio ambiente e à utilização de recursos naturais de forma indiscriminada. Pelo fato de a reunião ter acontecido em Roma o encontro recebeu o nome de Clube de Roma, que teve como objetivo examinar o seguinte conjunto de problemas comuns aos países: i) deterioração do meio ambiente; ii) aceleração da industrialização; iii) degradação dos recursos naturais não renováveis; iv) aumento dos indicadores de desnutrição; e v) rápido crescimento populacional (MEADOWS; MEADOWS; RANDERS, 1972).
Para o propósito deste estudo, a contribuição mais importante do Clube de Roma foi o relatório que aquela instituição encomendou ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), que abordou temas relacionados aos recursos naturais e meio ambiente, propondo o princípio de desenvolvimento sustentável. Naquele relatório foi
8 Desenvolvimento Sustentável é a capacidade que a humanidade tem de atender às suas necessidade no presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades” (BRUNDTLAND, 1987).
apresentada uma prospecção sobre a utilização dos recursos naturais, chegando-se à mesma conclusão de Malthus (1798), de que o sistema tenderia a entrar em colapso se as ações humanas em relação ao meio ambiente não fossem repensadas imediatamente (MEADOWS; MEADOWS; RANDERS, 1972). Era preciso conciliar crescimento econômico com a preservação do meio ambiente.
Contudo, quando se fala em limite para o crescimento, o enfoque atual é ligeiramente diferente daquele dado por Malthus e posteriormente ratificado por Meadows. Enquanto eles se preocupavam com a exaustão dos recursos naturais ante o crescimento exponencial da população como entrave ao crescimento econômico, estudos mais recentes apontam que o problema que se enfrenta agora está mais relacionado aos benefícios indiretos (serviços de regulação) do capital natural, importantes para a saúde e bem-estar das pessoas.
Para se entender melhor o que seriam esses serviços de regulação propiciados pela natureza (capital natural) recorre-se a Duraiappah et al. (2005), que classificam os serviços providos pelo meio ambiente em quatro categorias:
Serviços de regulação - benefícios obtidos com a regulação de processos naturais, incluindo a qualidade do ar, clima, água / inundação, erosão, purificação de água, controle de doenças e pragas, polinização, contenção da poluição.
Provisão de serviços – produtos obtidos direto do ecossistema, incluindo água doce, alimentos, fibra (madeira, algodão, lenha), recursos genéticos, bioquímicos, medicamentos naturais e farmacêuticos, etc. Serviços culturais - benefícios não materiais que as pessoas obtêm
dos ecossistemas através de enriquecimento espiritual, desenvolvimento cognitivo, reflexão, recreação e prazeres estéticos. Serviços de apoio - serviços necessários para a produção de todos os
outros serviços ecossistêmicos, incluindo a formação do solo, a fotossíntese, a produção primária, o ciclo de nutrientes e o ciclismo de água.
Assim, por muito anos, dentre os benefícios providos pelo meio ambiente, a possibilidade de estagnação da citada Provisão de Serviços foi vista como um limite para o crescimento econômico (MEADOWS; MEADOWS; RANDERS, 1972). No
entanto, recentemente tem ficado evidente que o limite para o crescimento pode não ser a quantidade limitada de matéria-prima que a natureza oferece, mas os Serviços de Regulação dos processos naturais que a natureza proporciona (BROCK; TAYLOR, 2005; DURAIAPPAH et al., 2005). Para o combustível fóssil, por exemplo, que é não renovável, alternativas interessantes vêm sendo utilizadas de forma crescente, como a energia solar, eólica, hidroelétrica, biomassa, etanol etc. Paralelamente à mudança gradativa da matriz energética, está em franca expansão o uso de veículos movidos a eletricidade, dispensando o uso do combustível fóssil, que por ser finito poderia impedir o desenvolvimento. A tecnologia também está ajudando a produzir alimentos de uma forma que Maltus talvez nem pudesse imaginar.
Isso não quer dizer que a questão da exaustão dos recursos naturais não seja preocupante, mas o problema crítico que ora se apresenta relaciona-se mais fortemente à questão da poluição, dos resíduos industriais e da falta de água potável, num sentido mais amplo. Mais especificamente a questão da emissão dos GEE, que provoca o aquecimento global, seguramente está aumentando a temperatura do planeta e causando consequências negativas para a vida de muitas espécies.
Assim, o Serviço de Regulação vem recebendo mais atenção por parte dos pesquisadores, principalmente após os anos de 1990. Foi a partir desse período que começaram a surgir pesquisas empíricas com mais intensidade, as quais só foram possíveis a partir da mensuração e monitoramento dos indicadores ambientais. Por meio do serviço de regulação, a natureza dissipa o ar prejudicial, a água e os poluentes sólidos, funciona ainda como lugar de depósito de milhões de toneladas de lixo, muitas vezes compostos por produtos químicos e tóxicos. Quando a capacidade do meio ambiente de dissipar ou absorver resíduos é excedida, a qualidade ambiental diminui e a resposta a essa redução de qualidade pode, por sua vez, limitar o crescimento econômico (BROCK; TAYLOR, 2005). O crescimento pode ser limitado porque as reduções na qualidade ambiental exigem medidas mais intensas para redução das emissões e limpeza, que diminuem o retorno do investimento, afetando assim o desempenho da economia.
O problema das emissões dos GEE é ainda agravado uma vez que essas medidas de limpeza ou redução de emissões possuem custos nem sempre fáceis de serem atribuídos aos responsáveis pelo dano ao ambiente. Embora há algum tempo
seja possível categorizar os recursos naturais em renováveis (florestas, água, plantações) e não renováveis (gás, minério, petróleo), o foco das ações de preservação do meio ambiente recai mais facilmente sobre os fatores para os quais já existem direitos de propriedades definidos. Para os bens possíveis de serem atribuídos valores econômicos, a precificação age restringindo ou limitando o uso de recursos como petróleo e água potável, por exemplo. Essa precificação é que permite de certa forma internalizar os custos ambientais e reduzir a pressão sobre os recursos naturais dessa natureza. Já os recursos naturais como água dos mares e rios, o ar que respiramos ou a camada de ozônio não possuem valor econômico (direito de propriedade definidos), o que permite o surgimento de externalidades negativas, uma vez que o causador do dano ambiental não arca com os custos desses danos, repassando-os a toda sociedade.
Em suma, observando a literatura acerca do crescimento econômico e meio ambiente é possível constatar que, principalmente a partir da década de 1970, há uma mudança de foco. Desde então, verifica-se que há maior preocupação com o aquecimento global e as emissões de poluentes do que com o esgotamento final do petróleo ou do magnésio, por exemplo. Assim, o foco dessa pesquisa se dá sobre os determinantes das emissões de CO2, um dos principais gases causadores do efeito estufa, considerando a hipótese Environmental Kuznets Curve (EKC), controlando os resultados pelo consumo de energia renováveis e não-renováveis, dentre outras variáveis teoricamente relacionadas ao nível de emissões dos países.