• Nenhum resultado encontrado

CYCLING SCHOOL: ASSESSMENT PRACTICES EXPERIENCED IN THE TEACHING OF MATHEMATICS

No documento Vista do v. 8 n. 13 (2013) (páginas 97-107)

Maria de Lourdes Santos Melo Pedro Franco de Sá Sílvio Tadeu Teles da Silva Universidade do Estado do Pará –UEPA – Brasil Resumo

Este artigo apresenta os resultados de pesquisa que objetivou: identificar práticas avaliativas de matemática dos 3º e 4º ciclos da Rede Municipal de Educação de Belém; como os docentes lidam com baixo desempenho discente em avaliações, suas percepções e adaptação em torno da organização escolar em ciclos. As informações foram produzidas por meio de aplicação de formulário a professores de matemática. A análise dos resultados revelou esforço docente em empreender avaliação processual e diversificada, busca de alternativas abertas para o baixo rendimento dos alunos nas avaliações, adaptação parcial ao trabalho em ciclos e posição favorável a organização do ensino.

Palavras-chave: Educação, Educação Matemática, Organização Escolar em Ciclos, Avaliação da Aprendizagem de Matemática.

Abstract

This paper presents the results of a survey that aimed to: diagnose evaluation practices of Mathematics teachers in the 3rd and 4th cycles in the Municipal Schools of Belém; identify how they deal with the low performance of students in assessments, their perceptions and adaptation concerned the organization of teaching in cycles. The information was produced applied a questionnaire to Mathematics teachers. The results reveal an effort to undertaken a processual and varied evaluation. Facing the low performance of students in assessments, teachers indicate use to seek more open alternatives, the teachers feel partially adapted to the work in cycles, being favorable to this form of teaching organization.

Keywords: Education, Mathematics Education, Organization of Teaching in Cycles, Assessment. Learning of Mathematics.

98 Introdução

A política de organização do ensino por meio de ciclos pode ser considerada uma inovação pedagógica originárias das reformas educacionais iniciadas no século passado, que pretende contribuir para uma maior democratização do ensino e o estabelecimento de uma nova lógica escolar. Nesse contexto, a avaliação da aprendizagem é totalmente redimensionada, no sentido de romper com práticas pontuais, excludentes, alinhadas a um viés positivista e classificatório, dando lugar a uma abordagem emancipatória, processual e inclusiva, que considera os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos, a serviço de uma ação que promova a aprendizagem e não do mero registro e classificação, como tem sido utilizada pela escola tradicional. A esse respeito, Hoffmann (2001, p. 21) afirma:

Em relação à aprendizagem, uma avaliação a serviço da ação não tem por objetivo a verificação e o registro de dados do desempenho escolar, mas a observação permanente das manifestações de aprendizagem para proceder uma ação educativa que otimize os percursos individuais. Nessa perspectiva, a organização do ensino em ciclos é vista enquanto uma alternativa que pode favorecer mudança não apenas nas práticas avaliativas da escola, mas em toda a organização curricular, uma vez que sua lógica volta-se preferencialmente para novas formas e tempos de aprendizagem, minimização ou eliminação do fracasso escolar e a preocupação com a inclusão social do alunado (ARROYO, 1999).

A organização escolar em ciclos já vem sendo vivenciadas em países como França, Bélgica e Canadá, entre outros, mas tanto nesses contextos, como no território brasileiro, não tem um modelo único, ou mesmo concepções similares. Conforme Perrenoud (2004, p. 29) “o conceito do ciclo ainda é vago”, sendo construído e reconstruído a partir dos contextos políticos que direcionam as políticas educacionais e das necessidades locais onde essas políticas são implantadas. Daí a existência de variedade de modelos e objetivos afins com os ciclos de aprendizagens.

Em nosso país, desde os anos 1980, vem crescendo cada vez mais o número de estados e municípios que aderem à organização do ensino por meio de ciclos, mesmo com políticas, métodos e objetivos diferenciados. Pesquisas como as realizadas por Fernandes (2005), Barreto e Sousa (2005), dentre outras, concluem que a opção por esse modelo de organização do ensino tem causado modificações profundas na cultura escolar, uma vez que altera completamente os tempos de aprendizagens dos alunos, a organização curricular, o modelo avaliativo e, principalmente, a prática pedagógica dos professores.

Em Belém os ciclos remontam ao final dos anos 80 e permanecem até hoje. Nesse percurso passou por várias gestões, ênfases pedagógicas e

99 propostas curriculares. Nas várias experiências de organização em ciclos já vivenciados em Belém, muitos educadores e pesquisadores se debruçaram para analisar a sua organização, sendo alvo de inúmeras reflexões e questionamentos quanto à sua eficácia na garantia da melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem escolar. Tais estudos podem ser encontrados em autores como: Melo (2010), Costa (2000), Carmo (2006), dentre outros. Em Melo e Sá (2009) encontramos uma revisão de estudos sobre o sistema de ciclos da Rede Municipal de Educação de Belém (REMED–Belém) que aponta a necessidade de investigações mais localizadas. Estes estudos, somados a outros existentes, tem colaborado para uma análise mais acurada dos ciclos. Contudo, ainda é ínfima a produção de estudos de cunho disciplinar no 3º e 4º ciclos na rede.

As questões acima motivaram a realização deste estudo que tem por objetivo conhecer práticas avaliativas dos professores de matemática e descobrir como lidam com o baixo rendimento dos alunos nas avaliações, bem como, sua adaptação e percepção acerca da organização do ensino em ciclos na REMED-Belém.

A pesquisa foi desenvolvida em uma abordagem quanti-qualitativa, tendo como campo de investigação escolas da referida rede, envolvendo uma amostra aleatória de 24 professores de matemática que correspondem a, 46% do total lotado nessa disciplina no ano de 2009. A produção das informações foi realizada por meio da aplicação de um formulário contendo questões fechadas, focalizadas nos seguintes eixos: perfil docente, práticas avaliativas, percepção e adaptação à organização do ensino em Ciclos.

Metodologia

A pesquisa foi desenvolvida por meio das seguintes etapas: construção do instrumento de pesquisa, teste do instrumento de pesquisa, avaliação do teste, aplicação do instrumento, sistematização das informações e análise dos resultados. A construção do instrumento foi dedicada à elaboração de um formulário contendo questões de duas naturezas: informações pessoais e informações sobre a prática pedagógica.

O teste do instrumento de pesquisa consistiu-se da aplicação do instrumento junto a professores de matemática da Rede, que posteriormente foram excluídos da amostra, com objetivo de avaliar o formulário para possíveis alterações do mesmo. Os resultados da avaliação indicaram que não havia necessidade de alterações no instrumento.

A aplicação do instrumento ocorreu durante o ano de 2009, com a autorização expressa da Secretária de Educação do Município de Belém da época, o que facilitou muito o acesso as unidades escolares e aos docentes. Outro registro importante sobre este momento da pesquisa foi a disposição dos docentes em cooperar com o estudo. As informações foram sistematizadas em quadros para viabilizar sua análise.

100 Resultados e análise

Os resultados apontam que, no referente ao perfil docente, 70% dos professores envolvidos na pesquisa eram do gênero masculino, confirmando ainda a predominância deste gênero nessa área do conhecimento. A maioria (44%) encontrava-se com idade acima de 35 anos, portanto na faixa etária de maturidade, embora a maioria (64%) tivesse menos de 10 anos de experiência profissional na REMED- Belém, sendo que metade (50%) já havia adquirido estabilidade no serviço público municipal, compondo o quadro de professores efetivo. Todos os envolvidos na investigação possuíam licenciatura em Matemática, dos quais, 41% com especialização e 9% com mestrado, fato que consideramos importante devido possuírem a formação legal exigida para exercer a docência em Matemática, como também indicar disposição de boa parte desses docentes em dar continuidade a sua formação acadêmica.

Este fato torna-se duplamente relevante. Primeiro se consideramos que ainda são muitos os municípios do Pará que não possuem em seus quadros docentes professores licenciados plenos, e segundo por a expressiva parcela de professores com pós-graduação indica também preocupação com a formação continuada, fato que tende a contribuir para a melhoria do trabalho pedagógico em sala de aula, pois a atualização docente tende a colaborar com práticas pedagógicas mais reflexivas e atualizadas na área de atuação docente.

No referente às práticas avaliativas dos professores, os resultados apontaram que de um modo geral, havia adoção de ações diversificadas, como podemos observar no quadro nº 1.

QUADRO Nº 01: Maneiras mais comuns utilizadas para avaliar

Tipos de avaliação da aprendizagem dos alunos %

Testes individuais de múltipla escolha 29

Testes de múltipla escolha em grupo -

Testes com questões discursivas em grupo 20

Apresentação de seminários 33

Trabalhos de pesquisa 54

Comportamento 37

Teste oral 04

Visto no caderno de questões do livro didático 37

Trabalhos diários 41

Frequência e participação às aulas 37

O aluno compra apostilas fornecidas pelo professor ou escola 04 O aluno compra bilhetes de sorteios, rifas ou similares - Participação de feira escolar, desfile ou similares 16

101

Outro(s) 04

Fonte: pesquisa de campo 2009

Ao observamos a predominância de práticas avaliativas direcionadas para atividades de pesquisa (54%), trabalhos diários (41%), visto no caderno de questões do livro didático (37%), seminários (33%), testes individuais de múltipla escola (29%) provas discursivas (20%) e outras atividades que se diferenciam do modelo tradicional de aplicação de testes objetivos, notamos que os professores buscavam inovações na sua prática pedagógica, na tentativa de dar conta dos desafios postos para a prática docente dentro de uma concepção de ensino fundamentada nos ciclos. Ressalta-se que a utilização de questões de múltipla escolha é importante na prática avaliativa dos professores, uma vez que colabora para as experiências dos alunos no sentido de familiarizá-los com avaliações similares às do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e Programme for International Student Assessment, popularmente conhecido por PISA.

Chamou atenção a estranha natureza de alguns procedimentos avaliativos como a compra de apostilas ou similares e a participação em feiras e desfiles como itens de avaliação, fato indicativo da possibilidade de ocorrência de distorções do processo de avaliação da aprendizagem em relação à atribuição de notas, podendo levar à progressão ou aprovação de aluno sem a obtenção de conhecimentos básicos necessários ao ingresso e permanência com sucesso no ensino médio. Os resultados do questionamento acerca de procedimentos adotados quando os alunos apresentavam baixo rendimento nas avaliações podem ser observados no quadro nº 02.

QUADRO Nº02: Postura docente diante do baixo rendimento escolar Postura do professor quanto à nota baixa em uma avaliação % Propõe que façam nova avaliação com o mesmo processo 27,2 Propõe que façam uma atividade diferente das realizadas para

aumentar a nota

9,1

Não se preocupa com os resultados -

Conversa com os alunos para saber as causas da nota baixa 45,5 Chama a direção e pede que os responsáveis sejam comunicados 9,1

Outro(s) 9,1

Total 100

Fonte: Pesquisa de campo, 2009

Nota-se que todos os docentes consultados informaram se preocuparem quando os resultados das avaliações não eram os desejados. É interessante observar que boa parte afirmou que adotava uma postura mais aberta, investigativa e flexível mediante as dificuldades de aprendizagem apresentadas

102 pelos alunos, uma vez que diante das notas baixas, a maioria (45%) disse que procurava conversar com os alunos para saber as causas dessa nota, e/ou propunham que fizessem nova avaliação com o mesmo processo (27,2%). Tais resultados denotam a compreensão de que a avaliação não pode ser considerada um processo isolado de outros fatores e que o erro precisa ser investigado pelo professor junto ao aluno, buscando identificar suas necessidades formativas e merece louvor. A esse respeito, Vasconcellos (1998, p. 25) reporta que:

(...) o erro pode ser visto como um indicador de carências e de inadequação de estratégias cognitivas, mas também como abertura a novas possibilidades (...). Trata-se de uma hipótese na construção do conhecimento, portanto, um excelente material de trabalho para o professor, que não é simplesmente dizer “certo” ou “errado”, mas tentar acompanhar e compreender o que o educando entendeu que o fez chegar àquele resultado (OTT, 1986), ajudando-o a tomar consciência e a se colocar como um problema a ser enfrentado.

Da mesma forma, ao propor que os alunos façam uma nova avaliação com o mesmo processo (27,2%) indicou uma postura de flexibilidade, evitando a reificação do conhecimento, oportunizando aos alunos uma nova chance de melhorar seu desempenho. Tais práticas denotam uma tendência à adoção de uma concepção progressista e emancipatória da avaliação, enquanto um processo contínuo de identificação de necessidades formativas dos alunos.

O questionamento acerca da diferença entre o sistema de avaliação utilizado nos ciclos e nas séries, os resultados revelou que a maioria (83%) dos professores envolvidos no estudo considerava que existia diferença de um sistema para o outro. Isso permite inferir que os docentes consultados compreendiam a lógica de avaliação que fundamenta a organização do ensino em ciclos e que havia indícios de que o processo de avaliação da aprendizagem de Matemática ocorria de maneira diferenciada.

Sobre a percepção dos professores em relação aos ciclos enquanto uma alternativa para superar dificuldades de aprendizagem em matemática a sistematização dos resultados resultou no quadro a seguir.

QUADRO Nº 03. Ciclo como opção para superar dificuldades de aprendizagem em matemática

Depoimentos dos professores %

Sim sem restrições - atualmente é a melhor opção. 0,0 Sim com restrições – ainda precisamos aperfeiçoar muitas questões no sistema de ciclado.

87,5

Não com restrições – porque considero que os alunos aprendem menos do que no sistema ciclado.

103 Não sem restrições – porque em meu trabalho não faço diferença entre ensino em ciclo ou série.

4,2

Total 100

Fonte: pesquisa de campo 2009

A leitura das informações do quadro anterior mostra que nenhum dos docentes consultados considerou a organização escolar em ciclos como alternativa para superar as dificuldades de aprendizagem em matemática dos alunos das escolas públicas sem restrições. Entretanto, o fato de 87,5% dos docentes considerarem, com restrições, a organização ciclada, com alternativa favorável na busca das superações das dificuldades do processo de ensino- aprendizagem de Matemática indica uma critica a forma como os ciclos vinham sendo operacionalizados nos seus contextos escolares, indo ao encontro de resultados encontrados por Melo (2010, p.159), que após observar prática pedagógica de professores de matemática dos 3º e 4º ciclos e ouvir as opiniões de docentes e técnicos educacionais sobre a organização escolar em ciclos apontou que:

A REMED-Belém não tem garantido condições materiais para que o projeto surtisse os resultados esperados, mormente, no referente à qualidade do ensino e à promoção da aprendizagem significativa e efetiva do aluno, focada no sucesso e não no fracasso escolar dele. Para os professores, duas questões precisariam ser priorizadas pela Rede para a uma boa condução e rendimento de sua prática escolar nos Ciclos: a) melhorias de condições efetivas escolares, em especial, no que se refere ao número de alunos em sala; e b) maior participação da família no percurso escolar dos filhos.

Quanto ao aprendizado de matemática no sistema ciclado os resultados da pesquisa mostraram que 71% responderam sim e 29% responderam negativamente. Tal resultado nos faz concluir que a maioria dos consultados considerava que a forma de organização escolar em ciclos permite a promoção dos alunos sem a devida aprendizagem. Este resultado merece um aprofundamento por meio de pesquisa cuidadosa sobre os resultados de aprendizagem de matemática obtidos pelo sistema organizado em ciclos.

Esse dado é relevante, pois remete a necessidade do repensar do trabalho pedagógico da escola, uma vez que seus resultados contrariam os fundamentos da proposta de ciclos, criada justamente para combater o fracasso escolar, favorecendo uma aprendizagem efetiva e significativa dos alunos. Isto mostra que há que se mergulhar no cotidiano da escola e acompanhar as práticas pedagógicas, identificando os obstáculos intra-escolares à aprendizagem. No referente da adaptação dos professores a organização do ensino em ciclos os resultados estão expressos no quadro a seguir.

104 QUADRO Nº 04. Adaptação ao sistema ciclado

Consideração dos professores %

Completamente adaptado 4,2

Parcialmente adaptado 83,3

Não adaptado 12,5

Total 100

Fonte: pesquisa de campo 2009

A leitura do quadro acima aponta que a maioria dos consultados se considera adaptado parcialmente ao processo, uma vez que significativa maioria (83%) se considera parcialmente adaptada, enquanto 12% afirmam não estar adaptada.Este resultado indica que ainda há necessidade de um trabalho junto ao professor e a rotina escolar para identificar quais são as causas dos sentimentos de adaptação parcial e da inadaptação de alguns docentes de matemática ao sistema de ciclo.

Outro fato relevante foi o que diz respeito a manutenção ou não do sistema de ciclos, o resultado desse questionamento está sistematizado no quadro que segue.

QUADRO Nº 05. Decisão sobre a manutenção do sistema ciclado

Proposta dos professores %

Manteria o sistema de Ciclos nas escolas 75 Retornaria ao sistema seriado nas escolas 25

Total 100

Fonte: pesquisa de campo 2009

A resposta de 75% dos professores favorável a permanência dos ciclos foi um surpreendente resultado, a princípio até contraditório, e indica que eles reconhecem os ciclos como uma inovação pedagógica interessante, desde que sejam dadas condições efetivas para sua efetivação no espaço escolar. É possível também levantar a hipótese de que estas respostas sofreram a influencia da autorização expressa advinda da dirigente da REDE-Belém para realização da pesquisa. Entretanto, tal hipótese é enfraquecida pelo resultado obtido por Melo (2010) que apresentou a fala de docentes e gestores manifestando-se a favor ao sistema ciclado e também ressalvando a necessidade de ajustes para aperfeiçoar sua organização.

Considerações finais

As aproximações conclusivas do estudo diagnóstico indicam que o perfil dos docentes de matemática que atuam na REDE-Belém já atende as condições

105 mínimas exigidas pela legislação e que parcela significativa destes docentes realizou cursos de pás-graduação lato e stricto sensu. O diagnóstico das práticas avaliativas dos professores de matemática do 3º e 4º ciclos na REDE- Belém consultados mostrou que há diferença entre as práticas avaliativas da organização ciclada das práticas adotadas no sistema seriado. Também foi percebido que formas avaliativas pouco comuns há algum tempo no cotidiano de professores de Matemática da REDE-Belém, tais como: apresentação de seminário e trabalhos de pesquisa, dentre outras, já são vivenciadas atualmente no ensino fundamental.

Quanto ao modo como os docentes lidam quando há baixo desempenho dos alunos nas avaliações o diagnóstico apontou que quase a metade dos mesmos procura saber por meio de conversa com alunos o motivo dos resultados obtidos e que em torno de um terço propõe que os alunos realizem outra avaliação com tarefa de mesma natureza. A adaptação dos docentes ao sistema ciclado ainda merece atenção dos dirigentes da REDE em questão, em virtude da existência de docentes que ainda não se sentem ainda plenamente adaptados a este modelo de organização escolar.

Uma descoberta interessante foi saber que apesar da maioria dos docentes de matemática acreditar que os alunos são promovidos sem a devida aprendizagem, estes não foram favoráveis à mudança do sistema de ciclo para o sistema de série, apesar de apontarem a necessidade de aperfeiçoamento e melhor estruturação dos ciclos para que realmente essa mudança na cultura escolar possa ser revertida em uma educação pautada nos princípios da qualidade social da educação e na melhoria de indicadores de aprendizagem dos alunos, resultado este também encontrado em Melo (2010).

Os resultados do diagnóstico realizado por meio da consulta a docentes de matemática da REDE-Belém apontam que há necessidade de estudos futuros voltados para escuta de docentes de outras disciplinas e de pesquisas voltadas para identificar causas da inadaptação de docentes ao sistema ciclado bem como para avaliar o nível de aprendizagem obtida pelo alunos após sua passagem pelos ciclos. A nosso ver, esses estudos permitirão maior compreensão dos problemas que o sistema de organização em ciclos da Secretaria de Educação Municipal de Belém vive e permitirão que soluções sejam apresentadas com base em uma visão panorâmica obtida junto àqueles que cotidianamente labutam para efetivar o processo de ensino e aprendizagem no âmbito escolar.

Referências

ARROYO, M. G. Ciclos de desenvolvimento humano e formação de educadores. Educação & Sociedade, v. 20, n. 68. Campinas, p.143-162, 1999.

106 BARRETTO, E. S. de S.; MITRULIS, E. Trajetória e desafios dos ciclos

No documento Vista do v. 8 n. 13 (2013) (páginas 97-107)