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CRITÉRIOS DE EVIDÊNCIA / DIMENSÃO DA COMPETÊNCIA /

No documento Literacia de escrita em candidatos de RVCC (páginas 89-93)

Novas Oportunidades

CRITÉRIOS DE EVIDÊNCIA / DIMENSÃO DA COMPETÊNCIA /

ELEMENTOS DE COMPLEXIDADE Competência em Cultura, Língua e Comunicação (CLC) Dimensão cultural Tipo I – identificação Tipo II – compreensão Tipo III – intervenção

Dimensão linguística

Tipo I – identificação Tipo II – compreensão Tipo III – intervenção

Dimensão comunicacional

Tipo I – identificação Tipo II – compreensão Tipo III – intervenção

Em CLC, para a competência ser validada, terão de ser analisados os critérios de evidência das 3 dimensões da competência, sendo que em pelo menos uma das dimensões terá que se evidenciar, obrigatoriamente, um critério de complexidade tipo III, podendo, nas outras duas dimensões, ter combinações diversas de tipo I e tipo II, mas nunca a sua ausência total.

A finalidade das sessões de explicitação do Referencial de Competências-Chave (que, num primeiro momento, são colectivas) é promover a desocultação das competências dos candidatos em processo, adquiridas ao longo da vida, a partir da análise dos referentes de cada área de competências-chave. Após a sessão presencial, cada adulto prosseguirá a construção do seu Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA), fazendo a sua narrativa de vida, à luz da apropriação do Referencial, de modo a evidenciar os seus adquiridos experienciais.

As funções do formador de CLC incluem ainda o reconhecimento de competências em Língua Estrangeira, que decorre em sessão presencial colectiva e que depois se desdobra em sessões individuais solicitadas pelos Adultos.

Ao candidato é dado feedback:

i) virtual (via e-mail) com recurso à Grelha de Balanço de Competências complementada

ii) presencial – nas sessões de reconhecimento, coletivas e individuais, que decorrem

em horário definido em cronograma do grupo ou em data/horário solicitados pelo Adulto.

Fica evidente que os formadores desempenham um papel mediador, formativo, mobilizador da autonomia e de novas dinâmicas de aprendizagem. O papel do formador é o de acompanhamento e de orientação do formando em todo este processo, num primeiro momento explicitando, em grupo, o Referencial de Competências-Chave e, num segundo momento, individualmente com o formando, fazendo o confronto das competências adquiridas ao longo da vida e refletidas na História de Vida com as competências definidas nos Referencial. Todo este trabalho faz-se em estreita articulação com o Adulto, acordando com ele novas abordagens, sugerindo novas opções metodológicas, re- definindo etapas de trabalho.

O Referencial de Competências-Chave para a Educação e Formação de Adultos preconiza que o Adulto que venha a obter certificação de nível secundário evidencie competências várias, que passam pela leitura, compreensão e produção de textos de diferentes tipologias e suportes, com finalidades utilitárias, formativas, lúdicas e estéticas, havendo nestes procedimentos graus de complexidade variada, dependendo estes graus da maior ou menor familiaridade que o indivíduo tem com o saber-fazer:

Quadro 6 – Perfil de Competências em CLC

Competências–Chave (CLC)

• Interagir em língua portuguesa, com clareza e correcção, evidenciando espírito crítico, responsabilidade e autonomia.

• Compreender textos longos em língua portuguesa e/ou língua estrangeira, reconhecendo os seus significados implícitos, as suas tipologias e respectiva funcionalidade.

• Evidenciar reflexão sobre o funcionamento da língua portuguesa, apreciando-a enquanto objecto estético e meio privilegiado de expressão de outras culturas.

• Compreender as ideias principais de textos em língua estrangeira e expressar-se oralmente e por escrito com à-vontade sobre diferentes temáticas.

• Evidenciar conhecimento sobre várias linguagens, em diferentes suportes, que lhe permitam perceber as diferenças socioculturais, sociolinguísticas e técnico-científicas, visando uma tomada de consciência da sua própria identidade e da do outro.

• Compreender os mecanismos de funcionamento e produção de contéudos nos mass media, posicionando-se criticamente sobre os mesmos.

• Evidenciar competências interculturais que lhe proporcionem uma maior abertura e aceitação de novas experiências linguísticas e culturais.

• Ter um entendimento amplo de Cultura, reconhecendo neste conceito, desde áreas designadas clássicas e eruditas até novas linguagens e expressões integradoras de formas da cultura popular. • Perspectivar a dimensão da Cultura enquanto sector articulável com outras esferas de intervenção. • Reconhecer que o acesso dos indivíduos, desde idades jovens, a actividades de sensibilização para a cultura e as artes constitui uma condição significativa da participação activa dos cidadãos na Cultura.

• Reconhecer o impacto das novas tecnologias de comunicação no acentuar de alguns traços característicos (flexibilidade, pluriactividade) da organização do trabalho cultural.

• Compreender o aparecimento de novas ocupações e profissões no sector cultural como resultante, entre outros factores, do crescente relevo do processo de difusão na existência dos bens culturais e artísticos.

(Gomes, 2006, p.78)

A narrativa reflexiva que surge nas Histórias de Vida dos formandos apela ao domínio da língua e da expressão escrita de modo a explorar o seu potencial evocativo. O adulto, para elaborar, refletir e explicitar a sua experiência, tem de possui competências de comunicação /expressão oral e escrita. E se a oralidade, aparentemente, não coloca muitas reservas aos formandos, as dificuldades da passagem do relato oral ao escrito são evidentes. As competências de escrita revelam-se como um dos principais domínios de constrangimento sentidos pelos formandos. Em parte, esta situação explica-se porque, na sua maioria, são adultos com poucos hábitos de leitura e cuja prática profissional e social não exige competências ao nível de uma escrita mais elaborada e refletida, pelo que esta competência básica se foi perdendo progressivamente.

Esta realidade prende-se com a noção de literacia abordada por Cármen Cavaco (2009), sendo que é uma realidade relacionada com ”o esquecimento ou a desaprendizagem dos saberes de base (leitura, escrita e cálculo) adquiridos ao longo do

percurso escolar” (p. 60). Os iletrados ou analfabetos funcionais (termo politicamente menos correcto segundo alguns investigadores) são “pessoas alfabetizadas na escola, mas que não adquiriram ou adquiriram de um modo insuficiente as competências de escrita” (Cavaco, 2009, pp. 60-61).

Um dos trabalhos que é pedido ao Adulto é um levantamento e registo em documento próprio das principais dificuldades detectadas a nível da expressão escrita e da estruturação do texto que vai progressivamente desenvolvendo, daqui correndo que ficam explícitos os pontos a necessitar de uma maior intervenção e acompanhamento por parte do formador de CLC, na componente de Formação Complementar (Núcleo Gerador: Saberes Fundamentais – DR1 – Língua). Mais tarde o Adulto elaborará uma reflexão (que integrará na versão final do PRA) sobre todo o processo de RVCC, apontando pontos fracos e pontos fortes do seu desempenho.

O acompanhamento por parte da equipa pedagógica, em particular por parte do formador de CLC, em formação complementar, é fundamental para que o adulto possa ultrapassar as dificuldades diagnosticadas. E cabe ao formador de CLC estar atento a esta realidade e encontrar, juntamente com a equipa pedagógica, as respostas adequadas, através de metodologias e instrumentos, que permitam superar estes constrangimentos.

No trabalho empírico que apresentamos, centramo-nos exatamente sobre essas competências de escrita nos formandos de RVCC de nível secundário do “CNO de Santa Maria”, com o objetivo de conhecer em pormenor a sua especificidade, refletindo sobre as metodologias adoptadas no sentido de ajudar a superar as dificuldades encontradas nesse campo, procurando adequar e melhorar a intervenção do formador junto dos formandos.

Capítulo VII

No documento Literacia de escrita em candidatos de RVCC (páginas 89-93)