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Custos Ambientais do Produto

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (páginas 75-78)

2 BASE TEÓRICO-EMPÍRICA

2.3 DESEMPENHO FINANCEIRO

2.3.2 Gestão de Custos Am bientais

2.3.2.2 Custos Ambientais do Produto

O custeio ambiental total é a atribuição de todos os custos ambientais, privados e sociais, para os produtos. O custeio privado total é a imputação somente dos custos privados para os produtos individuais. O custeio privado atribuiria os custos ambientais, que são causados pelos processos internos da organização para os produtos. É um bom ponto de partida para as empresas. Os custos privados podem ser atribuídos usando os dados criados dentro da empresa. Já os custos totais exigem a coleta de dados que são produzidos fora da empresa, por terceiros. Assim que a empresa ganha experiência com o custeio ambiental, seria aconselhável que ela expandisse as atribuições de custos dos produtos e implementasse uma abordagem conhecida como a avaliação do custo do ciclo de vida.

A atribuição de custos ambientais para produtos pode produzir informações gerenciais valiosas, como, por exemplo, revelar que um produto específico é responsável por muito mais resíduos tóxicos do que outros e assim, sugerir um projeto alternativo para o produto, ou para os seus processos associados, mais eficiente ou fácil de usar. Também pode revelar que com os custos ambientais atribuídos, o produto não é rentável, o que pode indicar que a eliminação do produto possa significar em melhoria considerada de desempenho ambiental e eficiência econômica.

Muitas oportunidades podem advir do conhecimento dos custos ambientais e da atribuição precisa dos mesmos.

A maior parte dos sistemas de contabilidade de custos apresenta dois custos ambientais inseridos dentro dos custos indiretos de fabricação, ou seja, a atribuição dos custos ambientais é feita baseada em função. Ao serem separados em um grupo de custos ambientais e por meio do custeio baseado em função, estes custos podem ser atribuídos para produtos individuais usando direcionadores em nível unitário, tais como horas de mão-de-obra direta e horas-máquina. Esta abordagem pode vir a funcionar bem para produtos homogêneos, mas pode também produzir distorções de custos com produtos múltiplos, ou seja, em empresas com diversidade de produtos, sendo a precisão da atribuição uma função crítica.

Já o custeio baseado em atividades (ABC) facilita o custeio ambiental. O rastreamento dos custos ambientais para os produtos responsáveis por eles é um requisito fundamental para um sistema são de contabilidade ambiental. Aqui é essencial que a atribuição de custo utilize os relacionamentos causais, sendo isto feito pelo custeio ABC.

Conforme já mencionado, normalmente os custos atribuídos são privados, mas os custos sociais também são possíveis. Se eles ocorrerem e a empresa for capaz de mensurá-los, uma abordagem mais completa de custeio pode ser utilizada.

A atribuição de custos ambientais a atividades múltiplas permite aos gestores enxergarem o impacto econômico ambiental relativo a cada um dos produtos. Como os custos ambientais refletem danos ambientais, então o custo ambiental por unidade também pode servir como um índice ou uma medida da limpeza do produto. Os

produtos “mais sujos” podem então ser o foco de atenção para a melhoria do desempenho ambiental e eficiência econômica.

A gestão do produto é a prática de projetar, manufaturar, manter e reciclar produtos para minimizar impactos ambientais adversos. Os custos ambientais do produto podem revelar a necessidade de melhoria da gestão do produto na empresa. A avaliação do ciclo de vida identifica conseqüências ambientais de um produto durante todo o ciclo de vida, e depois busca oportunidades para obter melhorias ambientais.

Assim, é o meio para melhorar a gestão do produto. A avaliação do custo do ciclo de vida atribui custos e benefícios para as conseqüências e melhorias ambientais.

Hansen e Mowen (2001, p. 574) identificam quatro estágios no ciclo de vida de um produto: a extração de recursos, a manufatura do produto, o uso do produto e a reciclagem ou descarte do produto. Outro estágio possível é da embalagem do produto.

Os diferentes estágios dos ciclos de vida podem estar sob controle de alguém, além do produtor. A fonte de materiais para o produto pode vir por meio da extração ou da reciclagem. Se o produto, ou parte dele pode ser reciclado, então a gestão do resíduo é uma questão.

O ponto de vista adotado para o ciclo de vida combina os pontos de vista do fornecedor, do fabricante e do cliente. As ligações internas e externas são consideradas importantes na atribuição das conseqüências ambientais de produtos diferentes, dos projetos dos produtos e dos projetos dos processos e se é para o sistema de contabilidade de custos desempenhar um papel na avaliação do ciclo de vida, então o sistema mais óbvio estará avaliando e atribuindo os custos ambientais causados pelo produtor a cada um dos estágios do ciclo de vida. Assim, os gestores poderão comparar os efeitos econômicos de projetos competidores.

Para melhorar o desempenho ambiental o mais apropriado seria a adoção de estrutura de melhoria contínua. Conforme o Painel de Indicadores Equilibrados (Balance Scorecard), uma estrutura ambiental é uma quinta estrutura possível. Os próprios criadores do Painel de Indicadores Equilibrados mencionam um momento específico em que uma empresa adiciona uma perspectiva ambiental ao seu Painel Conforme Hansen e Mowen (2001, p. 578):

“...aceitando-se o paradigma da ecoeficiência, a inclusão de uma perspectiva ambiental é legítima, pois a melhoria do desempenho ambiental pode ser a fonte de uma vantagem competitiva (o critério para que uma perspectiva seja incluída). Um SGA baseado em estratégia fornece uma estrutura operacional para melhorar o desempenho ambiental. O conhecimento das causas raízes das atividades ambientais é fundamental para qualquer mudança no projeto do processo necessária para melhorar o desempenho ambiental. Assim, a estrutura do Painel de Indicadores Equilibrados fornece objetivos e medidas que são integrados para atingir a meta global de melhorar o desempenho global”. (HANSEN e MOWEN 2001, p. 578)

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (páginas 75-78)