3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.3 M ÉTODOS E TÉCNICAS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS
3.3.2 Custo de Produção e Indicadores de Desempenho
O cálculo do custo de produção das propriedades é baseado na metodologia de Matsunaga et al (1976), do Instituto de Economia Agrícola (IEA). Foram assim estabelecidos o Custo Operacional Efetivo (COE), referente a todos os gastos assumidos pela propriedade ao longo de um ano; e o Custo Operacional Total (COT), referente à soma do COE com o valor das depreciações.
A depreciação das pastagens foi contabilizada pelos gastos com insumos para reforma e remuneração da mão de obra para esta atividade. Não foi aplicado o custo de depreciação ao fator terra: conforme Gomes (1999b), Yamaguchi (1999) e Lopes e Carvalho (2000), só são depreciáveis bens de vida útil limitada, procedimento este também acatado por Dal Monte et al. (2010). O método adotado para a depreciação anual do capital imobilizado seguiu o de cotas fixas ou lineares, com valor de sucata igual a 10% do valor de aquisição do bem.
Nesse item, também há a inclusão do pró-labore (ou mão de obra familiar), referente à retirada mensal do produtor de acordo com sua participação no processo produtivo da propriedade. Para efeito de cálculo, utilizou-se como referência o salário mínimo (R$ 788,00) vigente no ano de 2015. No custo de remuneração da mão-de-obra contratada, considerou-se, também, o salário mínimo do ano corrente.
Adicionalmente, também foi calculado o Custo Total, referente à soma do COT com a remuneração sobre o capital investido em benfeitorias, máquinas, implementos, equipamentos, utilitários, animais e forrageiras perenes. Por sua vez, o método adotado para o cálculo da remuneração do capital imobilizado foi o valor do capital médio empatado com taxa de juros de 6% a.a. Para obter o custo de oportunidade do capital investido em terra, multiplicou-se o preço médio do hectare na região pela área utilizada na atividade, a uma taxa de 6% a.a., referente à remuneração praticada pela caderneta de poupança (YAMAGUCHI, 1999).
As informações apresentadas no Quadro 4 servem para facilitar o entendimento dos Custos Operacionais de Produção, de forma a descriminar os custos referentes ao COE, COT e CT. Os dados coletados nas propriedades
permitiram o preenchimento das planilhas e a caracterização dos indicadores de desempenho e análises dos resultados.
Quadro 4 - Planilha ilustrativa do Custo Operacional de Produção
1 CUSTO OPERACIONAL DE PRODUÇÃO Valores 1.1 CUSTO OPERACIONAL EFETIVO - COE:
Mão-de-obra contratada Manutenção de pastagens Feno
Volumoso Concentrados Leite para bezerro Sal mineral Medicamentos Hormônios Material de ordenha Transporte do leite Energia e combustível Inseminação artificial Impostos e taxas Reparos de benfeitorias Reparos de máquinas Outros gastos de custeio
1.2 CUSTO OPERACIONAL TOTAL - COT: Custo Operacional Efetivo
Mão-de-obra familiar Depreciação: -Benfeitorias -Máquinas
-Animais de serviço
1.3 CUSTO TOTAL - CT:
Custo Operacional Total
Remuneração do capital investido: - Circulante - Benfeitorias - Máquinas
- Animais de serviço - Forrageiras não anuais
Fonte: Ramos (2017).
Após a determinação dos custos de produção, efetuou-se análise das estatísticas descritiva, utilizada para descrever e resumir os dados, de maneira a sintetizar uma série de valores, permitindo, assim, que se tenha uma visão global da variação desses valores. Dessa forma, procedeu-se a organização e descrição dos dados de duas maneiras: por meio de tabelas e de medidas descritivas.
Todas as unidades produtivas foram analisadas de acordo com aspectos zootécnicos e econômicos, utilizando-se planilhas eletrônicas de registros mensais para a tabulação dos dados. Tais indicadores, descritos a seguir, foram
selecionados de acordo com a literatura descrita por Ferreira e Miranda (2007), Ferrazza (2012), Ferrazza et al. (2015), Santos e Lopes (2014) e Lopes, Santos e Carvalho (2012).
1) Indicadores zootécnicos:
a) Produção mensal de leite (L/mês): total de leite produzido mensalmente; b) Produção diária de leite (L/dia): total de leite produzido diariamente;
c) Área utilizada para pecuária (ha): total de hectares utilizada na produção de leite;
d) Rebanho Total (animais): total de animais na propriedade;
e) Total de vacas (animais): total de vacas na propriedade incluindo vacas em lactação e vacas secas;
f) Vacas em lactação (animais): total de vacas em lactação no rebanho; g) Vacas secas (animais): total de vacas no rebanho;
h) Novilhas: total de novilhas no rebanho; i) Bezerras: total de bezerras no rebanho; j) Bezerros: total de bezerros no rebanho; k) Touro: total de touro no rebanho;
l) Relação vacas em lactação por total de vacas (%VL): obtida dividindo-se o número de vacas em lactação pelo número total de vacas do rebanho, multiplicado por 100;
m) Relação vacas em lactação por total do rebanho (%VL): obtida dividindo-se o número de vacas em lactação pelo número total do rebanho, multiplicado por 100;
n) Relação vacas em lactação por área (animais/ha): número de vacas em lactação dividido pela área da atividade em hectares;
o) Produtividade por vaca em lactação (L/vaca/dia): leite produzido por dia dividido pelo número de vacas em lactação;
p) Produtividade da terra (L/ha/mês): leite produzido por mês dividido pelo número de hectares utilizado pela atividade.
2) Indicadores econômicos:
a) Renda bruta da atividade leiteira1 (R$/mês): resultado do somatório do volume vendido de todos os produtos obtidos durante o ano (leite, bezerros e vacas de descarte) multiplicado pelo preço unitário de cada produto;
b) Renda bruta do leite (R$/mês): resultado do somatório do volume vendido de leite durante o ano multiplicado pelo preço unitário de cada produto;
c) Preço médio do leite (R$/L): referente Renda Bruta do leite no período dividido pelo volume de leite produzido no período;
d) COE da atividade (R$/mês): referente aos gastos realizados na atividade leiteira durante o mês;
1 A Renda Bruta da Atividade leiteira é calculando somando-se o valor bruto da venda de leite, do descarte de animais, venda de bezerros, novilhas, entre outras vendas, resultado do processo de produção realizado na empresa durante o ano.
e) COT da atividade (R$/mês): custo operacional efetivo incorridos na atividade somado ao valor das depreciações mais o custo da mão-de-obra familiar; f) CT da atividade (R$/mês): custo operacional total da atividade mais a
remuneração sobre o capital investido.
g) COE do leite: todos os gastos incorridos na produção durante o mês;
h) COT do leite: custo operacional efetivo incorridos na produção somado ao valor das depreciações mais o custo da mão-de-obra familiar;
i) CT do leite: custo operacional total incorridos na produção mais a
remuneração sobre o capital investido;
j) COE unitário do leite: resultado da divisão do custo operacional efetivo pela
quantidade produzida de leite durante o mês. Referente ao custo operacional efetivo do leite dividido pelo volume de leite produzido;
k) COT unitário do leite: resultado da divisão do custo operacional total pela quantidade produzida de leite durante o mês. Referente ao custo operacional efetivo do leite dividido pelo volume de leite produzido;
l) CT unitário do leite: resultado da divisão do custo total pela quantidade
produzida de leite durante o mês. Referente ao custo operacional efetivo do leite dividido pelo volume de leite produzido;
m) COE do leite/preço do leite: COE unitário do leite dividido pelo preço médio do leite multiplicado por 100;
n) COT do leite/preço do leite: COT unitário do leite dividido pelo preço médio do leite multiplicado por 100;
o) CT do leite/preço do leite: CT unitário do leite dividido pelo preço médio do leite multiplicado por 100;
p) Gasto com MDO contratada/RB: representatividade da MDO contratada na renda bruta do leite (%), refere a MDO contratada/RB) x 100;
q) Gasto com MDO total do leite/ RB: representatividade da MDO total na renda bruta do leite (%), refere ao somatório da MDO contratada e familiar dividido
pela Renda Bruta multiplicado por 100;
r) Gasto com concentrado do leite/ RB: representatividade da alimentação concentrada na renda bruta do leite (%), refere a alimentação/RB) x 100; s) Margem Bruta do leite: a diferença entre a renda bruta e o custo operacional
efetivo, pode ser expressa em termos percentuais dividindo-se seu valor absoluto pela receita e multiplicando-se por 100;
t) Margem Bruta unitária: resultado da divisão do Margem Bruta pela quantidade produzida de leite durante o mês;
u) Margem Líquida do leite: a diferença entre a renda bruta e o custo operacional total, pode ser expressa em termos percentuais, dividindo-se seu valor absoluto pela receita e multiplicando-se por 100;
v) Margem líquida unitária: resultado da divisão do Margem Bruta pela quantidade produzida de leite durante o mês;
w) Lucro total do leite: Renda Bruta do leite menos no custo total do leite;
x) Lucro unitário: resultado da divisão do lucro total pela quantidade produzida de leite durante o mês;
y) Custo da MDO familiar: referente aos custos de mão de familiar geralmente não paga;
z) Lucratividade (%): Lucro total do leite dividido pela renda Bruta do leite multiplicado por 100;
aa) Ponto de Resíduo (RB = COT): volume de produção que proporciona cobertura do custo de todos os fatores de produção, obtido igualando-se a Renda Bruta ao custo operacional total, COT- COE/MB unitária;
bb) Ponto de Nivelamento (RB = CT): volume de produção que proporciona lucros normais obtidos quando se iguala a Renda bruta ao custo total, CT – COE/MB unitária;
cc) Capital investido por litro de leite: resultado da divisão do capital empatado do leite pela quantidade produzida de leite.