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CAPÍTULO 2: CONSTRUINDO UM PERFIR DE VALOR

2.3 Curtir, Comentar e Compartilhar

A construção de uma identidade que represente esse perfil é responsável pela forma como esse será percebido pelos demais usuários. Mas para que ele se torne influente é preciso que o mesmo seja validado através da opinião dos seguidores. Recuero (2009) citando Donath, Simmel e Goffman diz:

“Donath (2000) aponta que grande parte do processo de sociabilidade está baseado nas impressões que os atores sociais percebem e constroem quando iniciam sua interação, baseada nos estudos de Simmel. Essas impressões são em parte construídas pelos atores e em parte percebidas por eles (Goffman, 1975) como parte dos papéis sociais.” (2009, p.27)

Então é a partir das interações estabelecidas entre os atores que as impressões são construídas. A identidade pretendida por um perfil precisa da percepção do outro para ser reconhecida. Para Recuero (2013, p.247), “a interação, nas postagens, é realizada através das curtidas, compartilhamentos e comentários”. As curtidas e os comentários são então peças- chave para que essa comunicação se estabeleça na rede social. E é através dessa relação que a identidade será aceita e valorizada. A reputação virá em decorrência dessa interação. Será estabelecida através da troca entre os perfis de quem posta e de quem segue.

O compartilhar de postagens no Instagram não acontece com tanta frequência quanto em outras redes sociais, como no Facebook por exemplo, mas ele também é uma forma de interação. Nessa rede social ele aparece com a indicação da palavra ‘regram’35, que significa que aquele mensagem foi postada anteriormente em outro perfil, portanto não é de autoria própria. Compartilhar ou postar uma publicação que foi criada por outro e não citar pode causar conflitos na rede social por ser considerado plágio pelos usuários. No caso das musas, esse tipo de prática, acontece quando, por exemplo, elas publicam uma imagem acompanhada de texto de algum nutricionista sobre determinado tema. Para dar maior credibilidade ao que é postado é preciso indicar a quem pertence aquele conteúdo, principalmente quando é uma informação que precisa de embasamento especializado. Outra forma que pode aparecer como compartilhamento são frases motivacionais ou os memes36 que se referem aos temas relacionados aos interesses delas, como dietas e exercícios físicos.

Mas uma forma comum de compartilhamento nessa rede social é o uso da hashtag. Foi assim que os projetos das musas foram se tornando conhecidos e difundidos. Ter uma hashtag compartilhada por muitos e conhecida pode influenciar diretamente na notoriedade

35 Disponível em: http://tecnologia.umcomo.com.br/articulo/o-que-significa-o-hashtag-regram-14695.html Acessado em 19/04/2015.

36Imagens, vídeos, montagens, frases que repercutem pela internet. Geralmente usam a ironia como forma de linguagem.

do perfil. E uma hashtag de um projeto pessoal ser assumida por outros seguidores é a confirmação de que aquele objetivo foi aprovado na rede.

Ao utilizar a postagem que pertence a outro perfil, o usuário assume aquela postagem como sua (Boyd 2010, apud Recuero, 2013). Ao replicar, ele passa a ser o propagador daquele conteúdo que pode despertar novas interações com seu grupo de seguidores. Ele não somente está se relacionando com o usuário de quem buscou o conteúdo como está propondo uma nova discussão agora em seu próprio espaço. A opinião do outro pode até adquirir novos significados a partir do compartilhamento.

Curtir, compartilhar e comentar adicionam componentes a mensagem propagada pelo perfil. Os três apresentam meios de interferir na mensagem (Recuero, 2013), podendo legitimá-la ou não. Enquanto o compartilhar apresenta uma característica de tomar para si a fala de outro, o comentário é a possibilidade de se colocar a própria voz e interferir na mensagem divulgada. Ao postar um comentário o usuário propõe através dessa ação se fazer visível ao perfil seguido. Dessa forma, ele pode ser notado e até estabelecer uma conversa com a musa. O comentário nem sempre é positivo, ele pode apresentar um questionamento, uma discordância com o tema postado ou até mesmo uma ofensa, como veremos adiante. Já a curtida é diferente, ela sempre é vista como positiva, como aprovação daquilo que foi publicado.

Durante o processo de pesquisa, por algumas vezes, percebi o quanto o ato de curtir é valorizado entre os usuários da rede social, em especial as musas. Em um dos cursos de culinária fit em que participei esse tema foi abordado.

“Amiga que é amiga tem que curtir! Se não curte suas fotos, porque quer olhar então? Para criticar? Para zoar? Eu curto a foto dos meus amigos. Mesmo que seja ‘caída’, eu acho que é assim que amigos devem fazer.” (mulher, 32 anos)

A fala recebeu aprovação das outras participantes. Percebi então que a curtida pode significar mais do que aprovação por parte dos seguidores, simboliza também lealdade e amizade verdadeira. A expectativa que envolve uma postagem é carregada de uma busca por aceitação. Não se espera que os amigos gostem ou não do que foi postado, mas sim que eles apoiem os estilos de vida dando curtidas como provas de amizade e apoio.

As curtidas se tornaram moeda de troca nessa rede social. Quando uma postagem tem muitas curtidas é possível entender que ela é interessante e valorizada nesse espaço. Então se uma postagem recebeu 1.000 curtidas enquanto outra 3.000, faz com que a segunda publicação chame mais atenção e seja mais reconhecida. Por isso, um mercado de venda de

curtidas surgiu para essa rede social. São sites que oferecem número de curtidas por valores que vão de R$99,00 para 100 curtidas em todas as fotos postadas e R$999,00 para mil curtidas.37 Oferecem também venda de número de seguidores, para que o perfil possa se tornar mais popular, pelo menos aos olhos de quem só busca influência na quantidade de seguidores. Essa prática vem fazendo com que o Instagram reorganize a rede social com uma limpeza dos perfis que considera falsos, que não foram criados para uma interação real, e sim apenas para dar a impressão que determinado usuário tem muitos seguidores e que suas fotos recebem grande aprovação.

Segundo Recuero (2009, p.107), “o que é diferencial nos sites de redes sociais é que eles são capazes de construir e facilitar a emergência de tipos de capital social que não são facilmente acessíveis aos atores sociais no espaço off-line”. A autora cita o exemplo do Orkut aonde o usuário podia chegar a ter 300 ou 400 amigos, possibilitando ao ator uma visibilidade na rede e a construção de impressões de popularidade.

Ao pensar nesse tema levando em consideração a configuração do Instagram, é impressionante verificar que alguns desses perfis analisados nesse estudo, chegam a ter

milhares e até milhões de seguidores. Isso, considerando que foram escolhidos perfis que construíram suas reputações dentro da rede, isto é, se

tornaram conhecidos a partir das postagens de estilos de vida saudáveis no Instagram. Apesar de alguns perfis aparecerem em revistas impressas e programas de TV, para chegarem a ser solicitados por esses veículos tiveram que ter seus perfis reconhecidos inicialmente nesta rede social.

Dessa forma, como continua Recuero (2009), o ator tem as suas conexões sociais amplificadas, sendo é claro que essas conexões on-line apresentam um tipo de interação diverso da conexão off-line. A maior parte destes seguidores dificilmente entrará em contato face a face com o dono do perfil, para esses será uma relação restrita ao ambiente desta rede. Mas esses seguidores serão determinantes para legitimar a popularidade desses perfis e torná- los detentores de um capital dentro e fora dessa rede. Capital esse que confere um poder de persuasão desse perfil diante dos demais, poder que é autenticado pelo compartilhamento de hashtags criadas ou propagadas pelo perfil, pelas parcerias que ele começa a estabelecer dentro e fora da rede e pelos convites para participação em eventos, participação essa que pode ser remunerada ou não.

Não são todos os perfis pesquisados nesse estudo que conquistaram uma popularidade

37Valores divulgados na matéria “Supermercado de seguidores” publicado na Revista Glamour, nº35, Fevereiro de 2015, Editora Globo Condé Nast

na rede a ponto de serem remunerados para participar de eventos e para divulgar produtos. E alguns se recusam a realizar esse tipo de prática por julgar que tiram a credibilidade da musa, que divulgaria um estilo de vida atrelado à publicidade de produtos. Outras são muito criticadas por terem tornado o perfil um espaço de publicidade, que inclui valores para cada atuação (divulgação de produtos, participação em eventos, assinatura de linha de produtos), sendo uma participação em evento chegar a custar R$ 8.000,0038.

Mas mesmo não tendo retorno financeiro esses perfis que se recusam a se tornarem veículos de divulgação de produtos, conquistam também seu valor dentro da rede, muitas vezes até por essa negativa, pois são considerados pelos seguidores como perfis verdadeiros, por não comercializarem seu espaço, ou ainda não se dispor a enganar os seguidores divulgando produtos nos quais não acreditam nos resultados e benefícios prometidos. Essa é uma polêmica constante nessa rede. Os chamados publiposts (posts de publicidade) são frequentemente criticados, especialmente quando a musa não indica claramente que se trata de um anúncio vendido.

Em uma postagem de Tina Uzzi, perfil que se mostra contrário a esse tipo de prática e é respeitado pelos seguidores pela postura que adota, aparece uma imagem com os ingredientes de um molho de salada que vem sendo divulgado em outros perfis:

“Por essas e outras que eu vou morrer pobre, pois não teria coragem de fazer propaganda de uma b... dessas...esses são ingredientes do molhinho de salada que está fazendo o maior ‘sucesso’ por aí.” (Acessado em 22/03/ 2015)··.

Esses questionamentos quanto à ética de alguns perfis em relação à divulgação de produtos já fizeram com que fosse necessária a retratação de um perfil ou mesmo a explicação do porque postar determinado produto que se apresentava não condizente com o discurso de saudabilidade defendido pelo mesmo. A polêmica da Farinha Seca Barriga e das propagandas do cereal Nesfit (que sugerem na embalagem um projeto chamado “Operação Biquini” prometendo um corpo mais magro em 14 dias) foram temas que incendiaram as timelines e os comentários com críticas pesadas sobre o comportamento de algumas musas. A postura e a ética são importantes para a reputação delas, assim sempre que alguma discussão ameaça colocar em risco essa reputação elas precisam usar de um tom de seriedade através de textos e até mesmo vídeo para conversar com suas seguidoras.

A reputação construída nessa rede é um dos valores mais importantes para a

38 O valor foi comentado em conversa com colegas de trabalho que tentaram contratar uma das musas para um evento com duração de 40 minutos em março de 2014.  

manutenção da popularidade conquistada pelo perfil. Recuero (2009) aborda a questão e apresenta a reputação como um dos valores mais importantes que são construídos na rede. Sua discussão compreende que a reputação é a percepção de alguém pelos outros atores, envolvendo então o perfil, os seguidores e a relação entre eles. Segundo a autora (2009, p.109), “o conceito de reputação implica diretamente no fato de que há informações sobre quem somos e o que pensamos que auxiliam outros a construir, por sua vez, suas impressões sobre nós”. Sendo assim, a construção e a manutenção do perfil implica diretamente na reputação que o perfil irá adquirir dentro da rede podendo essa reputação transcender para o ambiente off-line.

Rosa (2006) defende que a reputação está relacionada à confiança. Seria então um perfil com boa reputação aquele que é confiável, que os seguidores podem acreditar que não estão sendo enganados em virtude da comercialização desse espaço, e que os resultados conquistados através dos estilos de vida são verdadeiros e não manipulados no computador. Para esse autor seria mais a reputação que valoriza um perfil na rede do que a popularidade do mesmo. Quanto mais confiança seus seguidores tiverem em determinando perfil maior a reputação que ele detém e assim maior valor na rede.

O que envolve essas três práticas é a possibilidade de interação que elas proporcionam, de criação de relações a partir de curtidas, comentários e compartilhamentos. Essa interação é que irá conferir ao perfil valor e capital social. Putnam apud Recuero, (2009) discute a questão do capital social argumentando que o conceito é gerado através das conexões entre os usuários, levando em consideração que esse capital é fortalecido por intermédio da reciprocidade. Assim, para a construção desse capital social deve-se levar em consideração tanto os aspectos individuais quanto coletivos.

“O aspecto coletivo vem do fato de que o capital social individual reflete-se amplamente na esfera coletiva do grupo, sejam eles como custos ou benefícios. É daí que vem a dupla natureza do conceito, que pode englobar tanto bens privados como coletivos. Putnam envolve três elementos centrais para o capital social: a obrigação moral e as normas, a confiança (valores sociais) e as redes sociais (Siisiäinem, 2000). A confiança, para Putnam (2000) vem da crença na reciprocidade, do consenso, do senso cívico. Decorre de escolhas no nível interpessoal, nas interações, que geram, aos poucos, reciprocidade e confiança.” (Siisiäinem e Putnam apud Recuero, 2009, p. 43)

Recuero (2009) citando Bourdieu, apresenta:

“O capital social é o agregado dos recursos atuais e potenciais, os quais estão conectados com a posse de uma rede durável, de relações de conhecimento e reconhecimento mais ou menos institucionalizadas, ou em outras palavras, à associação a um grupo – o qual provê cada um dos membros com o suporte do capital coletivo (...)” (2009, p.248-249)

Propondo assim que esse capital social está vinculado a um grupo, podendo esse ser visto como a rede social. E esse capital poderia ser convertido em outros tipos de capital, como por exemplo o econômico (Recuero, 2009). Quanto maior o capital social dessa musa dentro da rede, maior valor e status ela possui para agir como influenciadora dentro do grupo, podendo gerar retorno financeiro e até ascensão social. Ela passa a ser convidada para festas como uma celebridade, ganha produtos gratuitamente para divulgação e recebe dinheiro para fazer propaganda e participações em eventos.

Além do capital social e do econômico, Bourdieu (2011, p.134 -135), apresenta o cultural e ainda o capital simbólico, que é aquele que se refere a prestígio, reputação e fama. Esse capital simbólico também pode ser resultado das interações geradas através de comentários e curtidas. Beta Luna foi considerada pela Revista Época como uma das 100 pessoas mais influentes de 201439 na categoria artista. Marcela Trentini fez parte da mesma lista mas no ano de 201340. As duas participaram da lista com cantores de grande popularidade como Ivete Sangalo e Luan Santana, e atores globais como Regina Casé e Fernanda Torres. Apesar da listagem ser uma escolha da editoria da própria revista é interessante pensar como as musas que fazem parte de uma rede social na internet conseguiram uma notoriedade on-line e off-line que as coloca como influenciadoras junto com um grupo de celebridades, podendo as mesmas serem vistas como tal.

Bourdieu apud Recuero (2009), aborda o capital simbólico, como aquele capaz de legitimar o capital social, econômico e cultural como um recurso. Sendo assim, a autora, continua (2009, p.45), “o capital social em Bourdieu é diretamente relacionado com os interesses individuais, no sentido de que provém de relações sociais que dão a determinado ator determinadas vantagens. Trata-se de um recurso fundamental para a conquista de interesses individuais”.

Assim, para se ter capital social é necessário fazer parte de um grupo; dentro desse, estabelecer relações e interações com os outros componentes desse grupo, como acontece através dos compartilhamentos e comentários no Instagram. Mas é o reconhecimento desse grupo que transforma o capital social em capital simbólico, capital esse que irá distinguir a musa dentre os outros participantes da rede, e até mesmo entre elas.

39 Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/12/bos-mais-influentesb-do-brasil-em-2014.html Acessado em 20/04/2015

40 Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2013/12/os-b100-mais-influentes-do-brasilb-em- 2013.html

A relação com o outro é que irá então validar toda essa apresentação de si que a musa se empenha em construir. É através das interações que construirá o seu capital social, que convertido em capital simbólico lhe garantirá uma reputação de destaque. Desta forma, os usuários dessa rede, e em especial, as musas, valorizam as aprovações através das curtidas, e se empenham em defender esse capital simbólico daqueles que podem ameaçá-lo. A atenção dos outros usuários é disputada e valorizada em busca desse reconhecimento que será capital.

Figura nº8: Curtidas Acessado em 21/06/2014

2.4 ‘HatersGonnaHate’ – Ameaças À Reputação

Os comentários e curtidas são essenciais para construir a reputação de um perfil. Eles estabelecem uma interação entre o usuário e seus seguidores, além de legitimar a identidade e popularidade do mesmo. Entretanto nem sempre os comentários são utilizados para apoiar ou admirar a publicação postada. Em muitos casos, especialmente nas páginas com mais seguidores, são muito comuns as declarações de desaprovação. Essas opiniões podem ser simplesmente a não concordância com o tema postado, e assim o seguidor expõe a sua forma de pensar sobre aquele assunto. Pode ter resposta para sua colocação por parte do perfil ou de outros seguidores. Nem sempre essa opinião provoca polêmicas, apesar dessas acontecerem

com frequência. Mas os perfis populares muitas vezes acabam sendo alvos de violência e agressões verbais na página de comentários. Na internet, aqueles que ofendem através de suas declarações são chamados de troladores e odiadores ou haters (palavra inglesa). São usuários e até perfis falsos que estão com frequência repudiando as postagens de outras pessoas de forma agressiva. Essa prática já provocou a criação da frase na internet ‘haters gonna hate’ (odiadores irão odiar), indicando que uma determinada publicação pode incitar a reação agressiva de alguns usuários.

Essas postagens com discursos de ofensas são frequentemente direcionadas a celebridades. O cantor Léo Jaime em 2010 comentou que “tem gente que te segue no twitter só para te odiar bem de pertinho” 41. Querendo assim mostrar que mesmo tendo a opção de não acompanhar o perfil, alguns seguidores fazem questão de seguir para contradizer, implicar ou ofender. Esse fenômeno ganhou grande espaço na internet, lugar no qual a falta da presença física e do contato face a face pode ter permitido a alguns usuários praticarem atos de agressão que não cometeriam se estivessem em uma interação off-line aonde teriam que atender a alguns códigos de conduta e educação.

De acordo com Buckels (2013), a trolagem é uma prática de se comportar de forma agressiva, enganosa e destrutiva no ambiente on-line sem nenhum motivo aparente. O autor se refere aos troladores como agentes do caos, aqueles que detonariam debates e polêmicas que poderiam desestabilizar a pessoa que está sendo questionada além de levantar suspeitas sobre a veracidade e a importância das postagens.

O cyber-bullying é outra atividade que ganha espaço na internet como forma de perseguir e agredir com palavras e imagens. A diferença entre o cyber-bullying e a trolagem seria a identidade revelada do agressor (Buckels apud Lenhardt, 2013) e a intenção de ofensa mais simples, direcionada a atingir o perseguido de forma a denegri-lo. Enquanto o trolador nem sempre tem uma identidade clara, ele pode usar de perfis falsos para praticar a sua atividade. E as suas motivações seriam mais complexas de acordo com os autores, uma vez que o objetivo não é claro.

A partir de estudos realizados com usuários da internet, exclusivamente dos Estados Unidos, para entender a motivação da trolagem, os pesquisadores Buckels, Trapnell e Paulhus fizeram uma análise a partir de distúrbios psicológicos da chamada ‘Dark Tetrad of

41 http://extra.globo.com/tv-e-lazer/nascidos-nas-redes-sociais-os-haters-ganham-espaco-disparando-grosserias- contra-artistas-11891336.html#ixzz3X360GDHo (Acessado em 11/04/2015)

Personality’42 buscando traços de psicopatia, sadismo, maquiavelismo e narcisismo. Segundo os resultados de seus estudos apesar dos troladores apresentarem as características apontadas pela Tetrad, em especial o sadismo, o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a questão da anti-sociabilidade dos usuários que usam a internet para contestar e perseguir pessoas, sendo essas celebridades ou não. Os autores chamam a atenção para o fato de que trolar é muito diferente das práticas de conversas (chatting) e debates, as associações com a ‘Dark Tetrad of Personality’ não acontece com as mesmas. Nessas práticas o que existe é uma conversa na qual opiniões podem divergir mas não tem como objetivo denegrir ou ofender o outro.

Assim, tanto a trolagem como o cyber-bullying estariam relacionados a formas de anti-sociabilidade no cyberespaço. Acredito ser necessário maior aprofundamento no tema