2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.5 CONTABILIDADE
2.5.1 Contabilidade de Custo
2.5.1.1 Custo da prevenção e de acidente de trabalho
Os custos da prevenção comparam-se aos da qualidade, pois os custos da qualidade, segundo Paladini (1995), são os incorridos para produzir e, principalmente, manter a qualidade dos produtos, contudo os custos da prevenção seriam os incorridos para manter a segurança no trabalho e assim obter a qualidade.
Bianco Jr. (2003), apresenta categorias dos custos de qualidade, os quais podem ser adaptados para os custos da prevenção e dos acidentes de trabalhos conforme Quadro 12:
CUSTO DA QUALIDADE CUSTO DA PREVENÇÃO CUSTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO Custo do projeto
Custo dos controles
Custos das falhas (não- conformidade)
Custo do projeto Custo dos controles
Custos das falhas (não conformidade) ou Custo da não- segurança
QUADRO 12: comparativo dos custos
Fonte: a Autora, com base em Bianco (2003)
De acordo com o Quadro 12, é necessário entender o que são tais custos:
a) Custos dos projetos: segundo Paladini (1995, apud BIANCO 2003, p 42), é no projeto que é definido o nível de qualidade do produto, isto é, que tipo de consumidores pretende-se alcançar, que nível de satisfação o produto oferecerá e o preço que poderá ser cobrado pelo bem ou serviço. É no projeto que ocorre o planejamento da segurança do trabalhador e as definições das proteções que serão desenvolvidas durante todo o processo de construção.
b) Custos do controle: segundo Bianco (2003), são os ligados ao cumprimento de todos os requisitos necessários para que haja a qualidade, representados pela prevenção de falhas que se pode chamar de custo da prevenção e o custo de avaliação que é o custo para detectar os riscos do trabalho.
c) Custo das Falhas ou Custo da não-segurança: Segundo Juran e Gryna (1991, apud BIANCO 2003, p 45), os custos das falhas são as principais fontes de perda na produção e para que a organização atinja um dos objetivos da qualidade, a redução de custos, é necessária que se invista no ataque a elas. Esses custos seriam a ausência da mão de obra no posto de trabalho, treinamento de outro operário e quebra de equipamentos, entre outros custos.
Bianco (2003), relata que os custos elevados com a falha requerem que as empresas invistam mais na prevenção do problema, do que na inspeção do trabalho, contudo a prevenção implica em mudanças no desenvolver da atividade, enquanto a inspeção é só uma atividade dentro do processo.
Benite (2004) observa que a redução dos acidentes de trabalho da construção civil, inclusive em países desenvolvidos, não é algo de fácil solução, pois apesar da melhoria da legislação a prevenção de acidentes ainda necessita de avanços significativos. A Indústria da Construção Civil, segundo Silveira (2004), apresenta elevados índices de acidentes de trabalho apesar do esforço do governo e do empresariado para a sua redução.
Os benefícios da segurança no trabalho são óbvios para as empresas. Segundo Lima (2003), ficou demonstrado pela análise dos custos realizada na empresa Japan Industrial
Safety and Association, a qual mostra que os investimentos na segurança não são pagos somente com a redução dos acidentes, mas também pelos seguintes retornos:
a) Melhoria da eficiência e produtividade; b) Maior motivação dos trabalhadores; c) Menor absentismo;
d) Menor rotação de trabalhadores; e) Melhoria da qualidade do trabalho; f) Menor gasto com despesas médicas;
Os custos para a implantação, segundo Catep (2003, apud SILVEIRA 2004), de sistemas de saúde e segurança nos canteiros de obras estão estimados em 1,5% sobre o seu valor total, valor esse se comparado com valores já recebido por trabalhadores em ações de danos morais, conforme sentença proferida pelo TRT, em que uma indenização chegou ao valor de trinta e seis mil reais e mais o pagamento vitalício de 2,85 salários mínimos como pensão e mais reembolso de todas as despesas médicas, valores esses caracterizados como custos da não-segurança.
Contudo, a abrangência dos custos da não-segurança deve ser divulgadas aos empresários. Benite (2004), afirma que o volume de recursos que é desperdiçado cada vez que ocorre um acidente, serve de fortes argumentos para estimular o investimento em segurança. Pois sempre que ocorre um acidente por mais simples que ele seja, gera uma série de despesas ao empregador conforme segue:
a) Custo do transporte e atendimento médico do acidentado;
b) Prejuízo resultante dos danos materiais a ferramentas, máquina, materiais e ao produto;
c) Pagamento de benefício e indenizações aos acidentados e suas famílias;
d) Tratamento de pendências jurídicas, tais como processos criminais por lesões corporais, indenizatórias e previdenciárias,
e) Tempo não trabalhado pelo acidentado durante o atendimento e no período em que fica afastado;
f) Tempo despendido pelos supervisores, equipe de SST e médica durante o atendimento;
g) Baixa a moral dos trabalhadores, perda de motivação e conseqüente queda de produtividade e a perda da produtividade do trabalhador acidentado após seu retorno h) Tempo para a limpeza e recuperação da área e reinício das atividades;
i) Tempo necessário para o replanejamento das atividades;
j) Tempo dos supervisores para investigar os acidentes, preparar relatórios e prestar esclarecimentos às partes interessadas: clientes, sindicatos, MTE, imprensa, etc.
k) Tempo de recrutamento e seleção de um novo funcionário na função do acidentado durante o seu afastamento.
l) Aumentos dos custos dos seguros pagos pelas organizações (voluntários e obrigatórios).
m) Custos econômicos relativos ao prejuízo da imagem da empresa frente à sociedade e clientes
É possível perceber que os custos são extremamente significativos para a sociedade e que são de difícil mensuração. Conforme Benite (2004), além dos custos financeiros, deve-se destacar e dar importância às conseqüências que os problemas dessa natureza trazem à família gerando sofrimentos e perda da qualidade de vida. Enquanto, os custos da não-segurança estão ligados ao tratamento da conseqüência e os da segurança estão relacionados com o tempo e o recurso utilizado para o planejamento da prevenção, segundo Benite (2004) são os seguintes:
a) Tempo dos trabalhadores utilizados durante as atividades de treinamentos; b) Custos dos treinamentos, conscientização e capacitação dos trabalhadores; c) Custos com exames médicos de monitoramento de saúde;
d) Manutenção de equipes de SST e respectivos encargos sociais; e) Aquisição de equipamentos de proteção individual;
f) Tempo de desenvolvimento de projetos e instalações de proteção coletiva; g) Placas de identificação e orientativas de SST;
h) Manutenção da infra-estrutura nos canteiros (áreas de vivência, refeitórios,
sanitários).
Benite (2004 p.25), ressalta que o conhecimento dos custos da não-segurança e da segurança não é uma tarefa simples, uma vez que as variáveis envolvidas são difusas e de difícil dimensionamento, por exemplo:
a) Quanto custa a morte de um funcionário?
b) Quanto um acidente prejudica as vendas de uma empresa?
c) Qual o percentual de queda da produtividade resultante da redução da motivação da equipe que presenciou o acidente?
Assim, o CREA da Bahia afirma que a convicção de que os custo com a prevenção de acidentes são bastante inferiores às despesas provenientes da reparação dos danos resultantes do acidente, contudo, os números registrados não refletem essa conscientização, entretanto, já há o entendimento de que investir na segurança é um bom negócio para as empresas. Uma vez realizada a fundamentação teórica, passa-se a seguir a descrever e analisar o estudo de caso.