Nesta secção verifica-se se os resultados obtidos pelas empresas no exercício de 2015 refletem o cumprimento dos objetivos de gestão definidos para o ano em questão, assim como uma atuação em conformidade com o orçamento realizado em sede de Plano de Atividades e Orçamento (PAO).
Os objetivos de gestão definidos para 2015, apresentados na tabela seguinte, têm por base as instruções da DGTF para a elaboração dos Instrumentos Previsionais de Gestão. Note-se que o número de empresas avaliadas em cada objetivo difere, uma vez que cada empresa está sujeita a diferentes objetivos de gestão, consoante os seus resultados em 2014.
Tabela 15 – Instruções para elaboração dos Instrumentos Previsionais de Gestão
Indicador Objetivo
(1) Endividamento A variação da Dívida RemuneradaCapital Social realizado deve ser inferior a 3%. 30 corrigida pelo
(2) EBITDA
As empresas com EBITDA negativo em 2014 devem apresentar um EBITDA nulo ou positivo.
As empresas com EBITDA positivo em 2014 devem apresentar um EBITDA superior ao de 2014.
(3) Peso dos Gastos Operacionais no Volume de Negócios O peso dos Gastos Operacionais das empresas face ao respetivo Volume de Negócios deve ser reduzido face ao rácio apresentado em 2014.
(4) Prazo Médio de Pagamentos
Para empresas com PMP superior ou igual a 45 dias em 2014: Redução do PMP superior a 25% do valor em 2015 (cumprimento excecional) ou entre 15% e 25% (cumprimento).
Para empresas com PMP inferior a 45 dias em 2014: Redução do PMP para um valor inferior a 30 dias (cumprimento excecional) ou entre 30 e 40 dias (cumprimento).
É seguidamente apresentada a tabela com o número de empresas que cumpriram os objetivos supramencionados.
30 Entende-se por Dívida Remunerada a soma dos Financiamentos Obtidos Correntes e Não
Correntes.
Tabela 16 – Grau de cumprimento dos objetivos de gestão de 2015 (1) (2) (3) (4) Nº de empresas Excedem - - - 33 Cumprem 26 28 21 12 Não Cumprem 3 52 30 19
Taxa Incumprimento 10% 65% Cumprimento 90% 35% 41% 70% 59% 30%
Figura 18 – Grau de cumprimento dos objetivos de gestão definidos para 2015
O objetivo referente à evolução do endividamento das empresas, considerando, para o cálculo da variação da Dívida Remunerada, a correção desta pelo capital social realizado, traduziu-se na maior taxa de cumprimento, de cerca de 90%.
Constata-se que o maior grau de incumprimento ocorreu no objetivo (2), ou seja, no que diz respeito ao objetivo de aumento do EBITDA. Note-se que, apesar da baixa taxa de cumprimento, o total das empresas consideradas apresentou um acréscimo significativo do indicador em causa.
No que diz respeito ao objetivo referente ao peso dos Gastos Operacionais no Volume de Negócios registou-se a segunda menor taxa de cumprimento, de 41%. Este objetivo apenas diz respeito às empresas com EBITDA positivo; ainda assim, para o total das empresas públicas, assistiu-se a um aumento deste rácio em 3 p.p..
Por fim, no que diz respeito ao objetivo referente aos PMP verificou-se uma taxa de cumprimento de 70%. Saliente-se ainda que, das 45 empresas que cumpriram o referido objetivo, 33 apresentaram uma redução do PMP particularmente acentuada, que de acordo com a legislação aplicável configura não só o cumprimento do objetivo como também a “superação” do mesmo.
De forma a ilustrar a atuação em conformidade com o estabelecido nos orçamentos previsionais para 2015 apresentam-se de seguida as Figuras 19, 20 e 21.
Figura 19 – Dívida Remunerada em percentagem do previsto no orçamento das empresas para 2015
por setor de atividade
É possível constatar que a grande maioria dos setores de atividade registaram em 2015 uma Dívida Remunerada inferior ou de acordo com o previsto nos orçamentos das empresas para o mesmo ano. Os setores da Cultura e dos Transportes e armazenagem foram os únicos a apresentar um endividamento superior ao orçamentado, de 102% e 111%, respetivamente. No que diz respeito ao setor da Cultura, o desvio de previsão do OPART – Organismo de Produção Artística, E.P.E. (OPART) levou a que o rácio deste setor seja superior a 100%31. No
que respeita ao setor dos Transportes e armazenagem o desvio apresentado decorreu do desvio evidenciado pela IP32 e pela Metropolitano de Lisboa. Ambas as empresas diminuíram o endividamento num montante inferior ao que tinham traçado como objetivo nos respetivos orçamentos.
O setor da Saúde apresentou uma taxa de execução de apenas 3% uma vez que a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, E.P.E. tinha prevista a contratação de cerca de 7 milhões de euros de financiamento, operação que não foi executada.
De notar que os setores da Agricultura e Pescas e das Indústrias Transformadoras, por não terem Dívida Remunerada, não se encontram representados na figura acima.
Figura 20 – Volume de Negócios em percentagem do previsto no orçamento das empresas para 2015
por setor de atividade
31 O endividamento do OPART ascendeu a 926 mil euros.
32 Note-se que o desvio de previsão da IP foi calculado face à soma dos montantes inscritos nos
Planos de Atividade e Orçamento da EP e da REFER para 2015.
No que diz respeito ao Volume de Negócios note-se que a grande maioria dos setores de atividade registaram em 2015 um valor superior ao previsto nos orçamentos das empresas para o mesmo ano. Destaca-se o setor das Gestoras de Património e da Cultura com um Volume de Negócios superior ao previsto nos orçamentos em aproximadamente 151% e 122%, respetivamente. No caso da PARUPS e da PARVALOREM, as receitas geradas com a venda de imóveis foram no total cerca de 11 milhões de euros, montante que não havia sido previsto no orçamento. No setor da Cultura, destaca-se o CE – Circuito do Estoril, S.A. com uma taxa de execução orçamental de 171%.
A menor taxa de execução orçamental das receitas foi registada pelo setor das Empresas Imobiliárias, nomeadamente pela Estamo – Sociedade Gestora de Participações Imobiliárias, S.A. (Estamo) cujas receitas obtidas se situaram cerca de 38 milhões de euros abaixo do valor previsto no Orçamento.
Figura 21 – Gastos Operacionais em percentagem do previsto no orçamento das empresas para 2014
por setor de atividade
Relativamente aos Gastos Operacionais é possível constatar que cerca de metade dos setores cumpriram ou ficaram abaixo do montante de gastos operacionais orçamentado, sendo o valor de execução mais elevado o do setor da Construção, de cerca de 109%. Note- se que este setor excedeu também a previsão inserida no seu orçamento no que respeita ao Volume de Negócios.