2.3 ELEMENTOS BÁSICOS DE UM PROCESSO DE CROWD-DESIGN
2.3.3 Crowdsourcer
As empresas no Crowd-design geralmente tomam o papel de quem busca as ideias e soluções e o entendimento de problemas através da multidão por meio de tarefas e desafios em plataformas e redes sociais (DJELASSI; DECOOPMAN, 2013). O crowdsourcer também pode ser a multidão portadora de um problema a ser resolvido.
Innonatives 4 É possível gerar soluções e ideias para problemas de
O crowdsourcer contém quatro características básicas que Hosseini et al.
(2015) em seu mapeamento conseguiu delimitar. A primeira é a de que o crowdsourcer deve prover incentivos para que a multidão complete as tarefas que lhe são requisitadas. A segunda característica básica do crowdsourcer é a de que este detentor do desafio ou tarefa faça um chamada aberta para que as pessoas sejam convidadas a desenvolver ideias e soluções ou no levantamento de problemas. A terceira é a postura ética que deverá ser mantida profissionalmente e com aberturas para que a multidão tenha liberdade no processo e na sua entrada e saída da tarefa. A quarta característica é a de que o crowdsourcer deve respeitar a privacidade de cada participante e não usufruir de informações pessoais ou repassar estas informações a terceiros (HOSSEINI ET AL., 2015).
2.3.4 Tarefa
Uma tarefa no Crowd-design pode ser definida como uma atividade no qual o crowdsourcer terceiriza parcial ou totalmente qualquer tarefa (que normalmente caberia a ele) para a multidão (HOSSEINI et al., 2015). No levantamento taxonômico de Hosseini et al. (2015) concluiu-se que estas tarefas podem tomar diferentes formas e aproximações. Por exemplo: pode ser na forma de problema, de um modelo de inovação, de coleta de dados, ou num esquema de captação de recursos (crowdfunding). Geralmente a tarefa exige a "perícia, experiência, ideias, conhecimentos, habilidades, tecnologia, ou dinheiro da multidão" (HOSSEINI et al., 2015, p.56). O conjunto de tarefas pode ser denominado como desafio quando o mesmo for feito em chamada aberta.
No Crowd-design, as tarefas são geralmente propostas por meio de um problema a ser resolvido e por conter mais de uma fase pode conter diversas modalidades (crowdsourcing de ideias + crowdvoting da melhor solução, por exemplo).
Uma empresa pode usufruir do Crowd-design em diversas tarefas, inclusive em sua estratégia. Sivula e Kantola (2015), por exemplo, citam que o Crowd-design pode ser usado no processo de criação de valor de uma empresa, na medição do desempenho da gestão e no fornecimento de conhecimento sobre novos mercados.
Estas tarefas podem ser divididas entre tarefas internas e externas e usadas na
geração de ideias e como modelo de implementação de inovação. Inclusive, a implementação de inovações podem ser feitas parcialmente ou inteiramente por meio do crowdsourcing (SIVULA; KANTOLA, 2015).
É importante salientar, assim como afirma Dickie et al. (2014), que as tarefas com a multidão podem ser usadas na avaliação de produtos, problemas, serviços e processos. Portanto, a utilização da multidão na realização de tarefas pode ser ampla dentro de uma empresa.
Hosseini et al. (2015) identificou oito características distintas para estas tarefas. O quadro abaixo lista cada uma delas com suas definições:
QUADRO 04 - CARACTERÍSTICAS DE UMA TAREFA DE CROWD-DESIGN
FONTE: ADAPTADO DE HOSSEINI ET AL. (2015).
A partir dessas características e principalmente da modularidade de tarefas é que o Crowd-design se desenvolve para trazer práticas de cocriação no desenvolvimento de novas ideias e soluções para as empresas.
CARACTERÍSTICA DEFINIÇÃO
Operação tradicional Seria a maneira como a empresa faria a tarefa se não fosse pelo Crowd-design. A tarefa seria feito pelos empregados ou seria terceirizado para outro prestador, agente, empresa para ser completada.
Tarefa terceirizada Terceirizada no sentido de transferida para fora da empresa para diminuir custos operacionais. Uma tarefa terceirizada seria geralmente transferida de qualquer maneira.
Modularidade
Significa designar unidades padronizadas de tamanho, design, construção, etc., que podem ser organizadas ou montadas em conjunto de diversas maneiras (desafio). Uma tarefa pode ser tarefa única, mas geralmente tarefas mais complexas são divididas em tarefas menores para serem feitas pela multidão.
Complexidade Uma tarefa pode ser uma tarefa simples ou complexa.
Solvabilidade Solvabilidade é a capacidade de um problema ser solucionado. Geralmente é uma tarefa muito complexa para computadores.
Características de automação
Uma tarefa no Crowd-design geralmente é difícil de se automatizar ou muito cara (pois senão seria feita por um computador ao invés de fazer Crowd-design).
Feito para o usuário Uma atividade focada no usuário é aquela que ou é gerada ou controlada por usuários. Logo, toda a interação cai na atividade a ser feita pelo usuário.
Contribuição individual ou coletiva
O primeiro tipo pode ser uma contribuição individual, ou seja, cada participante participa sem ajudar ou receber ajuda de outros participantes. O segundo tipo pode ser uma contribuição colaborativa e os participantes podem agir como times ou trabalhando como parceiros.
2.4 DISCUSSÃO
Conforme pode ser visualizado na fundamentação teórica apresentada, o Crowd-design abrange uma multiplicidade de características que podem contribuir para a complementação de um processo convencional de PDP nas empresas podendo trazer diversidade e volume ao número de ideias geradas.
Partindo dos objetivos propostos para esta dissertação, a formulação de etapas e procedimentos a partir da adequação do modelo de desenvolvimento de novos produtos proposto por Rozenfeld et al. (2006) permitirá o embasamento necessário para o desenvolvimento dos estudos de caso, objetivando uma análise em profundidade sobre cada etapa levantada e seus procedimentos, explicitadas no Capítulo 4.
Poucos autores abordam diretamente alguma etapa do Crowd-design e suas oportunidades para a sustentabilidade (DICKIE et al., 2014; KOHTALA, 2014), porém, a partir de autores como Manzini (2008; 2015) e Prahalad (2005) é possível observar convergências entre o Crowd-design e oportunidades de âmbito social como o desenvolvimento bottom-up ou a participação de comunidades no desenvolvimento de soluções próprias para o seu ambiente (COLAB.RE, 2016).