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13 CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS DA RINOSSINUSTE

No documento Rev. Bras. . vol.74 número2 suppl. (páginas 41-45)

13.1 CUSTOS DIRETOS

Por causa da alta prevalência, a RS gera impacto direto e indireto na economia global. A maioria dos dados disponíveis sobre esse tema retrata a realidade americana e européia, e poucos estudos apresentam informações sobre a América Latina.

Em 1994, aproximadamente 35 milhões de pessoas apresentaram RS, com prevalência de 134,4: 1.000 habitan- tes nos Estados Unidos (USA). Essa prevalência foi maior que as de hipertensão arterial, diabetes mellitus e rinite alérgica. Em 1995, a RS foi o 11o diagnóstico ambulatorial mais freqüente nos USA, correspondendo a um total de

11.898.000 casos e 2% de todos os atendimentos realizados no ano. O custo do tratamento de RSA e RSC, segundo estimado pela National Medical Expenditure Survey, foi de 3,4 bilhões de dólares em 1996.

Ray et al. analisaram a coexistência de RS e outras patologias, como asma, otite média e rinite alérgica, e verificaram que 10% a 15% do custo dessas doenças foi atribuído à RS, aumentando o impacto econômico para aproximadamente 5.78 bilhões de dólares. Os autores utilizaram dados da National Centre for Health Statistics e não distinguiram as RSs.

Murphy et al. observaram 43% a mais de visitas hospitalares, 25% a mais de atendimento de urgência, 43% a mais de prescrições, porém 29% a menos de internações. Em relação ao custo, foi 35% maior para atendimento dos pacientes com RS e as medicações aumentaram significa- tivamente 28%, às custas de antibiótico (60%), corticóides (21%) e AH e descongestionantes (19%). No total, pro- porcionou aumento de 6% do custo comparado à média de adultos atendidos, custando $2.609 por ano, incluindo serviços de radiologia, hospitalização e medicações. No ano de 1994 foram atendidos 20.9 milhões de pacientes com rinossinusite, com custo estimado de U$206 por pes- soa, correspondendo a um gasto total de 4.3 bilhões de dólares. Considerando a prevalência atual de 32 milhões de pacientes com RS/ano, esse gasto aumentaria para $6.39 bilhões anualmente.

Com as melhorias nos métodos diagnósticos e as inovações tecnológicas, especialmente com o advento da TC e da endoscopia nasossinusal, houve aumento nos custos para o diagnóstico da RS. Stankiewicz et al. sugeriram ser mais barato tratar apenas com diagnóstico clínico, sem TC ou endoscopia, porém 52% foram medi- cados inadequadamente. O diagnóstico específico com TC e endoscopia tem custo maior, porém o tratamento é mais apropriado e eficaz.

Em relação aos custos do tratamento cirúrgico, um estudo chinês realizado em 2004 mostrou que correspon- dem a 65,6% dos gastos na terapêutica das rinossinusites, seguidos pelos exames radiológicos e laboratoriais (13,8%) e serviços de admissão (6,6%). Anualmente, gasta-se $40.829,43 dólares taiwaneses em pacientes submetidos à cirurgia endoscópica, e os autores sugerem indicação de cirurgia endoscópica somente para casos de RSs graves. Neste trabalho, as cirurgias foram feitas sob anestesia local e não há referências sobre os custos com pacientes não-cirúrgicos.

Gliklich & Metson observaram que o custo anu- al com medicações para tratamento de RS equivale a U$1,220, distribuídos entre corticóide tópico nasal (U$250), antibióticos (U$772) e outros medicamentos (U$198). Demonstraram também que o custo destas medicações diminuiu significativamente após cirurgia endoscópica nasossinusal.

O estudo europeu realizado no hospital de Ne- therlands em 2001 demonstrou que o custo direto dos atendimentos de pacientes com RSC grave foi de ∈1861 ao ano.

Conclui-se que o custo direto para tratamento clíni- co e cirúrgico de RSC varia entre U$200 a U$6,000, o que corresponde R$420 a R$13.200, aproximadamente. Análises de custos melhores e mais atualizadas são necessárias para nortear a conduta, principalmente cirúrgica na RSCcPN.

13.2 CUSTOS INDIRETOS

Além de custos diretos, as RSs também causam pre- juízos indiretos, pois os indivíduos acometidos apresentam queda de rendimento ou incapacidade para exercer as atividades laborativas. A alta freqüência de RSs gera um grande impacto socioeconômico, considerando-se que 85% dos pacientes com RS encontram-se na faixa etária de 18- 60 anos. Segundo Murphy et al., entre 1986 e 1988, a RSC foi responsável por 51.651.000 dias de afastamentos do trabalho e 16.144.000 dias de incapacidade anualmente.

Gliklich & Metson observaram que, além da econo- mia direta relacionada aos gastos com medicação, após a cirurgia endoscópica nasossinusal há um ganho indireto com menos incapacidades (18,3% para 15,3%) e afastamen- tos do trabalho (5% para 3%), gerando uma economia de U$430 por paciente. Essa economia compensará os gastos da cirurgia endoscópica ao longo de sete anos.

Em 2003, a RS foi classificada entre as dez doenças mais dispendiosas para os trabalhadores americanos, se- gundo Goetzel et al.. Os dados foram obtidos através do seguro saúde dos trabalhadores, que associou o absente- ísmo do trabalho com a ocorrência da RS.

A RS gerou gastos de U$60,17 por empregado por ano num total de 375.000 trabalhadores. Isso correspondeu a U$22.563.750, sendo 46% atribuídos ao custo indireto pelos dias de afastamento ou incapacidade.

Bhattacharyya, em 2003, verificou o impacto econô- mico direto e indireto da RS nos trabalhadores, analisando sintomas, medicações e afastamentos. O custo total por trabalhador por ano foi de U$1,539, sendo 40% referentes aos dias de trabalho perdidos (média 4,8 dias). O autor concluiu o estudo estimando que 32 milhões de trabalha- dores americanos são afetados por ano, gerando gastos equivalentes a U$47 bilhões. Nesse estudo, os dados foram baseados em consultas com otorrinolaringologistas, Nos Estados Unidos os custos para atendimento e tratamento por esse especialista são mais elevados e os pacientes encaminhados têm doenças mais graves.

A RS provoca um impacto importante na qualidade de vida, incluindo limitação das funções laborativas, con- forme descrito na literatura. Os custos relativos à queda de produtividade e absenteísmo são altos e freqüentemente subestimados.

15. ESQUEMA DE TRATAMENTO PARA RINOSSINUSITE CRONICA EM ADULTOS

Legenda:

CE: corticoesteróide LN: lavagem nasal ATB: antibiótico

No documento Rev. Bras. . vol.74 número2 suppl. (páginas 41-45)

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