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Os dados obtidos na pesquisa para essa tese a respeito da saúde e adoecimento dos trabalhadores foram bastante precários. Um dos motivos constatados foi a inexistência de estrutura organizacional que monitore e coordene essas

informações. Os gestores do departamento responsável pela segurança e saúde dos trabalhadores reconhece não ter estrutura para atingir com suas ações os

atendentes, não dispõem de informações suficientes sobre os funcionários e não acompanham as condições de saúde dos trabalhadores, priorizando assim as ações

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nos níveis intermediários e superiores da hierarquia, buscando conscientizar os gestores acerca da necessidade de atender os dispostos nas normas reguladoras. Esse departamento não tem poder de implantar mudanças, reconhecendo que na empresa as questões de saúde dos trabalhadores são minimizadas frente aos resultados econômicos obtidos. Com isso, suas ações têm obtido resultado irrisório. Dados obtidos em entrevista com um médico do trabalho em uma das unidades da empresa na cidade de São Paulo apresentam os motivos de afastamento por mais de 15 dias dos atendentes entre os meses de janeiro e outubro de 2014. Chama a atenção nesses dados a alta incidência em relação ao total dos afastamentos pelo CID-F (representa os estados de saúde relacionados a transtornos mentais e

comportamentais Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde publicada pela Organização Mundial de Saúde - OMS).

Gráfico 21 - Incidência CID-F nos afastamentos por mais de 15 dias em uma unidade de SP.

Ainda em entrevista com médico do trabalho, foi relatado que sua atividade é predominantemente burocrática, validando afastamentos e recolocações, sem, contudo, dispor influência sobre as operações. Por exemplo, já recomendou que uma gestante que trabalhava no terceiro andar fosse transferida para operação no andar térreo, pois o pequeno tempo de intervalo (10 minutos) não era suficiente para

2%

9%

25%

Acidente trabalho Aposentadoria doença profissional

Doença

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que ela descesse e subisse pelas escadas de forma a acessar o espaço de refeições, e sua orientação foi ignorada pela gestão.

O departamento de segurança relata que enfrenta grandes dificuldades para a liberação dos atendentes para participação em exercícios de combate a incêndio que exigem o abandono do prédio (obrigatórios por lei), uma vez que as metas não são ajustadas.

Também foram relatadas dificuldade de implantação e continuidade de programas de ginástica laboral: os supervisores não autorizam a participação dos atendentes pois não podem parar a operação, e a empresa não autorizou a contratação de professores para a orientação de exercícios, indicando que os próprios supervisores deveriam ser treinados para a função, o que inviabilizou o programa.

O custo da rotatividade e do absenteísmo deve ser avaliado em suas dimensões econômicas e humanas, uma vez que seus efeitos adversos comprometem tanto a organização como o trabalhador. No escopo dessa pesquisa, em nenhum dos aspectos foi possível uma análise suficientemente ampla e conclusiva, uma vez que os dados obtidos são parciais; entretanto foi possível identificar elementos que destacam sua relevância.

Em relação ao custo econômico/financeiro, foi possível estabelecer uma relação entre o valor informado de alguns custos (como o de contratação) com os dados informados no Balanço Patrimonial da empresa de 2014, publicado em jornais de circulação aberta e também no site da empresa.

Os dados do Balanço Patrimonial informam que a empresa tem resultados econômicos positivos. Sua lucratividade ficou próxima de 4%, a rentabilidade próxima de 6% e o retorno sobre o capital próprio em superou os 100%, indicando que a empresa está em uma posição confortável frente aos acionistas e ao mercado. Entretanto, o custo humano associado aos índices de rotatividade e absenteísmo de alguma forma promovidos pela lógica da organização do trabalho colocam a

empresa em uma posição de vulnerabilidade, podendo comprometer seus resultados econômico e financeiro, e, no limite, sua própria sustentabilidade.

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Em alguma medida, a empresa já enfrenta cenários externos desfavoráveis, como a dificuldade na contratação de atendentes, agravada em períodos que antecedem datas festivas (como o Natal). Ou respondendo a ações judiciais oriundas do poder público ou de ações coletivas dos trabalhadores ou mesmo impetradas pelos trabalhadores, sendo demandado o empenho de vários departamentos e de tempo considerável para a condução destes processos.

A análise (ainda que parcial) de alguns desses elementos ilustra essa fragilidade. O primeiro aspecto a ser analisado é o valor anual gasto com a contratação dos atendentes, obtido em entrevista com o responsável da área. A contratação de um novo atendente considerada pelo responsável da área considera recrutamento, seleção, contratação e treinamento. É possível verificar que apenas esse custo representa um percentual significativo da Receita Operacional Líquida (22%), do Capital Social (130%) e do Lucro Líquido (520%) apresentados no balanço patrimonial do ano em que foi realizada a pesquisa (2014).

É importante considerar ainda que o custo de contratação não representa o custo total da rotatividade. São impactantes ainda, por exemplo, o custo da

improdutividade inicial no trabalho, a subordinação às oscilações do mercado, entre outros.

Gráfico 22 - Comparação valor publicado em BP x custo das contratações3

3 Fonte: Documentos: Balanço Patrimonial, Demonstração dos Resultados, Notas explicativas às

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Outro valor de impacto extraído dos documentos contábeis divulgados refere-se aos valores provisionados para ações trabalhistas. Essas provisões são classificadas pela empresa em dois grupos: os de perda provável para o próximo exercício e os de perda possível. Também aqui se verifica uma relação importante, quando comparadas ao capital social, ao patrimônio líquido e ao lucro líquido.

Gráfico 23 - Comparação valor publicado em BP x Provisão para demandas judiciais trabalhistas (2014)

Não é objetivo dessa pesquisa a valoração exata do custo da rotatividade ou do provável pagamento em ações trabalhistas, mesmo porque o acesso aos dados é parcial. O objetivo dessas análises é evidenciar que existe um impacto significativo nos resultados econômicos da empresa em função da relação que mantém com seus trabalhadores, que justificam a adoção de medidas que os minimizem.

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