2.8 Mensuração dos custos ambientais adicionados na construção de condomínios
2.8.4 Custos da qualidade
2.8.4.1 Custos da qualidade ambiental
Na abordagem anterior, tratou-se dos aspectos mais importantes relacionados aos custos da qualidade, demonstrando que estes custos buscam identificar e apontar as falhas existentes, assim como os custos para se prevenir problemas decorrentes destas falhas, aqui “falhas” relacionadas com o “não” reuso da água.
Este tipo de informação torna-se de grande relevância para o processo de melhoria da qualidade e gerenciamento de custos de implantação de tratamento das águas cinza, trazendo um benefício às mesmas quando buscam retorno dos investimentos e priorizam a implementação de programas nas áreas críticas em função dos custos. Também traz benefícios
como redução de lançamento de efluentes, redução na captação de água e reconhecimento social.
Pauli (1995, p. 147) coloca que acompanhar a evolução em busca da qualidade é uma das principais preocupações no momento. O autor já dizia que, no meio pessoal e empresarial, o mais importante para as próximas décadas será a reestruturação dos sistemas produtivos em busca da chamada ”emissão-zero”. Segundo este mesmo autor, "após a questão do zero- defeito, 'emissão-zero', tornar-se-á o principal objetivo de todo e qualquer processo produtivo". Acrescenta ainda que "o processo de eliminação de resíduos não é nada mais do que a busca pela redução de custos". Neste aspecto, a preservação da água também deverá ocupar um papel de destaque em relação à redução dos custos. Ou seja, as pessoas e as empresas deverão priorizar a prevenção da poluição, evitando assim gastos com correções e até mesmo controle.
A qualidade também passou de uma visão de "custo extra" para uma visão de "ferramenta de auxílio para redução dos custos", tornando-se então um diferencial competitivo.
Segundo Campos e Selig (2005, p. 145 e 146), os Custos da Qualidade Ambiental (CQA) dividem-se em três categorias:
• Custo de Adequação (adequação a normas, leis, portarias, decretos, necessidades dos clientes, abertura de mercado etc.), que, por sua vez subdivide-se em Custo de Adequação através da Prevenção, do Controle e da Correção;
• Custo das Falhas de Adequação; e os • Custos tratados como "externalidade".
A seguir, serão definidas as categorias que compõem a visão de Custo da Qualidade Ambiental, detalhando-se alguns dos seus elementos.
Custo de Adequação
A primeira abordagem do Custo da Qualidade Ambiental, denominada Custo de Adequação, diz respeito aos custos para se adequarem a tecnologias "limpas", a alterações nos processos produtivos, as leis impostas por órgãos competentes, as leis de mercado que se modificam a cada novo momento, as normas ambientais como BS 7750 e o conjunto de normas ISO 14000. Ou seja, trata-se do custo de ações para se adequar a um novo cenário proposto.
Subdivisões de Custo de Adequação através da Prevenção, do Controle e da Correção.
• Custo de Adequação através da Prevenção
Os custos de adequação através da prevenção são os custos relacionados a atividades que buscam emissão de poluição zero, ou seja, alterações em processos produtivos, em produtos e em processos administrativos, visando produtos, componentes ou serviços produzidos sem qualquer tipo de atividade poluidora.
Graedel e Allenby (1995, p. 318) definem prevenção da poluição como "o uso de materiais, processos, ou práticas que reduzam ou eliminem a quantidade ou toxidade de resíduos na fonte de geração através de atividades que promovam, encorajem ou exijam modificações nos padrões comportamentais básicos da indústria, do comércio e instituições".
Prevenção essa que se relaciona a redução e/ou eliminação dos resíduos contidos nas águas cinza, objeto de reuso tratado neste trabalho.
A seguir, serão apresentadas algumas atividades que podem ser consideradas custos de:
• Adequação através da prevenção:
- treinamento e conscientização de pessoal, em todos os níveis hierárquicos, para implementação, desenvolvimento e administração de Sistemas de Gestão Ambiental; - contratação de consultorias e auditorias ambientais;
- adequação aos preceitos das legislações federais, estaduais e municipais;
- certificação de normas ambientais como o conjunto de normas ISO 14000 e a BS 7750, incluindo custos de implantação, custos de conscientização e treinamento de todos os níveis hierárquicos envolvidos, custos com manutenção e acompanhamento e custos com melhoria contínua;
- substituição de matérias-primas, insumos e componentes poluentes;
- reciclagem e reutilização de materiais de escritório, embalagens, contêineres, sobras etc.;
- compra de máquinas, equipamentos e instalações cujas funções específicas atuem no processo de eliminação dos níveis de emissão danosos;
- investimentos em P&D, visando produtos, processos e tecnologias "limpas", que não agridam o meio ambiente ou a sociedade;
- compra e/ou transferência de tecnologias "limpas"; - serviço de atendimento ao consumidor;
- divulgação das ações preventivas da empresa; - gastos com seguros ambientais.
• Adequação através da correção
O custo de adequação através da correção refere-se à reparação de um dano causado, ou de uma poluição gerada no meio ambiente. Sendo assim, trata-se de um custo de correção, pois o dano já ocorreu, gerando a necessidade de uma reparação. Esses custos são mensuráveis nas ETEs (Estações de Tratamentos de Efluentes) e nesse caso, como as águas cinza ainda não foram despejadas para o esgoto, são identificáveis na CTAC (Central de Tratamento das Águas Cinza) dentro dos condomínios.
Esta decisão de arcar ou não com estes custos é uma questão bastante complexa, que envolve diversos fatores, não somente análise de custo-benefício para reciclar a água, mas
também outras questões importantes, porém difíceis de mensurar, como o benefício ambiental, os riscos, fatores que somente com um estudo em edificações já habitadas podem ser identificados e mensurados.
Segundo Robles e Bonelli (2008, p. 58), “A identificação dos custos ambientais referentes ao nível de falhas existentes e o volume de gastos necessários para eliminar e/ou reduzir essas falhas, seja na forma de investimentos de natureza permanente ou de insumos consumidos no processo operacional, torna-se o primeiro passo de uma contabilidade ambiental”.
Nessa linha, os gastos com a qualidade ambiental, ou seja, o custo de tornar as águas cinza, com qualidade de reuso, são os custos necessários dispensados seja como investimento, seja com os produtos e insumos essenciais no processo de tratamento da água cinza.
Os custos ambientais citados por Ribeiro (1998, p. 69) “devem compreender aqueles relacionados, direta ou indiretamente, com a proteção do meio ambiente”, como:
• todas as formas de amortização (depreciação e exaustão) dos valores relativos aos ativos de natureza ambiental possuídos pela companhia;
• aquisição de insumos próprios para controle/redução/eliminação de poluentes; • tratamento de resíduos dos produtos;
• disposição dos resíduos poluentes;
• tratamentos de recuperação/restauração de áreas contaminadas;
• mão de obra utilizada nas atividades de controle/preservação/recuperação do meio ambiente.