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O espaço surge como catalisador da criatividade. Como refere Costa (2008) nos discursos políticos e na análise teórica verifica-se uma “crescente atenção para com as “economias” e as “cidades criativas” e para o peso das atividades culturais e criativas nas economias atuais” (Costa, 2008:2).

O investigador parte de dois aspectos: um “a ideia de que cultura e a criatividade passaram decisivamente das margens para o centro do discurso e da atuação sobre o desenvolvimento dos território” (Costa, 2008:2); outro, “a noção de que as cidades são um espaço fundamental para fazer face aos desafios contemporâneos e portanto os espaços urbanos são uma arena privilegiada para a promoção do desenvolvimento” (Costa, 2008:2). A visão cultural e criativa tem enquadrado “diversificadas operações de requalificação, regeneração ou revitalização baseadas nas atividades culturais, em zonas degradadas ou abandonadas ou nos centros históricos tradicionais das cidades” (Costa, 2008:4). As relações entre atividades culturais e criativas e o desenvolvimento territorial são vistas segundo Costa (2008) em quatro aspetos: (a) as atividades culturais em abordagens específicas das cidades criativas; (b) as atividades culturais assumidas como fator chave de estratégia de desenvolvimento urbano e regional; (c) as dinâmicas de atividades culturais como fatores de desenvolvimento urbano e territorial; e (d) a afirmação territorial baseada na identidade e na cultura. No gráfico seguinte mostram-se as aludidas relações:

Figura 5: Relação entre atividades culturais e criativas e promoção do desenvolvimento territorial (visão síntese das diversas abordagens)

Segundo Costa (2008), o primeiro aspeto é marcadamente uma abordagem criativa; os outros ganham uma notação mais cultural. A síntese do investigador aponta para outra caraterística: a inversão dos termos atividade e território. No que se refere às atividades culturais, a tendência é a criatividade diminuir de importância, enquanto o território a ganha como fator de coesão e identidade cultural. À medida que passamos da cidade para o regional, do regional para o territorial, as dinâmicas culturais ganham maior importância e são fator de identidade na afirmação dos territórios.

No primeiro grupo, estão as abordagens mais centradas na “cidade criativa” seja “a noção de uso da criatividade essencialmente como instrumento para o desenvolvimento e a regeneração urbana” (Costa, 2008:9); seja através do entendimento como as que “assentam o seu desenvolvimento essencialmente nas “atividades” ou nas “indústrias” criativas” (Costa, 2008:9); ou as que procedem à assimilação do conceito de cidade criativa à ideia de atrair as “classes criativas” e o (seu) talento (Costa, 2008).

O segundo grupo de abordagens, mais abrangente do que o primeiro, “poderá ser assumido em torno das múltiplas perspetivas que entendem as atividades culturais e criativas como uma clara prioridade na formulação de políticas para a promoção do desenvolvimento regional e local” (Costa, 2008:9).

O terceiro conjunto reúne-se em “torno das dinâmicas culturais e criativas como fatores-chave para o desenvolvimento regional e urbano, mas independentemente da existência ou não de uma atuação pública explícita para esse objetivo” (Costa, 2008:9).

Finalmente, o último grupo de abordagens, mais amplo e abrangente do que as anteriores, é estruturado “na ideia de valorização territorial com base na identidade e na cultura específicas de cada território” (Costa, 2008:9) que considera, entre outros aspetos, “a identidade cultural como recurso essencial da competitividade, a importância da imagem territorial e do marketing urbano ou a afirmação do espaço urbano nas representações, internas e externas, que as pessoas constroem das cidades e dos seus bairros e na reprodução das suas identidades” (Costa, 2008:9). Para Costa (2008:11), as implicações destas abordagens “refletem uma aproximação das análises e atuações públicas sobre a cultura e as atividades criativas às políticas de desenvolvimento regional e local e uma grande similaridade com as questões centrais no campo da promoção do desenvolvimento urbano”. A evolução das abordagens clássicas e disciplinares integrando aspetos como cultura, território, inovação entre outros; a maior atenção para as questões da criatividade e da criação quando se abordam as atividades culturais; a crescente atenção ao comportamento individual, às lógicas e comportamento das “pessoas” do lado da oferta e não já a “públicos”, na perspetiva da procura; a focagem clara no enraizamento territorial das atividades culturais e

criativas; e a assunção da relevância fundamental dos aspetos imateriais e intangíveis como áreas de intervenção são aspetos a considerar na óptica do investigador (Costa, 2008).

Para Costa (2008:11), “em termos de desenvolvimento do território, o desafio será pensar como (re)construir a cidade ou manter as suas dinâmicas especificas, mais do que pensar por si só na realização de eventos ou equipamentos específicos e pontuais, muitas vezes desligados das dinâmicas efetivas das comunidades e tecidos empresariais e culturais locais”. Retiramos, então, que os aspetos intangíveis ganham uma importância decisiva em termos do território, mais do que as vertentes materiais que por si só nada resolvem.

O investigador (Costa, 2010) destaca três vertentes na relação entre criatividade e promoção do desenvolvimento urbano. A primeira é a “ideia da necessidade de criatividade nos “instrumentos” para o desenvolvimento urbano, ou seja, do desenvolvimento de ferramentas e soluções criativas associadas aos novos contextos socioeconómicos e culturais” (Costa, 2010:3); a segunda, “o foco nas atividades e setores criativos (muitas vezes assimiladas, com maior ou menor abrangência às atividades culturais) como uma base estrutural do próprio desenvolvimento urbano” (Costa, 2010:3); a terceira, “a defesa da necessidade de atrair e sustentar atividades e competências criativas baseadas no conhecimento e inovação” (Costa, 2010:3).

Assim, atualmente, a criatividade é um aspeto decisivo das políticas de regeneração e desenvolvimento urbano. Como lembra Costa (2010:8), “o ambiente urbano, na sua plenitude, pode assumir uma função de alavanca na geração de dinâmicas criativas que são por natureza indissociáveis das caraterísticas do espaço territorial”.

O território surge, assim, como um importante fator de criatividade, embora se possam distinguir os espaços urbanos, nomeadamente, as cidades. Por outro lado, verifica-se que considerando as dimensões mais abrangentes do que as cidades, a importância da criatividade integra-se ou transforma-se num complexo mais vasto no qual a cultura adquire uma função integradora do território. Tal como não se pode ser sempre criativo, e a criatividade tende a encontrar uma estrutura que estabilize os seus resultados como dissemos no início do nosso trabalho, também se pode considerar que quando se excede o ambiente criativo e agregador da cidade, os resultados da criatividade vertem-se em cultura e integram como tradição a imagem dos territórios.