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Critérios para avaliação do grau de implantação do Programa Gestão de Casos

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4.4 ETAPAS DO TRABALHO

4.4.3 Critérios para avaliação do grau de implantação do Programa Gestão de Casos

Para definição de critérios para apreciação do grau de implantação do Programa foram tomadas como referência as características da gestão de caso enumeradas por Hickam et al. (2013) em revisão sistemática sobre a efetividade de experiências de gestão de caso: presença de um gestor de caso; avaliação integral das necessidades da pessoa; realização, pelo gestor, das funções de coordenação e monitoramento das ações relativas ao cuidado; acompanhamento longitudinal; ser direcionado a pessoas com condições crônicas complexas.

Para mensurar avaliação integral das necessidades dos idosos construiu-se o indicador “percentual de idosos com avaliação médica, de enfermagem e social”. Segundo Giovanella et al. (2002), em estudo que conceitua integralidade e apresenta critérios para sua avaliação no âmbito da gestão municipal, a abordagem integral da pessoa operacionaliza-se no campo do cuidado individual, com intervenções nas esferas biológica, psicológica e social. Assim, definiu-se a avaliação médica como o registro em prontuário do diagnóstico médico; a avaliação de enfermagem como o registro em prontuário do diagnóstico de enfermagem e a avaliação social como a presença no prontuário de informações relativas à composição familiar do idoso.

A elaboração e a implementação de planos de cuidado implica reuniões da equipe multiprofissional para discussão dos casos clínicos, formulação de propostas de intervenção e definição de prazos. Para a articulação dessas ações é necessário que um profissional assuma a coordenação do processo, como facilitador do trabalho da equipe, e responsabilize-se pelo monitoramento dos efeitos dessas intervenções ao longo do tempo (Oliveira, 2008). No caso deste Programa, o assistente social assumiu essas funções como gestor de caso.

Estabeleceu-se que o desempenho pelo gestor de caso da função de coordenação do cuidado seria mensurado pelo “percentual de idosos que recebeu atendimento médico, de enfermagem e social”. Definiu-se como atendimento médico o registro em prontuário de consulta médica realizada na UBS ou no domicílio; como atendimento de enfermagem o registro em prontuário da consulta do enfermeiro, na UBS ou no domicílio, e como atendimento social o atendimento feito pelo assistente social direcionado ao idoso ou seu familiar, na UBS ou no domicílio. O contato

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telefônico com o idoso não foi computado como atendimento social, tendo sido contabilizado apenas como ação de monitoramento.

Foi considerado “monitorado” o idoso que recebeu duas ou mais intervenções do assistente social a cada seis meses. Foram contabilizadas como intervenções do assistente social o atendimento social, a visita domiciliária ou o contato telefônico efetivo, registrados em prontuário ou no banco de dados. Foram computados apenas os contatos telefônicos efetivos, ou seja, aqueles com registro em prontuário, ou a informação no banco de dados de contato telefônico com status “realizado”.

Estipulou-se seis meses como o tempo mínimo que o idoso deveria ser acompanhado pelo Programa para caracterizar acompanhamento longitudinal. Adotou-se esse intervalo de tempo porque as experiências de gestão de caso analisadas na revisão sistemática de Hickam et al. (2013), cuja clientela eram idosos frágeis, tiveram duração de seis a 24 meses.

Em síntese, considerou-se o Programa implantado quando foram atendidos todos os seguintes critérios: avaliação integral, medida pelo percentual de idosos com avaliação médica, de enfermagem e social; função de coordenação do gestor, medida pelo percentual de idosos que receberam atendimento médico, de enfermagem e social; função de monitoramento do gestor, medida pelo percentual de idosos que receberam duas ou mais intervenções do assistente social a cada 6 meses; tempo de permanência no Programa de 6 meses ou mais, medido pelo percentual de idosos com tempo de permanência no Programa ≥ a 6 meses; clientela constituída por idosos frágeis, medida pelo percentual de idosos assistidos classificados como frágeis. Estes critérios ou parâmetros foram aqui denominados “componentes” do Programa.

Segundo Champagne et al. (2011b, p .89): “critérios são indicadores, características mensuráveis [....] e [...] a norma ou padrão é então o valor aceitável do critério, em função do contexto”.

Foram adotados os seguintes padrões para medida dos critérios e do grau de implantação do Programa: ≥ 80% satisfatório, ≥ 40% e <80% insatisfatório, <40% crítico.

O Quadro 1 reúne critérios, indicadores, padrões e fonte de dados que foram utilizados para avaliação do grau de implantação do Programa.

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Quadro 1 – Critérios, indicadores, padrões e fonte de dados utilizados para avaliação do grau de implantação do Programa Gestão de Casos

CRITÉRIOS INDICADORES PADRÃO FONTE DE DADOS

Avaliação integral

Percentual de idosos com avaliação médica, de enfermagem e social

≥80% satisfatório; ≥40 e<80 insatisfatório; <40% crítico

Prontuários dos idosos acompanhados Função de coordenação do gestor Percentual de idosos que recebeu atendimento médico, de enfermagem e social ≥80% satisfatório; ≥40 e<80 insatisfatório; <40% crítico

Prontuários dos idosos acompanhados

Função de monitoramento do gestor

Percentual de idosos que receberam duas ou mais intervenções do assistente social a cada 6 meses

≥80% satisfatório; ≥40 e<80 insatisfatório; <40% crítico

Prontuários dos idosos acompanhados e banco de dados do Programa Tempo de acompanhamento ≥ 6m Percentual de idosos com tempo de permanência no Programa ≥ 6 meses ≥80% satisfatório; ≥40 e<80 insatisfatório; <40% crítico

Prontuários dos idosos acompanhados e banco de dados do Programa Idosos com condições crônicas complexas Percentual de idosos frágeis ≥80% satisfatório; ≥40 e<80 insatisfatório; <40% crítico

Prontuários dos idosos acompanhados

As fórmulas para cálculo desses indicadores, acima referidos, são apresentadas no Quadro 2.

Quadro 2 – Detalhamento dos indicadores utilizados para o cálculo do grau de implantação do Programa Gestão de Casos

INDICADOR FÓRMULA DE CÁLCULO

Percentual de idosos com avaliação médica, de enfermagem e social

Número de idosos com avaliação médica, de enfermagem e social dividido pelo total de idosos admitidos no Programa até 30/06/2014 e cuja classificação clínico-funcional foi realizada X 100

Percentual de idosos que recebeu atendimento médico, de enfermagem e social

Número de idosos que recebeu atendimento médico, de enfermagem e atendimento social dividido pelo total de idosos admitidos no Programa até 30/06/2014 e cuja classificação clínico- funcional foi realizada X 100

Percentual de idosos que recebeu duas ou mais intervenções do assistente social a cada 6 meses

Número de idosos que recebeu duas ou mais intervenções do assistente social a cada 6 meses dividido pelo total de idosos admitidos no Programa até 30/06/2014, que permaneceu no Programa por 6 meses ou mais e cuja classificação clínico- funcional foi realizada X 100

Percentual de idosos com tempo de

permanência no Programa ≥ a 6 meses; Número idosos com tempo de permanência ≥ a 6 meses dividido pelo total de idosos admitidos no Programa até 30/06/2014 e cuja classificação clínico-funcional foi realizada X 100

Percentual de idosos assistidos classificados como frágeis.

Número de idosos classificados como frágeis dividido pelo total de idosos admitidos no Programa até 30/06/2014 e cuja classificação clínico-funcional foi realizada X 100

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As variáveis utilizadas para apreciar a implantação do Programa Gestão de Casos estão detalhadas no item 4.5.3.