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CRIME DE IMPRENSA - RESPONSABILIDADE SUCESSIVA - GERENTE

- O dec. nº 24.776, de 14 de julho de 1934, estabelece a responsabilidade sucessiva e não por seleção.

- Apurada a inidoneidade do diretor que por não ter indicado o autor seria o responsável (art. 27), chama-se a responder

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o editor, representada a sociedade editora pelo gerente (art. 30). Recorrente: Humberto Cartolano

Rec. ext. nº18.479 - Relator: MINISTRO LUÍS GALLOTTI ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos êstes autos de recurso extraordinário criminal nº 18.479, de São Paulo, em que é recorrente Humberto Cartolano e recorrida a

Justiça Pública, decide o Supremo Tribunal Federal, em 1ª Turma, não conhecer do recurso, unânimemente, de acôrdo com as notas juntas.

Supremo Tribunal Federal, 18 de junho de 1951. - Barros Barreto, presidente; Luís Gallotti, relator.

RELATÓRIO

O SR. MINISTRO LUÍS GALLOTTI: A Câmara Municipal de Rio Claro (São Paulo), sentindo-se ofendida pela publicação de vários artigos do jornal "A Cidade de Rio Claro", representou contra este ao Ministério Público.

O promotor pediu o arquivamento, por insuficiência de elementos basilares para a apresentação da denúncia, e o juiz deferiu.

Dêsse despacho apelou a Câmara, mas o recurso foi denegado pelo juiz.

Veio então a Câmara com pedido para que o Ministério Público, reconsiderando seu parecer, apresentasse denúncia. O promotor julgou-se impedido. O juiz solicitou designação de outro, que ofereceu denúncia contra Luis Gonzaga Alves, soi disant diretor do jornal. Na denúncia, foi pedida a notificação da empresa "Cidade de Rio Claro", na pessoa de seu representante legal, Humberto Cartolano.

A denúncia foi recebida e o Ministério Público, concomitantemente, promoveu a instauração do processo sumaríssimo previsto no art. 29 da Lei de Imprensa, julgado pela decisão proferida de plano em audiência.

Por essa decisão, foi declarado inidôneo o denunciado Luís Gonzaga Alves. Daí o aditamento da denúncia contra Humberto Cartolano, representante legal da sociedade impressora do jornal e, portanto, editor, para os efeitos da responsabilidade penal sucessiva, nos têrmos do art. 26 da Lei de Imprensa, o que foi admitido pelo juiz.

Recorreu Humberto Cartolano e o Tribunal de São Paulo proferiu o seguinte acórdão (fls. 17 v.):

"Vistos, relatados e discutidos êstes autos de recurso criminal nº 28.283, da comarca de Rio Claro, em que é recorrente "Humberto Cartolano e recorrida a Justiça Pública:

"Acordam em 1ª Câmara Criminal, por votação unânime, depois de repelida a preliminar de não se tomar conhecimento do recurso, em negar-lhe provimento. A preliminar é repelida pelos motivos expostos no parecer da Procuradoria Geral da Justiça e ao recurso é negado provimento pelos jurídicos fundamentos da sustentação de fls. 62, aos quais nada há a acrescentar.

"Custas como de direito.

"São Paulo, 13 de junho de 1950. - Manuel Carlos, presidente, com voto; Tomás Carvalhal, relator; Renato Gonçalves".

Daí o recurso extraordinário, sob invocação da alínea a do art. 101, nº III, da Constituição (fls. 18).

Alega que foram contrariados os arts. 26, 27, 30, 31 e 48 da Lei de Imprensa, além de não ter o acórdão reconhecido a perempção da queixa e a prescrição da ação penal, pois são decorridos 2 anos; deixou também de reconhecer a nulidade da reanimação do processo, sem novas provas, depois de arquivados por ordem judicial.

As partes arrazoaram.

E o eminente procurador geral da República assim opinou (fls. 42):

"Quer o ilustre Dr. subprocurador geral do Estado (fls. 27-28), quer a assistente, em suas razões de fls. 30 a 35, demonstram a improcedência do presente apêlo.

"O acórdão recorrido interpretou os artigos 26, 27 e 29 e seus parágrafos da chamada Lei de Imprensa e o fez sem contrariá-los, não dando lugar, assim, a recurso extraordinário. A mera interpretação da lei não enseja recurso extraordinário, esta é a jurisprudência reiterada desta egrégia Côrte.

"Além disso, na hipótese, o acórdão recorrido decidiu com acêrto e justiça, não, procedendo o alegado pelo recorrente a fls. 20 a 25.

"Somos, pois, pelo não conhecimento do presente recurso, ou pelo seu não provimento, caso a colenda Turma entenda dele, conhecer.

"Distrito Federal, 29 de maio de 1951. - Plínio de Freitas Travassos, procurador geral da República".

É o relatório.

VOTO

O SR. MINISTRO LUÍS GALLOTTI (relator): O art. 26 da Lei de Imprensa (decreto nº 24.776, de 14 de julho de 1934) estabelece a responsabilidade sucessiva pelos abusos cometidos, colocando em primeiro lugar o autor, se fôr pessoa idônea, em condições de responder pecuniàriamente pelas multas e despesas judiciais. Em segundo lugar está o editor.

E o art. 30 dispõe que, quando a oficina gráfica ou órgão da imprensa pertencer a sociedade, esta será representada por seu gerente.

O art. 29, por sua vez, faculta ao ofendido provar, em processo sumaríssimo, que o autor ou editor não tem idoneidade.

Ora, na espécie, êsses dispositivos não foram violados e sim obedecidos.

Apurada a inidoneidade do editor, que por não ter indicado o autor seria o responsável

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(art. 27), foi chamado a responder o editor, representada a sociedade editôra pelo respectivo gerente, nos têrmos do art. 30.

Não se aplicou, portanto, como pretende o recorrente, o derrogado princípio da responsabilidade por seleção e sim o vigente, da responsabilidade sucessiva. Por outro lado, o fato de dizer a lei que, nos casos de imposição de multa, será subsidiariamente responsável a emprêsa jornalística ou o estabelecimento gráfico (artigo 31), não exclui a responsabilidade sucessiva estatuída no art. 26. Quanto à prescrição, não mostra o recorrente que a matéria houvesse sido ventilada perante o Tribunal local e nada consta a respeito nem no acórdão recorrido nem na sustentação a que se reportou. Nesta, ao contrário, se acentua, para demonstrar o não cabimento do recurso em sentido estritamente sob invocação do art. 581, nº IX, do Cód. de Proc. Penal, "que o despacho recorrido nada decidiu a respeito do reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade" (fls. 15 v.)

O cabimento do recurso extraordinário supõe matéria prequestionada perante a Justiça local.

O recorrente poderá, se houver prescrição, impetrar até mesmo habeas corpus a quem de direito, mas não alegá-la em recurso extraordinário, sem que o tivesse feito ao recorrer para o Tribunal paulista.

Aliás, as peças constantes do Instrumento não permitem concluir pela existência da prescrição do art. 48 do dec. nº 24.776, de 1934, tanto mais que ela se suspende, entre outras hipóteses, na do art. 29, que foi aplicado, na espécie.

E pacífico que o despacho que ordena o arquivamento não faz coisa julgada. Não importou em nulidade, portanto, o início da ação penal pública após o arquivamento.

Diante do exposto, não demonstrada qualquer vulneração da letra da lei, não conheço do recurso.

DECISÃO

Como consta da ata, a decisão foi a seguinte: não tomaram conhecimento do recurso, unânimemente.

Deixou de comparecer o Exmo. Sr. ministro RIBEIRO DA COSTA, que se acha afastado, para ter exercício no Tribunal Eleitoral, sendo substituído pelo Exmo. Sr. ministro MACEDO LUDOLF.

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