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controlado

Outra classe de variedades que satisfazem a condi¸c˜ao de convexidade estrita ´

Teorema 5.2.1 Seja M uma variedade Hadamard com curvatura seccional KM ≤ −k2 e suponha que existam o ∈ M e R∗ > 0 tais que

KR := min{KM(Π)|Π ´e um 2-plano em p, p ∈ BR+1(o)}

satisfaz KR≥ − e2kR R2+2, ∀R ≥ R ∗ . (5.16)

Ent˜ao dados v ∈ ToM e 0 < α < π/2, existe um subconjunto convexo C ⊂ M

tal que

(i) ∂∞C ⊇ {γ(∞)|γ(0) = o, ^(v, γ0(0)) ≥ 2α}

(ii) M \ C cont´em o cone truncado To(v, α, r0) para algum r0 > 0.

Em particular, M satisfaz a condi¸c˜ao de convexidade estrita.

Para a prova deste resultado, adaptamos os passos feitos por M. Ander- son em [And] e A. Borb´ely em [B1]. Nestes dois trabalhos ´e demonstrado que a condi¸c˜ao de vizinhan¸cas cˆonicas convexas de [C] ´e satisfeita por va- riedades com curvatura seccional limitada entre duas constantes negativas e satisfazendo −eλ(r−1) ≤ K

r, KM ≤ −1, λ < 1/3, respectivamente. Como

nosso interesse ´e parecido, por´em distinto, reescrevemos a demonstra¸c˜ao com algumas adapta¸c˜oes.

Observamos tamb´em neste momento que I. Holopainen e A. V¨ah¨akangas provaram em [HV] que o p-laplaciano ´e regular no infinito com as mesmas hip´oteses do Teorema 5.2.1 (veja Corol´ario 3.23 de [HV]). A t´ecnica no entanto ´e bastante diferente da nossa, o que ´e um fato bastante curioso.

J´a para o caso de Q = M, o resultado ´e novidade.

A id´eia central da constru¸c˜ao ´e baseada no fato de que as bolas geod´esicas s˜ao uniformemente estritamente convexas, ent˜ao n˜ao importa qual seu raio, sempre ´e poss´ıvel tirar um pedacinho delas contendo uma por¸c˜ao da fronteira de modo que o conjunto que sobra continua convexo. Isso depende apenas do fato de KM ≤ −k2. J´a o tamanho da fronteira que ´e retirado sem compro-

meter a convexidade do restante, quando o raio tende a infinito, ´e controlado pela limita¸c˜ao inferior da curvatura seccional.

Come¸camos fixando uma fun¸c˜ao suave n˜ao decrescente φ : [0, +∞) → R tal que 0 ≤ φ ≤ 1, φ([0, 1/2]) = 0, φ ≡ 1 em [1, +∞). Seja L > 0 tal que φ0, φ00 ≤ L. Para p ∈ SR(o), definimos fp : M → R por

fp(x) = φ(ρp(x)),

onde ρq denota a fun¸c˜ao distˆancia a q ∈ M .

Daqui para frente, usamos a nota¸c˜ao aR:=

√ −KR.

Lema 5.2.2 Existe β > 0 que depende apenas de k e L tal que, se pomos

εR:= βR1+e−kR, (5.17)

ent˜ao o subconjunto de n´ıvel

{x ∈ M ; (ρo− εRfp)(x) ≤ R}

´

e um conjunto estritamente convexo para R ≥ max{1, r∗, R∗}, onde r∗ ´e tal

que e−kr∗(r∗)1+ = 1.

Dem. ´E suficiente provar que o hessiano of ρo − εRfp ´e positivo-definido

no subespa¸co {X ∈ TxM |X ⊥ ∇(ρo− εRfp)(x)}, para cada x tal que (ρo−

εRfp)(x) = R. Seja R ≥ R∗, onde a estimativa (5.16) vale, e R > 1, para que

o conjunto de n´ıvel represente BR(o) menos um pedacinho. Fixamos um tal

x. Seja X ⊥ ∇(ρo− εRfp)(x). Ent˜ao

D2(ρo− εRfp)(X, X) = h∇X(∇ρo− εRφ0∇ρp) , Xi

= D2ρo(X, X) − εRφ0D2ρp(X, X) − εRφ00h∇ρp, Xi2.

Como ρo ´e uma fun¸c˜ao distˆancia tem-se que D2ρo(X, X) = D2ρo(X⊥, X⊥),

onde X⊥ = X − hX, ∇ρoi∇ρo; al´em disso, hX, ∇ρoi = εφ0hX, ∇ρpi.

Por fim, como KM ≤ −k2, o Teorema de Compara¸c˜ao do Hessiano implica

a estimativa D2ρ

o(X⊥, X⊥) ≥ kkX⊥k2, e desta forma

D2ρo(X, X) ≥ k kXk2− hX, ∇ρoi2



= k kXk2− εRφ0hX, ∇ρpihX, ∇ρoi ≥ k(1 − εRL)kXk(5.18)2

Por outro lado, como φ0 ≡ 0 em [1, +∞) e KM ≥ −a2Rem BR+1(o), aplicamos

novamente o Teorema de Compara¸c˜ao do Hessiano, na outra dire¸c˜ao, para obter φ0D2ρp(X, X) ≤ φ0aRcoth(aRρp)kX − hX, ∇ρpi∇ρpk2 = φ0aRcoth(aRρp) kXk2− hX, ∇pi2  ≤ φ0a Rcoth(aRρp)kXk2.

Como temos que φ0 ≡ 0 em [0, 1/2], com aR≥ k, temos

φ0D2ρp(X, X) ≤ φ0aRcoth(aR/2)kXk2 ≤ LaRcoth(k/2)kXk2. (5.19)

Assim, se kXk = 1 e R ≥ r∗ (o que implica que εR ≤ β), usando tamb´em

que εRaR≤ β, temos que

D2(ρo− εRfp)(X, X) ≥ k(1 − εRL) − εRLaRcoth(k/2) − εRL

e desta forma, escolhendo β := k 2L(k + 1 + coth(k/2)), (5.20) obtemos a estimativa D2 o − εRfp)(X, X) ≥ k/2, concluindo a demons- tra¸c˜ao.

Precisamos de mais um resultado geom´etrico, que diz que se estamos em M olhando a partir de o para uma bola de raio 1 que se afasta, ent˜ao o ˆangulo que ela ocupa de nossa vis˜ao decresce exponencialmente com a distˆancia a o. Mais precisamente:

Lema 5.2.3 Sejam M uma variedade riemanniana com KM ≤ −k2, o ∈ M

e p ∈ M com ρo(p) = R, Ent˜ao θR := max{^(γop0 (0) , γ 0 oq(0)); q ∈ S1(p)} ≤ arcsin  sinh k sinh kR  . (5.21) Como consequˆencia, se tamb´em vale que R ≥ ˜r, onde ˜r ≥ (ln 2)/2k e sinh2k˜r ≥ 4 sinh2(k)/3, ent˜ao existe A > 0 constante universal tal que θR≤ Ae−kR.

Dem. Notamos inicialmente que ´e suficiente provar que vale igualdade em (5.21) para o caso particular em que M = H2(−k2), o plano hiperb´olico de

curvatura seccional constante −k2. De fato, sejam p1 = p como no enunciado

e p2 que realiza o m´aximo na express˜ao de θR. Denotamos por ed a distˆancia

no hiperb´olico.

Sejam eo,pe1 e pe2 pontos no plano hiperb´olico tais e

d(eo,pei) = d(o, pi), i = 1, 2,

e

d(pe1,pe2) = d(p1, p2).

Queremos mostrar que α ≤ α, onde α ´e e o ˆangulo em o e α eme o.e

Suponhamos por absurdo queα < α. Ent˜e ao existe η > 0 tal que α =α+η.e Seja p o ponto de γp1p2 tal que ^ γ

0

op1(0), γ

0

op(0) =α. Como as geod´e esicas em M se afastam mais rapidamente que em H2 (pelo Teorema da Compara¸c˜ao

de Rauch), temos que distM(p1, p) ≥ distH(pe1,pe2), visto que os ˆangulos coincidem. Assim, distM(p1, p2) = distM(p1, p) + dist(p, p2) > dist(pe1,pe2), pois p 6= p2, j´a que η > 0. Isso ´e absurdo.

Podemos prosseguir, assim, mostrando igualdade em (5.21) em H2(−k2).

Para isso, utilizaremos o modelo do disco de Poincar´e, ou seja, consideramos D2 = {(x, y) ∈ R2; x2+ y2 < 1} munido da m´etrica

hu, vi(x,y) =

4hu, vie

onde h·, ·ie denota a m´etrica euclidiana.

Como o espa¸co hiperb´olico ´e homogˆeneo, podemos supor sem perda de generalidade que o = (0, 0) e que p = (a, 0), a > 0. Como uma consequˆencia imediata da express˜ao da m´etrica, temos que se a distˆancia hiperb´olica de p a o ´e R, ent˜ao a = tanh(kR/2).

Observamos ainda que os ˆangulos hiperb´olico e euclidiano em o = (0, 0) coincidem, pois a m´etrica de Poincar´e ´e conforme `a euclidiana. Desta forma, para calcular θR ´e suficiente calcular o ˆangulo euclidiano m´aximo do c´ırculo

B de centro hiperb´olico (a, 0) e raio hiperb´olico 1. Neste caso, ´e f´acil ver que θR´e dado por

sen θR= Raio euclidiano de B

Norma euclidiana do centro euclidiano de B. (5.22)

´

E suficiente, ent˜ao, calcular o centro e o raio euclidianos de B. Para isso, utilizaremos isometrias de D2, que s˜ao as transforma¸c˜oes de M¨obius que

preservam o disco unit´ario. Escrevmos z = x + iy, e ent˜ao g(z) := z + a

az + 1 ´

e um isometria que leva o eixo horizontal {y = 0} em si pr´oprio e leva o c´ırculo hiperb´olico de raio 1 centrado em o, eB (que ´e o c´ırculo euclidiano centrado em (0, 0) de raio b := tanh(k/2)), no circulo hiperb´olico B de centro hiperb´olico p e raio hiperb´olico 1. Observe que os centros e raios hiperb´olico e euclidiano n˜ao coincidem, no entanto, atrav´es da express˜ao da g ´e f´acil ver que g(−b) e g(b) formam um diˆametro de B, de onde obtemos que o centro euclidiano ´e

dado por (g(b) + g(−b)) /2 e o raio euclidiano por (g(b) − g(−b)) /2. Assim, sin θR = g(b) − g(−b) g(b) + g(−b) = b(1 − a2) a(1 − b2) = tanh(k/2)(1 − tanh 2(kR/2)) tanh(kR/2)(1 − tanh2(k/2)) = tanh(k/2) cosh2(k/2) tanh(kR/2) cosh2(kR/2) = sinh(k/2) cosh(k/2) sinh(kR/2) cosh(kR/2) = sinh k sinh kR e portanto θR = arcsin  sinh k sinh kR  , o que conclui a primeira afirma¸c˜ao.

Agora, se sinh2k/ sinh2kR ≤ 3/4, temos q 1 − sinh2k/ sinh2kR ≥ 1/2, o que nos d´a arcsin sinh k sinh kR = Z sinh kRsinh k 0 dt √ 1 − t2 ≤ Z sinh kRsinh k 0 2dt.

Se al´em disso tamb´em valer que R ≥ (ln 2)/2k, obtemos sinh kR ≥ ekR/4,

e portanto escrevendo A := 8 sinh(k), obtemos a segunda afirma¸c˜ao, con- cluindo a demonstra¸c˜ao.

Com estes dois lemas em m˜aos, podemos partir para a demonstra¸c˜ao do Teorema 5.2.1.

Prova do Teorema 5.2.1. Come¸camos com r0 ≥ R∗que ser´a determinado

no fim da demonstra¸c˜ao. Definimos os seguintes conjuntos: C0 := Br0, T0 := {p ∈ Sr; ^(γop, v) < α}, D0 = ∅

Gra¸cas ao Lema 5.2.2, existe ε0 := εr0 uniforme tal que para cada p ∈ Sr0(o),

o subconjunto de n´ıvel

C1,p := {x ∈ M ; (ρo− ε0fp)(x) ≤ r0}

´

e convexo. Definimos ent˜ao a segunda cole¸c˜ao de conjuntos como segue: f C1 := \ p∈T0 C1,p, C1 := fC1\ D0, r1 := r0+ ε0 D1 := Br1(o) \ C1, T1 := Sr1(o) \ ∂C1.

Definmos tamb´em

θ0 := sup{^(γop0 (0), γ 0

oq(0)); p ∈ T0, q ∈ S1(p)}.

Portanto, ^(v, γox0 (0)) ≤ α + θ0, para todo x ∈ D1. De fato, se x ∈ D1,

existe p ∈ T0 tal que x ∈ Br1(o) \ C1,p, o que implica que r0+ εφ(ρp(x)) <

ρ(x) < r1, e logo x ∈ B1(p), caso contr´ario ter´ıamos o absurdo r1 < r1. Desta

forma ^(v, γox0 (0)) ≤ ^(v, γ 0 op(0)) + ^(γ 0 op(0), γ 0 ox(0)) ≤ α + θ0.

Agora procedemos indutivamente da seguinte forma: Suponha que Ck,

rk, Dk e Tk est˜ao definidos para todo k ≤ n − 1, n ≥ 1, e que todos os Cks

s˜ao convexos. Pelo Lema 5.2.2, existe εn uniforme tal que se p ∈ Srn−1(o), o

conjunto Cn,p:= {ρo− εn−1fp ≤ rn−1} ´e convexo. Defina

f Cn := \ p∈Tn−1 Cn,p, Cn:= fCn\ Dn−1, rn:= rn−1+ εn−1 Dn := Brn(0) \ Cn, Tn := Srn(o) \ ∂Cn, θn:= sup{^(γop0 (0), γ 0 oq(0)); p ∈ Tn, q ∈ S1(p)}. Afirma¸c˜a 1. Cn´e convexo.

De fato, sejam x, y ∈ Cn e suponha por absurdo, que γxy * Cn. Como

Cn ⊂ fCn, que ´e convexo, deve ocorrer γxy ∩ Dn−1 6= ∅. Em particular,

γxy deve interseccionar ∂Dn−1 pelo menos duas vezes. Por outro lado, como

Cn−1´e convexo, γxy n˜ao pode cruzar ∂Cn−1 duas vezes, caso contr´ario estaria

contido em Cn−1 ⊂ Cn. Logo γxy deve cruzar ∂Dn−1\ ∂Cn−1= int Tn−1. Mas

neste caso, γxy conteria pontos de Brn(o) \ fCn, o que contradiz a convexidade

de fCn.

Afirma¸c˜ao 2. Se x ∈ Dn, ent˜ao ^(v, γox0 (0)) ≤ α +

Pn−1

i=0 θi.

De fato, a defini¸c˜ao de Dn implica que Dn = Dn−1∪



Brn(o) \ fCn

 . Se x ∈ Dn−1, termina, j´a que por indu¸c˜ao ´e poss´ıvel concluir que ^(v, γoy0 (0)) ≤

α +Pn−2

i=0 θi para todo y ∈ Dn−1. Caso contr´ario, existe p ∈ Tn−1 tal que

x ∈ Brn(o) \ Cn,p, o que implica que x ∈ Brn(o) ∩ B1(p) para algum p ∈ Tn−1.

Assim ^(v, γox0 (0)) ≤ ^(v, γ 0 op(0)) + ^(γ 0 op(0), γ 0 ox(0)) ≤ ^(v, γop0 (0)) + θn−1.

Por outro lado, ´e f´acil ver que Tn−1⊂ Dn−1, logo ^(v, γop0 (0)) ≤ α +

Pn−2

i=0 θi,

Afirma¸c˜ao 3. Sejam C := [ n≥0 Cn, D := [ n≥0 Dn. Ent˜ao C ´e convexo e M = C ∪ D.

Como por constru¸c˜ao temos C0 ⊆ C1 ⊆ C2 ⊆ · · · e todos os Cns s˜ao

convexos, segue imediatamente que C ´e convexo. Para provar que M = C∪D, ´

e suficiente mostrar que rn → +∞ quando n → +∞ pois Brn(o) = Cn∪ Dn.

Se supomos, por absurdo, que existe A > 0 tal que rn ≤ A para todo n ≥ 0,

conclu´ımos que εn = βrn1+e −krn ≥ βr1+ 0 e −kA , ∀n ≥ 0, e usando que rn+1 = rn+ εn = r0+ n X i=0 εn,

conclu´ımos que rn → +∞, o que ´e absurdo. Devido `a afirma¸c˜ao 3, ´e suficiente

mostrar que ∂∞D ⊂ {γv(+∞) ; ^(v, γ0(0)) ≤ 2α} para obter (i). Para tal,

note que, ao menos formalmente, se x ∈ D,

^(v, γox0 (0)) ≤ α + +∞

X

n=0

θn.

Assim, a ´unica coisa que resta provar ´e que a s´erie converge a uma constante ≤ α, desde que r0 seja escolhido corretamente. A id´eia central ´e estimar

quantos ri est˜ao em cada intervalo para assim controlar, de certa forma, o

n´umero de termos da s´erie. Definimos para isso tn como o n´umero de ris no

intervalo In:= [r0+ n, r0+ n + 1], n ≥ 0. Seja jn o sub´ındice do maior ri em

In. Como εi decresce com i, temos:

tnεjn ≤ εjn−1+ εjn−2+ · · · + εjn−tn

= (rjn− rjn−1) + (rjn−1− rjn−2) + · · · + (rjn+1−tn − rjn−tn)

= rjn− rjn−tn ≤ (r0+ n + 1) − (r0+ n) = 1.

A estimativa acima nos d´a

tn≤ ε−1jn ≤

ek(r0+n+1)

β(r0+ n)1+

,

Al´em disso, pelo Lema 5.2.3 temos que θi ≤ Ae−kri. Esses dois fatos nos d˜ao ∞ X i=0 θi = ∞ X n=0 X ri∈In θi ≤ ∞ X n=0 tnAe−k(r0+n) ≤ Aek β ∞ X n=0 1 (r0+ n)1+

Fica ent˜ao claro que escolhendo adequadamente o valor de r0, ´e poss´ıvel obter

θ < 2α.

Para provar (ii), seja γ um raio geod´esico a partir de o satisfazendo ^(γ0(0), v) < α. Ent˜ao γ intersecciona T0 `a distˆancia r0, saindo de C. Como

por constru¸c˜ao ∂C ⊇ T0 e C ´e convexo, γ n˜ao pode interseccionar C ap´os

distˆancia r0.

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