• Nenhum resultado encontrado

Segundo Beber et al. (2004), custeio pode ser definido como a forma de alocar o custo de produção de um determinado produto ou serviço. Esse custo engloba tanto as variáveis, despesas que são diretamente proporcionais à oferta dos bens ou serviços, quanto os fixos, que não são diretamente alterados pelo acréscimo ou decréscimo da produção. Dentro do âmbito financeiro de uma instituição, o custeio representa o ato de avaliar o preço de um produto ou serviço, dando significado ao processo de venda. Para Martins (2003), custeio significa apropriação de custos, sendo possível levantar diversos métodos para compreender os custos de uma organização e definir seu custeio. Segundo Dubois et al. (2008), todos os métodos de custeio têm por objetivo determinar o custo unitário de cada produto ou serviço prestado por uma entidade. Os autores ressaltam que quanto maior a fidelidade do sistema de custeio ligado a esse processo, maior será a qualidade da informação. Assim, os métodos de custeio visam concentrar a relação dos gastos com a produção da maneira que melhor se adapte à realidade da instituição.

Para Abbas et al. (2012), esses métodos são utilizados para, entre muitas outras informações, determinar o valor dos objetos de custeio; reduzir custos, melhorar os processos; eliminar desperdícios; decidir entre produzir ou terceirizar; e

eliminar, criar e aumentar, ou diminuir a linha de produção de certos produtos. Os métodos mais citados e utilizados na prática empresarial são o custeio por absorção, o custeio variável, o método das seções homogêneas (RKVV) e o custeio baseado em atividades (ABC).

2.3.1 Métodos tradicionais

Os 3 primeiros (absorção, variável e RKVV) são considerados os métodos tradicionais, por atuarem em cima da matéria prima e mão de obra como principais fatores de produção, que influenciam nos custos e na sua relação com a quantidade produzida (Megliorini, 2012). Essa característica faz com que estes modelos de custeio gerem resultados com ênfase na variável de quantidade produzida, de acordo com o volume da produção.

O custeio por absorção é o método que aloca aos produtos ou serviços todos os custos, sejam eles variáveis, fixos, indiretos ou diretos. Megliorini (2012) enfatiza que o custeio por absorção é caracterizado como o método com base em períodos, o que facilita sua implementação. Ou seja, todos os custos incorridos neste período, sejam fixos ou variáveis, são apropriados aos produtos fabricados em certa escala de tempo. Além disso, por agregar todos os custos, sejam eles indiretos ou diretos, e seguir os conceitos básicos de custeio, é considerado o método formalmente aceito pela legislação e fiscalização. Como ponto negativo principal se destaca a ausência de uma relação clara entre os custos e os bens ou serviços, fazendo com que sejam quase sempre distribuídos a partir de critérios de rateio com grande grau de arbitrariedade.

O mesmo autor define o custeio variável como método estruturado para atender as necessidades gerenciais de uma organização, por englobar aos produtos fabricados em determinado período somente os custos variáveis dos mesmos, sejam diretos ou indiretos. Para Martins (2010), os custos fixos na composição do valor de um produto ou serviço não são de grande interesse para a gerência, visto que esses custos existem independentemente do volume produzido. Esse método é muito eficiente para identificar os bens ou serviços mais rentáveis e para encontrar a quantidade de vendas que a empresa tem que alcançar para pagar seus custos fixos, despesas, e alcançar o lucro. Entretanto, Abbas et al. (2012) ressaltam que, na prática, a separação dos custos fixos e variáveis não é tão clara como aparenta, pois ainda

existem os custos semivariáveis e semifixos (aqueles que mudam de estado a partir de determinada quantidade produzida ou de serviço prestado), podendo no custeamento incorrerem problemas de continuidade de dados para a empresa.

O custeio por método das seções homogêneas (RKW), tem como principal característica a análise baseada na divisão da empresa em centros de custos. Para realizá-la, é necessário identificar os custos provenientes de cada produto, distribuindo-os em centros de custo, que englobam os custos diretos e indiretos do produto ou serviço. Para Martins (2010), esse método é muito utilizado para chegar ao valor de “produzir e vender” pois considera o rateio dos custos e despesas, todos juntos, tornando-se necessário somente acrescentar o lucro desejado para ter o valor final de um produto ou serviço. Abbas et al. (2012) acrescentam que este custeio possibilita mapear todos os custos de uma produção com informações precisas, porém o método não distingue custos fixos e variáveis, o que pode levar a algum equívoco na tomada de decisão e, por fim, não é aceito pela legislação.

2.3.2 Custeio Baseado em Atividades (ABC)

O custeio ABC (Activity Based Costing) é classificado como um método mais contemporâneo, como resposta a um ambiente mais competitivo e que exige das empresas uma preocupação maior com a gestão dos custos da produção.

Para Megliorini (2012), a técnica deste custeio tem como fundamento a apuração dos recursos como consumíveis das atividades executadas. E os produtos, serviços e outros objetos de custeio resultam dessas atividades e estão ligados aos seus custos. A partir da informação de quanto cada atividade consome dos custos em geral (diretos e indiretos separadamente), são identificados os direcionadores, e assim, estima-se quanto de uma atividade é destinada para determinado produto ou serviço.

Este método é baseado em três etapas fundamentais, sendo a primeira o mapeamento de todas as atividades da empresa por setor e dos produtos e serviços resultantes destas atividades. Em seguida, identifica-se a origem dos custos para se construir uma relação entre estes e as atividades. Por fim, relacionam-se os custos das atividades aos produtos ou serviços, com um direcionador que melhor os representa. Ou seja, é apontada a maneira como os produtos consomem as atividades. A Figura 7 demonstra de forma visual o fluxo de criação do custeio ABC.

Figura 7 – Representação custeio ABC – Fonte: Bacic, 2011

Souza e Carvalho (2012) ressaltam que esse método de custeio se mostra o mais relevante numa situação em que seja necessário analisar processos para gerar reestruturações e aperfeiçoamentos. Entretanto, por não separar os custos fixos, mas sim, relacioná-los aos bens ou serviços, esse método é considerado um custeio mais detalhado.

No documento UNIVERSIDADE X FEDERAL FLUMINENSE UFF (páginas 31-34)

Documentos relacionados