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5. PROPOSTA DE EIXOS/ÁREAS E CURSOS

5.2. Cursos propostos

A proposta de criação dos cursos toma como base a Lei nº 11.892/2009 (Lei de Criação dos Institutos Federais), combinada com a Portaria nº 1.291/2013/MEC.

Segundo os Arts. 7º e 8º da Lei 11.892/2009:

II - ministrar cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores, objetivando a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de profissionais, em todos os níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e tecnológica;

...

VI - ministrar em nível de educação superior:

a) cursos superiores de tecnologia visando à formação de profissionais para os diferentes setores da economia;

...

Art. 8º. No desenvolvimento da sua ação acadêmica, o Instituto Federal, em cada exercício, deverá garantir o mínimo de 50% (cinquenta por cento) de suas vagas para atender aos objetivos definidos no inciso I do caput do art. 7º desta Lei, e o mínimo de 20% (vinte por cento) de suas vagas para atender ao previsto na alínea b do inciso VI do caput do citado art. 7º.

§1º O cumprimento dos percentuais referidos no caput deverá observar o conceito de aluno-equivalente, conforme regulamentação a ser expedida pelo Ministério da Educação.

§2º Nas regiões em que as demandas sociais pela formação em nível superior justificarem, o Conselho Superior do Instituto Federal poderá, com anuência do Ministério da Educação, autorizar o ajuste da oferta desse nível de ensino, sem prejuízo do índice definido no caput deste artigo, para atender aos objetivos definidos no inciso I do caput do art. 7º desta Lei.”

Além disso, a Portaria 1.291/2013/MEC estabelece que:

“Art. 2º. As unidades dos Institutos Federais deverão atender às demandas regionais por educação profissional e tecnológica, pesquisa aplicada, inovação e extensão, nos termos da Lei no 11.892, de 2008.

Art. 3º Observados os objetivos, as finalidades, as características e a estrutura organizacional estabelecidos na Lei no 11.892 de 2008, a expansão dos Institutos Federais poderá ocorrer mediante a constituição e estruturação das seguintes unidades administrativas:

...

II - Campus Avançado, vinculado administrativamente a um campus ou, em caráter excepcional, à Reitoria, e destinado ao desenvolvimento da educação profissional por meio de atividades de ensino e extensão circunscritas a áreas temáticas ou especializadas, prioritariamente por meio da oferta de cursos técnicos e de cursos de formação inicial e continuada;”

A apresentação conjunta dos presentes normativos é feita para mostrar que, por sua estrutura de funcionamento, o Campus Avançado deverá alinhar suas ofertas

prioritariamente a cursos técnicos e de formação inicial e continuada, o que não exclui

nestas unidades a possibilidade de criação de cursos superiores, desde que a criação deste nível de curso atenda às demandas regionais.

O fato de a região em estudo dispor de apenas 1 curso superior (entre 225 existentes) de natureza pública e presencial torna visível a necessidade de fortalecimento deste tipo de oferta na região. Ressalta-se que os dados do CAGED para os municípios em estudo mostram que há uma demanda por contratação de profissionais no setor industrial. Além disso, o campus já possui 17 laboratórios montados e equipados com maquinário atualizado, todos vinculados ao eixo de Controle e Processos Industriais, e que demandam a existência de cursos na área para garantirem seu melhor funcionamento.

O Regulamento para Criação, Suspensão de Oferta de Novas Turmas, Reabertura e Extinção de Cursos do IFCE, aprovado pela Resolução nº 100/IFCE/CONSUP, estabelece que:

Art. 2º Para a criação de um curso, o modo a atender ao Art. 8° da Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, com 50% da oferta de suas vagas para os cursos técnicos, prioritariamente os integrados, e 20% para os cursos de Licenciatura. § 1ºA prioridade de oferta dos níveis de ensino e tipos de cursos deverá obedecer, obrigatoriamente, à seguinte ordem:

a) Técnico Integrado.

b) Técnico Integrado PROEJA c) Técnico Subsequente d) Técnico Concomitante e) Licenciatura.

f) Tecnologia. g) Bacharelado.

§2º Para os campi que já tenham atendido o percentual de técnicos, definido no caput, a prioridade passa a ser oferta de cursos de Licenciatura.

§3º Os cursos de bacharelado somente serão criados quando o

I - Garantir o mínimo de 50% (cinquenta por cento) de suas vagas anuais para atender educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da educação de jovens e adultos, e o mínimo de 20% (vinte por cento) de suas vagas anuais para os cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação pedagógica, com vistas à formação de professores para a educação

III - Estiver ofertando curso técnico de nível médio na área do curso de Bacharelado pretendido, assegurando o itinerário formativo, conforme o Art. 28, § 6º do Decreto N° 8.754, de 10 de maio de 2016.

Art.3º A previsão de criação do curso deverá, obrigatoriamente, estar registrada no Plano de Desenvolvimento Institucional vigente.

Desta forma, o regulamento estabelece uma prioridade de oferta nos cursos que, observando as atuais condições do campus, exige que antes de se criar um curso superior de Tecnologia ou de Bacharelado, que o campus realize a oferta de um curso superior de Licenciatura.

Entretanto, cumpre constatar que a criação de praticamente qualquer curso de licenciatura exigiria do campus, não somente a aquisição de material didático e de softwares específicos para ensino, os quais hoje o campus atualmente não dispõe, mas também de novos laboratórios atualmente inexistentes, e sem previsão de espaço físico para criação, tais quais:

• Laboratórios de Ensino de Matemática e de Física Experimental, para o curso de Licenciatura em Matemática;

• Laboratórios de Mecânica, Termodinâmica, Óptica, Eletromagnetismo, Física Moderna e Ensino de Ciências, para o curso de Licenciatura em Física;

• Laboratórios de Química Orgânica, Química Inorgânica, Físico- Química, Bioquímica, Microbiologia; Análise Instrumental e Ensino de Ciências, para o curso de Licenciatura em Química;

• Laboratórios de Línguas, Fonética, Tradução e Ensino de Línguas Estrangeiras para o curso de Licenciatura em Letras Português-Inglês; • Softwares especializados para ensino de Matemática, Química, Física ou

Inglês;

Dado o exposto, conclui-se que para o campus Avançado do Pecém, mostra-se ineficiente a priorização de oferta de cursos de Licenciatura, neste primeiro momento, em detrimento à criação de cursos de Tecnologia. A este fato, soma-se que o Art. 37 da CF preceitua a eficiência como um dos princípios fundamentais que deve nortear a administração pública.

Isto posto, baseado nas informações apresentadas no presente estudo, a Tabela 43 propõe um grupo de cursos a ser trabalhado pelo IFCE Campus Avançado do Pecém nos próximos três anos.

Tabela 43 - Proposta de criação de cursos no campus CURSO C A R GA HO R Á R IA PR OFE S S OR E S DU RA ÇÃ O (AN OS ) T U R N O E NT RA DA S /AN O P RE VI S ÃO DE INÍ CI O QU A N T A L U N / E N T R A D A T OTA L A L U N OS OCUPADAS SALAS POR TURNO ALUNOS POR TURNO (AO FINAL DA IMPLANTAÇÃO) M T N M T N Técnico em Automação Industrial 1.440 6 2 M 2 2017.2 35 140 4 0 0 140 0 0 Técnico em Eletromecânica 1.440 6 2 T 2 2017.2 35 140 0 4 0 0 140 0 Técnico em Química 1.200 5 2 T 2 2019.1 35 140 0 4 0 0 140 0 Técnico em Segurança do Trabalho 1.200 5 2 M 2 2019.2 35 140 4 0 0 140 0 0 Técnico em Eletrotécnica 1.200 5 2 M 2 2019.1 35 140 4 0 0 140 0 0 Tecnologia em Mecatrônica Industrial 2.400 10 3,5 T 2 2019.2 35 245 0 7 0 0 245 0 TOTAL 42 245 1085 16 15 0 560 525 0

Destaca-se que a proposta de oferta destes cursos, até o final de 2019.2, atende à demanda latente por profissionais em nível técnico e superior de diversos segmentos. Destaca-se que, apesar de o campus só dispor de 12 salas de aula, há diversos outros ambientes que podem ser utilizados como sala específica para a disciplina, o que permite que o campus amplie sua oferta de cursos, otimizando a utilização dos espaços físicos.

Á respeito dos turnos propostos para oferta dos cursos, justifica-se a não proposição de cursos em regime noturno nos próximos dois anos, tendo em vista que, até a conclusão do presente estudo, a gestão do campus avalia como insegura a realização de atividades em período noturno. Ressalta-se que a região ainda não é atendida por empreendimentos de apoio em suas proximidades (como restaurantes, lanchonetes, postos de gasolina, comércios, entre outros) e que a segurança pública na região ainda é deficitária. Soma-se a este fato, a ocorrência já registrada de assaltos a servidores e a estudantes do campus, e que as restrições orçamentárias impostas nos últimos meses ao campus dificultam a contratação de reforço nos serviços de vigilância, em especial no turno noturno. Desta forma, a gestão do campus entende que o presente estudo deverá ser reavaliado em até dois anos, para avaliar a possibilidade de oferta de cursos neste turno.

A seguir, são apresentadas as justificativas para criação dos cursos apresentados na Tabela 43.

5.2.1. Curso Técnico em Química

siderúrgica e nos setores de análise de qualidade de materiais existentes em fábricas de cimento, de tintas, de gêneros alimentícios, implementos agrícolas, entre outros. Atualmente, o campus dispõe de um laboratório de Química que está em montagem, e de 3 docentes efetivos (um deles ainda em processo de remoção), demandando mais 2 docentes efetivos para a criação do curso. Nas perspectivas futuras, é importante salientar que estes técnicos poderão atuar diretamente nas indústrias químicas, petroquímicas e de rochas ornamentais que vierem a se instalar no complexo, além de possuírem aptidão para atuar nos diversos setores de qualidade do ar e de efluentes, que diversas indústrias na região possuem.

Perfil do Egresso: Opera, controla e monitora processos industriais e

laboratoriais. Avalia atividades. Controla a qualidade de matérias primas, insumos e produtos. Realiza amostragens, análises químicas, físico-químicas e microbiológicas. Desenvolve produtos e processos. Compra e estoca matérias-primas, insumos e produtos.

Possibilidades de Atuação: Indústrias químicas. Laboratórios de controle de

qualidade, de certificação de produtos químicos, alimentícios, siderúrgicos e afins. Laboratórios de ensino, de pesquisa e de desenvolvimento em indústrias ou empresas químicas. Empresas de consultoria, assistência técnica, de comercialização de produtos químicos, farmoquímicos e farmacêuticos. Estações de tratamento de águas e efluentes. Análises físico-químicas e de laboratório.

5.2.2. Curso Técnico em Eletrotécnica

O curso técnico em Eletrotécnica irá suprir a demanda por técnicos na área de manutenção elétrica e eletrônica na região, e em especial, poderá ser capacitado especificamente para atuar nas termelétricas, empresas de geração de energia solar fotovoltaica e eólica, além de dar vazão à demanda por eletricistas industriais, mantenedores de sistemas de baixa, média e alta tensão. Desta forma, entende-se que a oferta deste curso não irá sobrepor a oferta dos cursos técnicos em Eletromecânica ou de Automação Industrial, atualmente existentes no campus, pois os segmentos citados não são desenvolvidos de forma aprofundada em ambos os cursos. Este profissional poderá atuar em praticamente qualquer indústria da região, visto que os processos demandam naturalmente profissionais deste segmento. Além disso, a oferta deste curso possibilitará o fortalecimento de ofertas de cursos FIC como para formação de Eletricistas de Baixa, Média e Alta tensão, cursos de normas regulamentadoras como a NR-10, cursos de montagem de quadros de comando, entre outros.

Perfil do Egresso: Projeta, instala, opera e mantém elementos do sistema

elétrico de potência. Elabora e desenvolve projetos de instalações elétricas industriais, prediais e residenciais e de infraestrutura para sistemas de telecomunicações em edificações. Planeja e executa instalação e manutenção de equipamentos e instalações elétricas. Aplica medidas para o uso eficiente da energia elétrica e de fontes energéticas alternativas. Projeta e instala sistemas de acionamentos elétricos e sistemas de automação industrial. Executa procedimentos de controle de qualidade e gestão.

Possibilidades de Atuação: Empresas de geração, transmissão e distribuição

de energia elétrica, inclusive em energias renováveis. Empresas que atuam na instalação, manutenção, comercialização e utilização de equipamentos e sistemas elétricos. Laboratórios de controle de qualidade, calibração e manutenção. Indústrias de fabricação de máquinas, componentes e equipamentos elétricos. Concessionárias e prestadores de serviços de telecomunicações. Indústrias de transformação e extrativa em geral.

5.2.3. Curso Técnico em Segurança do Trabalho

O técnico em Segurança do Trabalho é um profissional com atuação ampla, e a presença de um técnico é requisito legal em todas as empresas. Com isso, qualquer novo empreendimento a se instalar na região irá demandar técnicos com esta formação. Soma-se a este fato, a alta demanda por formações na área de normas técnicas para as empresas (como NR-10, NR-33 e NR-35), que poderão ser atendidas com cursos de Formação Inicial e Continuada, capacitando inclusive os próprios alunos dos demais cursos do campus neste segmento.

Perfil do Egresso: Analisa os métodos e os processos laborais. Identifica fatores

de risco de acidentes do trabalho, de doenças profissionais e de trabalho e de presença de agentes ambientais agressivos ao trabalhador. Realiza procedimentos de orientação sobre medidas de eliminação e neutralização de riscos. Elabora procedimentos de acordo com a natureza da empresa. Promove programas, eventos e capacitações. Divulga normas e procedimentos de segurança e higiene ocupacional. Indica, solicita e inspeciona equipamentos de proteção coletiva e individual contra incêndio. Levanta e utiliza dados estatísticos de doenças e acidentes de trabalho para ajustes das ações prevencionistas. Produz relatórios referentes à segurança e à saúde do trabalhador.

5.2.4. Curso superior de Tecnologia em Mecatrônica Industrial

Diversos dados apresentados no presente estudo apontam para uma necessidade reprimida de criação de cursos superiores na região. Como foi exposto, atualmente apenas o IFCE campus de Paracuru oferta cursos superiores gratuitos na região. Isto significa que, para que um profissional atue no segmento industrial no CIPP, ele deverá necessariamente possuir formação adquirida em outros municípios. Além disso, o Tecnólogo em Mecatrônica Industrial poderá atuar em cargos de gerência industrial, supervisão de manutenção, além de atuar nos setores de projetos e de melhoria de processos.

Perfil do Egresso: Supervisiona a implementação, a execução, a manutenção e

a otimização de processos industriais na área de Robótica Industrial, Comando Numérico Computadorizado - CNC, Controladores Lógicos Programáveis - CLP, Sistemas Flexíveis de Manufatura, Desenho Auxiliado por Computador - CAD e Manufatura Auxiliada por Computador - CAM, Planejamento de Processo Assistido por Computador, Interfaces Homem-Máquina - IHM e Centros Integrados de Manufatura - CIM. Especifica, instala e interliga equipamentos de manufatura em sistemas automatizados industriais. Vistoria, realiza perícia, avalia, emite laudo e parecer técnico em sua área de formação.

Possibilidades de Atuação: Empresas de planejamento, desenvolvimento de

projetos e assistência técnica. Indústria metalmecânica, automobilística, aeronáutica, alimentos, química, naval, eletroeletrônica, energia, petroquímica, da área médica. empresas que utilizem recursos de manufatura digital. Institutos e Centros de Pesquisa. Instituições de Ensino, mediante formação requerida pela legislação vigente.

5.3. Infraestrutura existente no campus