4 A CONTRIBUIÇÃO DO GVT PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO
4.2 As narrativas sobre os processos formativos
4.2.2 O Curso Normal e Estudos Adicionais
O Curso Normal e Estudos Adicionais foram cursos basilares para a formação de docentes do 1º grau. A despeito de todas as críticas encontradas na literatura especializada, as narrativas docentes parecem contrariá-las. Sendo assim, confirmo outra parte de minha tese de que o GVT contribuiu para a formação de docentes no Maciço de Baturité porque o Curso Normal e Estudos Adicionais eram tidos como basicamente os únicos cursos profissionais voltados para a docência mais acessíveis aos estudantes das cidades interioranas.
Como pode ser visto nas narrativas abaixo, os professores entrevistados falaram bem desses cursos, afirmando que eles foram fundamentais para a formação de cada um deles, capacitando-os para o exercício da docência.
Ao ser questionada sobre o Curso Normal do GVT, a professora Ana Nascimento assevera que,
foi em 1972 que fiz o Pedagógico. Ali era Normal, formação para professores. O objetivo dele foi formar professores para a nossa área. A minha experiência no Curso Normal era com professor que também só tinha o Curso Normal e mesmo assim, vivia sempre fazendo curso, se especializando, porque tinha muito curso. Tinha curso de CADES. Porque o que aprendi para trabalhar na minha sala de aula, não aprendi no curso de Pedagogia não, já cheguei ao curso sabendo como trabalhar na sala de aula porque tinha aprendido isso no Ginásio Virgílio Távora com os meus professores, excelentes professores que tivemos no colégio (professora Ana Nascimento).
A professora enfatiza o ano de ingresso no Curso Normal também chamado Pedagógico e o fato de que o objetivo do Dr. Salomão era priorizar a formação de professores ao invés de outra habilitação técnica. Já foi comentado que a professora esclareceu sobre os tipos de cursos que seus professores do GVT faziam, e o fato de que ela já possuía uma preparação didática mesmo antes de cursar Pedagogia na UECE, tendo em vista o curso feito no GVT com bons professores.
Interessante observar que o do Dr. Salomão se preocupou com a questão da formação de professores, pois a região por esse período possuía um reduzido número de docentes habilitados para lecionar. Nesse sentido ele foi visionário, propondo alternativas para solucionar em parte esse problema ao optar por um curso de formação de docentes. Contudo, era comum à época, exemplo de pessoas que fundaram escolas percebendo a ausência do Estado em garantir escolas públicas acessíveis a todos. Isso porque havia a possibilidade de conseguir significativas subvenções do poder público, especialmente em formato de bolsas de estudos, conforme já foi dito.
Embora a professora fale que estudou com bons professores no GVT, não há na narrativa as adjetivações para classificar o que seria um bom professor, mas nas entrelinhas dá para entender que, em sua visão, seria aquele que dominava bem o conteúdo a ser trabalhado. Tanto era assim que num dos fragmentos de sua fala ela afirma que,
no geral nós tivemos grandes professores no Ginásio. A Zélia Paiva que foi nossa professora do colégio dominava a Língua Portuguesa de uma maneira que era impressionante. Eu sempre dizia que no dia que encontrasse um professor melhor do que ela deixaria de tirar o chapéu para ela. Encontrei com ela quando tinha
terminado a faculdade, ela perguntou: _ já encontrou? _ Eu disse: ainda não. Continuo tirando o chapéu para você (professora Ana Nascimento).
Com essa assertiva fica claro que era considerado um bom professor aquele que conseguia dominar os conteúdos de suas disciplinas. De fato esse é um dos saberes imprescindíveis à ação docente, porque não se pode ensinar aquilo que não se sabe. Contudo, ele não deve ser o único, pois deve ir além ao incorporar outros tipos de saberes.
Em conformidade com Tardif (2018, p.16),
os saberes de um professor são uma realidade social materializada através de uma formação, de programas, de práticas coletivas, de disciplinas escolares, de uma pedagogia institucionalizada, etc., e são também, ao mesmo tempo, os saberes dele.
Por sua vez Arroyo (2013, p. 18) assevera que “educar incorpora as marcas de um ofício e de uma arte, aprendida no diálogo de gerações. O magistério incorpora perícia e saberes apreendidos pela espécie humana ao longo de sua formação”. Nesse sentido, a construção do saber se dá na troca das aprendizagens de professores e alunos enquanto aprendizes e difusores das experiências vivenciadas pelas gerações humanas ao longo da sua existência. Essa seria uma visão mais ampla do ato de educar e da função docente.
Para a professora Antonia o significado do Curso Normal era o de que:
Eu acho que a base de tudo para até uma faculdade é o Curso Normal porque ele é quem vai ser o fator determinante para sermos aquelas boas professoras. Porque ele direciona, norteia você, pelo menos para mim foi assim. Era só um ano o 4º Adicional. E o 4º Adicional era tudo. Dava direito de ensinar até o 1º ano do 2º grau. Sei que do fundamental é até o 9º ano, acho que era até o 1º do 2º grau. Recebi o diploma do 4º Adicional. Por sinal maravilhoso. É um ensino que você tinha prazer de saber, estudar, falar bem, escrever bem. O que ficou mais trabalhado em mim foi a parte de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (professora Antonia).
A fala da professora Antonia é elucidativa porque na visão dela o Curso Normal foi a base de toda a sua preparação, inclusive para fazer faculdade, pois de fato ela cursou Pedagogia, embora não tenha feito a conclusão do curso. Os seus dizeres sobre os Estudos Adicionais ratifica o que disse Nagle (1976, p.26,27) ao afirmar que
quando a oferta de professores, legalmente habilitados, não for suficiente para atender à demanda, permitir-se-á, em caráter precário, que os professores com habilitação para o magistério ao nível da 4ª de 2º grau, lecionem de 1ª à 8ª séries. De fato, nas cidades do interior era comum que os professores que tinham feito os Estudos Adicionais ou 4º Normal ensinassem inclusive no 2º grau, dada a carência de
professores. Era habitual também que profissionais liberais como advogados, médicos e juízes lecionassem no 1º e 2º graus, mesmo sem a formação para a docência, uma vez que o importante era o domínio dos conteúdos das suas respectivas disciplinas.
A professora exalta os Estudos Adicionais expressando o seu sentimento de estudar com prazer e por isso tinha bom desempenho. Revela a sua área de preferência, Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, mas segundo ela “sempre ensinei Português. Mas também o que botasse para ensinar a gente era preparada. Naquele tempo ensinava tudo: Português, Matemática, História, Geografia, tomava conta de tudo” (professora Antonia).
Esse discurso evidencia a prática da polivalência tão comum por essa época não apenas nas séries primárias, mas também nas demais, porque o que importava era suprir a carência de professores, sem a devida preocupação sobre qual a sua área de formação. Assim, mesmo no caso dos Estudos Adicionais que habilitavam para uma das áreas de ensino como Comunicação e Expressão, Estudos Sociais e Ciências, os alunos que o cursavam nem sempre iam ensinar exatamente na área na qual tinham feito o curso. Tudo dependia da necessidade da escola, o que importava era conseguir um emprego, realidade que ainda persiste na atualidade, demonstrando um dos mais sérios gargalos da formação e profissão docente.
A função docente deveria se constituir uma profissão de carreira. Para tanto, o ideal seria o ingresso através de concurso público como determina a Constituição (BRASIL, 1988), possuir Plano de Cargos, Carreira e Remuneração, ter a garantia de uma formação continuada, salário justo, plano de saúde, etc. Porém, o que se observa na realidade é a precarização da profissionalização docente, uma vez que há a predominância de contratos temporários que não asseguram nenhum tipo de garantia ao docente. Pelo contrário, a cada final de ano letivo o professor sofre a angústia de ficar sem salário até que se efetive um novo contrato, quando isso acontece, de acordo com a necessidade da escola ou da sua posição política alinhada a cada gestão.
A professora Eugênia enquanto proprietária/herdeira do GVT, aluna e professora da escola, afirma o seguinte:
Fui professora de 1976 até quando o Curso Normal funcionou. Nós tínhamos alunos de Guaiuba, Pacatuba, Acarape, Redenção. Tinha ônibus que ficava em Acarape para trazer os alunos daquela região. Tinham alunos de Itapiúna, Capistrano, Baturité, Aratuba, Mulungu, Guaramiranga, Pacoti e Palmácia, da região toda. O curso funcionava no turno da tarde e noite. Sinto que a maneira como se trabalhava na escola dava para ter dado continuidade ao Curso Normal. Não foi a melhor opção extinguir o Curso Normal. Senti uma tristeza profunda na parte educacional eles terem tirado uma coisa que realmente é tão útil e tão necessário para a aprendizagem da criança. Morro de dar valor ao Curso Normal. Porque via como a gente trabalhava com responsabilidade, com amor, com carinho e com empenho. Não era uma coisa que se inventasse e dava o que quisesse (professora Eugênia).
A narrativa da professora Eugênia se refere ao fato de que o GVT atendia a alunos de toda a região do Maciço de Baturité, mas também fala do valor que ela dava ao Curso Normal, pois, para ela, era o curso que preparava melhor o docente para trabalhar com crianças. Na verdade sendo o Curso Normal destinado aos professores que deveriam atuar na educação pré-escolar e nas séries primárias, era necessária uma maior preparação para lidar com crianças.
Dona Eugênia expressa ainda o seu sentimento em relação ao fim do Curso Normal, visto por ela com muita tristeza, já que a forma como trabalhavam na escola era adequada. No seu entendimento o fato de no GVT se trabalhar com responsabilidade, amor, carinho e empenho, essas seriam prerrogativas que deveriam ser consideradas e com isso o Normal não precisava ser excluído do sistema de ensino brasileiro. Portanto, a professora só visualiza as características positivas do referido curso.
A narrativa da professora Francinete é clara ao fazer a seguinte afirmativa:
Era um curso muito bom o Curso Normal. Hoje você ver determinadas pessoas que saem do Ensino Médio e fazem um curso de Administração ou de Contabilidade, mas não têm o preparo de uma pessoa do Curso Normal, porque preparava mesmo o professor através das suas aulas práticas, o Estágio Supervisionado. As disciplinas eram Português, Literatura, Matemática, História, Geografia, Didática, Didática Geral, Didática Especial da Matemática, Didática Especial em Ciências Físicas e Biológicas, que incluía Química, Física e Biologia nessa Didática. O Estágio Supervisionado era esse que o professor preparava a turma, dividia em equipe dentro daquele tema de aula. E cada um dava a sua aula, o professor ficava avaliando o Estágio (professora Francinete).
Para a professora Francinete o Curso Normal preparava muito bem os futuros professores, tendo em vista suas aulas práticas, as Didáticas e o Estágio Supervisionado. Ela faz referência às disciplinas curriculares do curso e a metodologia utilizada pelo professor(a) de Estágio Supervisionado que trabalhava com seminários a partir de temas propostos à turma. Como ela esclarece, a turma era dividida em equipes, ficando cada uma com um tema que deveria ser explorado. Após apresentação, o professor(a) avaliava o desempenho da equipe.
A professora Eugênia falou sobre a metodologia de trabalho quando ela foi professora de Estágio Supervisionado. Segundo ela os alunos iam
estudando e fazendo os trabalhos e a demonstração, era maravilhoso. Confecção de álbum de Matemática a gente tinha que fazer. Fazíamos muitos álbuns de datas comemorativas, porque pelo menos em Estágio, eu usava muito elaborar um álbum de datas comemorativas porque achava que uma data comemorativa pegava
diferentes conteúdos. Então elas faziam a pesquisa, ilustravam, passavam atividades e eu mandava fazer uma demonstração, um exemplo na área de Estudos Sociais, quem ia fazer na área de Ciências. Era desse jeito (professora Eugênia)
Esse depoimento parece contradizer a ideia de uma escola dita tradicional, onde prevalecia “a decoreba”, a repetição de cópias, o estudo da tabuada, dentre outros. Claro que havia esse tipo de método, mas não era só isso, tinha também momentos mais lúdicos que aproximavam a teoria da prática, de modo particular no Curso Normal e Estudos Adicionais, já que se tratava de cursos preparatórios para a docência. Porém, não se pode negar, que por volta dos anos de 1970 predominou o tecnicismo como sendo uma metodologia pedagógica que valorizava a técnica em detrimento de outros aspectos.
Em conformidade com Saviani (2007, p. 380)
a pedagogia tecnicista buscou planejar a educação de modo que a dotasse de uma organização racional capaz de minimizar as interferências subjetivas que pudessem por em risco sua eficiência. {...}Daí a proliferação de propostas pedagógicas tais como enfoque sistêmico, o microensino, o telensino, a instrução programada, as máquinas de ensinar etc. Daí também o parcelamento do trabalho pedagógico com a especialização de funções, postulando-se a introdução no sistema de ensino de técnicos dos mais diferentes matizes. Daí, enfim, a padronização do sistema de ensino a partir de esquemas de planejamento previamente formulados aos quais devem se ajustar as diferentes modalidades de disciplinas e práticas pedagógicas.
A despeito de todas essas características, pelas falas das professoras, é possível deduzir que na realidade a sistemática do ensino não seguia exatamente essas diretrizes, já que se observa certo dinamismo na forma como era trabalhada, pelo menos a disciplina Estágio Supervisionado. É claro que pelos depoimentos não foi possível detectar se havia questionamento por parte dos alunos, mas é provável que num período de valorização da disciplina, obediência, houvesse contestação da ordem imposta, tanto que foram elas quem promoveram as mudanças.
No depoimento da professora Conceição sobre o Curso Normal vemos que:
quando cursei o Normal já era professora da casa, ensinava de manhã e estudava a noite. Era uma troca de conhecimentos, já estava capacitada para receber alunos até a 3ª série. Então ficava cobrindo professores principalmente mulheres na sua gestação. Ia cobrindo esses faltosos pela sua necessidade. Foi assim que terminei o Normal graças a Deus e quando consegui terminar o 4º Normal tive a festa. Eu terminei o Normal, se não me engano, em 1998 ou 1999 (professora Conceição).
A professora enfatiza um dos aspectos já discutidos no decorrer do texto, a permuta de trabalho para o aluno continuar estudando na escola. Em sua visão, carregada do sentimento de gratidão aos proprietários da instituição que a acolheram e identificaram o seu potencial,
ela compreende como uma troca de conhecimentos e já se sentia preparada para lecionar a 3ª série primária. Foi através do seu trabalho que conseguiu cursar os Estudos Adicionais. Assim, a escola era também o espaço da iniciação da vida profissional, análoga à escola- modelo.
Saviani (2009) ao se referir às reformas relativas à Escola Normal identifica a criação dos Institutos de Educação como espaço de cultivo da educação não apenas como ensino, mas também como pesquisa. Assim, a reforma instituída em 1932 por Anísio Teixeira, transformou a Escola Normal em Escola de Professores. Dentre as suas características “a escola de professores contava com uma estrutura de apoio que envolvia: a) o jardim de infância, escola primária e escola secundária, que funcionavam como campo de experimentação, demonstração e prática de ensino” (SAVIANI, 2009, p. 146).
Com essa constatação é possível identificar a semelhança com o que acontecia no GVT num período bem posterior às reformas de 1932, pois a professora Conceição afirma ter terminado o Normal no ano de 1998 ou em 1999. Embora os objetivos do GVT ao ofertar outras etapas de ensino como a então pré-escola e o 1º grau não fossem ser escola-modelo ou escola de aplicação, acabava cumprindo essa função, pois os estudantes normalistas testavam seus conhecimentos teóricos ensinando na própria escola, nas turmas para as quais o curso habilitava. Isso pode representar uma permanência de um modelo testando anteriormente ou um arranjo adaptado à realidade do período em que a professora Conceição iniciou o exercício da docência. O fato é que escola representava também um espaço onde se poderia dar início a profissão docente.
Para a professora Cleofas o fim do Curso Normal não foi uma boa opção, mas uma má interpretação da lei, como fica evidente em sua fala:
Na época tinha essa questão: terminada a 8ª série, você fazia o Curso Normal no GVT ou vinha fazer o Científico no Almir Pinto. Eu acho que o fim do Curso Normal foi uma má interpretação da LDB, hoje eu vejo isso. Porque como ele lá estava dizendo que os professores tinham que se capacitar. Só podia ensinar quem tivesse o nível superior, achou-se que não tinha mais necessidade do Curso Normal. E o que a gente tem? Profissional hoje que termina as faculdades, mas quando chega à escolar não consegue render na sala de aula, porque nunca teve esse contato com sala de aula, com aluno, com didática, com essas coisas. Às vezes eu brinco com os meninos da minha área e digo: olha gente você conhece o professor que passou pelo Ginásio. Ele é diferente (professora Cleofas).
A respeito do Curso Normal, o que a professora Cleofas destaca é o seu fim, que segundo ela se deve a uma má interpretação da lei. Essa mudança, em sua visão, provocou uma perda da qualidade da formação docente, pois mesmo exigindo-se a formação em nível
superior, boa parte dos que a realizam não estão preparados para atuar adequadamente numa sala de aula. Isso pode demonstrar as características de uma formação aligeirada que não consegue dar conta das questões fundamentais que envolvem o exercício da docência.
Como a professora Cleofas exerce a função de coordenadora pedagógica na EEM Almir Pinto de Aracoiaba, e por isso tem a possibilidade de acompanhar mais de perto os professores, ela consegue identificar aqueles que estudaram no GVT. Em sua opinião eles são diferentes, pois possuem melhor preparação para assumir uma sala de aula.
A professora Dos Santos fala dos paradigmas que norteavam o Curso Normal. Para ela “os paradigmas da educação tradicional são incoerentes com meus ideais para o exercício da docência”. Nesse trecho a professora Dos Santos consegue identificá-los como sendo característicos de uma educação tradicional e por isso já não atendiam ao seu modo de pensar e exercer a docência mais alinhados com o construtivismo.
No modelo de paradigma de ensino dito tradicional prevalecia a prática de processos mnemônicos, mais conhecidos como “decoreba”, os professores copiavam as lições no quadro-negro, pois não tinham livros e o aluno não deveria questionar nada. Já no construtivismo se considera a ação do sujeito aprendiz como importante para a sua aprendizagem. Além disso, é comum que nesse tipo de paradigma o professor seja o mediador do conhecimento, propondo metodologias lúdicas que facilitem a aprendizagem do aluno, tornando-o partícipe do processo.
Pude perceber em sua fala que a professora questionava a forma como eram trabalhados os conteúdos em sala de aula. Sua narrativa difere das demais porque aponta a fragilidade do Curso Normal, enquanto os outros professores só relataram os aspectos positivos do curso, caracterizando um discurso hegemônico. Porém, em outro momento de sua fala ela revela que “tinha Teatro, gincanas culturais, desfiles cívicos, ginástica, etc. Não tinha livros” (professora Dos Santos).
Com essa evidência fica claro que não existia um único paradigma norteador da prática de ensino no Curso Normal e Estudos Adicionais, pois o fato de haver gincanas culturais, teatro, ginásticas, desfiles cívicos revela o dinamismo da escola, não se limitando apenas a “decoreba” e ao uso de conteúdos prontos e acabados. Nesse sentido, parece haver uma contradição em seu relato ao dizer que o curso era norteado pelo paradigma considerado por ela como sendo tradicional, ao passo que aponta a existência de atividades consideradas mais alinhadas ao paradigma dito construtivista. Assim, o que se observa é que de fato a escola mesclava elementos tradicionais e inovadores ao mesmo tempo.
A narrativa da professora Helena não destaca outros aspectos do Curso Normal e Estudos Adicionais, apenas diz “fui fundadora do Curso Normal e no 4º Pedagógico eram 92 alunas, incluindo a região de Baturité”. O ponto interessante a se destacar de sua fala é o fato dela confirmar que o colégio atendia a toda a região do Maciço de Baturité.
O relato da professora Meiryvan esclarece o seguinte:
Eu fiz entre 1980 a 1983, a gente fazia os Estudos Adicionais que era o 4º normal,