4.3.1 EMPRESA A
Apesar de possuir em obra os itens apresentados a seguir, a construtora da empresa A não obteve custos diretos com estes itens: cursos de admissão, capacitação e segurança; elaboração do documento PCMAT e técnico de segurança, pois, devido ao seu modelo de gestão, estes custos são de responsabilidade da incorporadora da obra. Portanto, ficou a cargo da construtora arcar com os custos de proteções coletivas e individuais em obra, o qual, totalizou R$ 112.838,23, representando aproximadamente 0,45% do custo total da obra. Este valor está abaixo do idealizado por Tang em 1997 (0,6%), e também encontra- se abaixo dos valores obtidos por Araújo em 1998 (1,49%) e Silva et al. em 2012 (1,79%).
Estes custos representam um acréscimo de R$ 8,75/m² que corresponde apenas a 30,92% do acréscimo baseado no SINAPI, observado por Silva et al. (2016) de R$ 28,30/m².
As figuras a seguir representam as porcentagens de custos com equipamentos de proteção coletiva e individual e a divisão de custo das proteções coletivas em material, mão de obra e equipamentos.
Divisão de custos com as proteções coletivas
R$ 90.000,00 R$ 82.883,50 (79,80%) R$ 80.000,00 R$ 70.000,00 R$ 60.000,00 R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 R$ 10.000,00 R$ 0,00Custos das proteções coletivas Material Mão de obra Equipamentos
Custo PCMAT na empresa A
R$ 13068,41 (7,96%)
R$ 103860,29 (92,04%)
EPCs EPIs
Figura 5 – Composições dos custos com PCMAT na empresa A
(fonte: AUTOR, 2018)
Figura 6 – Divisão de custos com as proteções coletivas
R$ 19.994,10 (19,25%)
R$ 982,69 (0,95%)
(fonte: AUTOR, 2018)
Verificou-se que a empresa A obteve um maior gasto com o insumo das barras de ferro para o gradil que equivale ao tapume da obra, representando (33,12%) dos custos com insumos, seguido dos insumos referentes a instalação da plataforma de proteção primária. A relação completa do custo com cada insumo da empresa A, está representado no apêndice 7, e foram considerados apenas itens classificados como insumos no SINAPI, descontados outros valores como taxas, administração, equipamentos e mão de obra na categoria de insumo.
Os custos com insumos e equipamentos para a linha de vida, representaram apenas R$ 3671,10 (3,54%) do custo total com os EPCs. Esta proteção coletiva é a principal
Custo PCMAT na empresa B
R$ 1700,00 (0,94%) R$ 68200,00 (37,66%) R$ 4954,73 (2,74%) R$ 106258,23 (58,67%)EPCs EPIs Técnico de Segurança Documento PCMAT
proteção para evitar o tipo de acidente registrado mais comum em obras, a queda de altura. Sua descrição completa está no apêndice 9 deste trabalho.
4.3.2 EMPRESA B
A construtora da empresa B obteve custos diretos com estes itens: cursos de admissão, capacitação e segurança; elaboração do documento PCMAT e técnico de segurança, os valores com cursos são parte integrante do salário do técnico de segurança da obra. Os custos com proteções coletivas e individuais em obra, totalizaram R$ 181.112,96, representando aproximadamente 1,21% do custo total da obra. Este valor está acima do idealizado por Tang em 1997 (0,6%), e abaixo dos valores obtidos por Araújo em 1998 (1,49%) e Silva et al. em 2012(1,79%).
Estes custos representam um acréscimo de R$ 25,31/m² que corresponde a 89,43% do acréscimo baseado no SINAPI, observado por Silva et al. (2016) de R$ 28,30/m².
As figuras a seguir representam as porcentagens de custos com equipamentos de proteção coletiva e individual e a divisão de custo das proteções coletivas em material, mão de obra e equipamentos.
Figura 7 – Composição dos custos com PCMAT na empresa B
Divisão de custos com as proteções coletivas
R$ 90.000,00 R$ 80.000,00 R$ 70.000,00 R$ 60.000,00 R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 R$ 10.000,00 R$ 0,00 R$ 76.929,08 (72,40%) R$ 25.453,10 (23,95%) R$ 3.876,05 (3,65%) Custos das proteções coletivasMaterial Mão de obra Equipamentos
Figura 8 – Divisão de custos com as proteções coletivas
(fonte: AUTOR, 2018)
Verificou-se que a empresa B obteve um maior gasto com o insumo da tábua de madeira aparelhada de 2,5 x 15cm, representando (16,15%) dos custos com insumos, seguido de outros insumos também referentes a instalação das plataformas de proteção primária e secundária. A relação completa do custo com cada insumo da empresa A, está representado no apêndice 8, e foram considerados apenas itens classificados como insumos no SINAPI, descontados outros valores como taxas, administração e mão de obra na categoria de insumo.
Os custos com insumos e equipamentos para a linha de vida, representaram apenas R$ 2899,70 (2,73%) do custo total com os EPCs. Esta proteção coletiva é a principal proteção para evitar o tipo de acidente registrado mais comum em obras, a queda de altura. Sua descrição completa está no apêndice 10 deste trabalho.
Os custos com proteções coletivas nas duas empresas, foram similares. A divergência no custo total, se deu pelo fato da empresa A não arcar com os salários do técnico de segurança da obra, diferentemente da empresa B. Os custos encontrados correspondem as proteções utilizadas nas atuais etapas da obra, com o prosseguimento das construções, estes custos podem ser aumentados ao longo dotempo.
5 CONCLUSÃO
Com relação a elaboração do documento PCMAT, observou-se que em ambos os casos estudados e até mesmo a outros casos pesquisados que não tiveram prosseguimento neste trabalho, que o documento não engloba os itens de: mapa de riscos, projeto de execução das proteções coletivas e especificações técnicas das proteções coletivas, conforme cita a NR 18. Tais itens são fundamentais ao PCMAT pois evidenciariam os locais da obra com maior risco de acidentes, auxiliariam os funcionários na instalação das proteções coletivas e norteariam o orçamento das proteções coletivas.
Também foi relatado, segundo um funcionário, que a fiscalização do MPT só ocorre mediante denúncias, o que é evidenciado pelo fato de haver obras em Guarapuava sem a implantação dos sistemas de proteções coletivas.
O SINAPI apesar de ser o banco de dados nacional mais completo com relação as composições das proteções coletivas, ainda carece do cadastro de alguns serviços e insumos. Ressalta-se também que essas aferições são recentes, passaram a viger a partir de novembro de 2017 e a versão utilizada neste trabalho data de maio de 2018.
Os custos encontrados equivalem apenas a uma utilização dos equipamentos de proteção coletiva, estes custos podem ser reduzidos, conforme são reutilizados em outras obras. Porém, cada tipo de proteção coletiva deve possuir um número máximo de montagens, para não comprometer a qualidade e resistência dos materiais. Estes custos encontrados em ambos os casos, devem ser compreendidos como investimentos, pois demandam um baixo custo, quando comparado ao custo total da obra e garantem a qualidade e segurança da mão de obra. Tais custos também podem atuar indiretamente como um assegurador de lucros, pois evidenciam o comprometimento e qualidade da empresa na prestação de seus serviços.
Além de ser um fator constituinte do arcabouço jurídico nacional, soma-se a estes aspectos, a diminuição de riscos com despesas indiretas geradas por acidentes, como representado no quadro 7 deste trabalho. Evidencia-se, portanto, que a segurança do trabalho deve ser um tema essencial e presente não apenas na construção civil, mas também em outros serviços, para que a economia, tanto a nível municipal, quanto a nível nacional, obtenha melhoras significativas.
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