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3 RECEITAS DO ESTADO E EFICIÊNCIA ECONÔMICA

3.4 A CURVA DE LAFFER

A Curva de Laffer permite enxergar a eficiência na capacidade de cobrança de um tributo sem inviabilizar as atividades econômicas, o que supõe a compatibilização dos princípios tributários.

Inicialmente, podemos considerar algo mais simples, como o que é dito por Giambiagi e Além (2000, p. 34),, ao afirmarem que “A relação ambígua existente entre aumentos de alíquotas e aumentos de receita é expressa naquilo que a literatura denomina de Curva de Laffer”.

A Curva de Laffer (2004) tem como idéia básica a relação entre as alíquotas de tributos e as receitas fiscais. Nelas, as mudanças nas alíquotas teriam dois efeitos sobre as receitas: o efeito aritmético e o efeito econômico. O efeito aritmético ocorre quando a redução das alíquotas resulta no montante equivalente reduzido das receitas fiscais. O inverso é

4 Estas alegações sobre sonegação ocorrerem, contudo é muito mais uma discussão pertinente ao modus

operandi e a trade-off dos órgãos fiscalizatórios do que econômica. Pois a sonegação é registrada em todo

espectro de empresas, sendo que a ocorrência em uma grande empresa têm efeitos muito mais danosos para a arrecadação tributária e de uma complexidade de detecção muito maior, exigindo assim, esforços maiores

verdadeiro para um aumento nas alíquotas. O efeito econômico, por sua vez, reconhece o impacto positivo que as alíquotas mais baixas têm sobre o trabalho, a produção e o emprego. O aumento das alíquotas tem o efeito econômico oposto.

Dependendo do período de observação e como se processa a relação entre os princípios tributários, o efeito aritmético sobre as receitas públicas pode ser anulado, compensado, ou até potencializado pelo econômico. Assim, deve existir um ponto ótimo, de equivalente alíquota tributária média ótima, para a qual os dois efeitos se equilibram para maximizar as receitas do Estado e otimizar o nível da atividade econômica.

Assim, uma desoneração da carga tributária, a depender do ponto da Curva de Laffer, pode promover um efeito econômico de aumento das atividades econômicas e, por conseguinte proporcionar um nível de empregabilidade e renda na economia positivos, aumentando, posteriormente, a arrecadação, o que compensará o subsídio ou renúncia fiscal inicial.

A Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso – SEFAZ/MT em 2007, em seu Relatório de Gestão Tributária, publiciza a adoção de medidas para simplificação e renúncia tributária como meio de sair da crise econômica em que o Estado se encontrava. Quanto a Curva de Laffer, afirmam:

Um dia, em 1974, o economista Arthur Laffer estava em um restaurante de Washington com diversos jornalistas e políticos de renome. Ele pegou um guardanapo e desenhou nele uma figura para demonstrar como as alíquotas dos impostos afetam a receita tributária [...] Laffer então sugeriu que os Estados Unidos estavam do lado de inclinação descendente dessa curva. As alíquotas tinham chegado a um nível tão alto, afirmava ele, que, se fossem reduzidas, a receita tributária aumentaria. A idéia do ponto de vista econômico poderia estar correta, mas havia dúvidas quanto a se funcionaria na pratica. Ainda assim, a Curva de Laffer (como ficou conhecida) atraiu a atenção de Ronald Reagan, sendo que os corte nos impostos eram parte de sua plataforma política quando candidato a presidente em 1980. (SEFAZ/MT, 2007, p. 39)

Apesar da adoção de medidas que refletem a teoria mencionada, o relatório destaca que:

A história não confirmou a conjectura de Laffer de que alíquotas menores de imposto aumentariam a receita tributária. Mas os argumentos de Laffer não eram totalmente desprovidos de mérito. Embora um corte geral nas alíquotas normalmente reduza a receita alguns contribuintes podem, por vezes, estar do lado errado da Curva de Laffer. (SEFAZ/MT, 2007, p. 39)

Em 2004, Arthur Laffer, em seu artigo intitulado The Laffer Curve Past Present and Future, faz um balanço da aplicabilidade do referido instrumento teórico nos Estados Unidos da América e em outras partes do mundo. O autor afirma que o ano de 2003 teve como

característica a dificuldade de quase todos os estados da confederação estadunidense terem problemas orçamentários. Destaca que os estados com maior taxação de imposto de renda estadual, Califórnia e Nova York por exemplo, tiveram maiores dificuldades orçamentárias do que os estados que não possuem tal taxação, Florida e Texas, ou com baixa taxação.

Dados históricos coletados pela equipe de Laffer condensados na Figura dão forma ao comportamento do imposto sobre ganhos de capital estadunidense quando do aumento ou diminuição da taxação.

Figura 1 – Top Capital Gains Tax Rate and Inflation-Adjusted Federal Revenue

Observando com atenção, destaques são evidenciados nos comportamentos da arrecadação tributária do imposto sobre ganhos de capital após algumas intervenções dos governos. Um destaque diz respeito a resposta do mercado quando do aumento ou diminuição

das taxas. Quando há aumento tem-se uma resposta imediata no mesmo ano ou no ano seguinte, e a diminuição das taxas possuem resposta em até 3 anos, enquanto o aumento das mesmas tem reflexos no mesmo ano de sua implantação. O segundo destaque diz respeito a padrão comportamental de reação à variação da taxação.

Assim, o efeito matemático na variação das taxas apresenta-se a curto prazo, enquanto o efeito econômico ocorre em um segundo momento vislumbrado no aumento da arrecadação diante de uma renúncia tributária, que só é possível se houver um aumento da atividade econômica.

A série histórica apresentada por Laffer mostra empiricamente a assertividade da Curva que recebe seu nome. Desta maneira, no caso em tela, o efeito econômico da redução das taxas de impostos possui um efeito econômico multiplicador na economia que resulta em aumento da arrecadação tributária.

Em outros países, Laffer (2004) só apresenta resultados da aplicação em países que adotaram imposto único. O imposto único tem como consequência a centralização da arrecadação de tributos em um ente nacional, colocando os entes subnacionais desprovidos de autonomia.

A Figura 2 mostra o PIB real de 05 anos antes e 05 anos depois da adoção do imposto único pelos países.

Figura 2 – Average Annual Real GDP Growth in Select Countries: Before and After Flat Tax Implementation

Não discutindo as questões pertinentes a adoção de imposto único, o que cabe neste trabalho é salientar que os países ao adotarem tal sistemática reduziram a carga tributária e tiveram reflexos positivos refletidos no crescimento do PIB.

O referencial teórico é robusto na economia dos Estados Unidos da América, país que possui um federalismo fiscal como o nosso e é aplicável tanto a nível nacional como subnacional. Em outros países, a Curva de Laffer também mostrou-se robusta em países com sistema de tributação centralizada que adotam o imposto único.

Os Estados ao concederem tratamento tributário mais benéfíco ao pequeno capital, intervêm na economia. A Curva de Laffer é proposto neste trabalho como instrumento auxiliar de verificação das alocações resultantes de uma possível desoneração.

Assim, torna-se de suma importância conhecer a sistemática de tributação diferenciada às pequenas empresas no Brasil. O Simples Nacional será abordado a seguir a nível federal e estadual.